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domingo, 8 de dezembro de 2019

No Brasil, Gal Gadot e Patty Jenkins apresentam primeiras cenas de "Mulher-Maravilha 1984"

Gal Gadot e Patty Jenkins interagem com o público da CCXP, em São Paulo (Foto: Vans Bumbeers/IHF)

O trailer de Mulher-Maravilha 1984 foi lançado neste domingo, 8, no painel da Warner Bros. durante a CCXP 2019, com direito a presença da diretora Patty Jenkins e da atriz que vive a heroína nos cinemas, Gal Gadot. As duas estão no Brasil para divulgar o novo filme da DC que chega aos cinemas em junho de 2020.

Para um auditório lotado, que gritava e aplaudia a cada frase de efeito das convidadas internacionais, Jenkins e Gadot deram alguns detalhes sobre a nova aventura da personagem. "O primeiro filme era sobre a origem da Mulher-Maravilha. Agora nós temos a Mulher-Maravilha", anunciou a diretora do longa, acrescentando que a sequência apresentará uma evolução da heroína.

"Ela está em um mundo mais moderno [o primeiro filme se passa durante a Primeira Guerra Mundial]. O filme acontece nos anos 1980 e temos muitas cenas de ação nesse ambiente, com acrobacias reais, em locais reais". Gadot pontua que a heroína está mais "solitária" agora, já que perdeu todos os amigos ao longo dos anos. "Ela continua, porém, ajudando a humanidade como sempre fez, até que algo 'louco' acontece", disse, sem entregar muito.

Novos personagens e volta de Steve Trevor

Se alguns personagens se foram nesse meio tempo, outros chegam para reforçar o elenco de Mulher-Maravilha 1984. Além de Gal Gadot, também atuam no filme Kristen Wiig, como a Mulher-Leopardo, Pedro Pascal, que dá vida a Maxwell Lord, além do retorno de Steve Trevor (Chris Pine) à saga – o que é curioso, já que o personagem foi dado como morto no último filme.

"Não vou contar [como Steve volta]", respondeu a diretora Patty Jenkins. "O que posso dizer é que não o colocamos lá só porque queríamos, mas porque a história não podia ser contada sem ele; ele é muito importante para essa história".

Nova armadura leva público ao delírio

O evento teve ainda transmissão internacional pelo Twitter, isso porque o painel marcou o lançamento do primeiro trailer do filme. Uma das cenas exibidas que mais empolgaram e levaram à loucura o público da CCXP foi a revelação de uma nova armadura, que já apareceu nos quadrinhos em momentos em que a heroína precisou combater vilões muito poderosos, o que leva a crer que as batalhas da Mulher-Maravilha não serão nada fáceis de enfrentar. "Me senti incrível ao me olhar no espelho [com a nova armadura], mas não é nada confortável", riu a atriz.


Empoderamento feminino

As convidadas também falaram sobre a influência da heroína quando o assunto é empoderamento feminino, e o quanto isso influencia positivamente o público, principalmente as meninas. "Isso é o que faz tudo valer a pena", definiu Jenkins. "E não é só para as meninas. É universal, é para todos", completou Gadot.

Mulher-Maravilha 1984 estreia em junho de 2020. Em coletiva de imprensa mais cedo, a diretora também revelou que irá produzir e roteirizar um filme sobre as Amazonas de Themyscira, lar da Mulher-Maravilha. Detalhes do projeto, no entanto, não foram adiantados por enquanto.

Outros lançamentos da Warner Bros. foram citados no painel da CCXP, como a sequência de Aquaman, Shazam, Aves de Rapina – que também passou pelo evento deste ano, além de The Batman, nova aventura do Homem-Morcego que chega aos cinemas em 2021, e Esquadrão Suicida 2, nas telonas em agosto de 2021.

(Karen Lemos - Portal da Band)

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

"Blade Runner - O Caçador de Androides" acertou ou errou as previsões para o futuro?

Harrison Ford em cena de Blade Runner - O Caçador de Androides (Foto: Divulgação)

Referência da ficção científica, Blade Runner - O Caçador de Androides não mais seria um filme sobre o futuro, e sim sobre os dias de hoje. A história que gira em torno da captura de robôs rebelados se passa em novembro de 2019, em uma Los Angeles distópica e largada às traças.

Dirigido por Ridley Scott, com Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young e Daryl Hannah no elenco principal, Blade Runner projetou uma visão de futuro com exageros, mas também com alguns acertos sobre o nosso presente.

Embora pós-apocalítico, o mundo do caçador de androides Rick Deckard (Harrison Ford) é um lugar com recursos naturais escassos, animais ameaçados ou em vias de extinção, poluição fora de controle, mistura e profusão de culturas, além de uma crescente evolução tecnológica e robótica.

Devido ao estado de completo caos da Terra, a única alternativa é colonizar outros planetas. Essa possibilidade, no entanto, ainda está bem remota para nós, terráqueos.

O Portal da Band reuniu aqui essas e outras “previsões” de Blade Runner para o futuro, analisando erros e acertos dessa história que, mesmo com o passar dos anos, ainda é um clássico do cinema de gênero e da cibercultura. Confira:

Computador com tela verde

tela verde

Os computadores de Blade Runner aparentam ser bem mais antigos do que os de hoje. Essa tela verde – chamada de monitor de fósforo verde – é bem típica dos anos 1980. Mas vamos dar um desconto: o filme de Ridley Scott trabalha bastante com o conceito de retrofit, ou seja, equipamentos que tem cara de ultrapassados, mas cuja funcionalidade é mais moderna.

Carros voadores

carros voadores

O que seria um filme sobre o futuro sem aqueles carros voadores, não é mesmo? Embora exista por aí alguns protótipos para colocar um carro voador nos céus das grandes cidades, ainda não é algo que faça parte da nossa atualidade. Em Blade Runner, é comum ver spinners (veículos que podem andar na terra e, graças à propulsão a jato, também conseguem voar) na cidade, principalmente usado pela polícia e caçadores de androides.

Embraer e Uber desenvolvem protótipo de carro voador:


Ler jornal

leitura jornal

Ninguém aqui está declarando o fim do jornal impresso, mas é fato que hoje em dia é cada vez mais raro ver pessoas abrindo e lendo jornais pelas ruas das cidades. No filme, o personagem de Harrison Ford faz isso com certa frequência (além de personagens figurantes ao seu redor). Seria mais fiel à realidade mostrar pessoas andando com os olhos vidrados no celular, por exemplo.

Androides

androide

Uma das discussões levantadas por Blade Runner é justamente discutir os limites da inteligência artificial. No longa, os androides chamados de replicantes ficam tão evoluídos que se rebelam e passam a ser caçados. Várias obras de ficção cientifica já abordaram batalhas pelo poder entre humanos e robôs, o que - felizmente - ainda não faz parte do nosso presente. A robótica, no entanto, está cada vez mais avançada. Hoje contamos com os robôs para realizar entregas, investir dinheiro, fritar hambúrguer e até pintar quadros. Não podemos deixar de mencionar também uma das robôs mais famosas: Sophia, que tem 62 expressões faciais, capacidade de aprender e dona de um curioso senso de humor.
 

Fotos impressas
 
fotografias

Na era das redes sociais, fica um pouco obsoleto sair por aí carregando fotos impressas. Muita gente ainda prefere imprimir registros de uma viagem, por exemplo, para guardar de recordação, mas as fotografias em papel têm ficado no passado. Se o caçador de androides Rick Deckard mostrasse suas fotos no álbum do celular, ou então em seu perfil do Instagram, seria mais aceitável, digamos assim.

Órgãos em laboratório

orgaos em laboratorio

Ainda não é 100% nossa realidade, mas a medicina caminha para desenvolver com tecnologia a impressão de órgãos em 3D, o que ajudaria muito quem precisa de um transplante. Coração, orelhas e até ovários que podem ser fecundados (pelo menos em ratinhos) já foram criados por cientistas. Blade Runner, porém, está um pouco mais a frente, com a produção em massa de órgãos artificiais.

Identificador e comando de voz

identificador de voz

Em algumas sequências de Blade Runner, personagens do filme utilizam aparelhos com identificador e comando de voz, inclusive para abrir a porta de suas residências. Quem tem smartphone conhece e está acostumado com essa funcionalidade. Muitas empresas têm produzido aparelhos que operam com comando de voz para realizar todo tipo de tarefa. Alguns exemplos são Google Home, HomePod e Alexa. Apesar de úteis, há quem diga que esses aparelhos são um tanto quanto invasivos. Existem relatos de mensagens enviadas de forma errada e até misteriosas e assustadoras “risadas” emitidas pelos aparelhos.



Trânsito caótico

transito caotico

Talvez um dos maiores acertos desse clássico da ficção cientifica seja com relação ao caos urbano. As cenas de ruas movimentadas, comércio de todos os tipos, propagandas e, principalmente, aquele trânsito desordenado é algo bem comum das grandes cidades.

Secador de cabelo instantâneo

secador cabelo

Não chega a ser uma grande inovação do futuro, já que alguns salões de beleza possuem equipamentos do tipo - para secar o cabelo ou então vaporizadores capilares - mas ninguém tem um “trambolhão” desse em casa. Mais pelo tamanho, do que pela praticidade. Seria ótimo sair do banho e ter o cabelo seco em questão de segundos, não é mesmo?

Colonização de planetas

colonizacao planetas

Se dependesse da vontade dos terráqueos, isso já teria acontecido, mas fato é que ainda estamos longe de explorar e colonizar outros planetas. Isso não é só comum em Blade Runner como é ponto essencial da trama. No filme, os recursos da Terra estão tão escassos que não há alternativa senão morar em outro planeta. A perigosa função de explorar o desconhecido fica a cargo, é claro, dos androides, que se revoltam após tanto tempo de escravidão. Em nossa realidade, há alguns programas espaciais da Nasa e de outras agências espaciais que pretendem construir uma colônia orbital, mas, por enquanto, não temos planetas nesses planos.

Atari em alta

atari

Dá para dizer que Blade Runner foi certeiro em outro ponto: apostar na onda dos videogames. Esse mercado está, de fato, cada vez mais em alta. O Brasil, por exemplo, já é o terceiro maior consumidor do mundo nesse setor. Atualmente, temos até campeonatos de games (sendo League of Legends o mais conhecido) que ocorrem em estádios de futebol e com torcidas gigantes. O único probleminha é que, nos anos 1980 – quando a produção foi realizada – o console Atari estava com tudo. Hoje em dia, porém, a empresa perdeu espaço para marcas como Microsoft (Xbox), Sony (PlayStation) e Nintendo.

Unicórnio

unicornio

Uma pena, mas ainda não descobrimos os unicórnios. Esses animais mitológicos, espécie de cavalos com um único chifre na testa, por enquanto só fazem parte da ficção mesmo. Em Blade Runner, ele aparece nas lembranças do protagonista. Os unicórnios, no entanto, dominam hoje a cultura pop e são frequentemente vistos em estampas de camisetas, acessórios e até comidas.

unicornio, bolo unicornio,
Foto: James Lee/Unsplash
 
(Karen Lemos - Portal da Band)

quinta-feira, 20 de junho de 2019

“Há muita desinformação”, diz diretora de filme sobre memórias da ditadura

A atriz Jeanne Boudier em cena do filme “Deslembro” (Foto: Divulgação)

Foram as lembranças de uma infância vivida em um momento delicado da história do Brasil que levou a cineasta Flavia Castro a dirigir “Deslembro”, filme nacional produzido por Walter Salles que chega aos cinemas do País nesta quinta-feira, 20.

O filme acompanha a adolescente Joana, filha de uma militante exilada e de um desaparecido político que deixa Paris, na França, para voltar ao Brasil após a Lei da Anistia, que permitiu o retorno de brasileiros que viviam, através de pedidos de asilo político, em outros países durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).

A trajetória lembra um pouco a da diretora, que também cresceu na França depois que o pai foi exilado pelo regime militar. “Durante a montagem do documentário ‘Diário de uma Busca’, onde falo sobre meu pai e minha infância no exílio, senti uma necessidade de ir mais a fundo em um trabalho sobre a memória através da ficção, porque queria contar essa narrativa de uma forma mais lúdica, com uma subjetividade maior”, explica a cineasta em entrevista ao Portal da Band.

Flavia espera que seu filme possa contribuir para discussões sobre esse período da história. Com uma frequência cada vez maior, o assunto vem sido debatido através de um viés negacionista, termo usado para designar fatos que são negados, por mais que as evidências históricas os comprovem.

“Na Alemanha, negar o Holocausto [extermínio de judeus pelos nazistas] é crime. Na Argentina, nem os militares negam os crimes da ditadura. Uma coisa é você ter pontos de vista diferentes, você ser de direita ou você ser de esquerda. Outra coisa é você negar a História”, pontua.

A diretora diz que o filme traz elementos que condizem com a realidade do Brasil naquele período. “Em certo momento [do longa-metragem], a viagem escolar da protagonista não é autorizada porque o pai, um desaparecido político, não tinha atestado de óbito. Isso é real. No Brasil daquele tempo, questões simples da vida cotidiana se transformavam em problemas complicados de se resolver”, acrescenta a cineasta. “Meu sonho é que os jovens assistam ao filme, porque há muita desinformação sobre a ditadura por aí.”

Para além do pano de fundo histórico, “Deslembro” aposta em uma narrativa contada pela perspectiva de uma adolescente. Todos os sentimentos comuns ao ser humano nessa fase da vida acompanham a trajetória de Joana. Dessa forma, há uma tentativa de construir um sentimento de identificação com o espectador. “Tem outras coisas da vida que aparecem no filme. É um filme sobre a ditadura, mas não é só sobre isso”, afirma Flavia.




Construção de personagens

Interpretando Ana, militante política e mãe de Joana, Sara Antunes também levou algumas memórias pessoais para a trama. Assim como a cineasta Flavia Castro, a atriz viu o pai ser exilado na França durante o regime militar. “Quando fui convidada para fazer ‘Deslembro’, eu estava justamente pesquisando material sobre o exílio do meu pai. Parece que esse convite era uma coisa que tinha que acontecer, sabe? Essa história [do filme] é um pouco minha também“, define em conversa com a reportagem.

Sara já havia trabalhado em uma produção com essa temática: “Alma Clandestina”, sobre a guerrilheira Maria Auxiliadora. No longa de Flavia Castro, porém, ela foi desenvolvendo um processo de desconstrução do mito da guerrilheira, tentando deixá-la mais humana. “A Flavia me pediu algo mais familiar, mais materno para viver a Ana. É uma mãe guerrilheira, que pega em armas, acredita na revolução, mas é a mãe que corta o tomate e a cebola do jantar da família. A Ana podia ser a mãe de qualquer um de nós.”

Uma das surpresas do filme, a revelação Jeanne Boudier, intérprete da protagonista Joana, nasceu na França e tem pouco contato com esse passado do Brasil; ainda assim, ela relata ter encontrado pontos de convergência com a personagem. “Eu pensava que eu não tinha nada a ver com esse ambiente”, diz. “Mas, quando comecei a filmar, estava com 16 anos e, assim como toda garota nessa idade, vivia o mesmo turbilhão de emoções que a minha personagem. No fundo somos todos iguais; temos sentimentos, conflitos na família, primeiros namorados. O filme fala disso tudo.”

Os atores Jeanne Boudier, Hugo Abranches e Sara Antunes (Foto: Divulgação)

Completam o elenco Eliane Giardini, que vive a avó de Joana, Jesuíta Barbosa, o pai desaparecido, Hugo Abranches, Arthur Raynaud, Antonio Carrara e Marcio Vito.

Clima de medo

O rebuliço político que o País vive desde 2013, que se intensificou nas eleições presidenciais de 2014 e de 2018, forma um cenário singular para o lançamento de um filme que toca em um assunto que gera discussões acaloradas. O próprio longa-metragem pontua isso em certo momento, com personagens trocando expressões (“cala a boca, fascista” e “vai para Cuba”) que passaram a ser mais usadas.

A torcida da equipe de “Deslembro” é para que o filme contribua para um diálogo saudável, mas tanto a diretora quanto as atrizes citam certo receio com relação à animosidade que tem tomado conta das discussões sobre política no Brasil.

Em conversa com a reportagem, a atriz Sara Antunes repercutiu uma entrevista que Wagner Moura, seu amigo pessoal, concedeu ao australiano Daily Telegraph durante o Festival de Cinema de Sydney. No evento, o ator exibiu “Marighella”, filme sobre o guerrilheiro Carlos Marighella. Para o veículo, Wagner expressou uma preocupação de retornar para o Brasil devido às hostilidades que têm recebido desde quando iniciou as filmagens dessa produção.

“O Wagner se colocou muito de frente nessas questões políticas. Eu entendo completamente o receio dele, porque as pessoas estão tão cegas, tão desinformadas e munidas de ódio. É para se ter medo mesmo”, desabafa Sara.

A diretora Flavia Castro recorda-se ainda de alguns comentários que leu em redes sociais após a exibição de “Deslembro” no Festival de Cinema do Rio. O filme foi exibido antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Na ocasião, a disputa entre os candidatos ao cargo, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), mexia com a opinião dos brasileiros de forma exponencial.

“Cheguei a ver coisas horríveis, como comentários de pessoas dizendo que as crianças do filme tinham que morrer, ou então que os pais militantes jamais deveriam ter tido filhos”, lembra. “No caso do [filme] ‘Marighella’ é algo ainda mais escandaloso. Para mim, a partir do momento em que um artista não pode se expressar livremente sem ser hostilizado, deixamos de viver em uma democracia”, observa.

A diretora Flavia Castro em frente ao cartaz do filme (Foto: Divulgação)

Esses ataques, no entanto, não são regras, segundo a cineasta. “Deslembro” tem feito uma carreira interessante. Foi exibido, por exemplo, no Festival de Cinema de Veneza, um dos mais prestigiados do mundo, e recebeu prêmios, como o da crítica no Festival de Biarritz e de melhor filme no Festival de Cinema Brasileiro em Paris. “As percepções são variadas. Na Mostra de Cinema de São Paulo, por exemplo, a recepção foi emocionante, quase catártica. Muitos jovens vieram me abraçar, preocupados com o que será do nosso futuro”, completa Flavia, cujo filme é justamente um convite à reflexão de um passado que continua à espreita.

(Karen Lemos - Portal da Band)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Para diretor e elenco, Central do Brasil ainda é atual

Vinicius de Oliveira, Fernanda Montenegro e Walter Salles na exibição de cópia restaurada de 'Central do Brasil' (Foto: Natali Hernandes/agenciafoto.com.br)

A história de uma ex-professora que atravessa o Brasil atrás do pai do menino Josué completou 20 anos sem envelhecer. É tão atual que a intérprete de Dora, a aposentada que escreve cartas para analfabetos no centro do Rio, sugeriu relançá-la. “Esse filme deveria ser lançado de novo. Digo isso por causa da época que estamos passando agora”, disse Fernanda Montenegro, sob muitos aplausos, na exibição da cópia restaurada de Central do Brasil, nesta terça-feira, 30, na capital paulista, durante a 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

“A obra fala de um menino em busca do pai, mas que na verdade também está em busca de um país. E nós estamos em busca de um país novamente”, acrescentou a atriz, referindo-se, mas sem citar nomes, ao momento politicamente conturbado que se agravou com as eleições deste ano.

Central do Brasil chegou aos cinemas em 1998, mas as primeiras ideias para o longa surgiram na mente do diretor Walter Salles em outro período delicado. “O filme foi pensando durante os anos negros do governo [Fernando] Collor e momentos após a ditadura militar. A trajetória [da protagonista] Dora é de ressensibilização depois daquela época tão traumática”, definiu o cineasta.

Comentando a onda conservadora que atingiu o país – e que junto dela vieram ataques à classe artística, Walter Salles pediu união. “Agora é hora de se reagrupar, estarmos juntos, pensar e criar novamente”, pontuou o diretor do longa vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro, além de também render uma indicação a Fernanda Montenegro como melhor atriz na principal premiação da indústria.

Cena do filme 'Central do Brasil' (Foto: Divulgação)

O ator Vinícius de Oliveira, intérprete do menino Josué, lembra ainda que o cinema brasileiro já enfrentou percalços, como a censura nos tempos de ditadura militar e o financiamento escasso. “O nosso cinema não está em um caminho sólido, e esse momento que estamos passando, no qual a cultura e os artistas estão ‘apanhando’, pode ser devastador. Sempre houve resistência por parte daqueles que trabalham nesse ramo, e em muitas ocasiões o próprio público abraçou mais a produção nacional. Ainda assim, podemos estar diante de novos tempos difíceis”, lamentou em conversa com o Portal da Band.

Duas experiências profissionais, no entanto, trouxeram uma outra perspectiva, essa mais positiva, para Vinícius. O ator esteve no Nordeste do País na década de 1990 para filmar Central do Brasil, e retornou em 2014 para a região, onde rodou Boi Neon, de Gabriel Mascaro. “Encontrei um Nordeste muito diferente, mais moderno, mais possível, com pessoas distintas. Em algum momento a gente melhorou, só espero que não haja retrocessos.”

A restauração de Central do Brasil, feita pelo laboratório francês Éclair, ressaltou os tons do sertão nordestino captados pela fotografia de Walter Carvalho e a trilha sonora marcante assinada por Jaques Morelenbaum e Antônio Pinto. O grande poder do filme, entretanto, está em emocionar um público diverso. A história de Dora e Josué toca até mesmo quem não conhece a realidade dura da maioria dos brasileiros. É difícil segurar as lágrimas diante da construção de uma amizade tão improvável dos dois e, principalmente, do reencontro da professora aposentada com a sua própria compaixão, há muito tempo perdida.



Além das atuações de Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira, o filme também traz um dos trabalhos de Marília Pêra, morta em 2015. Foi para a colega de cena que Fernanda dedicou a sessão. “Não lembro dela para entristecer, embora ela faça mesmo muita falta, mas porque essa noite é dela. Talvez pela sua ausência, essa noite é totalmente dela”, concluiu a atriz.

(Karen Lemos - Portal da Band)

sábado, 18 de novembro de 2017

Dandara, a travesti que o preconceito matou, vira tema de documentário

Foto: arquivo pessoal

Dandara sempre foi um nome forte muito antes do vídeo de uma sessão de tortura e violência circular pelas redes sociais. Era o nome de uma guerreira negra do Brasil colônia, esposa de Zumbi dos Palmares, que, diz a lenda, se matou para não voltar à dura realidade da escravidão.

Essa perseverança de viver como sonhou, e não como outros queriam que vivesse, também era uma das características de Dandara dos Santos. A cearense de 42 anos teve a coragem de viver como era mesmo sabendo dos riscos que corria por morar no país que mais mata transexuais no mundo.

Em 15 de fevereiro deste ano, Dandara entrou para as estatísticas que formam um panorama assustador: a cada 25 horas, uma pessoa morre vítima da homofobia no Brasil, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), que faz esse levantamento. O caso da cearense poderia ser mais um entre muitos que são ignorados, só não foi porque um vídeo em que a travesti, já coberta de sangue, aparece sendo espancada e xingada por um grupo de homens se tornou viral na internet.

Esse mesmo vídeo apareceu nas redes sociais de Francisca Ferreira, mãe de Dandara, que sem querer assistiu as últimas imagens da filha em vida. “Ele ficou lá, quieto, sem falar nada, esperando a morte”, lembra a aposentada, que chora. O relato é um dos pontos altos do documentário de curta-metragem Dandara, que estreia neste domingo (19), às 15h30, no Festival Mix Brasil. Haverá também sessão na terça-feira (21) às 19h30. Ambas acontecem no CCSP (Centro Cultural São Paulo), na capital paulista.

O filme deriva de uma grande reportagem que os jornalistas e diretores do curta, Fred Bottrel e Flávia Ayer, do jornal Estado de Minas, realizaram sobre o caso. Eles viajaram para Fortaleza, onde, um mês antes, Dandara havia sido morta a tiros após a sessão de tortura. O material que colheram, como depoimentos de familiares e amigos, “merecia um tratamento mais longevo”, na opinião de Fred. “A gente entendeu que a história de Dandara precisava ser contada de forma mais profunda, e também circular por outros públicos”, explica o diretor ao Portal da Band.

A dupla, que passou uma semana na capital cearense, pensou ainda em um jeito diferente de começar o filme. “Inserimos um conceito para que o espectador se coloque no lugar de Dandara. Posicionamos a câmera como plano subjetivo dentro do carrinho de mão [objeto para carregar a travesti após as agressões] e circulamos pelo mesmo local onde a violência toda aconteceu”, conta Fred. “É um exercício de empatia mesmo”, definiu.

Assista ao trailer:


A repercussão das imagens chocantes que antecederam a morte da cearense fez com que o governador do Estado, Camilo Santana, assinasse um decreto permitindo que transexuais possam usar o nome social na utilização de serviços públicos e também que trans mulheres, vítimas de violência, sejam atendidas nas Delegacias da Mulher do Ceará.

Além disso, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) apresentou um projeto batizado de Lei Dandara dos Santos, que propõe alteração do Código Penal para prever o LGBTcídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio e inclui o mesmo no rol de crimes hediondos. Apesar de tanta violência, a homofobia ainda não foi tipificada como crime no Brasil.

Morreu por confiar em todo mundo

Para o irmão de Dandara, Ricardo Vasconcelos, essas mudanças que surgem aos poucos trazem um pouco de conforto à família. “Talvez ele tenha morrido para ajudar mais gente, principalmente aqueles que são excluídos, que sofrem preconceito”, diz em entrevista ao Portal da Band.

Ele ressalta que a irmã faz muita falta, principalmente para a mãe - que era muito ligada a ela, e que será lembrada como uma pessoa de boa índole, carinhosa, generosa e que, segundo ele, foi atraída para a própria execução por “confiar muito em todo mundo, a ponto de subir na garupa de uma moto sem imaginar que estava indo de encontro à morte”.

Ricardo, que trabalha como motorista da Uber, conta ainda que sempre cita o que aconteceu com a irmã - a quem ele se refere como irmão, quando algum passageiro fala sobre violência. “Eu falo com orgulho que meu irmão era travesti, um ser humano igual a todos nós, e que foi brutalmente assassinado por pessoas que não têm amor no coração.”

Dez pessoas acusadas de envolvimento com a execução de Dandara aguardam decisão judicial, que talvez saia em um júri popular que pode acontecer no ano que vem. Caso as qualificações do crime, como motivo fútil, impossibilidade de defesa e crueldade, sejam aceitas, os acusados podem receber pena de até 30 anos. O motociclista que levou a travesti até o local da tortura permanece foragido.

“A Dandara não está sozinha. É um caso que escancara a violência transfóbica que todos os dias mata transexuais no país. Se esse assunto não tiver a atenção que merece, isso nunca vai mudar”, pontua, por fim, o diretor do documentário.

(Karen Lemos - Portal da Band)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Documentário resgata a 'era de ouro' das videolocadoras de São Paulo

Documentário não foca na nostalgia, mas presta homenagem às lojas que marcaram gerações (Divulgação)

Serviços de streaming como Netflix e Vod (vídeo sob demanda), a televisão por assinatura e até a pirataria mudaram nossa forma de consumir filmes, séries, desenhos e documentários. Antes disso, porém, imperava um tipo de negócio que, da década de 1970 até meados dos anos 2000, era a única maneira de levar grandes obras e as novidades do audiovisual para o conforto do lar.

Foi com as videolocadoras que o diretor Alan Oliveira alimentou sua paixão pelo cinema e a relação com outros cinéfilos como ele. “Existia uma magia no ato de levar um filme para casa. Eu me lembro do cheiro das fitas, de você precisar rebobiná-las após assistir. Era uma experiência física, muito sensorial e também sociocultural. Tinha aquela conversa com o atendente, que dava sugestões de filmes, e com outros clientes com quem você poderia trocar dicas do que alugar”, lembra.

Quando surgiram os sinais de que esse império começava a ruir, Alan ficou interessado em registrar o movimento nas últimas videolocadoras que ainda resistiam, além de resgatar a "era de ouro" do mercado de aluguel de filmes.

“Eu sempre quis saber o que aconteceu com essas pessoas [donos de videolocadoras] e não tinha ideia, porque ninguém falava disso”, conta ao Portal da Band o diretor, que a partir desta curiosidade começou a produzir um documentário sobre o tema: CineMagia, em cartaz nos cinemas a partir da quinta-feira da próxima semana, dia 9 de novembro.

Confira o trailer:


O documentário, Alan Oliveira gosta de ressaltar, não é um filme nostálgico sobre esse modelo de negócio, mas, sim, uma homenagem aos 40 anos em que as locadoras transformaram o mercado do audiovisual em São Paulo. “A gente ‘não mata’ as videolocadoras, pelo contrário, nós as celebramos”, explica.

A primeira videolocadora

Na capital paulista, em 1976, surge a primeira loja do tipo. Desta data em diante, o setor ficou tão forte que assumiu função parecida com as de distribuidoras de filmes. “Não existiam as distribuidoras ainda, então muitos filmes eram copiados. Algumas vezes a qualidade da imagem era bem ruim, outras cópias nem legenda tinham; mesmo assim os clientes alugavam porque queriam assistir aos sucessos da época”, detalha Alan.

As locadoras que tinham mais dinheiro iam além e viajavam ao exterior para comprar os filmes, que posteriormente eram ‘lançados’ em suas filiais. Outras chegaram até mesmo a patrocinar a Fórmula 1, competição mais importante do automobilismo.

O documentário CineMagia também resgata a imponência das lojas. “Na década de 1980, os filmes ficavam dispostos em pilares com luzes de neon coloridas, o que era uma loucura para aquela ocasião. A Omni Vídeo, por exemplo, tinha um prédio na Avenida Faria Lima, que você subia de elevador de tão grande que era”, conta o diretor. Vale citar ainda a rede norte-americana Blockbuster, que tinha lojas espalhadas por toda a cidade, e a tradicional 2001 Video, que fechou suas últimas unidades físicas no final de 2015.

Mais de 200 horas de material

Resgatar uma história de quatro décadas não foi tarefa fácil. As primeiras pesquisas para produzir o documentário foram praticamente infrutíferas, já que não há muito sobre o assunto na internet. O trabalho começou a dar resultados com o garimpo de sebos. “Encontramos revistas antigas que nos davam pistas sobre os antigos donos de videolocadoras em São Paulo”, diz Alan.

Além dos antigos donos desse comércio, o filme traz depoimentos de clientes, distribuidores, jornalistas e críticos de cinema renomados, como Rubens Ewald Filho e Christian Petermann, que morreu ano passado. “São pedaços de memórias que compõem um raio-x do que foi esse mercado”, resume o cineasta.

Com os relatos, os registros das atividades das últimas videolocadoras e imagens de arquivo para falar do começo desse império já são mais de 200 horas de material bruto. Todo esse conteúdo também vai virar série de televisão e um livro, ambos sem data de lançamento.

Novas gerações

Para Alan Oliveira, celebrar o fenômeno que foram as videolocadoras não tira a importância das ferramentas de hoje. “A relação que a geração de hoje tem com a Netflix é diferente, mas isso não quer dizer que é ruim. Se antes era custoso achar um filme, tinha que sair de casa, procurar nas prateleiras ou esperar alguém devolver, agora é só apertar um botão e, se não gostar, tem outros títulos à disposição.”

Quarenta anos após o boom das videolocadoras, duas lojas continuam de portas abertas em São Paulo: uma no prédio do Copan, no centro da capital, e outra no bairro Sapopemba, na Zona Leste. Tal resistência é uma prova de que a paixão pelo audiovisual se transforma, mas jamais se extingue.

(Karen Lemos - Portal da Band)

domingo, 26 de junho de 2016

Refugiada palestina dirige curta-metragem no Brasil

Arquivo pessoal

A sensação de sentir-se como um peixe fora d’água é universal, talvez seja por isso que o curta-metragem "Fingers" seja tão encantador. Nas imagens, um garoto de cinco anos tenta entender o mundo estranho ao seu redor, captando os movimentos das mãos e dos dedos das pessoas que o rodeiam.

Foi mais ou menos assim que a diretora do filme, a refugiada palestina Rawa Alsagheer, de 20 anos, se sentiu quando chegou a São Paulo há cerca de um ano. Rawa viveu em Homs, na Síria, até os 18 anos. Quando a guerra civil teve início em seu país, ela precisou fugir para a Turquia, onde viveu ilegalmente junto com a família.

“Na internet, começamos a pesquisar sobre países em que pudéssemos viver. Foi aí que ficamos sabendo do Brasil, que recebe refugiados palestinos sírios”, contou a aspirante a cineasta.

A paixão pelo cinema ela conta que veio de seu cunhado, que trabalha na área. “Ele que me puxou e me levou a um workshop sobre direção de curta-metragem porque ele sabia que eu gostava muito disso.”

Apesar da pouca experiência em audiovisual, a jovem impressiona com seu olhar delicado e poético para as primeiras percepções da criança protagonista, vivida pelo ator Taim Tanji, também refugiado palestino.


“A ideia de 'Fingers' veio de um amigo meu da Jordânia chamado Ahmed Shaman”, detalha. “Para mim, a história fala de uma realidade que toda criança vive; adorei a proposta e resolvi, então, filmar.”

O roteiro também atraiu Rawa devido às dificuldades que teve ao chegar ao Brasil e descobrir um país totalmente novo e desconhecido. “Tudo é diferente e há também a barreira da língua”, explica a jovem, que concedeu a entrevista em inglês. “Ainda assim, eu trabalho duro para me adaptar e me integrar à sociedade brasileira, que me recebe bem, uma vez que o país possui muitas culturas e é bem receptivo.”

O sonho da refugiada palestina é estudar muito e, claro, trilhar carreira no cinema. “Espero alcançar esses meus objetivos aqui no Brasil. Seguindo carreira como cineasta, espero ainda defender a Palestina e os direitos dos palestinos de voltarem a morar lá”, acrescentou ela, cujo desejo pode ter sua representação artística nas cenas finais de sua obra de estreia.

(Karen Lemos - Portal da Band)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Spotlight é o grande vencedor do Oscar 2016


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood premiou, neste domingo (28), o filme Spotlight: Segredos Revelados com o Oscar de melhor filme. O longa, sobre um grupo de jornalistas de Boston que descobre uma série de abusos de crianças praticados por padres católicos, também levou o prêmio de melhor roteiro original.

A disputa foi acirrada com O Regresso, que levou as estatuetas de melhor diretor para Alejandro G. Iñárritu (vencedor no ano passado com Birdman), melhor fotografia para Emmanuel Lubezki, e melhor ator para Leonardo DiCaprio, favorito na categoria e com grande incentivo dos internautas.

Nas demais categorias de atuação, a favorita Brie Larson levou o Oscar de melhor atriz por seu desempenho emocionante em O Quarto de Jack. Alicia Vikander, que disputou o favoritismo com Kate Winslet (Steve Jobs), venceu como melhor atriz coadjuvante com A Garota Dinamarquesa - filme que retrata a luta da primeira transexual que se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo. Por fim, a zebra da noite foi para Mark Rylance, melhor ator coadjuvante por Ponte dos Espiões, batendo o favorito da categoria, Sylvester Stallone, por Creed: Nascido para Lutar.

Quem surpreendeu também foi Mad Max: Estrada da Fúria. No total, o filme de George Miller levou seis estatuetas: melhor figurino, melhor design de produção, melhor maquiagem, melhor montagem, melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Brasil sem Oscar

O Brasil concorreu na premiação com O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, na categoria melhor animação. O filme, porém, perdeu para o favorito do grupo, Divertida Mente. Também não houve surpresas na categoria melhor filme estrangeiro. Vencedor de outros prêmios da temporada, o húngaro O Filho de Saul levou, também, o Oscar. O longa, um drama que se passa no holocausto, choca pela frieza, mas se mostra necessário ao denunciar as atrocidades cometidas na época.

O documentário Amy, que relembra a talentosa - porém, trágica - trajetória de Amy Winehouse, levou a melhor na categoria documentário. Os diretores, aliás, são os mesmos de Senna, sobre o piloto brasileiro Ayrton Senna. Vale destacar também a vitória do maestro italiano Ennio Morricone por Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino, que ganhou seu primeiro Oscar aos 87 anos de idade (sem contar o Oscar honorário que ele recebeu em 2007).

As apresentações da noite ficaram por conta de Sam Smith com Writing’s On The Wall (007 Contra Spectre), Lady Gaga com Til It Happens To You (The Hunting Ground) e The Weeknd com Earned It (Cinquenta Tons de Cinza). Lady Gaga, que trouxe vítimas de abuso sexual para o palco durante sua apresentação, era a favorita, mas a cerimônia acabou surpreendendo ao premiar Sam Smith com o Oscar de melhor canção original. Ao agradecer, o cantor dedicou a estatueta à comunidade LGBT.

A cerimônia aconteceu no Dolby Theater em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos. Confira todos os vencedores da noite:

Melhor Filme
A Grande Aposta
Ponte dos Espiões
Brooklyn
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
O Quarto de Jack
Spotlight: Segredos Revelados

Melhor diretor
Alejandro G. Iñárritu, O Regresso
Tom McCarthy, Spotlight: Segredos Revelados
George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
Adam McKay, A Grande Aposta
Lenny Abrahamson, O Quarto de Jack

Melhor Ator
Bryan Cranston, Trumbo
Matt Damon, Perdido em Marte
Leonardo DiCaprio, O Regresso
Michael Fassbender, Steve Jobs
Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa

Melhor Atriz
Cate Blanchett, Carol
Brie Larson, O Quarto de Jack
Jennifer Lawrence, Joy: O Nome do Sucesso
Charlotte Rampling, 45 Anos
Saoirse Ronan, Brooklyn

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, A Grande Aposta
Tom Hardy, O Regresso
Mark Ruffalo, Spotlight: Segredos Revelados
Mark Rylance, Ponte de Espiões
Sylvester Stallone, Creed: Nascido para Lutar

Melhor Atriz Coadjuvante
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados
Rooney Mara, Carol
Rachel McAdams, Spotlight: Segredos Revelados
Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa
Kate Winslet, Steve Jobs

Melhor Roteiro Original
Ponte dos Espiões
Ex-Machina: Instinto Artificial
Divertida Mente
Spotlight: Segredos Revelados
Straight Outta Compton: A História do N.W.A.

Melhor Roteiro Adaptado
A Grande Aposta
Brooklyn
Carol
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

Melhor Figurino
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

Melhor Design de Produção
Ponte dos Espiões
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso

Melhor Maquiagem
Mad Max: Estrada da Fúria
The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared
O Regresso

Melhor Fotografia
Carol
Os Oito Odiados
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Sicario

Melhor Montagem
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Spotlight: Segredos Revelados
Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Edição de Som
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Sicario
Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Mixagem de Som
Ponte de Espiões
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Efeitos Visuais
Ex-Machina: Instinto Artificial
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Curta Animação
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live without Cosmos
World of Tomorrow

Melhor Animação
Anomalisa
O Menino e o Mundo
Divertida Mente
Shaun, o Carneiro
As memórias de Marnie

Melhor Curta Documentário
Body Team 12
Chau, beyond the Lines
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
A Girl in the River: The Price of Forgiveness
Last Day of Freedom

Melhor Documentário
Amy
Cartel Land
O Peso do Silêncio
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

Melhor Curta Live Action
Ave Maria
Day One
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)
Shok
Stutterer

Melhor Filme Estrangeiro
O Abraço da Serpente
Cinco Graças
O Filho de Saul
Theeb
Guerra

Melhor Trilha Sonora
Ponte de Espiões
Carol
Os Oito Odiados
Sicario
Star Wars: O Despertar da Força

Melhor Canção Original
Earned It, The Weeknd (Cinquenta Tons de Cinza)
Manta Ray, J. Ralph & Antony (A corrida contra a extinção)
Simple Song #3, Sumi Jo e Viktoria Mullova (Youth)
Til It Happens To You, Lady Gaga (The Hunting Ground)
Writing’s On The Wall, Sam Smith (007 Contra Spectre)

(Karen Lemos - Portal da Band)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Instalação artística analisa a censura da Ditadura Militar com as pornochanchadas

Cena censurada do filme "Bonitas e Gostosas" (Divulgação/MIS)

Até o dia 27 de março, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) apresenta a instalação artística Prazeres Proibidos, na qual o espectador é apresentado à curiosa e inesperada relação entre a pornochanchada - gênero do cinema brasileiro que explorou o erotismo, a comédia e as piadas populares - e a Ditadura Militar (1964-1985).

“A pornochanchada é completamente contemporânea da Ditadura. O AI-5 foi decretado em 1968 e, em 1969, as primeiras produções desse cinema começaram a surgir”, conta a cineasta Fernanda Pessoa, responsável pela pesquisa, ao Portal da Band.

O fato de essa relação ser tão contraditória foi o que atraiu a cineasta para o assunto. “Queria saber como isso foi possível e acho que o que responde essa pergunta é o fato de que os gêneros de cinema anteriores, o Cinema Novo e o Cinema Marginal, não condiziam com o Brasil que os militares queriam mostrar.”

Os primórdios da pornochanchada, lembra Fernanda, eram quase como uma propaganda de um Brasil mais agradável. “Os primeiros filmes eram bem inocentes, na verdade. Pareciam mais com as chanchadas da década de 1950. Tudo era leve, não tinha nudez, no máximo algumas piadas, e o brasileiro era retratado como um bon vivant. Isso tudo fez muito sucesso e, aos poucos, os cineastas foram investindo nessa linguagem que funcionava muito bem.”

Com essa carta na manga, os diretores da época puderam trabalhar com mais liberdade – diferente de seus colegas do Cinema Novo e do Cinema Marginal, perseguidos pela Ditadura. Dessa forma, os roteiros começaram a ficar mais, digamos, picantes. “Pouco a pouco eles [cineastas] foram puxando os limites para ver até onde poderiam ir. Gradualmente, começou a surgir um peito, depois dois, na sequência uma simulação de sexo. Ao mesmo tempo, o público ia respondendo muito bem àquilo e, quanto mais davam, mais o espectador queria”, afirma Fernanda.

Censura 

Pode parecer mentira, mas a pornochanchada foi, sim, alvo da censura dos militares. “As pessoas pensam mais na censura política, mas também existia uma censura moral. O que poderia confundir o que a Ditadura chamava de 'valores dos cidadãos brasileiros' era censurado”, diz Fernanda. O filme “Bonitas e Gostosas”, por exemplo, teve uma cena cortada por mostrar um homem vestido como mulher "fazendo movimentos eróticos" com outro personagem. “Até existiam personagens homossexuais nos filmes, o que não poderia haver era alguma atividade entre eles”, explica.

Muitos filmes da pornochanchada foram barrados pelos militares e impedidos de serem exibidos, principalmente na época do auge da repressão. “Quase todos os filmes passaram por algum perrengue. Era um processo bem burocrático e alguns cineastas usavam certos truques para que suas produções passassem. Era comum que cenas muito ousadas fossem gravadas para servir como moeda de troca. Eles sabiam o que seria cortado, então, usavam isso para que as cenas que eles queriam no filme fossem liberadas”.

Assim como compositores da MPB, que faziam jogo de palavras – como, a título de exemplo, a letra de “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil - os diretores de cinema tinham seus métodos. “Um meio de burlar a censura também foi encontrado com uma linguagem cinematográfica chamada voice-out. Funcionava assim: quando uma palavra, normalmente um palavrão, era censurado, os diretores cortavam o áudio, mas mantinham as imagens. Dessa forma, o público conseguia entender o que era dito através da leitura labial; era perceptível, também, que ali havia uma censura, porque não tinha som. Era uma tiração de sarro da parte dos cineastas, que queriam mostrar o quanto aquilo tudo era ridículo”, observa.

Pornopolítico 

Alguns filmes, principalmente os produzidos em São Paulo, conseguiam burlar tão bem a censura que até alguns temas impensáveis eram exibidos nos cinemas brasileiros. É o caso de “E agora José? Tortura do Sexo”, que traz um personagem cuja amizade com um sujeito considerado subversivo para os militares o faz ser perseguido e preso.

“É um filme de 79, não era o auge da repressão da Ditadura, mas, mesmo assim, é impressionante como o filme trabalha com temas bem politizados. Tem até uma cena de tortura praticado por um grupo de militares. Esse tipo de produção ganhou até um subgênero na época, o pornopolítico, porque também continha cenas eróticas com as mulheres presas”, pontua Fernanda.

Outro filme que exemplifica bem esse paradoxo é “O Enterro da Cafetina”. Anos antes do decreto do AI-5, em 1971, Jece Valadão produziu a obra e a estrelou, na pele de um personagem que é convencido a ingressar na guerrilha urbana, chegando a praticar atos de terrorismo da época como jogar um coquetel molotov na casa de um deputado. “O personagem do Valadão ainda fala sobre golpe militar, dizendo que o presidente foi deposto. O filme sofreu censura, mas no que diz respeito ao personagem de um delegado, que é retratado de uma forma bem ridícula”, recorda.

Pesquisa 

Em uma pesquisa que já dura quatro anos, Fernanda Pessoa analisou centenas de documentos e mais de 150 filmes da época, principalmente da década de 1970. Tal levantamento não foi tarefa fácil. “Os próprios filmes são difíceis de achar. Fiz uma lista de filmes com os quais queria trabalhar e tive acesso a 50% apenas. Muitas dessas obras foram perdidas”, conta a cineasta.

Já com relação às cenas censuradas, Fernanda diz que algumas produções foram liberadas, anos depois, em versão integral. “Outras consegui porque, na época da Ditadura, eles não cortavam o filme do original, normalmente era uma cópia”, explica.

Na pesquisa, ela também conseguiu ter acesso a documentos em que os censores detalhavam quais cenas seriam impedidas de serem exibidas nos cinemas. “Com essa lista em mãos, comecei a analisar os trechos cortados para tentar entender a cabeça dos censores.”

As cenas proibidas, bem como arquivos da Ditadura, estão expostas em um dos ambientes da instalação. No primeiro deles, o visitante se depara com um projetor 35mm que roda em falso projetando apenas a sua luz, sem nenhuma imagem. Em seguida, a artista apresenta um corredor com uma seleção de documentos oficiais da censura. No terceiro e maior dos ambientes encontra-se uma sala de projeção digital onde é exibido um vídeo em seis telas montado apenas com trechos de filmes que foram cortados a pedido dos censores.

A exposição surgiu como um desdobramento do primeiro longa-metragem de Fernanda, “Histórias que nosso cinema (não) contava”, que faz uma releitura histórica dos anos 1970 a partir de imagens de filmes da pornochanchada e se encontra em fase de finalização. Em 2015, a cineasta e artista foi uma das selecionadas pela residência NECMIS, do MIS.

(Karen Lemos - Portal da Band)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Cineastas querem documentar a tragédia de Mariana

 
Aline Lata/Divulgação

A história de Marlon e Ricardo, ambos com 21 anos, era desconhecida até o dia 5 de novembro de 2015. Daquele dia em diante, tudo mudou para eles e para os outros residentes de Mariana, em Minas Gerais, onde a mineração representa 80% da arrecadação do município. A dupla cresceu vendo Mariana estreitar laços com a mineradora Samarco, que sitiavam os moradores cada vez que adquiria terrenos ao redor de bairros da cidade.

A vida tranquila dos munícipes virou notícia naquele mesmo dia, quando uma barragem administrada pela Samarco se rompeu, jorrando um mar de lama pela cidade, destruindo completamente distritos - como Bento Rodrigues, onde moravam - matando 17 pessoas e dizimando a fauna e a flora da região.

Hoje, Ricardo mora com mais oito familiares em uma casa alugada pela mineradora. A mãe recebe um salário mínimo de R$ 788 e, por ser considerada a chefe da família, é a única do clã a receber o ordenado. Ricardo e o restante embolsam somente 20% desse valor: R$157,60.

Marlon, por sua vez, foi morar com a mãe a irmã na região ainda intacta de Mariana. A situação da família de Marlon é a mesma de Ricardo: somente a chefe da família, no caso a mãe, recebe um salário mínimo e os filhos apenas 20% desse montante.

Tendo que encarar a triste realidade que chegou através da mesma empresa que subsidiava o município, Marlon e Ricardo têm como garantia apenas duas coisas: lembranças de um passado enterrado na lama e a esperança de um futuro ainda incerto com a construção de uma nova Bento Rodrigues.

Helena Wolfenson/Divulgação

Rastro de Lama 

Doze dias depois, Aline Lata e Helena Wolfenson saíram de São Paulo e viajaram até Mariana, onde tiveram uma ideia da dimensão de destruição causada pela lama. Nesse ínterim, elas tiveram contatos com muitas das pessoas atingidas pela calamidade, como Marlon e Ricardo. Esses personagens acabaram inspirando-as para realizar um documentário sobre a tragédia.

Os rapazes, que dão rosto ao maior desastre ambiental do país, são os protagonistas do documentário “Rastro de Lama”, que ainda está em processo de produção. Para finalizar a obra, as diretoras criaram um financiamento coletivo para possibilitar que o trabalho continue.

“A ideia é documentar do início ao fim o desfecho dessa catástrofe e os caminhos percorridos pelos personagens atingidos, desde a destruição de Bento Rodrigues até a prometida reconstrução de uma Nova Bento”, diz a página do projeto.

Bancada pela própria equipe e também por doações, a etapa de pesquisa de “Rastro de Lama” já foi concluída. Agora, Aline e Helena usarão os recursos captados para registrar mais profundamente a vida seus personagens; esse processo resultará um curta-metragem. Na terceira e última etapa, as diretoras farão um longa-metragem com o material através de editais de cinema.



(Karen Lemos - Portal da Band)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Documentário acompanha a realidade das mulheres de presidiários

Divulgação

Toda semana, de forma antagônica, dezenas e por vezes até centenas de mulheres formam fila em frente de penitenciárias; madrugam, carregam quilos de alimentos, produtos de higiene e até vestuário e, em muitas unidades, enfrentam uma revista vexatória apenas para ficarem algumas horas na companhia de quem amam.

Por conta desse esforço, elas recebem o nome de guerreiras. Assim são chamadas as namoradas, noivas e esposas de detentos do sistema penitenciário brasileiro. A realidade desse amor separado pelas grades é retratado de forma sensível no documentário “Cativas – Presas pelo Coração”, em cartaz no Caixa Belas Artes, de São Paulo.

Em conversa com o Portal da Band, a diretora Joana Nin, que passou 12 anos em cima desse projeto, explicou que queria mostrar a importância dessas mulheres para a recuperação do preso. “Elas são vistas com muito preconceito. Muitos acham que elas estão lá para levar drogas ou celular para dentro do presídio. Eu já vejo diferente. Eu acho que elas estão lá para levar afeto, amor, que é o sentimento transformador da humanidade.”

“Cativas” acompanha sete mulheres que se relacionam com presidiários. As histórias são diferentes, mas os sentimentos tão comuns dos casais apaixonados estão lá. “Essas relações amorosas são iguais as nossas. Tem os mesmos problemas e belezas. Todo mundo quer ser amado, não importa onde e em quais condições”, completa Joana.

Revistas e visitas íntimas 

Ao longo dos 12 anos, a cineasta conseguiu a confiança do sistema, das mulheres e dos presos. Isso lhe permitiu ser mais ousada e ir além do pouco que enxergamos por trás das grades. Em uma das cenas, por exemplo, Joana filma momentos de intimidade de um casal durante a visita íntima.

“Eu já estava tão imersa na intimidade desse casal que propus fazer a cena”, conta. “Algumas dessas mulheres reclamam que muitos pensam que elas são putas, que vão ao presídio apenas para dar para o cara e não é isso! A cena não é de sexo explícito, é de romance.”

Em outra sequência, Joana consegue acompanhar a revista das mulheres que chegam para a visita. Em agosto de 2014, o Conselho Nacional de Política Criminal Penitenciária editou uma resolução que recomenda a extinção da revista vexatória em todo o país. Ainda assim, elas continuam existindo, cada uma de forma diversa, já que cada unidade prisional tem as suas próprias regras.

No presídio em que Joana filmou, as mulheres precisavam, além de ficar totalmente nuas, agachar em cima de um espelho sob os olhares das agentes penitenciárias. “Coloquei essa cena porque eu acho que isso que tem que acabar”, afirmou a cineasta.

Como cada unidade segue suas próprias leis, cabe a quem participa do sistema denunciá-lo. Esse é outro ponto que destaca a função das guerreiras. “Poucas vezes vi pessoas querendo mudar algo lá dentro. Só quem tem família quer essa mudança”, afirma Joana.



Sobre o estigma que o preso carrega por toda a vida e as dificuldades da ressocialização, a cineasta é enfática: “Não sou ingênua de achar que o preso que tem família vai sair do crime, mas tenho a convicção de que o preso que não tem ninguém por quem zelar, certamente vai voltar para o crime.”

Joana acredita que valorizando as guerreiras, a porcentagem de reincidência da população carcerária pode cair. “Vivemos em uma sociedade hipócrita que prefere fingir que as coisas não existem. Mas o negócio é o seguinte: no Brasil, temos uma legislação em que a pessoa fica presa por no máximo 30 anos. Quer você queria, quer não, ela voltará ao nosso convívio. Temos a opção de fazer esse retorno ser mais ou menos traumático”, conclui.

(Karen Lemos - Portal da Band)

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Gaza recebe festival de cinema entre suas ruínas

Divulgação/Karama Film Festival

Cineastas conseguiram realizar – apesar das condições adversas – um festival de cinema na Faixa de Gaza. Até um tapete vermelho foi estendido nas ruínas de um bairro devastado pela guerra.

Os organizadores tiveram que levar um arsenal de cabos de energia para o distrito de Shujaiyeh, fortemente bombardeado no conflito com Israel.

Além da complicada logística, os responsáveis pelo evento precisaram enfrentar o risco de acidentes com bombas não detonadas que ainda poderiam estar sob o solo do território.


A programação do batizado Festival de Cinema Karama Gaza contou com 28 produções cujo principal foco era a discussão dos direitos humanos.

Milhares de pessoas marcaram presença no evento que durou três dias e trouxe a sétima arte de volta para uma região que, na década de 1980, fechou o seu último cinema.

“Esse festival é uma mensagem para que todos pensem no povo de Shujaiyeh como seres humanos”, declarou o cineasta palestino Al-Mozayen, um dos responsáveis pela realização do Karama Gaza.



(Karen Lemos - Portal da Band)

domingo, 3 de maio de 2015

"A Estrada 47" relembra atuação dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial


Daniel de Oliveira (no centro) vive o pracinha Guima em "A Estrada 47"

Uma concha de retalhos feita com vários relatos de uma época que ficou esquecida entre tantas atrocidades ocorridas na Segunda Guerra Mundial. É assim que o cineasta Vicente Ferraz define seu novo filme “A Estrada 47”, que chega aos cinemas no próximo dia 7.

O longa, que tem Daniel de Oliveira como protagonista, conta a história de um grupo de pracinhas - soldados brasileiros enviados para lutar contra o exército alemão durante a guerra.

Na trama, eles tentam concluir a missão de retirar todas as minas de uma estrada na Itália, abrindo espaço para que os aliados norte-americanos possam acessar o local e seguir com o combate contra a expansão do Nazismo na Europa.

Embora se trate de uma ficção, o roteiro reúne alguns fatos que aconteceram naquela ocasião, década de 40, através de depoimentos deixados por alguns soldados.


O cineasta Vicente Ferraz nos bastidores do filme

“Me interessou muito poder falar sobre esses 25 mil meninos enviados pelo Brasil para enfrentar o exército mais poderoso daqueles tempos em um dos invernos mais rigorosos que a Itália já conheceu”, explicou Vicente.

Inverno, inclusive, que todos do elenco tiveram que conhecer. Antes, os atores passaram alguns dias em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, com o exército brasileiro, recebendo um treinamento militar para só então embarcarem para a Itália, país onde a grande maioria das cenas do filme foi rodada em uma temperatura a -13º.

“Na Itália tínhamos um preparador que nos fazia acordar às 6h da manhã para subir um morro congelado como parte de um treinamento que nos possibilitou filmar na neve depois”, contou Daniel, que na história vive o pracinha Guima.


O elenco precisou enfrentar temperaturas baixas para filmar a obra

Mesmo os mais experientes da produção achavam isso uma loucura. “Falavam que éramos doidos de querer gravar na neve”, recordou o diretor Vicente, citando a equipe italiana que trabalhou no filme. “O engraçado é que eles, que estão acostumados com esse tipo de clima frio, preferem filmar dentro de um estúdio quando há nevasca”, contou ainda.

Todo esse esforço, na visão de Daniel, valeu a pena. “Foi prazeroso”, resumiu. “A gente não vê filme de guerra assim sendo feito no Brasil, foi ótimo ter tido essa oportunidade”, completou o ator.

“A Estrada 47” ainda traz em seu elenco os atores brasileiros Júlio Andrade, Francisco Gaspar e Thogun Teixeira, além do italiano Sergio Rubini, o português Ivo Canelas e o alemão Richard Sammel.

 

 (Karen Lemos - Portal RedeTV!)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

É Tudo Verdade abre com homenagem póstuma a Eduardo Coutinho


Eduardo Coutinho abriu – em merecida oportunidade – a 20ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, que teve início em São Paulo, na noite dessa quinta (9), com destaques do panorama nacional e internacional, além de retrospectivas e exibições especiais de filmes documentais. 

Últimas Conversas, filme no qual o cineasta se despede de seu público, ficou pronto a tempo de sua estreia para a abertura do evento. Coutinho morreu, em fevereiro de 2014, enquanto concluía o longa. Filmou, mas não teve a oportunidade de montar sua derradeira obra, papel que coube aos seus colaboradores de longa data João Moreira Salles e Jordana Berg.

“Montar esse filme veio de uma necessidade minha de permanecer com Coutinho mesmo após sua morte”, contou Jordana em conversa com a Revista O Grito!. “Para algumas pessoas, o luto chegou no dia da morte do Eduardo, para mim, está chegando agora, já que eu pude ficar mais um ano com ele na ilha de edição”, completou a montadora, que passou dez meses cuidando do material deixado pelo documentarista.

Em Últimas Conversas, Coutinho entrevista jovens estudantes do ensino público do Rio de Janeiro. Entre algumas histórias trágicas, curiosas e hilárias dos alunos, contrapondo com uma visão ainda cheia de esperança dos mais novos, o documentarista revela seu processo como entrevistador. Por vezes, a inversão de papéis é permitida e os adolescentes parecem entrevistá-lo por acidente, dando espaço para que o cineasta esmiúce suas opiniões. Este tipo de abordagem, ressalta Jordana, apareceu em uma segunda montagem do filme.


“A primeira montagem estava a cara do Coutinho. Como conheço ele há muito tempo, fiz o filme com a cabeça dele. Mas acho que a segunda montagem ficou mais fiel à captura da pessoa que foi Coutinho”. Ao dedicar a sessão a Eduardo e ressaltar sua importância como o principal praticante do gênero no país, João Moreira Salles falou de sua amizade pessoal e profissional – o que lhe garantiu produzir os últimos filmes de Coutinho – e do legado deixado pelo seu maior incentivador.

“Não tenho dúvidas de que ele foi a pessoa mais importante na minha formação. Perdi uma grande pessoa que me norteava, mas conheci Coutinho tão bem que, até hoje, conversamos muito. Não é uma bobagem, tenho muito dele dentro de mim”, pontuou João, que assina a versão final do filme.

Eduardo Coutinho, 7 de Outubro 

Além de Últimas Conversas, também está em cartaz o documentário Eduardo Coutinho, 7 de Outubro. Dirigido por Carlos Nader, o filme não chega como uma biografia, mas sim como uma análise visceral da obra sob o ponto de vista de seu próprio autor.

No lugar dos personagens aparentemente rasos, mas que se revelam ricos diante da provocação do entrevistador, está o próprio documentarista. Diante da câmera, Coutinho fala sobre tudo; seu papel como documentarista, sua arte de instigar o entrevistado, suas amarguras da vida, suas opiniões sobre qualquer tema – sempre pontuadas por uma acidez e alguns palavrões – e também entra em contato com sua obra, recordando alguns célebres personagens que contribuíram para que seus filmes se tornassem únicos.


Na estreia do longa, que aconteceu mês passado na capital paulista, Nader contou que “7 de Outubro” não era para ser um filme. “Foi uma impressionante série de coincidências”, explicou. “Eu estava fazendo um projeto sobre terceira idade com o Coutinho e, como na ocasião ele tinha pouco tempo para falar comigo por conta das gravações de seu último filme, tivemos que conversar rapidamente por 15 minutos. Claro que não deu certo; a entrevista durou cinco horas e só foi interrompida porque eu tinha um voo naquele mesmo dia”.

Dessa forma, com um vasto material em mãos, Carlos decidiu fazer do projeto um longa-metragem. O documentário estreou sem grandes alardes em 2013 e está sendo lançado novamente após a lamentável morte do cineasta. “Acho que a vontade deste filme era a de ser um filme mesmo”, completou Nader.

(Karen Lemos - Revista O Grito!)

segunda-feira, 23 de março de 2015

"O Sal da Terra" revela Sebastião Salgado além do mito


A princípio, "O Sal da Terra", que chega aos cinemas no próximo dia 26, pode parecer um documentário sobre o fotógrafo e sua arte, mas seria injusto simplificar desta maneira. Mais do que esmiuçar a obra, o longa-metragem fala das experiências de uma testemunha dos últimos 40 anos de história mundial.

 Foi testemunhando por trás de uma lente que Sebastião Salgado fez registros históricos como a guerra civil na Ruanda, o surto de fome na Etiópia, o conflito étnico-religioso na antiga Iugoslávia, a corrida de ouro na Serra Pelada, além de apresentar um novo olhar para o Nordeste brasileiro, a América Latina, algumas tribos indígenas e até para a Ilha de Galápagos, como um Darwin contemporâneo.

O documentário tem início com algumas imagens da corrida do ouro no sudeste do Pará – talvez as mais conhecidas de seu acervo fotográfico. Sebastião surge a partir daí comentando os registros e, mais do que isso, revelando as memórias ocultas de cada foto.

“Esse filme precisava ser sobre as experiências dele. Todo mundo conhece suas fotos, mas não as histórias por trás delas”, resumiu o diretor Juliano Salgado, filho mais velho do fotógrafo, ao divulgar seu filme que abriu a 4ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em São Paulo.

Sebastião marcaria presença no evento, mas precisou cancelar o compromisso por conta da trágica morte de sua cunhada, Leny Wanick Mattos, no dia anterior.

Juliano assina "O Sal da Terra" em uma parceria com o cineasta alemão Win Wenders. Para mergulhar em sua obra, a dupla usou um recurso curioso. Em algumas sequências, a imagem de Sebastião surge sobreposta às suas fotografias, fazendo com que o próprio artista fique imerso à sua obra para poder comentá-la, mergulhando junto com o espectador em seus registros e quebrando a fronteira entre papel e olho humano.

É também a sensibilidade de Sebastião em capturar a alma humana que nos torna ainda mais próximos de sua obra. “Muitos fotógrafos gostam de falar deles; falam da luz, daquele momento em que a câmera quebrou, das dificuldades que enfrentou para fazer uma foto, enfim. O Tião, não! Tião fala das pessoas que fotografa, mostra como elas se revelam em momentos de crises, como fazem para sobreviver. Esse jeito dele de fotografar, essa relação íntima, transcende, nos faz enxergar não só uma foto, mas a pessoa na imagem que, de tão próxima, poderia ser nosso vizinho, nosso irmão ou até nós mesmos”.

O papel de Win Wenders

Um dos mais conhecidos registros de Sebastião, Refugee from Gondan, Mali, 1985, chamou a atenção de Win Wenders – naquela época já um respeitado diretor de cinema – em uma exposição de arte. Sem hesitar, ele comprou a foto que, segundo o próprio, ainda o faz chorar todos os dias quando pousa os olhos sob o rosto sofrido da refugiada, que agora descansa em sua mesa de escrivaninha.

Naquela ocasião, o galerista mostrou a Wenders outras imagens daquele mesmo fotógrafo. No verso de um dos registros da corrida do ouro na Serra Pelada, ele descobriu o nome daquele que se tornaria um amigo íntimo. Até hoje, os dois trocam mensagens pelo Whatsapp, normalmente com piadas e zoações a respeito de futebol. “Win é muito fã do trabalho de Sebastião”, recordou Juliano. “Ele já queria fazer algo sobre ele e, quando soube que eu estava filmando suas viagens, gostou da ideia e quis participar”.


Juliano com Sebastião Salgado ao centro e Win Wenders

Win ficou com o papel de entrevistar Sebastião e dele arrancar as histórias de seus cliques pelo mundo afora. Não foi tarefa fácil para quem passou a vida protegido por lentes que, de uma hora para outra, passaram a observá-lo incessantemente. “Ele não entende essa coisa de cinema, não tem paciência para isso. Foi uma experiência sofrida nesse sentido”, riu Juliano.

A maior dificuldade parou por aí já que, na opinião do diretor, a vida do pai tem uma dramaturgia natural. “Que não precisa ser dramatizada”, ressaltou. “O auge da carreira de Sebastião, a quebra da sua maneira de fotografar - que veio logo após uma forte depressão - e a forma com a qual ele se reinventou depois disso dá uma ótima história”, observou.

Reaproximação com o pai 

Nascido na França, onde Sebastião mudou-se com a esposa e parceira artística, Lélia, no final da década de 1960 – pleno período de ditadura militar no Brasil, Juliano pouco via o pai. A distante relação não permitiu, no entanto, que o filho deixasse de admirá-lo; pelo contrário, Juliano sempre enxergou o pai como um verdadeiro aventureiro que, ao voltar de suas excursões pelos quatro cantos do mundo, trazia consigo relatos que nem mesmo o mais hábil contador de histórias poderia recriar.

Através de um convite, feito em 2009, para acompanhá-lo em uma incursão pela Floresta Amazônica, Juliano pode compartilhar das aventuras e do amor paterno que, durante muitos anos, lhe foi privado por conta das longas viagens de Sebastião. “Esse filme serviu para que eu me reaproximasse de meu pai”, contou. “Antes deste convite, tínhamos uma relação mais distante. Quando o acompanhei em uma reportagem sobre a tribo Zo’é, no Pará, algo curioso aconteceu. Esse povo é super dócil e não conhece brigas. Isso contagiou nossa relação, nos abrindo portas não somente para realizar este filme, mas também para nos tornamos amigos”.

Outro presente que "O Sal da Terra" entregou à família Salgado foi uma indicação ao Oscar de melhor documentário em longa-metragem deste ano. Embora inesperado, a nomeação trouxe uma nova projeção de luz ao filme. “Quando uma premiação, considerada como a maior do mundo, decide trazer o documentário para um espaço midiático fantástico é algo além de qualquer coisa que podíamos imaginar; a consequência disso é poder levar essa mensagem para o mundo todo”.

Considere como mensagem não somente o trabalho de toda uma vida realizado por Sebastião, mas também de projetos pessoais como o Instituto Terra que, com a ajuda de locais, transformou em realidade o sonho do fotógrafo de replantar parte da Mata Atlântica que fez parte de sua infância na cidade natal de Aimorés, Minas Gerais – uma ideia que, em tempos de desmatamento, vem a calhar. “Mais difícil do que plantar na terra infértil é mudar a mentalidade das pessoas. Esse projeto mostrou que isso também é possível”, ressaltou Juliano.



(Karen Lemos - Revista O Grito!)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"Depois da Chuva" traz diálogo da geração pós-Diretas com a juventude atual


Sem os vilões da Ditadura Militar, "Depois da Chuva", filme que chega aos cinemas nesta quinta (15), usa o sentimento de frustração e orfandade do pós-Diretas Já como antagonista para registrar um momento da história do Brasil pouco abordado nas telas do cinema: a redemocratização política do país. Ambientado no ano de 1984, a obra passa pela atmosfera de entusiasmo com o término do regime militar, a esperança de poder eleger um presidente e a frustração de ver velhas figuras do antigo governo rondando a nova política.

Em paralelo a este cenário estão as peculiaridades adolescentes do protagonista Caio, vivido pelo ator Pedro Maia, que venceu o prêmio de melhor ator do Festival de Brasília, sendo o mais jovem (na ocasião, aos 16 anos) a levar este troféu no mais antigo festival brasileiro de cinema. Durante a transformação do país, Pedro também encara seus despertares (amoroso, inclusive), e vive o mesmo sentimento de orfandade com o pai ausente e a mãe indiferente que em certo momento lhe pede: “não te dou trabalho e você não me dá trabalho”.

Sem afeto em casa, o jovem encontra afago em uma colega do colégio (Sophia Corral) e em um velho casarão que frequenta com os amigos mais velhos que fez. É lá também que Pedro vive outro despertar: o político. Com os colegas, ele conhece a Anarquia, participa de um programa de rádio pirata para espalhar os ideais da prole e ajuda na criação de um folhetim batizado de “Inimigo do Rei”.

A publicação de fato existiu e dela fez parte Cláudio Marques, roteirista e diretor do filme ao lado de Marília Hughes. Como seu primeiro longa-metragem, o cineasta quis imprimir na película suas lembranças daquele ano, época em que viveu experiências parecidas com as de Caio. A princípio, tais semelhanças preocuparam Cláudio, que relutou em contar a história devido a uma cisma de que estaria filmando sua autobiografia.

“Era preciso separar a minha vida pessoal da ficção para falar deste momento de transição do país”, contou o diretor durante a pré-estreia do filme em São Paulo. “Para tanto, usei o olhar de um adolescente de 17 anos, experimentando tudo o que o Brasil vivia naquele momento desde a sensação de transformação até a impotência que veio com a morte de Tancredo Neves (sucedido por José Sarney, ex-Arena, partido que apoiava o regime militar). “Acredito que há poucos filmes abordando esse tema porque o sabor disso é muito amargo. O que aconteceu lá atrás ecoa até hoje, como um ciclo que não foi fechado”, observou. 

Outra preocupação do cineasta era a de que como o filme seria recebido no exterior. "Depois da Chuva" passou por diversos festivais mundo afora; em um deles, o de Rotterdã, na Holanda, algo curioso aconteceu, como lembra o diretor: “Um espectador russo deu um depoimento no debate após a sessão falando que se identificou muito. Ele passou a adolescência em Moscou, onde viu a potência de Glasnost (tentativa de abertura política durante a União Soviética) e terminou órfão com [Boris] Yeltsin (presidente no período de grande colapso econômico na Rússia na década de 90). Acredito que o filme tenha uma linguagem semelhante não só no Brasil, mas em outros países e também em outras décadas por falar de movimentos políticos com essa necessidade de mudança”.

Tal constatação também foi importante para que o filme dialogasse com o público que irá consumir este longa, formado também pela juventude dos dias de hoje. “Me questionei muito se esse filme seria considerado atual. Em 2013, pela primeira vez, afastei essa dúvida. Percebi, com as manifestações daquele ano, que o filme tem um ponto de convergência com os dias de agora. Ainda temos uma necessidade por uma democracia efetiva e por uma interferência mais eficiente em nossa política”, concluiu.

A trilha sonora é uma conversa à parte. "Depois da Chuva" se passa em Salvador, cidade que, na opinião do cineasta, tinha outra áurea na década de 1980. “Salvador tinha uma cena rock and roll que, claro, existe hoje, mas existiu em proporções maiores naquela época”, afirmou. Assim como a capital baiana, a trilha sonora também é um personagem importante no longa-metragem, que traz clássicos do punk rock como Dead Kennedys, Sex Pistols, Garotos Podres e até bandas regionais, caso de Dever de Classe e Crac!, bandas que Cláudio, fã declarado, pediu que participassem de seu filme. “Foi difícil reunir todo mundo, mas conseguimos e foi incrível”, relatou.

(Karen Lemos - Revista O Grito!)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Filme 'A Entrevista' tem lançamento suspenso no Brasil


O filme "A Entrevista", estrelado por James Franco e Seth Rogen, teve sua estreia em circuito nacional, agendada para o dia 29 de janeiro, suspensa "até segunda ordem", informou a assessoria de imprensa da distribuidora Sony Pictures ao Portal da RedeTV!

Na quarta-feira (17), a Sony dos Estados Unidos já havia anunciado o cancelamento. "A Sony Pictures não tem planos futuros de lançamento para o filme", declarou um porta-voz depois que o estúdio recebeu ameaças de ataque terrorista caso o longa-metragem fosse lançado.

Em "A Entrevista", os personagens de James Franco e Seth Rogen vivem dois jornalistas recrutados em uma missão especial para assassinar Kim Jong Un, líder da Coreia do Norte.

Seu conteúdo causou a ira do governo norte-coreano que, segundo o jornal The New York Times, planejou ou encomendou um ataque de hackers que invadiram, roubaram e divulgaram informações sigilosas do estúdio, como salário de atores, roteiro de filmes inéditos e até e-mails com troca de ofensas. Segundo a "Variety", "A Entrevista" não deve ser lançado nem mesmo em formato DVD. O prejuízo do estúdio pode chegar, de acordo com o site The Wrap, a US$ 90 milhões - aproximadamente R$ 230 milhões.



Outro longa que promete causar polêmica, "Pyongyang", sobre um ocidental que trabalha na Coreia do Norte por um ano, também teve seu lançamento cancelado. O filme chegaria aos cinemas em março de 2015.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)