Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Após Rock in Rio, Iron Maiden leva show ornamental e pirotécnico para São Paulo

Foto: Divulgação

O palco do Rock in Rio mal esfriou e a banda britânica Iron Maiden desembarcou em São Paulo para o segundo de três shows no Brasil. Após uma apresentação marcante no Palco Mundo na sexta-feira, 4, o grupo levou sua turnê Legacy Of The Beast para mais de 60 mil pessoas no Estádio do Morumbi, na capital paulista, neste domingo, 6. Na sequência, os ingleses se apresentam em Porto Alegre nessa quarta-feira, 9, na Arena do Grêmio.

Nessa turnê, o Iron Maiden investiu pesado na produção dos shows, que conta com cenários grandiosos e apresentações pirotécnicas, tudo à altura de uma banda que já tem 40 anos de estrada, muitos clássicos no repertório e uma marca eterna na história do metal e da música.

A superprodução, claro, enche os olhos, mas o que os fãs querem mesmo é música. O que mais emociona é a recepção do público do Maiden, que tem um clã fiel. Formado por um mar de pessoas vestindo preto - a maioria com as mais diversas blusas já produzidas da banda - de diferentes faixas etárias, o público canta todas as canções em uníssono, para o deleite do vocalista Bruce Dickinson, que parece se divertir com cada interação que faz com a plateia, ora puxando palmas, ora mandando o seu já tradicional “scream for me Brazil” (ou a variável “scream for me São Paulo”).

Mesmo sem alegoria alguma no palco, o show ainda seria de agrado dos fãs, mas a superprodução é um complemento que cai bem. Logo no início da apresentação, uma réplica enorme de um avião da Força Área Britânica da Segunda Guerra Mundial paira sobre o palco, anunciando o tom ornamental da noite. O avião acompanha a apresentação de Aces High, música que também abriu o primeiro show que a banda fez no Brasil, na histórica primeira edição do Rock in Rio em 1985.


Aces High foi só o primeiro de muitos clássicos do Maiden que ainda viriam pela frente, como 2 Minutes To Midnight, The Clansman e The Trooper; nessa última, a banda convidou o Eddie (mascote do grupo) em tamanho real e empunhando uma espada para o divertimento do público.


O mascote morto-vivo aparece em diversos momentos do show, seja estampando cenários, ou surgindo como uma diabólica cabeça gigantesca e assustadora durante a apresentação de Iron Maiden, música do primeiro álbum da banda, que também leva seu nome, lançado em 1980.


O Iron aproveitou também seu vasto repertório e resgatou algumas canções que há muito tempo não eram tocadas ao vivo, como Flight Of Icarus, ausente dos setlists desde 1986. Seu retorno, no entanto, foi triunfal, com direito a um enorme Ícaro (personagem da mitologia grega) sobrevoando o palco enquanto Dickinson brinca com um lança-chamas em um dos momentos pirotécnicos. Foram vários ao longo do show. Vale destacar, aliás, o forte calor que dá para sentir quando a banda recorre ao fogo para enfeitar seu show. Imagine o quão quente é para quem está no palco.


O final do show reservou outros clássicos como Fear Of The Dark, The Number Of The Beast, Hallowed Be Thy Name e Run To The Hills, que mais uma vez fechou com maestria um show do Maiden.




Energia invejável dos sessentões
As duas horas de apresentação passam rápido, mas fica marcado a referência que é a banda e a virtuosidade dos músicos - é impressionante ver os solos de Steve Harris, Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers - além do talento e simpatia do baterista Nicko McBrain; mais impressionante ainda é pensar que todos eles estão na faixa dos 60 anos e esbanjam invejável energia. Nicko, o mais velho, já tem 67 anos e coloca no chinelo a repórter de 30 anos que escreve este relato. O vocalista Bruce Dickinson tem 61 anos; seu alcance vocal é surpreendente, ainda mais se levarmos em conta que ele enfrentou um câncer na língua em 2015.


Brasil é o país que mais ouve a banda
Com a apresentação em São Paulo, já são quase 40 shows do Iron Maiden em solo brasileiro. Essa relação intensa também está expressa em números. O Brasil é o país que mais ouve a banda em todo o mundo. Uma pesquisa do YouTube Charts mostrou que os brasileiros representam 13,8% da audiência total do grupo na plataforma de vídeos. Esse carinho mútuo também é visto tanto na reação calorosa dos fãs em cada clássico que o Maiden toca no palco, quanto na mensagem final do vocalista Bruce Dickinson ao encerrar a apresentação na capital paulista. “Vamos continuar fazendo shows aqui até cairmos mortos”, anunciou, sob gritos e aplausos.

(Karen Lemos - Portal da Band)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Bateristas tocam vendados para divulgar projeto que ensina música a deficientes



João Barone, do Paralamas do Sucesso, Guto Goffi, do Barão Vermelho, Paulinho Fonseca, do Jota Quest, Daniel Weksler, do NX Zero, entre outros bateristas de renome, já aderiram à campanha, criada na semana passada, para divulgar o projeto Alma de Batera que, desde 2008, oferece aulas de bateria para deficientes que amam a música.

A ideia é que os bateristas toquem vendados e registrem, em vídeo, a experiência. A iniciativa é parte de uma campanha para arrecadar fundos para o projeto que, atualmente, sofre com problemas financeiros.

"Trabalhar com inclusão social no Brasil é muito difícil, principalmente com algo que envolve a música", ressalta o baterista Paul Lafontaine, que decidiu fundar o Alma de Batera após trabalhar com cegos em um projeto voluntário.


Não se trata, no entanto, de musicoterapia. "O Alma de Batera oferece oportunidade para quem quer fazer aulas de bateria como qualquer outra pessoa. Não é uma terapia, embora acabe funcionando dessa forma também", explica Paul que, desde que iniciou o projeto, tem observado mudanças positivas em seus alunos.

"Vejo que eles criam uma autoestima, se sentem mais confiantes, tem a coordenação estimulada, uma vontade de participar mais das coisas, de socializar, enfim, vários resultados que não dá nem para mensurar o quanto são positivos para eles".

As mudanças também partem daqueles que dão aula. Além de Paul e outros professores do Alma de Batera, alguns bateristas famosos, como Eloy Casagrande, do Sepultura, já visitaram a sede da iniciativa e passaram uma tarde falando de música, tocando bateria e trocando experiências com os alunos.


"Os bateristas também sentem mudanças com essa troca. Eles chegam para nos ajudar e relatam uma sensação de que, no final, eles que foram ajudados. É uma troca muito forte", conta Lafontaine que tem divulgado, ao longo da semana, vídeos dos bateristas que toparam participar da campanha e tocaram com os olhos vendados.

 "Queremos que as pessoas 'abram os olhos' para nós, para que possamos continuar com esse projeto cuja causa maior é o amor pela bateria", completa.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ex-Mutante Arnaldo Baptista expõe obras em São Paulo


Enquanto não consegue lançar um novo LP por conta de certas burocracias, Arnaldo Baptista está voltado para as artes plásticas. Com “Exorealismo”, uma exposição em cartaz até o dia 10 de janeiro na Galeria Emma Thomas, em São Paulo, o ex-integrante do grupo Os Mutantes voltou a mergulhar em uma paixão mais antiga que a música: a pintura.

"Desde criança tenho certa vocação para a pintura. Quando garoto, eu pintava meus cadernos do primeiro ano, mas não passou muito disso", recordou em conversa com o Portal da RedeTV! "Durante um tempo, as artes plásticas foram mais importantes do que a música porque, para fazer música, eu precisava de um piano, de um contrabaixo; era muito caro! Na pintura, com um lápis e um papel eu tinha quase a mesma coisa que Salvador Dalí, por exemplo", ressaltou.

Na exposição, Arnaldo exibe obras que embarcam em uma ousada tentativa de materializar o som plasticamente. A música continua presente, ainda que de forma mais simplificada. "Um quadro meu pode parar no Japão sem depender de línguas e gravadoras", observou o artista.

Sobre inspirações e seu estilo próprio de pintar, o ex-Mutante enfatiza que não segue regras. "Não tenho muito estilo. Às vezes, pego algum objeto como uma colher velha, um pedaço de sapato, um CD, uma ferramenta e grudo na tela e, a partir daí, começo minha pintura", revelou. "O que poderia ser um erro no quadro, passa a ser uma evolução".

Não são apenas obras recentes que estão expostas em “Exorealismo”. Arnaldo reuniu para a mostra quadros datados desde a década de 90. "Tem coisas lá que eu nem lembrava mais que tinha feito", riu.

Nova empreitada na música 

Enquanto nas artes plásticas Arnaldo Baptista aproveita o prestígio de seu talento, na música as coisas não andam tão bem assim.

Em conversa com a reportagem, o músico revelou que possui um LP já pronto - com 12 músicas selecionadas. Por conta de processos burocráticos com gravadoras, ele ainda não conseguiu lançar este novo trabalho. "Não tem data para sair [o LP]. Estou esperando".

Batizado de “Esphera”, com direito a capa desenhada por seu autor, o LP traz um lado embasado na crítica social. "Fala de fogo, fumaça, poluição, gasolina", tentou resumir Arnaldo. "Custou muito tempo para o homem aprender a fazer fogo. Agora ele precisa desistir dele, das coisas elétricas", completou.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Festival celebra os 20 anos do Manguebeat no coração de São Paulo


Mundo Livre S/A

Há quem diga que nada fez – literalmente – tanto barulho nos últimos 20 anos na música brasileira do que o Manguebeat, movimento cultural surgido no Recife na década de 1990. Celebrar, então, as duas décadas do surgimento do gênero é uma responsabilidade e tanto que foi assumida pelo Festival Caranguejando, uma parceria do CCBB de São Paulo com a Baluarte Cultura.

Em um palco erguido em plena Praça do Patriarca, no coração do centro da capital paulista, oito artistas se reuniram para comemorar a data entre os dias 11 e 12 de outubro – um final de semana com direito a clima parecido com o do berço do Manguebeat, em que a máxima ficou entre os 30 graus.

No sábado, a banda paulistana Isca de Polícia abriu o evento convidando o carioca Serjão Loroza para o palco e, em seguida, um dos percussores do movimento, a Mundo Livre S/A, dividiu o espaço com Pedro Luís. Já no domingo foi a vez da banda Paraphernalia começar o dia com a brasiliense Ellen Oléria como convidada; na sequência, os recifenses do Mombojó fizeram sua homenagem na companhia do cantor Curumin.

Curadora do evento, Monica Ramalho explicou a diversificada seleção de artistas. “Queríamos uma banda seminal do Manguebeat, outra que demonstrasse que esse gênero continua vivo e ainda achamos interessante mostrar que o movimento também circula pelo país, pegando artistas do eixo Rio/São Paulo, sempre com convidados interessantes para fazer um tributo que não fosse óbvio”, ressaltou em conversa com a Revista O Grito!.

Primeiro dia: a autoestima de olhar o próprio umbigo 

Além de se apresentar no festival com a banda Isca de Polícia – que acompanhou a carreira de Itamar Assumpção (1949 – 2003) – Paulo Lepetit também assinou a direção musical do evento e, durante esse processo, ficou surpreso com as semelhanças de sonoridade e crítica social de Pernambuco com a vanguarda paulista. “Para o repertório, procurei músicas ‘irmãzinhas’, que se encaixavam pelo assunto ou pelo groove”, ressaltou Paulo, que recebeu Serjão Loroza, do Monobloco, no palco. “O Manguebeat mostrou autoestima ao olhar para o próprio umbigo e mostrar que o Brasil também é universal”, elogiou o cantor.

O show começou om um ‘mashup’ de “Não Há Saídas”, da Isca de Polícia, com “A Cidade”, da Nação Zumbi, provando que o discurso entre as duas bandas ultrapassa fronteiras. Músicas pré-Manguebeat, como “Papagaio do Futuro”, de Alceu Valença, e “Vendedor de Caranguejo”, de Gordurinha (1922 – 1969), também tiveram vez no roteiro.

Foi justamente com a canção “Manguebit”, que abre o primeiro disco "Samba Esquema Noise", que Fred 04 e a Mundo Livre S/A deram início ao tributo a uma história em que eles próprios ajudaram a escrever. “Passa um filme na minha cabeça”, definiu Fred, em conversa com O Grito!. “Eu cresci em uma geração que tinha várias ideias bacanas, mas que precisava se mandar, porque o Recife e o Nordeste viviam uma situação econômica e cultural de estagnação”, recordou. “Hoje, vivemos uma situação oposta; as novas bandas de Recife têm uma responsabilidade grande, porque o grau de interesse agora é maior”.


Mombojó

Após apresentarem outros trabalhos do grupo, como “Pastilhas Coloridas”, “O Mistério do Samba” e “Meu Esquema”, a Mundo Livre S/A ainda convidou Pedro Luís e presenteou o músico com uma nova roupagem para seu sucesso “Caio no Swing”. “Gostei muito da versão batizada de Manguebeat para essa música. Só vou tocar essa daqui pra frente”, brincou Pedro. “Esse gênero é de uma linguagem que tem muita personalidade. Fico honrado de ter sido chamado para fazer parte de um evento que celebra algo tão importante para a música”, concluiu o músico, que ainda teve o privilégio de dividir os vocais com Fred na música “Samba Makossa”, de Chico Science (1966 – 1997).

Segundo dia: mangue de formação 

Por ser tratar de uma banda instrumental, os músicos da Paraphernalia se preocuparam, principalmente, em pincelar canções do gênero que fossem melhor executadas na formação instrumental. “O forte do Manguebeat é o ritmo, a levada; e foi dessa forma que mostramos nossa versão e como enxergamos o movimento”, declarou Donatinho, tecladista do conjunto. Nada melhor do que abrir a apresentação com “Quilombo Groove”, uma das faixas do segundo disco de trabalho da Nação Zumbi e que explora muito bem o instrumental.

Com Ellen Oléria, o Paraphernalia trouxe voz para músicas representativas do Manguebeat, como “Mormaço” e “Blunt of Judah”, da Nação Zumbi, e “Cuba” e “Bob”, de Otto. “Sou muito influenciada pelo movimento. Em meu último disco gravei ‘Anunciação’, do Alceu Valença, já estava bebendo nessa fonte”, pontuou Ellen.

O último show do evento contou com uma banda representativa do gênero e um artista contemporâneo que recebeu influências da época em que o Manguebeat começava a ganhar seu espaço no mercado fonográfico. “Tenho 38 anos, portanto eu cresci sob essa atmosfera [de expansão do movimento]. Lembro que eu saia para curtir e o som do Manguebeat era sempre muito presente; fez parte da minha formação cultural”, explicou Curumin em entrevista a reportagem.

No palco, o paulistano e os músicos do Mombojó abriram o leque para vários artistas do movimento. Teve um pouco de tudo: “Computadores Fazem Arte”, da Nação Zumbi, “Dias de Janeiro” e “Ciranda de Maluco”, de Otto, “Coqueiros”, da banda Eddie, e “Punk Rock Hardcore”, do Devotos, além de “Casa Caiada”, “Pro Sol” e “Deixe-se Acreditar” do próprio Mombojó. “É uma honra poder tocar todas essas músicas sendo um nome que também representa esse movimento”, afirmou Marcelo Machado, guitarrista da banda. “Foi um show de fãs para seus representantes”, concluiu.

(Karen Lemos - Revista O Grito!)

domingo, 11 de maio de 2014

Conchita Wurst vence competição musical e surpreende o público


Conchita Wurst, representante da Áustria no Festival Eurovision da Canção - a maior batalha de música do continente Europeu - surpreendeu o público não somente por sua imagem andrógina, mas também por sua voz arrepiante.

Com a canção "Rise Like a Phoenix", a cantora venceu a competição, que aconteceu na noite de sábado (10), na Dinamarca, e foi prestigiada por mais 120 milhões de pessoas.

Conchita se apresentou maquiada, com joias e usando um vestido esvoaçante - o que contrastava com a barba em seu rosto. O visual causou polêmica e chegou a gerar revolta na Rússia, Armênia e Belarus, onde rígidas leis contra os homossexuais imperam. Estes países chegaram a solicitar a exclusão da candidata na competição.

"Essa noite é dedicada a todos que acreditam em um futuro de paz e de liberdade", declarou ao ser proclamada vencedora. "Nós somos um só e somos impossíveis de ser parados".

Confira a apresentação:



A drag queen de 25 anos não era um rosto tão desconhecido, visto que já alcançou outras vitórias, como no reality show 'The Voice'. Seu nome também faz uma alusão à androginia, já que Conchita é uma referência ao órgão sexual feminino na língua espanhola e Wurst, em alemão, significa 'salsicha'.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

domingo, 6 de novembro de 2011

Em nova fase musical, Paula Lima faz planos para ter seu primeiro filho

Paula Lima, que está lançando seu novo trabalho, ‘Outro Esquema’, se apresentou na noite de sábado, 5, em São Paulo. Em entrevista à CARAS Online, a cantora revelou seu lado família e adiantou: “quero ter um filho em 2012. A vida sem filhos é chata”


No camarim, minutos antes de subir no palco do SESC Pinheiros para apresentar seu novo trabalho, Paula Lima (41) demonstrava calma. De fato, a cantora está mais tranquila este ano; 2010 foi um ano cheio: ela protagonizou o musical Cats, julgou novos rostos da música brasileira na bancada do Ídolos e continuou fazendo shows. Em 2011, ela quis diminuir o ritmo para atender um lado seu que estava meio de escanteio – a família.

“Eu sou uma pessoa completamente caseira. Sou apaixonada por primas, pais, irmãos e pelo marido, meu querido, parceiro e cúmplice. Sempre que eu posso, estou com essas pessoas porque, sem a estrutura familiar, sem esse amor dessas pessoas que te colocam no chão, que te dão luz e sabedoria, nada na minha vida estaria acontecendo”, declarou em entrevista à CARAS Online.

Ao lado de Ronaldo Bonfim, marido e companheiro de todas as horas, Paula pretende deixar a música um pouco de lado para se dedicar a um sonho: a maternidade. “No final de 2012 pretendo ter um filho. Quero ser uma velhinha que, aos domingos, tenha um monte de criança correndo na minha casa. A vida sem filhos é chata”, confessou.

Até lá, a artista vai entrar em um ritmo intenso de trabalho. Divulgando seu novo álbum, intitulado Outro Esquema, cujo lançamento ocorreu no show no Sesc Pinheiros, em São Paulo, na noite deste sábado, 5, Paula vai mergulhar em uma turnê Brasil à fora. “Estou em um momento ‘workaholic’ positivo. Quando comecei a cantar, eu sonhava com a música, depois, pude sobreviver da música, hoje eu posso viver de música. Estou feliz demais em poder trabalhar assim”.

Mal o novo álbum chegou às lojas, a morena já está pensando em outros projetos, como gravar um DVD deste novo trabalho, se apresentar no Rock in Rio Lisboa em 2012 e até mesmo fechar o repertório musical para outro novo disco. “Estou escolhendo as músicas já. Será um repertório apaixonante, eletrizante”, definiu.

Algumas canções, entre elas a inédita Primeiro Samba (“Eu cantei essa música em um show e comecei a chorar; ela é muito verdadeira, fala da garra e da luta do brasileiro”, adiantou Paula) já estão pintando no set-list de seus shows que tem como base as faixas de Outro Esquema. “Acho que esse novo álbum mostra uma outro postura minha como artista, como cantora. Quis mostrar mais da minha interpretação, me aprofundar em determinados temas. Estou me colocando mais à serviço da música”, contou.

Outro Esquema também é rico em parcerias, como Toni Garrido, 44 (na faixa Negras Perucas), Max de Castro, 38 (na canção O Nego do Cabelo Bom) e Seu Jorge, 41 (em Balada Brazilian Soul) não poderia ter ficado de fora desse projeto porque, além de parceiros, o trio nutre uma amizade de longa data com Paula. “Todos eles fazem parte da minha vida musical e pessoal. Posso sair com eles, depois de um dia de gravação no estúdio, e tomar um café, dar risada, conversar sobre a vida. Essa relação que tenho resulta bacana, porque é uma relação verdadeira, natural”, concluiu.

(Karen Lemos - CARAS Online)

Já me sinto uma mulher’, diz Mallu Magalhães lançando novo álbum

Com produção e ‘palpitecos sinceros’ do marido Marcelo Camelo, Pitanga – terceiro trabalho de Mallu Magalhães – mostra lado sensível, louco e ‘velho’ da cantora de apenas 19 anos


Mallu Magalhães (19) chegou apressada, pedindo desculpas por seu atraso para a entrevista com a equipe de CARAS Online. “Perdi a hora! Estava em casa lavando a louça e esqueci do horário. Quando o Marcelo [Camelo, músico com quem se relaciona há quatro anos e já se considera casada] acordar vai ver tudo bagunçado”, relatou, entre risos, com ar de preocupada. É fato que Mallu cresceu. Quando começou na música, aos 15 anos de idade – alavancada pela internet – muitos torceram o nariz, mas a cantora nem deu bola e seguiu seu caminho até chegar em Pitanga, seu terceiro álbum da carreira, já disponível nas lojas de discos.

Sabendo que muita coisa mudou de 2008 (quando o primeiro álbum saiu) até agora, Mallu confere a Pitanga um retrato desse crescimento. “É o retrato de uma nova fase, de um novo passo. Consegui reparar, dentro de mim, um amadurecimento pessoal, emocional e existencial. É como se eu tivesse descoberto uma parte nova de mim e, consequentemente, a minha própria musicalidade”, contou Mallu que estava vestida com galochas coloridas, saia rendada e uma jaqueta colorida – roupa escolhida às pressas ao se lembrar do horário da entrevista.

“Resolvi procurar uma estética minha para este novo trabalho. Além do amadurecimento da voz, cresci na personalidade e até no corpo. Eu era uma menina quando comecei; hoje já me sinto uma mulher”, acrescentou.

Esse despertar da maturidade deixou Mallu Magalhães, até mesmo, velha. Na faixa que abre o disco (Velha e Louca) a cantora canta seu estado de espírito atual. “Minhas letras traduzem como eu me sinto. Eu não quis dizer velha na questão de idade, mas nessa sensação de amadurecer”, explicou. “E louca eu sempre fui! Agora que eu resolvi assumir ficou tudo mais fácil [risos]. Sou louca mesmo. Todo mundo é!”.

Outra faixa do álbum, Highly Sensitive, também diz muito sobre sua autora. “Altamente sensível. Eu sou assim; sensível, intensa. O tempo todo estou lidando com meus sentimentos”, revelou. “Mas eu gosto disso. Gosto de sentir, identificar, potencializar, desenvolver e traduzir em arte algo que existe dentro de mim”.

Assim como indica Highly Sensitive, mais do que nunca, o novo disco terá algumas canções em inglês e – pela primeira vez – se encontrará com composições em português. “As pessoas não tem limitações na música. Elas ouvem música pela sonoridade, não pela língua. Além disso, o brasileiro, porque mais que ele não entenda, ele escuta muitas canções em inglês”, exemplificou a moça, que diz não se preocupar com uma carreira internacional (“isso vem com o esforço do nosso trabalho e também com uma certa torcida”, riu) e que já surpreendeu muito gringo em shows fora do Brasil. “Já fiz show em Portugal, Espanha e Canadá; o público se interessou mais pelo meu lado bossa nova, Samba – justamente as músicas cantadas em português”.

Todo o processo para o nascimento de Pitanga, no entanto, não foi um trabalho solo. Mallu contou com o auxílio e contribuição de Marcelo Camelo. “Ele se mostrou um produtor muito bom, não esperava que ele fosse tão bom assim. Marcelo sempre tinha uma resposta para meus questionamentos e dúvida com relação ao álbum. E respeitou e incentivou minhas opiniões”, disse. “Além disso, ele é um músico excelente, mas sou coruja para falar, né?”, brincou ainda.

A turnê que Mallu está preparando a partir do novo trabalho também terá dedo do ‘maridão’. Camelo será o diretor da série de shows que terão início no dia 18 de novembro no Studio RJ, no Rio de Janeiro. Para otimizar as apresentações, Mallu terá apenas três músicos acompanhando ela na estrada. “Cada um tocará um instrumento diferente em cada música. Super rico”, prometeu.

(Karen Lemos - CARAS Online)

Música de Luciana Mello amadurece

Em novo álbum, Luciana Mello mergulha em referências que vão desde Gonzaguinha a Serge Gainsbourg e aponta a maternidade como causa de seu amadurecimento musical. ‘A música é a harmonia e a família a melodia: uma não vive sem a outra’, contou em entrevista à CARAS Online


Lançando 6º Solo, sexto disco de uma carreira musical já consolidada, Luciana Mello (32) mergulha mais fundo em suas raízes e referências de cantora apaixonada pelo que faz. Gravado durante os seis dias do feriado de carnaval (“Passei o carnaval fazendo o que eu mais gosto de fazer”, brincou), o trabalho é uma mistura de ritmos e gostos pessoais de Luciana.

“Sempre mostrei minhas influências, mas, neste disco, quis tornar mais visível as referências brasileiras. Tem samba de roda, música afro, tem de tudo, porque existem muitos ritmos dentro da música. Claro que na hora a gente segue uma linha; será um disco bem brasileiro, com veia africana e muita percussão”, definiu durante conversa com a CARAS Online.

Justamente por se tratar de um assunto tão amplo, a escolha das canções que entrariam no álbum tornou-se o maior desafio do projeto. “Foi muito difícil escolher o repertório. Eu recebi umas 150 músicas e somente 12 poderiam entrar”, explicou. “Tentei escolher as que tinham ficado com um arranjo mais legal e fui filtrando”, contou ela, que teve ajuda do irmão Jair Oliveira (36) nesse processo de seleção.

Algumas curiosidades acabaram entrando no disco, caso da regravação de Couleur Café, do cantor e compositor francês Serge Gainsbourg (1928 - 1991). “Eu amei a ideia de regravar essa música. Eu falo francês, porque não cantar em francês?”, questionou. Para completar, Luciana convidou o cantor ‘alemão-afro-canadense’ Corneille (34) para um dueto especial nesta faixa. “Eu vi o Corneille cantando uma vez na televisão e não sabia quem ele era. Certa vez, me apresentei na França e descobri quem era o dono daquela voz que eu tinha amado. Entrei em contato, mostrei o arranjo que criamos para a ‘Couleur Café’ e ele aceitou gravar”, disse Luciana, que ainda não teve a oportunidade de conhecer o parceiro musical pessoalmente. “Nós gravamos tudo via Skype (risos)”.

Versões de Gonzaguinha (1945 - 1991) (Recado), Arnaldo Antunes (51) (Se For Pra Mentir), Djavan (62) (Deixa o Sol Sair), Chico César (47) (Descolada) e até mesmo do pai Jair Rodrigues (72) (Tchau e Mentira) também fazem parte da mistura. “Minhas referências são amplas. Ouço Michael Jackson (1958 - 2009) com Dolores Duran (1930 - 1959), Ed Motta (40) com Clara Nunes (1942 - 1983), enfim, pessoas que gosto e sempre gostei de escutar”, completou. Vale destacar ainda as parcerias de 6º Solo. O irmão Jair, sempre presente, ajudou nos arranjos. O pai, que além de assinar a canção Tchau e Mentira também divide os microfones com a filha. “Eu imaginei um sambão para essa música e resolvi chamar a pessoa que me apresentou o samba na vida para cantar comigo”, disse.

Música e família

Satisfeita musicalmente, Luciana Mello também aplica a mesma felicidade à vida pessoal. Isso porque desde a chegada de sua primogênita, Nina (2) – fruto de seu relacionamento com Ike Levy (35) – seu mundo está mais completo do que nunca. “Não é à toa que dediquei esse novo álbum a ela. O nascimento da Nina foi a maior alegria da minha vida; uma felicidade que se transformou em música e está presente no disco – espero que as pessoas sintam isso”.

Além de contentamento, Nina também trouxe uma maturidade não só musical para a vida da cantora. “É uma fase nova, de amadurecimento mesmo. Para não dizer que a gente vai ficando velho, a gente diz que amadurece”, disse em tom risonho. “Minhas prioridades mudaram também. O que eu achava importante antes, já não é mais. Estou filtrando as coisas, estou mais tranquila”, resumiu. Em homenagem à pequena, Nina está presente no encarte de 6º Solo, em fotos na qual a pequena aparece agarrada à mãe em um cenário praiano. As imagens, conclui Luciana, define bem os valores de sua vida. “A música é o ar que eu respiro, já a família é o sangue que corre em minhas veias. São coisas que não consigo viver sem. Assim como a música é a harmonia e a família a melodia: uma não vive sem a outra”.

(Karen Lemos - CARAS Online)

domingo, 15 de maio de 2011

Fafá celebra Dia das Mães no palco


Celebrando o Dia das Mães neste domingo, 8, a cantora Fafá de Belém subiu ao palco acompanhada de sua filha, Mariana Belém, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. "O sonho de todo paulistano é poder cantar no espaço democrático do Parque Ibirapuera, estou muito nervosa", disse Fafá, minutos antes do espetáculo, à CARAS Online. Nascida em Belém do Pará, a cantora, que mora há 25 anos em São Paulo, considera-se paulistana de coração.

Toda de branco, com um vestido ornado de pérolas, Fafá abriu a apresentação com Foi Assim. O público se animou, dançou e cantou muito, embora o sol estivesse escaldante. Logo após cantar Mais Que Nada, do maestro Sérgio Mendes, emendando com o hino nacional brasileiro em ritmo de samba, a cantora foi às lágrimas ao chamar 'sua bebê' Mariana ao palco. O momento emocionante - ápice do show - foi marcado pela canção Como é Grande o Meu Amor Por Você, imortalizada na voz de Roberto Carlos. As duas dividiram o microfone durante a canção e, muito emocionadas, não conseguiram segurar o choro.

"Cantar no Dia das Mães ao lado de Mariana é muito emocionante! É a primeira vez que comemoramos juntas no palco, em um show muito especial, com repertório híbrido, que mistura coisas da minha carreira com a dela. É um show para as mulheres que são filhas, namoradas, noivas, esposas, mãe, trabalhadoras, brasileiras e guerreiras", acrescentou Fafá.

A voz suave de Mariana contrastou com o timbre poderoso de sua mãe. Entre elogios e abraços, elas dançaram juntas e interagiram com o público, pedindo palmas e animação da plateia. "É uma emoção tão grande para minha mãe, imagina para mim", declarou Mariana, que, assim como Fafá, chegou a cantar sozinha também, revezando seus momentos solos no palco com duetos ao lado da mãe.

A apresentação contou ainda com outras canções marcantes da nossa música como Ronda (uma singela homenagem à cidade de São Paulo), de Paulo Vanzolini, Roda Viva, de Chico Buarque, Paralelas, de Belchior, Lenda das Sereias, canção que ficou conhecida na voz de Marisa Monte, Bêbado e o Equilibrista, imortalizada por Elis Regina, Nuvem de Lágrimas, da dupla Chitãozinho e Xororó, Vermelho, de Chico da Silva, entre muitas outras. O espetáculo foi encerrado ao som de Trem das Onze, do grupo Demônio da Garoa, com Fafá segurando um enorme buquê de flores e desejando um feliz Dia das Mães aos paulistanos.

A cumplicidade de Fafá e Mariana


 O clima no camarim de Fafá de Belém estava o mais família possível. De roupão, na cadeira da maquiagem e entre muitas de suas inconfundíveis gargalhadas, a cantora distribuía elogios para sua filha, Mariana Belém, que estava ao seu lado, esperando o momento em que subiria no palco montado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, para realizar um show especial para celebrar o Dia das Mães neste domingo, 8.

"A gente é muito amiga. Óbvio que nos desentendemos às vezes, mas sou incapaz de desrespeitá-la. Eu aprendo muito com ela no palco e é uma honra poder dividir o microfone com minha mãe, ainda mais porque somos muito diferentes cantando e também na atitude de palco. Tenho-a em casa, me dando conselhos e como uma profissional de 35 anos de carreira que sempre me alerta e me aplaude. Quem melhor que ela para querer o meu bem?", declarou Mariana em conversa com a CARAS Online.

Principal fonte de inspiração artística para Mariana, Fafá disse que sempre tentou preservar sua filha da vida corrida de artista que leva. "Sempre fui de viajar muito a trabalho, e nunca levei Mariana junto, porque achava que seu universo infantil tinha que ser preservado", contou a cantora, que ainda confessou nervosismo. "Vai ser uma choradeira", disse.

O repertório também foi especial: uma mescla de grandes canções da música popular brasileira, sucessos da carreira de Fafá e de Mariana e músicas representativas para a história das duas. "Eu gosto muito de cantar a história da minha família no palco, porque somos muito unidos. Nosso churrasco de Dia das Mães é sempre muito cheio", complementou Mariana.

(Karen Lemos - Portal Caras)

segunda-feira, 14 de março de 2011

"Venceu a música clássica", diz maestro homenageado

João Carlos Martins, cuja trajetória de vida e carreira musical foi levada para o sambódromo do Anhembi – garantindo o 14º título da escola Vai-Vai – falou da emoção no desfile e na apuração e confessou que entrar na avenida foi o ponto alto de sua história















A música de João Carlos Martins pisou, com estilo, no sambódromo do Anhembi. Levantou foliões, misturou música clássica com o samba, emocionou na avenida e, finalmente, venceu - segundo já previa o samba-enredo A Música Venceu, da escola de samba paulistana Vai-Vai.

Com a trajetória do pianista que virou maestro, a agremiação transformou uma vida cheia de altos e baixos, sucessos e quedas, em alegorias, fantasias e carros alegóricos. Com o feito, dominou os pontos na apuração do carnaval de São Paulo e saiu com o 14º título na mão.

"Nunca imaginei minha história na avenida. Quando me convidaram eu pensei: 'estão todos loucos?'", declarou o maestro João Carlos Martins, entre risos, em entrevista para o Portal CARAS.

Nesta sexta-feira, 11, Martins - que está nos Estados Unidos para acertar compromissos profissionais - retorna ao seu país de origem para celebrar, novamente na avenida, a vitória que sua trajetória garantiu para a Vai-Vai. A recepção, no aeroporto de São Paulo, será digna. O músico vai ser recebido pela bateria da agremiação em peso - mais uma surpresa para o grande mestre.

A nossa reportagem João garantiu que não está mais nervoso. "Agora é só celebrar", ressaltou. Contudo, os minutos da apuração, que acompanhou lá dos Estados Unidos, provaram que participar do carnaval foi o ponto alto de toda uma vida brilhante. "Já regi no mundo inteiro, morei em vários países, me apresentei em casas prestigiadas; mas nada se compara a entrar no sambódromo como um grande homenageado", desabafou, emocionado.

Veja a entrevista completa:

- Como nasceu essa parceria com a vai-vai?

Recebi o convite da Vai-Vai porque me disseram que eu seria um grande exemplo de vida para a escola. Depois de cinco meses de convivência, vendo o amor da comunidade do Bexiga e de cada integrante com a escola, minha conclusão foi diferente. A Vai-Vai e toda aquela comunidade é que acabaram servindo de lição para este velho maestro.

- Imaginava sua história sendo contada em um samba-enredo?

Nunca imaginei! Quando me convidaram eu pensei: 'estão todos loucos?' (risos). Foi a vitória da música clássica, que é uma música, digamos, menos divulgada aqui no Brasil. Por conta da escola de samba, foi exaustivamente divulgada.

- O que passou pela cabeça horas antes de entrar na avenida?

No dia anterior do desfile, toda diretoria se reuniu no hotel, perto do sambódromo, em que estávamos hospedados. Eu fiz um discurso e agradeci que o desfile caiu justamente no dia 5, que é um dia de sorte para mim na música. Aí me perguntaram se eu já tinha vencido algum concurso no dia 5. Respondi: 'Sim! Amanhã, dia do desfile' (risos). Eu tinha que estar confiante, né?

- E qual foi o ponto alto lá na avenida?

Um detalhe que me marcou muito, na verdade, foi durante os ensaios. Percebi que a bateria funcionava pela genialidade de um mestre (Mestre Tadeu, há 38 à frente da bateria da Vai-Vai). Às vezes eu me metia à besta e tentava reger a bateria durante os ensaios, como se fosse uma sinfonia de Bach ou Mozart. Não ia mudar nada no andamento da música, claro, mas percebi que aquele era um momento importante, em que a bateria da escola estava em meu coração, e eu estava no coração da bateria.

- Você se emocionou muito na avenida, consegue descrever o que sentiu?

Olha, não tem nada igual na vida, viu? Eu já regi no mundo inteiro, morei em vários países, me apresentei em casas prestigiadas; mas nada se compara a entrar no sambódromo como um grande homenageado.

- Foi mais fácil reger mundo afora?

Muito mais fácil, te garanto! (risos). Em uma apresentação dessa, tudo depende de você. Lá no sambódromo, não. A única coisa que dependia de mim ali era a emoção que eu carregava naquele momento. E eu posso dizer que meu coração estava com os 300 mil integrantes da Vai-Vai.

- Chegou a acompanhar cenas do desfile depois?

Acompanhei a apuração lá dos Estados Unidos, só. E haja lenço! Quando você mora fora, mesmo que fique três ou quatro dias fora do Brasil, você sente uma emoção diferente. Quando acabo meus concertos, sempre coloco o hino nacional no final e todos os brasileiros se emocionam. Você sente algo diferente de quem ouve o hino nacional no Brasil.

- Após desfilar, ficou satisfeito com o resultado?

O samba da Vai-Vai neste ano é um dos mais bonitos que já ouvi. Estou dizendo como música, como letra, esquece o João Carlos Martins. É um dos mais bonitos da história do carnaval. Tem uma facilidade de comunicação com o público, a harmonia que casou música clássica e o samba, enfim, é um samba muito forte, achei lindo. Além disso, me trouxe um reconhecimento. Soube que meus anos de luta, levando educação musical para crianças carentes também, não foram em vão. Toda noite, quando deito, sinto que minha missão foi cumprida.

(Karen Lemos - Portal Caras)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em noite de surpresas, Maria Gadú grava seu primeiro DVD












Maria Gadú gravou, na noite de quinta-feira (29), seu primeiro DVD da carreira. A cantora, que estourou repentinamente em menos de um ano, conquistou a todos com suas canções simples, mas com uma intensidade de sentimentos enorme. Até Jayme Matazarro virou fã da moça, e a convidou para estrelar trilhas de atrações da Rede Globo, acarretando no sucesso súbito.

Para celebrar a boa fase, o público de São Paulo recebeu com carinho a cantora no Credicard Hall, para a gravação da turnê de seu primeiro disco (que, com tanto sucesso, recebeu o disco de platina de vendas).

Com vestes azuis e um bolerinho marrom com bolinhas brancas, Gadú subiu ao palco. O cabelo, sempre moderno, jogado para o lado e o jeito tímido e cativante. Sentou, pegou seu violão e arrancou elogios da plateia. Ela falou pouco, se emocionou e agradeceu demais o afeto do público.

No cenário, uma decoração simples, porém elegante, bem ao seu estilo. Mesmo com o tradicional acanhamento, Gadú se mostrava mais a vontade, cumprimentou a todos entusiadamente e até se mostrou preocupada ao, por vezes, parar o show para pedir a retirada de alguns fãs que passaram mal.

A primeira canção, "Encontro", foi a partida para uma apresentação que durou mais de duas horas (incluindo, claro, as pausas por conta de fãs desmaiados), seguida de "Bela Flor" e o hit "Shimbalaiê", cantado em uníssono pelo público - ponto alto do show.

Além dos seus sucessos, Gadú investiu bastante em homenagens a grandes ídolos. Logo na primeira metade do show, "Lanterna dos Afogados", dos Paralamas do Sucesso, e "A História de Lily Brown", de Chico Buarque (música que está em seu primeiro CD), no melhor estilo blues, provaram as boas referências musicais de Gadú.

Surpresas

Maria Gadú iniciou carreira envolta de muitos amigos. Crescendo musicalmente juntos, nada era mais justo que a participação, excessiva, de convidados e colegas para a gravação do DVD. Antes do primeiro convidado, um tampão cinza invadiu o palco, insinuando surpresas para a noite.

Um amigo, Caio Sóh, entrou e começou a escrever letras no tampão emoldurado enquanto o show prosseguia. Quatro jovens entraram com violinos acompanhando músicas como "Altar Particular", que emocionou o público. Luís Murá, um dos parceiros musicais de Gadú, a acompanhou. Dani Black, filho da cantora Tetê Espíndola, entrou na sequência. Juntos, eles cantaram "Aurora".

Leandro Léo, fiel parceiro, foi aplaudidíssimo ao ser chamado. Gadú, que o batizou de "o príncipe", cumprimentou Léo com um selinho, como é de costume. Nesse momento, a cantora escondeu o rosto para chorar emocionada. Juntos, cantaram "Linda Rosa", e foram acompanhados em coro pela plateia.

Fazendo do palco um verdadeiro encontro de amigos, a estrela chamou o grupo de cantores denominados "Os Varandistas", do qual fez parte no início da carreira. Sentados em um sofá colocado no palco, eles cantaram quase em capela para acompanhar Gadú que, naquela altura, mal conseguia segurar a felicidade.

Leandro Léo cantou sozinho, pouco depois, tomando o palco para si, cedido pela cantora. Claramente já tendo cativado o público da Gadú, o rapaz deu um show ao reproduzir a sua "João de Barro", apenas com voz e violão. Léo voltou ainda para algumas músicas como "Laranja". Neste momento, abajures desceram ao palco pendurados por uma linha.












Depois de composições próprias, Gadú entrou cada vez mais fundo em um repertório de referências e gostos pessoais. Tocou "Right Through You", de Alanis Morissette, e emendou uma surpresa de "Filosofia", de Noel Rosa, com "You Know I’m No Good", de Amy Winehouse.

Teve também "Trem das Onze", em uma homenagem moderna aos Demônios da Garoa e "Quase Sem Querer", do Legião Urbana, com direito a gritos de Renato Russo e aplausos da plateia no final. Para um repertório mais pop, "Who Knew", da cantora Pink, que teve alguns versos trocados. "Eu canto essa música há anos e vou errá-la justo hoje. Que papelão", disse, divertindo a plateia.

"Ne Me Quitte Pas", clássico francês na voz de Jacques Brel e, nos bis, "Quando Você Passa" fecharam o set-list de homenagens. Esta última canção, aliás, foi dedicada para Sandy, que estava na plateia. Ela surpreendeu ao subir ao palco no momento da música e se juntou a cantoria de Gadú. Todos adoraram a parceria de última hora.

De volta para o bis, Leandro Léo foi chamado de volta. Uma nova versão de "Laranja" foi feita pela banda, uma versão mais estendida, que dá direito aos músicos mostrarem o virtuosismo da habilidade com os instrumentos. Aos poucos, Gadú apresentou os membros de sua banda.

Enquanto a música se desenrolava, os convidados do show, os "Varandistas" (foto acima), Sandy e até a mãe de Maria Gadú entraram no palco para a despedida. Leandro Léo pegou o microfone e puxou um "ela merece!", que tomou conta da plateia. Uma bela noite para uma excelente cantora.

(Karen Lemos - Famosidades / MSN Brasil)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sempre transgressor, Ney Matogrosso agora é ícone fashion












Convidado para abrir a edição 2010 do Ziguezague, evento de moda paralelo a São Paulo Fashion Week, Ney Matogrosso ficou espantado ao ver seu nome relacionado ao mundo de plumas e paetês. No entanto, o cantor vem aceitando melhor a ideia. Desde que foi chamado para cantar no desfile da Blue Man, no último Fashion Rio, Ney tem refletido e, com o tempo, vem encontrando semelhanças com sua performance extravagante no palco com as passarelas do universo da alta costura.

“Fiquei surpreso quando recebi o convite. Não sabia que meu nome era associado com moda. Depois notei que eu tenho mesmo essa relação com imagem, e eu acho ótimo que eu esteja provocando esses estímulos”, explicou em entrevista para o Famosidades.

O cantor subiu na passarela do Fashion Rio para cantar “Cuando Calienta el Sol”, rodeado por modelos musculosos e seminus.

“Esse lance do desfile da Blue Man me interessou muito, porque é uma mistura de moda, música e teatro. Acredito que as artes estão mesmo interligadas, e somente fui cantar por estar em outro ambiente. É claro que não sou modelo, e jamais cantaria vestindo uma sunga”, disse, afastando a ideia.

Em viagem remota ao passado, Ney vislumbrou sua adolescência, e se deu conta de que, em termos de estilo, sempre foi um ser transgressor, algo que acabou se estendendo para a carreira que já completa 36 anos.

“Sempre fui uma pessoa contrária a regras. Nos anos 1960, por exemplo, quando morava no Rio de Janeiro, eu gostava de andar de regata e tamanco de português. Faltavam me jogar pedras nas ruas e eu não entendia como, em uma cidade tão quente feito o Rio, os homens eram obrigados a andar de sapato fechado”, recordou.

Essa mentalidade de Ney se manteve até sua entrada no fenômeno Secos & Molhados, conjunto de rock brasileiro que abalou as estruturas do país em pleno regime militar na década de 70. Com a proteção de uma maquiagem facial, inspirada no teatro japonês Kabuqui, o cantor se esbaldou na liberdade de figurinos e interpretação.

Apresentava-se apenas com pedaços de pano e já investia no erótico. Elemento que passou a ser frequente ao longo da carreira. “A primeira vez que surgiu o erótico em meus shows foi no ‘Bandido’. Existia esse desafio na nudez e eu me perguntava: ‘Por que não posso mostrar?’. Então exacerbei mesmo, lambia salto de bota e trocava de tapa sexo, coberto apenas por um pequeno biombo, na frente de toda plateia”, afirmou.

O lado sexual aflorado artista, por vezes, invadia a vida pessoal. Ele conta que houve uma época em que não conseguia dormir se não fizesse sexo. O desejo era tanto, que se expandia até o público de seus shows.

“Eu olhava para a plateia e desejava, sabe? Queria fazer sexo com todo mundo que estava ali. Hoje em dia não tenho mais essa coisa louca. A plateia agora é uma pessoa que conheço há 36 anos e tenho toda intimidade do mundo”, contou.












Não é à toa que Ney tem fotos suas, um figurino, e um vídeo da época dos Secos & Molhados expostos da mostra “A Cidade do Homem Nu”, em cartaz no Museu da Arte Moderna de São Paulo. A exposição traz algumas obras de Flávio de Carvalho, artista plástico que escandalizou a sociedade dos anos 1950, ao sair pelas ruas usando uma saia.

O impacto é bem parecido com os shows de Ney Matogrosso, onde a transgressão é sempre bem vinda. Essa liberdade corporal o cantor atribui, em partes, ao figurino e alguns acessórios cênicos que lhe dão essa “coragem” para o desbunde.

“No show ‘Destino de um Aventureiro’, eu tinha umas orelhas de ouro que colocava na cabeça, e aquilo que dava uma força, um poder incrível”, confessou. Anos depois, em 1989, algo parecido aconteceu no palco. Ney estrelava um show que não tinha nome e, durante a entrevista, revelou algumas curiosidades da criação.

“Naquela época eu tomava Daime e, em um dos trabalhos, surgiu a imagem de um homem de crina de cavalo. Decidi então que faria uma peruca com crina de cavalo. Usei no show, e quando vestia aquilo, virava uma entidade latina, sabe? Eu era remetido para os Andes”, relembrou.

Os figurinos sempre tiveram peso nas apresentações do cantor, mesmo quando o extravagante e o brilho das fantasias estavam ausentes. Foi o que aconteceu com o show “Pescador de Pérolas”.

“Quando decidi fazer esse show, pensei: ‘Vou fazer tudo o contrário. Agora quero cantar músicas clássicas brasileiras, vestido de terno’. Embora eu usasse o terno como fantasia, aquilo dava um contraste”, explicou.

A empreitada deu certo, tanto que, hoje, Ney alterna apresentações mais intimistas entre mais elaboradas. A forma como isso funciona é emblemática. O artista conta que imagens para shows pulam aleatoriamente em sua cabeça, e há um segredo para captar tantas idéias.

“O que eu faço é liberar meu inconsciente para captar essas coisas. Estou sempre aberto, sempre recebendo informações, e quando elas vêem, eu anoto tudo, ou desenho, para não esquecer”, revelou.












Prestes a encarnar o Bandido da Luz Vermelha, personagem ícone do Cinema Marginal Brasileiro, Ney precisou de muita abertura do inconsciente para criar os arquétipos do seu bandido, que será estrela de “Luz nas Trevas”, continuação do clássico “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla.

“Quando Helena Ignez [viúva de Sganzerla e diretora do longa] me convidou fiquei surpreso! Aceitei na hora, depois fiquei um pouco assustado, já que se tratava de um ícone do cinema.”

Os medos, revela Ney, iam desde comparações com seu personagem ao clássico de 1968 até o receio de não ser um ator profissional. No entanto, quando soube que poderia expandir sua interpretação, o cantor entrou de cabeça no papel.

“Para a figura do Bandido, deixei a barba crescer, achei aquilo interessante e mostrei para Helena, que adorou. O figurino fui buscar em meu armário, pensando: ‘Que roupa um preso poderia usar?’ [risos]”, entregou.

Seja na passarela, na frente das câmeras ou mesmo no palco de casa de shows pelo mundo, Ney é um artista multifacetado, que surpreende em cada trabalho que realiza. Inovar é um verbo que o cantor adora colocar em prática na carreira, e ele explica o porquê:

“Nunca estou satisfeito, sempre quero mais. Só que esse meu pensamento é um pouco egoísta, porque não faço isso pensando no meu público, e sim no meu próprio prazer em cima do palco. É algo que me mantém interessado e, dessa certa forma, talvez eu possa me manter interessante também”.

(Karen Lemos - Famosidades / MSN Brasil)

domingo, 21 de março de 2010

Com ousadia e originalidade, Filipe Catto agita cenário da música brasileira

Aos 22 anos, jovem compositor fala do amor de forma singular, e atrai fãs de todos os cantos do Brasil
















Foto: Ieve Holthausen

O registro raro do timbre de voz (contra-tenor) chama atenção para um jovem compositor e intérprete que começa a vislumbrar toda uma carreira musical a ser traçada em cima de muita boa vontade e pela paixão por cantar. Tido como grande revelação na música brasileira, Filipe Catto enfrenta as desvantagens e soma as vantagens de ser um artista independente, original e talentoso como poucos.

Em seu mais recente trabalho, batizado “Saga”, o jovem compositor trata do amor, tema frequente na canção brasileira, de forma inusitada. Com emprego de termos fortes como “desgraçada”, “esmigalhada”, “desbotada”, “perversa”, “destrincha”, Filipe expressa sentimentos de afeto misturado com a desilusão de grandes paixões.

A linguagem utilizada pelo cantor, que contraria a forma como o tema é normalmente abordado, teve influência das palavras de Hilda Hilst e Chico Buarque, só para ficar em dois exemplos. A respeito de Chico, que também canta o âmago dos sentimentos humanos, Filipe cita a música “Olhos nos Olhos” como modelo de sua poética (“Tantas águas rolaram / Quantos homens me amaram / Bem mais e melhor que você”).

“Quando componho tenho uma tendência natural a falar de coisas na minha música que ninguém fala. Gosto muito de tratar o amor dessa forma bastante íntima e crua”, explica Filipe. “São sentimentos inconfessáveis, tão lá dentro e tão horríveis que tu não consegue falar nem para ti mesmo”.

Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Filipe faz parte da nova leva de compositores/cantores (embora tenha poucos intérpretes masculinos que cumpram esse papel) que teve seu talento descoberto e a carreira alavancada através das facilidades da internet.

Na onda dos artistas independentes, que sobrevivem com as ferramentas da rede, Catto se desdobra em criatividade para divulgar seu trabalho. Pouco ligado no interesse das grandes gravadoras - cada vez menos populares na era virtual, Filipe revela seu principal desejo como profissional: ser ouvido.

“Quis facilitar o trabalho das pessoas. Parti do principio que sou um artista novo e, como artista novo, quero me escutem. Quando eu lancei o álbum, enxerguei aquilo como peça de divulgação. O disco em si não me traz o financeiro, esse papel cabe ao show”, explica.

“Baixem. Se gostarem, espalhem o disco - é esse tipo de pagamento que eu espero, não precisam me dar um real a mais”, complementa. O EP virtual “Saga” está disponível, na íntegra, para download no site oficial (http://filipecatto.com.br/).

Ainda a cerca de suas influências musicais, Catto veio de duas vertentes diferenciadas. Da Música Popular Brasileira mais antiga (como Nelson Gonçalves e o já citado Chico Buarque, e grandes divas da MPB como Maysa, Elis Regina e Maria Bethânia), - e de uma veia mais pop e atual, atribuída à época em que tocava em bandas de rock de garagem, no Rio Grande do Sul, como Nick Cave e PJ Harvey.

“PJ traz uma versão dark do amor, como uma coisa mais misteriosa. Neste ponto, as letras dela são bem parecidas com as minhas”, contou.
















Para complementar o forte discurso do disco, Catto pesquisou sobre as possibilidades de sons em diversos instrumentos para agregar em seu trabalho. “Queríamos um disco quente, acústico, com percussão rica e viva. O bom de ser independente é poder criar a música, sem pressão externa. Experimentar e ver o que vai acontecer”.

O estudo pessoal do músico resultou em uma mistura interessante de ritmos latinos como bolero, samba-canção e o tango tradicional - o que necessitou da presença forte do bandonéon na gravação do álbum.

Filipe conta que, durante a pesquisa, percebeu como a cultura latino-americana possui integração. “Se você olhar a estrutura melódica [do tango], verá que é muito parecida com a do samba-canção. A música latina conversa entre si”, explica.

Foi nesse conceito de unidade musical que o repertório de “Saga” foi pensado. “O repertório conta uma história. [Em “Saga”] uma música brinca com a outra, elas se revelam e se conversam”, explica Catto. Houve também a preocupação com um discurso uniforme, que falasse do amor de forma ‘crua, violenta e passional’, “que é o que me traduz”, diz o compositor das letras.

“Algumas lindas canções tiveram que ficar de fora, porque não traduziam o conceito do disco. Eu trabalhei para deixar tudo coerente; isso se estendeu até o visual do site oficial”.

Graças aos recursos virtuais, o site, que abriga o EP, pode ser acessado por curiosos e fanáticos pela música de várias partes do Brasil, o que propiciou a Catto uma pluralidade de público. Gaúcho, o artista se espantou ao ver que boa parte dos interessados em seu trabalho estavam a quilômetros de distância.

“Tudo está acontecendo o contrário do que imaginei. Acreditava ter uma repercussão maior aqui em Porto Alegre, mas notei que, por exemplo, boa parte dos acessos ao site e downloads do álbum vinham do nordeste, onde ocorre um outro tipo de cultura. Estou muito feliz com isso”, afirma.















Foto: Maciel Goelzer

Para chegar até o nordeste e satisfazer seus distantes fãs, porém, é preciso muito mais do que boa vontade e paixão pela música. Sustentando sua carreira apenas com os lucros de shows, Catto enfrenta certos impasses toda vez que marca uma apresentação além do sul do país.

“É muito caro fazer show. Dependemos de toda uma equipe que temos que transportar, e meu show é um espetáculo, quase como teatro”, reconhece. “Existem as leis de incentivo, mas é difícil tocar um projeto assim somente para um show. Encarece!”.

Para ‘facilitar’ as coisas, como transporte e financiamento, Catto está na estrada acompanhado apenas de um violonista (Ricardo Fá) na turnê que foi batizada “Violão & Vísceras”.

“Temos que viabilizar as coisas. Ou faço show capenga com banda - o que eu não iria consegui fazer, ou tiro tudo”, justifica. Nada mais adequado para o clima intimista que se estende do palco até a plateia. “Show com banda é outra experiência, tem mais entretenimento, mas não quero entreter; quero que prestem atenção em minhas letras. Gosto de sentar, olhar e falar na cara a verdade, isso é comunicação da arte, e arte não se faz sozinha”.

A comunicação também se estende a uma performance teatral, dotada pelo forte domínio de palco de Catto e sua entrega na música. “Como vou cantar algo que diz “uma pobre coisa desgraçada” [trecho de “Ascendente em Câncer”] fazendo cara de paisagem? Não tem como não se apropriar [da música], você usa as mãos e todos os utensílios que possui, a dramaticidade é muito teatral”, acredita.

Para 2010, a intenção de Filipe é fazer o maior número de shows possíveis. Disco novo, somente ano que vem. “Já comecei a compor. A essência é a mesma, mas toca em outra questão e com outra estética. ‘Tá’ indo para uma direção meio Dolores Duran com Amy Winehouse [risos]. Será um disco mais cru, mais simples; e terá maior presença de banda”, nos adianta.

(Karen Lemos - O Estado RJ)

A distorção que vem do campo

Encontro entre grandes nomes da música brasileira celebra a inusitada mistura do ‘rock rural’















Quando o cantor e compositor Zé Rodrix (25/11/1947 - 22/05/2009) escreveu os versos de “Casa no Campo” em parceria com Tavito, talvez jamais tivesse imaginado que ali dava à luz uma vertente na música brasileira, uma mistura da distorção das guitarras com a harmonia da música regional, em uma fusão que ficou conhecida como rock rural.

O termo, que nasceu com as palavras de Rodrix nos trechos “Eu quero uma casa no campo / Onde eu possa compor muitos rocks rurais”, batiza agora um encontro para manter viva essa miscelânea de sonoridades, que já faz parte das especificidades da nossa MPB.

Desde a célebre gravação de Elis Regina, na década de 70, o gênero é relembrado por aqueles que acompanharam de perto o nascimento da combinação musical, e vem atraindo muitos jovens, cada vez mais interessados no que artistas como Zé Geraldo, a dupla Sá e Guarabyra, e conjuntos como o Terço, têm para mostrar.

O Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, reuniu esses e outros grandes nomes da música brasileira em um encontro na programação da casa, que vai até o dia nove de março. Toda às terças-feiras, em dois horários - às 13h e às 19h30, o palco do CCBB se transforma em uma espécie de sala de reuniões para velhos amigos fazerem o que mais gostam: tocar, inventar, e experimentar a música.

“A ideia é mostrar para o público que a coisa continua sendo feita até hoje. Não se trata de algo nostálgico, e muito menos está estagnado”, explica o curador do evento Ricardo Vignini.

Por trás da empreitada, Vignini, que não por acaso também faz parte da seleção artística do evento - tocando com sua banda Matuto Moderno - acredita que o inusitado resultado trazido pelo rock rural continua vivo para aqueles que apreciam a boa música.

“Quando a gente fala da música do campo, todo mundo que nasceu no centro urbano é despertado por uma identificação. Todos nós temos um antepassado que veio lá do interior, e isso faz com que a música com ‘pé na roça’ seja valorizada até hoje”, define o curador.

Zé Helder, um dos novos nomes convidado para o evento e que dividiu o palco com o Ivan Vilela na última terça-feira (2), complementa a resposta de Ricardo.“Estamos nos referindo a músicos que, ao invés de olhar para as tendências momentâneas, estão procurando algo verdadeiro para expressar com sua música”.















Zé Geraldo, que se apresentou no palco do CCBB na última terça-feira (23), diz não enxergar o rock rural como um movimento – ou até como proposta musical. Para o músico, a mistura de gêneros ocorreu de forma natural, e que já era feita muito antes dos rótulos.

“Muitos artistas já realizavam essas misturas espontaneamente. Só para citar um exemplo, Raul Seixas já fazia isso com mestria, só que ninguém achou um título para isso”, explica o cantor e compositor, nascido em Rodeiro, interior de Minas Gerais.

Música sem preconceito

Sérgio Hinds é integrante do conjunto O Terço, que surgiu no final da década de 60 e abriu o festival no CCBB no dia seis de fevereiro, dando o ponta-pé inicial no encontro e esquentando o palco para uma reunião que, segundo ele, celebra um momento importante da cultura brasileira: época em que a experimentação musical era mais do que válida.

“Não tínhamos o menor preconceito, a gente misturava tudo: samba, baião, coisas nada a ver com o rock and roll; tínhamos total liberdade de criação”. Hinds conta ainda que, naquela época, até mesmo as gravadoras eram mais receptivas em relação à materiais inovadores. “Simplesmente editavam o disco e botavam na rua. Era uma época de experimentalismo, quando não existiam barreiras e ficávamos totalmente livres para criar”.

Flávio Venturini, do conjunto 14 bis e que periodicamente se reúne com Hinds, dividindo o som d’O Terço, compartilha da opinião do companheiro de palco:

“[O Terço] trazia muita informação nova numa época em que não havia globalização; neste ponto fomos inovadores trazendo essa mistura de mpb, pop e rock”.















Mesmo sendo irreverente, o músico crê que a mistura do rock rural esteja perdendo seu espaço dentro das mudanças na música brasileira, e atribui isso a um momento difícil na indústria fonográfica.

“Tenho achado esse momento um dos piores pelo qual nossa musica já passou”, resume. Em todo caso, Venturini faz questão de ressaltar que muita gente ainda tem ‘sede de ver boa música ao vivo’. “Mas isso é cada vez mais raro”, explica.

Música sem idade

Para Luís Carlos Sá, um dos principais representante do’movimento’ ao lado de Guttemberg Nery Guarabyra Filho - com quem forma a dupla “Sá e Guarabyra” - o rock rural não pretendia inovar a forma de se tocar rock no Brasil, mas sim de valorizar a canção tradicional e popular feita aqui muito antes dos ritmos americanos chegarem aos nossos ouvidos.

“O rock americano deu origem aqui a Jovem Guarda, que era essencialmente urbana e nada regionalista em termos de Brasil. Ao contrário do rock rural, que partiu da junção do ‘country rock branco’ de Neil Young, Bob Dylan e James Taylor com a raiz brasileira caipira de Cascatinha e Inhana e outros ritmos populares”, explica o cantor e compositor.

O grande encontro ficou encarregado não só de resgatar este pedaço na história da música brasileira, mas também de prestar uma merecida homenagem a um grande amigo e parceiro de palco de Sá: José Rodrigues Trindade - o Zé Rodrix, o mesmo que iniciou toda a história de rotular a música que toda essa gente fazia de rock rural foi relembrado na reunião musical.

Rodrix, que faleceu pouco menos de um ano, teve um papel cultural importante como músico, compositor e produtor musical. Participou de bandas como Sá, Rodrix & Guarabyra (deixando o trio em 1973) e Joelho de Porco. Também chegou a revelar novos talentos da época, tendo produzido nomes como os teatrais Secos&Molhados, também na década de 70.

Além do tributo, Luís Carlos Sá define a união de artistas do rock rural em um mesmo espaço como um painel inédito do gênero. Inédito - mesmo depois de tantos anos de sua classificação - isso porque, apesar do papel segmentador, o rótulo jamais limitou a criação musical.

“Acho que quando a música é realmente boa, não tem problema nenhum em misturar, fica até mais atrativo”, conta Marlene Alves, de 55 anos, que trabalha como bancária e acompanha de perto a trajetória de Sá e Guarabyra há anos.

Não é só Marlene que fica atraída pela ‘mistura de música boa’. É cada vez mais comum a presença de jovens na plateia em shows de antigos conjuntos ou cantores. Com o público vem se renovando, é cada vez mais certo que a música não tem mesmo idade.

“Temos seguidores fiéis, que atravessaram conosco três gerações musicais, e trouxeram seus filhos e netos. Dessa forma vamos agregando, também, um público mais jovem que se cansou da mesmice sertaneja, e está à procura de algo mais”, finaliza.

(Karen Lemos - O Estado RJ)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Finalmente...a música















No palco para celebrar a música, Alzira E. e Ney Matogrosso, dois artistas sul mato-grossenses com muita coisa em comum, recordaram momentos especiais divididos pela dupla - ao longo da trajetória artística - agora reunidos em show realizado entre os dias 20 e 21 de janeiro, para uma plateia lotada no SESC Pinheiros, em São Paulo.

“Já conhecia Alzira há muitos anos. Sempre estou de olho no repertório dela, tenho comigo vários discos que, às vezes, dou uma olhada e uso no meu trabalho. Esse show foi toda uma síntese da nossa história, era um encontro inevitável”, definiu Ney Matogrosso.

O “encontro inevitável” não apenas relembrou a parceria de muitos anos, mas também reforçou os laços de uma carreira conjunta, repleta de admiração e respeito de trabalho mútuo, simbolizada na canção “Finalmente” que, não por acaso, batizou o espetáculo.

“É o nome que escolhi para o show porque eu já sonhava com esse encontro, então ficou bem adequado: ‘Finalmente’ isso aconteceu. A música em parceria com o Itamar [Assumpção, que colaborou em boa parte das composições de Alzira] é especial por isso, relata esse encontro”, explicou Alzira.

O percurso, para Alzira, foi mais do que natural. Há dez anos Ney gravou “Bomba H” no álbum “Olhos de Farol” (registrado no ano 1999), dando início a uma contribuição artística entre o cantor e a compositora. “De lá para cá existia essa possibilidade de - um dia – nos encontrarmos em cima do palco. E acho até que demorou bastante”, riu Alzira.

De fato, dez anos parecem se arrastar no relógio, mas foi o tempo suficiente para criar laços artísticos entre as duas estrelas, que construíram uma história de parcerias para serem relembradas no show. Desde o ponto de partida - “Bomba H”, o intérprete veio gravando composições de Alzira contundentes com seu trabalho musical.

Em 2004, para o álbum “Vagabundo”, juntamente com o grupo Pedro Luís e a Parede, Ney Matogrosso registrou em estúdio “Transpiração”, e a já citada “Finalmente”, que até então nunca havia cantado ao vivo. Para “Inclassificáveis”, disco de 2008, o cantor incluiu “Coisas da Vida” – outra parceria de Alzira com Itamar – no repertório, reforçando a intimidade de Ney com as letras da compositora.

Essas canções, obviamente, não poderiam faltar no encontro. Mas, para selecionar todo o roteiro musical no espetáculo, Alzira e Ney não se limitaram as já conhecidas parcerias, e foram além. “De início eram umas 10 músicas”, conta Ney Matogrosso, que recebeu o convite e o set-list do show através do correio. “Eu falei [para Alzira]: ‘Olha, vamos aos poucos, verei até onde eu consigo’, porque as músicas eram cheias de ‘ciladas’, tinham uma complexidade”, explicou.















Crédito: Carol Mendonça

Ney se referiu a obras inéditas, nunca interpretadas por ele no palco, como “Mulher o Suficiente”, “Sei dos Caminhos”, “Ai, que Vontade”, e “Se eu Soubesse como”, canção que está prevista para entrar no novo disco produzido por Alzira para este ano.

“Ensaiei tudo na véspera, coisa que eu não faço nunca [Ney precisou abrir um espaço na turnê atual - “Beijo Bandido”, na qual estava totalmente envolvido, para ensaiar o repertório com Alzira]. Eu estava um pouco inseguro no primeiro dia, mas no segundo teve uma virada. Entrei mais garantido, e a platéia, que estava mais solta, também ajudou”, comentou o intérprete.

Com o roteiro definido, datas divulgadas, e o clima de sucesso pairando no ar, não foi nenhuma surpresa que as entradas para conferir esse encontro pra lá de especial tivessem sido vendidas em cerca de uma hora e meia. “Em meia hora, a parte de baixo da platéia já havia sido toda vendida”, detalhou uma funcionária da unidade Pinheiros do SESC.

É certo que celebrar um encontro com um nome de peso da música brasileira atrai um grande público. Alzira, sabendo disso, mergulhou de cabeça no projeto e deixou de lado, pelo menos por alguns instantes, as finalizações do seu novo álbum, que já está na reta final da produção.

“Eu não conhecia o trabalho da Alzira pessoalmente, e tive o prazer de ouvir suas músicas, que são verdadeiras poesias”, comenta a espectadora Márcia Hack, que segue o cantor desde 1983, e já teve oportunidade de conhecer o trabalho de outros músicos, devido a parcerias dos artistas com seu ídolo. “Ver os dois cantando juntos foi lindo. Quando Ney entrou no palco a plateia veio abaixo”, recorda.

O espetáculo também surpreendeu com canções inéditas de Alzira, que devem estar presentes em seu novo disco – “Pedindo a Palavra”. “Passou a existir um desafio gostoso de tocar essas músicas - estrear essas músicas no palco, e isso transformou aquele momento em uma coisa única”, explica Alzira.

“Pedindo a Palavra” traz um repertório recheado de criações de Alzira com o poeta Arruda. “Nosso Presente”, “Olhos de Chico Buarque” e “Beijos Longos” (interpretada ao lado de Ney), foram os destaques do roteiro do show, e fazem parte do novo disco, aguardado para chegar às lojas no mês de abril, prevê a cantora.

(Karen Lemos - O Estado RJ)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Especial: O legado de Raul Seixas



















Mesmo após 20 anos de sua morte, completados nesta sexta-feira (21), Raul Seixas ainda consegue vender discos e ser lembrado pela cultura de um país sem memória, onde inúmeros artistas já passaram e se foram, caindo no ostracismo e em total esquecimento.

O segredo da imortalidade pode estar na irreverência e na imagem de rebeldia, cultivada em uma época em que ser rebelde era sinônimo de perigo para a “moral” da sociedade brasileira, ou então no legado musical deixado pelo compositor e intérprete que até hoje reúne diferentes gerações que gritam, em uníssono, o famoso “Toca Raul!” – frase que ficou tão célebre quando seu próprio personagem.

Raul Santos Seixas nasceu em Salvador, em 28 de junho de 1945. Filho de Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas, o garoto foi criado na capital baiana até sua adolescência. Foi lá que começou a ouvir música, que ia desde clássicos do rock, como Elvis Presley e Little Richard, até marcos da cultura nordestina, como Luiz Gonzaga. O gosto eclético do menino Raul influenciou no seu trabalho, que misturava esses dois estilos tão extremos, e se tornou o diferencial da sua obra que marcou, a ferro e fogo, a cultura brasileira.

Apelidado de Raulzito (diminutivo do mesmo nome do seu pai), os primórdios da carreira do músico, no início dos anos 60, carregaram seu carinhoso apelido no batismo do seu primeiro conjunto de rock, “Raulzito e Os Panteras” (que anteriormente se chamava “The Panthers” e, antes ainda, “Relâmpagos do Rock”). Mas, a projeção nacional, de fato, viria apenas nos anos 70.

Curiosamente, o primeiro sucesso de Raul que estourou era uma canção carregada de letras agressivas, que criticavam a sociedade capitalista, a valorização de bens materiais e as autoridades da época: “E você ainda acredita/Que é um doutor/Padre ou policial/Que está contribuindo/Com sua parte/Para o nosso belo quadro social”, dizia o trecho de “Ouro de Tolo”, lançado em 1973.

Devido ao sucesso do compacto de “Ouro de Tolo”, o músico foi contratado por uma gravadora e lançou “Krig-Ha, Bandolo!”, de 1973, seguido por “Gita”, de 1974. Os dois álbuns se tornariam marcos na trajetória de Raul por trazer algumas de suas mais conhecidas canções, como “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa”, “Al Capone”, “Sociedade Alternativa”, “O Trem das Sete”, “Medo da Chuva”, entre outros. Todas as músicas tinham em comum a presença de um cunho crítico-social, um abuso para aquela época, quando o Brasil era governado pelo General Médici, em plena ditadura militar, e o Ato Institucional número 5 (AI-5), entrou em vigor, iniciando uma fase de censura e repressão no grupo de constadores no qual Raul estava incluído.

Foi nesse período, que o Maluco Beleza conheceu uma pessoa com quem cultivaria amizade e travaria diversas parcerias musicais (“Gita” é o principal exemplo), o escritor Paulo Coelho. Juntos, os dois amigos dividiram loucuras e pensamentos ousados, e chegaram a formar uma sociedade só deles, a “Sociedade Alternativa”, com direito a uma comunidade própria, a “Cidade da Luz”, onde o pressusto era liberdade de viver da forma que cada individuo bem entendesse.

Loucura ou não, o fato é que a dupla contribuiu em grande parte para o cenário musical da época, e grandes sucessos de Raul foram compostos em parceria com o escritor.

Raul foi embora cedo, aos 44 anos, mas deixou um vasto legado que até hoje é revivido. O músico teve uma vida intensa. Foram cinco casamentos, deixando três herdeiros e uma vasta produção musical; até discos póstumos foram lançamento após sua morte, em 21 de agosto de 1989, por pancreatite aguda causada pelos seus abusos com a bebida.

A figura emblemática de Raul não estava apenas na imagem anarquista , suas polêmicas com seitas religiosas e declarações ousadas, mas também no símbolo de um ser humano que se preocupava com o andamento do mundo e as injustiças que eram escancaradas na cara da sociedade, que se calava diante de tanta repressão.
Afinal, quem reúne quatro mil pessoas em um show tributo à sua memória, realizado na última Virada Cultural em São Paulo, mesmo após 20 anos de sua ausência, merece ter a cada ano uma homenagem dedicada só para ele: Raul Seixas, o ícone do rock brasileiro.

Raul Seixas por quem entende

“Eramos amigos de boteco e alas de manicômios”, assim define a amizade de 10 anos que manteve com um dos maiores ícones da cultura brasileira. Sylvio Passos, fundador do Raul Rock Club, fã clube oficial dedicado à memória de Raul Seixas, conheceu essa grande figura por causa da sua admiração.

Ao tomar conhecimento do empenho de um fã em gastar horas do seu tempo dedicados para ele, um receptivo Raul Seixas quis conhecer seu admirador, isso lá nos anos 80, e chamou Sylvio para um almoço em sua casa. Nasceu ai uma amizade que ultrapassou limites entre ídolo e fã. Era um relacionamento íntimo, verdadeiro.

“Um sujeito bacana e bem educado. Ele tinha umas tiradas sarcáticas, críticas e um jeito irônico, mas, acima de tudo, era um homem preocupado com o ser humano, com a humanidade”, define Sylvio. Raul era uma pessoa de fácil convivência e tinha a generosidade como sua maior virtude.

A conviência com Raul mudou e acrescentou à personalidade de Sylvio, que passou a olhar ao seu redor com a ótica do amigo. “Aprendi a ver o mundo de várias formas, a lidar com certos assuntos de um jeito diferente. Isso tudo o Raul me passou, é essa influência dele que trago comigo”, disse.

Ao falar sobre a tragédia que culminou com a morte do ídolo, Sylvia acredita que o próprio fardo que o músico carregava com a sua imagem, o levaram a depressão e a entrega ao álcool. “Raul não entendia porque o colocavam em um patamar de Deus, de rei. Nunca conseguiu lidar direito com essa posição”, revelou.

“Não encontro aquela atitude nos músicos de hoje. Alguns até tentam, mas não são Raul. Em partes, isso é ruim, porque quem imita acaba perdendo a identidade”, revela Sylvio. Apesar da falta de originalidade, o fundador do Raul Rock Club tenta não radicalizar quando se trata de homenagens e saudosismos ao Maluco Beleza, afinal, relembrar o legado de Raul, é manter a lenda viva.

Porque Raul é único? Sylvio explica: “Raul foi o cara que soube como ninguém misturar o roque com a música brasileira, sempre contestando, filosofando, enlouquecendo. Ninguém mais soube fazer isso”.

Quem sabe bem que nenhuma outra pessoa igualava Raul Seixas naquilo que ele fazia de melhor é Roberto Seixas. Não, ele não é nenhum parente do homem, mas, a identificação é tanta, que Roberto adotou o sobrenome do ídolo, a quem mantém 22 anos de sua vida dedicada a apresentações cover.

Raul entrou em sua vida de forma bem curiosa. O primeiro contato, em 1972, foi através de um programa de rádio, onde tocava “Let me Sing, Let me Sing”, que mesclava rock com baião. “Achei aquilo horrível, desliguei o rádio na hora”, conta Roberto.

Uma nova chance, e Raul conquistou de vez um espaço na vida do rapaz que, lá pelos idos dos anos 80, assistia encantado à uma performance do cantor no programa “Globo de Ouro”, da Rede Globo. A identificação foi instantânea. Naquele momento, Roberto se deu conta de qual era a missão de sua vida. “Era uma coisa que eu tinha que fazer” . O ano era 1987, e desde então, o fã encarnou o ídolo, virou artista cover renomado e chegou a receber elogios do original.

Roberto considera que, hoje, não há mais espaço para as músicas críticas de Raul. Mas, isso não quer dizer que a chama acesa pelo astro tenha se apagado, fato que é comprovado quando o caracterizado Roberto sobe ao palco “Olho para o público e vejo gente de 5 a 80 anos. O mais interessante é que são de todas as classes, até aquela que Raul adorava criticar em suas canções”.

Atingir diversas faixas etárias em diferentes poderes aquisitivos é para poucos, o que se torna ainda mais difícil depois de 20 anos de ausência. Roberto atribui a imortalidade do ídolo a sua atemporalidade nos assuntos abordados pela música do Maluco Beleza, e da compreensão do Raul contestador que levam muitos fãs a se identificarem com a lenda.

O fardo e a responsabilidade de levar canções de um ícone, para os que viveram em sua época, ou para aqueles que nem pensavam em nascer enquanto Raul estava no auge, é enorme. Roberto sabe bem disso. “Faço isso no meu trabalho. Não é só subir no palco e cantar. Eu tento, da melhor forma possível, fazer com que o público compreenda a mensagem que Raul queria passar”. 20 anos depois, a mensagem continua viva e atual. E alguém aí duvida?

(Karen Lemos - Famosidades/MSN)