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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Ex-Mutante Arnaldo Baptista expõe obras em São Paulo
Enquanto não consegue lançar um novo LP por conta de certas burocracias, Arnaldo Baptista está voltado para as artes plásticas. Com “Exorealismo”, uma exposição em cartaz até o dia 10 de janeiro na Galeria Emma Thomas, em São Paulo, o ex-integrante do grupo Os Mutantes voltou a mergulhar em uma paixão mais antiga que a música: a pintura.
"Desde criança tenho certa vocação para a pintura. Quando garoto, eu pintava meus cadernos do primeiro ano, mas não passou muito disso", recordou em conversa com o Portal da RedeTV! "Durante um tempo, as artes plásticas foram mais importantes do que a música porque, para fazer música, eu precisava de um piano, de um contrabaixo; era muito caro! Na pintura, com um lápis e um papel eu tinha quase a mesma coisa que Salvador Dalí, por exemplo", ressaltou.
Na exposição, Arnaldo exibe obras que embarcam em uma ousada tentativa de materializar o som plasticamente. A música continua presente, ainda que de forma mais simplificada. "Um quadro meu pode parar no Japão sem depender de línguas e gravadoras", observou o artista.
Sobre inspirações e seu estilo próprio de pintar, o ex-Mutante enfatiza que não segue regras. "Não tenho muito estilo. Às vezes, pego algum objeto como uma colher velha, um pedaço de sapato, um CD, uma ferramenta e grudo na tela e, a partir daí, começo minha pintura", revelou. "O que poderia ser um erro no quadro, passa a ser uma evolução".
Não são apenas obras recentes que estão expostas em “Exorealismo”. Arnaldo reuniu para a mostra quadros datados desde a década de 90. "Tem coisas lá que eu nem lembrava mais que tinha feito", riu.
Nova empreitada na música
Enquanto nas artes plásticas Arnaldo Baptista aproveita o prestígio de seu talento, na música as coisas não andam tão bem assim.
Em conversa com a reportagem, o músico revelou que possui um LP já pronto - com 12 músicas selecionadas. Por conta de processos burocráticos com gravadoras, ele ainda não conseguiu lançar este novo trabalho. "Não tem data para sair [o LP]. Estou esperando".
Batizado de “Esphera”, com direito a capa desenhada por seu autor, o LP traz um lado embasado na crítica social. "Fala de fogo, fumaça, poluição, gasolina", tentou resumir Arnaldo. "Custou muito tempo para o homem aprender a fazer fogo. Agora ele precisa desistir dele, das coisas elétricas", completou.
(Karen Lemos - Portal RedeTV!)
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Exposição de Salvador Dalí mostra várias faces do artista catalão
Saindo do Rio de Janeiro, onde fez mais de um milhão de espectadores, a exposição Salvador Dalí – que reúne a maior retrospectiva do artista catalão que já passou pelo Brasil – chega a São Paulo no Instituto Tomie Ohtake.
Até o dia 11 de janeiro de 2015, o público poderá conferir obras provenientes de dois dos maiores colecionadores do pintor: Fundação Gala-Salvador Dalí e Museu Reina Sofia, ambos na Espanha. Diferente da temporada carioca, a exposição de São Paulo não terá obras do Museu Salvador Dalí, da Flórida; em contrapartida, outras raridades estarão disponíveis, como é o caso do valioso óleo sobre madeira “O espectro do sex-appeal” (1934), um dos grandes destaques da exposição na opinião de Carolina de Angelis, do núcleo de pesquisa e curadoria do Instituto.
“A obra é pequena, mas é de grande importância”, ressaltou em conversa com a Revista o Grito! durante a abertura do evento para convidados. “Quem conhece Dalí, reconhece suas características nessa obra: paisagem mineral, tons terrosos e uma figura meio monstruosa e meio humana que revela um medo da sexualidade, da libido, muito abordada por ele em sua arte”.
“O espectro do sex-appeal” está exposta entre outras 23 pinturas, 135 trabalhos entre desenhos e gravuras, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes em um conjunto que demorou cinco anos para ser concebido. Dessa forma, o espectador terá contato com a produção de Dalí desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos, o que torna possível a percepção de sua evolução técnica, suas influências e suas referências.
Para Carolina, a amplitude alcançada pela curadoria mostra o quão versátil era a arte de Dalí. “A exposição não traz uma faceta específica dele”, explicou. “Não enfatizamos o Dalí pintor; o mostramos também como cineasta, como pesquisador – ele foi um grande pesquisador da ciência, da religião e da arte, estudando a holografia e buscas por terceiras dimensões na pintura – e também na literatura, cuja contribuição na área recebeu um grande enfoque nessa temporada”.
Dalí ilustrou de Dom Quixote a Alice
De fato, há uma parte significativa da exposição dedicada à parceria entre Dalí e a literatura. Essa fatia do conjunto é uma grande atração para o público, já que a maioria conhece as histórias de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, entre outros. Dalí fez gravuras para edições desses livros notórios, o que vai aumentar ainda mais o interesse do espectador.
“Além disso, há obras que abordam temas universais como a busca da pessoa amada, o existencialismo humano, dificuldades de se relacionar, e também temas despertam nossa curiosidade, como os sonhos e a psicanálise”, detalhou Carolina. Para ela, a figura excêntrica do artista também foi uma forma de parecer mais atrativo aos olhos de seu público. “A construção do personagem dele mostra muito isso. Ele estava preocupado em criar uma imagem que fosse muito divulgada e, dessa forma, aproximar as pessoas para que elas conhecessem suas obras”, explicou.
Contribuição no cinema
A sétima arte também foi de interesse para o artista. É de grande estima, por exemplo, a parceria cinematográfica entre Dalí e o diretor surrealista Luís Buñel (1990 – 1983), que resultou nas obras O Cão Andaluz (1929) e A Idade do Ouro (1930), cujos excertos também estão expostos no Instituto.
Outra rica parceria se deu com o encontro do pintor com Alfred Hitchcock (1899 – 1980) em Quando Fala o Coração (1945), longa que apresenta cenas de sonhos desenhadas por Dalí. “Dalí era a melhor pessoa para realizar meus sonhos, é assim que os sonhos deveriam ser”, chegou a declarar Hitchcock ao comentar sobre o filme. Há ainda uma animação feita especialmente para a Disney, chamada Destino, que começou a ser pensada em 1945 e só terminou, proporcionalmente falando, em tempos recentes, no ano de 2003. O curta animado é uma verdadeira brincadeira entre aspectos provenientes do universo ímpar e singular do pintor.
Para finalizar, ainda é possível acessar uma obra interativa que, dado a sua complexidade, é necessário enfrentar um pouco de fila para dela usufruir. Trata-se de uma escultura de um enorme rosto em que se pode sentar-se na boca (que, na realidade, é um sofá) e tirar uma foto de dentro do rosto frente a um espelho – um recurso perfeito em tempos de selfies.
(Karen Lemos - Revista O Grito!)
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Exposição de fotos inéditas traz a figura humana por trás da artista Frida Khalo
Encontradas em um banheiro da Casa Azul (residência na qual morou no bairro de Cocoyacán, na Cidade do México) e guardadas com muito zelo e apreço, as fotografias de Frida Kahlo são tão reveladoras quanto as pinturas que a imortalizaram como um dos grandes nomes da arte hispânica.
Reunidas na exposição Frida Kahlo – as suas fotografias que está rodando o mundo, os registros fotográficos chegam pela primeira vez no Brasil no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e mostram uma faceta curiosa e até inédita, mesmo se tratando de uma mulher que nunca temeu se expor.
“São retratos intimistas que possibilitam que o público vivencie as emoções de Frida nas fotos, isso trouxe algo a mais para esta exposição”, explica Estela Sandrini, diretora cultural do museu que está celebrando o grande sucesso da mostra: mais de 90 mil pessoas já conferiram a exposição (em uma média de 30 mil pessoas por mês); por conta disso, a exibição foi prorrogada e poderá ser visitada até o dia 30 de novembro.
“O curioso é que essa coleção foi exposta sem saber ao certo como o público iria vê-la. Poderia até passar despercebida, mas acreditamos na proposta, apostamos em seu sucesso e deu certo”, ressaltou Sandrini, que apontou a história de vida de Frida – que sofreu um grave acidente aos 18 anos, sua postura diante de tanto sofrimento e da superação ao fazer da dor uma arte como razões para o êxito da mostra.
São 241 imagens divididas em seis seções que tratam de aspectos importantes da trajetória da artista, principalmente porque Frida teve contato com a fotografia quase que a vida toda: ela foi retratada desde a infância por seu pai e pelo avô materno (que eram fotógrafos), por amigos profissionais como a alemã Gisèle Freund e o húngaro Nickolas Muray e também por sua paixão pelo autorretrato – bastante abordada em seus quadros – uma ‘mania’ que herdou do próprio pai. Como nunca foram exibidas antes, muitas dessas fotografias são inéditas – o que garante algumas gratas surpresas. “Existe um registro de Diego Rivera (famoso pintor mexicano e grande amor da vida de Frida) que ela guardou com a marca de um beijo. Os dois tiveram um casamento aberto bastante conturbado e, mesmo assim, Frida sempre teve uma paixão por ele, uma paixão que nunca morreu”, destacou Estela Sandrini.
Saiba mais sobre as seções da mostra:
Origens – Os Pais
A seção destaca a família de Frida; são registros antigos – porém bem preservados – que mostram os avós maternos da pintora e seus pais Matilde Calderón e Guillermo Kahlo.
Casa Azul
Aparecem aqui os primeiros registros fotográficos de Frida que, ainda pequena, posava para as lentes de seu pai. Há também retratos de reuniões familiares e entre amigos que aconteciam na Casa Azul – onde hoje funciona o Museu Frida Kahlo.
Corpo Acidentado
A mais dolorida e, sobretudo, mais surpreendente seção da mostra. Traz imagens da época do acidente que sofreu em 1925 quando o ônibus em que viajava se chocou com um bonde. Na tragédia, Frida sofreu diversas fraturas, passou por muitas intervenções cirúrgicas (35 no total) e precisou permanecer imóvel durante muito tempo em sua cama. No leito da dor, a artista posou para Nickolas Muray durante seu período de recuperação.
Amores
Espaço dedicado às paixões de Frida como amigos íntimos, familiares e amantes. Há registros curiosos, como uma fotografia em que a artista aparece aos beijos com um rapaz fardado cuja identidade não é divulgada. Diego Rivera, claro, surge em várias imagens ao lado de declarações de sua companheira. “Na minha vida tive dois acidentes, num deles um bonde me atropelou… O outro acidente é Diego”, pontuou Frida em uma de suas citações.
Fotografia
Trata-se de um numeroso arquivo reunido em vida que se estende a raridades como cartões de visita do século XIX, imagens assinadas por grandes nomes da fotografia, como Man Ray, e retratos atribuídos a Frida que revelam seu talento também na arte fotográfica.
Luta Política
A sexta e última seção da exposição aborda o lado político de Frida, que era comunista. As imagens, na verdade, são recordações de Diego que colecionava registros sobre o tema, como o cotidiano de Berlim e Rússia no período de existência da União Soviética e retratos de líderes e pensadores marxistas como Lenin, Stalin e Trotsky (este último, vale lembrar, teve um rápido envolvimento com Frida na ocasião em que morou na Casa Azul).
Além de expor a artista e a figura por trás da artista, “Frida Kahlo – as suas fotografias” salienta a importância de uma contribuição cultural sem preço, que flertou com surrealismo e a vanguarda, sugando elementos folclóricos dos astecas e de indígenas mexicanos, e que agora está eternizada não somente em quadros, mas também na fotografia – ferramenta mais efetiva contra o esquecimento. “A exposição é uma oportunidade para conhecer Frida da forma como ela mesma se via – ela se mostrou por inteira nessa exposição”, concluiu Sandrini.
(Karen Lemos - Revista O Grito!)
terça-feira, 10 de junho de 2014
Tacy de Campos revela desafio de viver Cássia Eller em musical do teatro
Procurada nas redes sociais pela produção de um musical que ganhava forma, Tacy enviou seu portfólio sem pensar e nem esperar nada. Tempo depois, ficou surpresa ao deixar várias candidatas para trás e receber o convite para viver seu ídolo no espetáculo 'Cássia Eller - O Musical', atualmente em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro, e que terá temporadas em Belo Horizonte, São Paulo e Brasília.
A intimidade com o trabalho de Cássia não facilitou as coisas para a jovem artista que, além do desafio em si, teve que enfrentar a própria timidez na hora de subir no tablado. "Estou lidando como eu posso, como eu consigo, sem deixar de ser quem eu sou", declarou Tacy em entrevista ao Portal da RedeTV! "Me passar por uma pessoa que eu não sou é difícil até hoje pra mim. Eu não sou atriz, eu estou atriz", ressaltou.
Ainda que pareça assustador, Tacy não está trilhando o caminho das pedras sozinha. "Tive ajuda de muita gente", revelou. "A Lan Lan [ex-percurssionista de Cássia] e o Fernando Nunes [diretor do musical] sempre me apoiaram e foram muito importantes em todo processo".
Tacy e Emerson Espindola, que interpreta Nando Reis no musical
"O elenco foi muito generoso e me recebeu de braços abertos. Além disso, teve uma preparadora de elenco, a Ana Paula Bouzas, que me ajudou demais. Sem ela eu não estaria aqui", garantiu.
Vida pessoal separada do palco
Parece que todo apoio que Tacy recebeu ao ingressar nessa empreitada foi válido. No espetáculo, a promissora artista vence as barreiras da timidez ao encarnar Cássia Eller: solta a voz, emociona na interpretação e até mostra os seios ao reproduzir uma cena clássica da cantora que, durante uma edição do festival Rock in Rio, levantou a blusa para a plateia. "Estou lidando bem", declarou Tacy sobre as cenas de nudez. "Não tenho problema com isso".
Assim como o ídolo, a jovem artista também é homossexual e, apesar de lidar muito bem com sua sexualidade, pretende manter sua vida pessoal bem longe dos holofotes. "A minha vida é a minha vida. A vida da Cássia era a vida dela. A única coisa que eu faço questão é de preservar a minha privacidade", disse ainda, como quem encerra a conversa. "Eu não sou do tipo que levanta bandeira".
(Karen Lemos - Portal RedeTV!)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Margareth Menezes celebra estreia na televisão. "Sou movida a desafios"
Antes de ingressar na carreira musical, Margareth Menezes (50) iniciou a vida artística nos palcos do teatro. Embora a atuação não seja nenhum bicho de sete cabeças para este ícone do samba, a televisão era, até então, um terreno ainda inexplorado.
Quando recebeu o convite do diretor-geral José Luiz Villamarim para estrelar a microssérie O Canto da Sereia, que estreia no dia 8 de janeiro, não pensou duas vezes em aceitar. “A minha carreira é feita de desafios”, declarou em entrevista à CARAS Online. “Sou movida a desafios, então, quando me chamaram, aceitei na hora”.
Baseado em um livro de Nelson Motta (68), a história de O Canto da Sereia apresenta uma identificação forte com a veia artística da cantora. “A história tem uma sonoridade musical”, explicou. “Tem a ver comigo e com o meu universo. Vi a proposta como algo positivo, que mexeu com meus sentimentos”.
Na atração, Margareth vai interpretar a delegada Marta Pimenta. Para tanto, ela participou de laboratórios, com o preparador de elenco Sergio Penna, para se habituar à realidade de sua personagem. “Passei uma tarde em uma delegacia acompanhando a rotina e conversando com delegadas”, contou. “Fiquei bem surpresa porque descobri um lado da profissão que ainda não conhecia. Essas mulheres, além de profissionais, são super vaidosas. Foi super bacana ter esse contato”.
Focada e experiente, Marta Pimenta terá um papel importante na trama: desvendar o misterioso assassinato de Sereia, uma famosa cantora de Axé em Salvador, na Bahia, interpretada por Ísis Valverde (25). De cara, a intérprete percebeu muitos pontos em comum com sua personagem. “Assim como a Marta, eu também sou uma pessoa muito focada e responsável”, disse Margareth.
A experiência na televisão, muito positiva, pode abrir novas portas para a cantora que está sempre disponível para os desafios. “Se houver uma oportunidade bacana, vou fazer de novo”, garantiu. “Vamos esperar e ver no que vai dar”, concluiu ao celebrar os novos rumos de sua carreira.
(Karen Lemos - CARAS Online)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Separação de Marília Gabriela emocionou Reynaldo Gianecchini ao escrever sua biografia
Reynaldo Gianecchini fala do livro que conta sua vida, a parceria com o jornalista Guilherme Fiuza e um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: o fim do casamento com Marília Gabriela
Crédito de imagem: João Passos
Na foto de capa de "Giane – Vida, Arte e Luta", Reynaldo Gianecchini (40) olha contemplativo a sua frente. Na imagem - registro feito após a batalha do ator contra o câncer – ele aparece com os cabelos curtos e grisalhos, que começavam a crescer depois de várias sessões de quimioterapia.
O retrato, bem como todo o conteúdo da biografia, contou com o aval do galã. “Eu que bati o martelo”, disse Reynaldo que recebeu, com exclusividade, a reportagem de CARAS Online no Espaço Villa Vérico, em São Paulo.
“Tínhamos várias sugestões para a foto de capa, com vários visuais. Mas essa, em específico, eu achei muito bonita, forte e neutra. É quase um busto, uma estátua”, explicou.
Muitas editoras já haviam procurado Reynaldo com a proposta de contar sua vida nas páginas de um livro. A princípio, o ator achou tudo isso uma grande loucura até se encontrar com o jornalista Guilherme Fiuza (47), autor do sucesso Meu Nome Não é Johnny. “Eu conheço muito o trabalho dele. Gosto muito do jeito que ele escreve e fiquei curioso do jeito que ele iria contar a minha história”, revelou.
A estranheza de ter uma biografia em seu nome passou depois que o ator viu o resultado do trabalho. “Eu tenho o maior prazer de ter esse livro, porque não há pretensão nenhuma de ser uma obra de auto-ajuda. É uma história muito bem contada sobre as viradas da vida de um ser humano”, explicou. “De uma forma bem divertida, o livro coloca todas as minhas dificuldades, sem me enaltecer ou me colocar como um ser acima do bem e do mal”, completou.
A separação
Ao rever sua trajetória para contá-la em um livro, Gianecchini reviveu momentos engraçados e emocionantes de sua vida. O ator destaca uma passagem de sua biografia que, de forma especial, se tornou uma das mais comoventes para ele.
“Um trecho que me tocou muito é sobre a separação de um casamento [de oito anos com a jornalista Marília Gabriela, 64] que foi muito feliz. Chegou um dia e a gente decidiu que era hora de acabar. Nunca é fácil para ninguém uma separação, mas foi muito bonito como aconteceu comigo. Teve amor e atenção. E o livro retrata bem isso”, revelou. “Em nenhum momento nossa intimidade é exposta, o que seria algo muito deselegante. Pelo contrário, é colocado todo o carinho que existiu naquela relação e como é possível continuar um amor, mas agora de outra forma, sem machucar e nem agredir”.
Balanço
"Giane – Vida, Arte e Luta" é um balanço da vida de Reynaldo não só para os leitores, mas para o próprio biografado que, depois de brilhar na carreira de modelo e ator, cresceu e amadureceu, principalmente após a luta contra o câncer - momento que causou comoção nacional e ampliou, ainda mais, o carinho de seu público. “Eu posso falar que hoje em dia eu tenho um olhar muito diferente sobre as pessoas, sobre a vida, um olhar mais atento ao ser humano. A gente vive nessa vida louca e corrida, mas hoje em dia eu faço questão de parar e olhar de verdade para as coisas e para das pessoas”, ressaltou.
A forma como lida com o estresse mudou muito também. O tempo de Reynaldo com situações de tensão é muito curto. Segundo o galã, não ultrapassa dez minutos, tempo suficiente para respirar, questionar e se dar conta de que não vale a pena perder a cabeça com frivolidades. “Não é que eu virei zen, que virei um cara acima do bem e do mal, faço um exercício diário de viver com prazer, acordo todo dia e me proponho em viver um dia com prazer. Não me importa o que eu esteja vivendo, no meu trabalho, na minha vida, eu quero que seja prazeroso. É um exercício bacana de fazer, eu proponho que vocês também tentem fazer”, convidou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Crédito de imagem: João Passos
Na foto de capa de "Giane – Vida, Arte e Luta", Reynaldo Gianecchini (40) olha contemplativo a sua frente. Na imagem - registro feito após a batalha do ator contra o câncer – ele aparece com os cabelos curtos e grisalhos, que começavam a crescer depois de várias sessões de quimioterapia.
O retrato, bem como todo o conteúdo da biografia, contou com o aval do galã. “Eu que bati o martelo”, disse Reynaldo que recebeu, com exclusividade, a reportagem de CARAS Online no Espaço Villa Vérico, em São Paulo.
“Tínhamos várias sugestões para a foto de capa, com vários visuais. Mas essa, em específico, eu achei muito bonita, forte e neutra. É quase um busto, uma estátua”, explicou.
Muitas editoras já haviam procurado Reynaldo com a proposta de contar sua vida nas páginas de um livro. A princípio, o ator achou tudo isso uma grande loucura até se encontrar com o jornalista Guilherme Fiuza (47), autor do sucesso Meu Nome Não é Johnny. “Eu conheço muito o trabalho dele. Gosto muito do jeito que ele escreve e fiquei curioso do jeito que ele iria contar a minha história”, revelou.
A estranheza de ter uma biografia em seu nome passou depois que o ator viu o resultado do trabalho. “Eu tenho o maior prazer de ter esse livro, porque não há pretensão nenhuma de ser uma obra de auto-ajuda. É uma história muito bem contada sobre as viradas da vida de um ser humano”, explicou. “De uma forma bem divertida, o livro coloca todas as minhas dificuldades, sem me enaltecer ou me colocar como um ser acima do bem e do mal”, completou.
A separação
Ao rever sua trajetória para contá-la em um livro, Gianecchini reviveu momentos engraçados e emocionantes de sua vida. O ator destaca uma passagem de sua biografia que, de forma especial, se tornou uma das mais comoventes para ele.
“Um trecho que me tocou muito é sobre a separação de um casamento [de oito anos com a jornalista Marília Gabriela, 64] que foi muito feliz. Chegou um dia e a gente decidiu que era hora de acabar. Nunca é fácil para ninguém uma separação, mas foi muito bonito como aconteceu comigo. Teve amor e atenção. E o livro retrata bem isso”, revelou. “Em nenhum momento nossa intimidade é exposta, o que seria algo muito deselegante. Pelo contrário, é colocado todo o carinho que existiu naquela relação e como é possível continuar um amor, mas agora de outra forma, sem machucar e nem agredir”.
Balanço
"Giane – Vida, Arte e Luta" é um balanço da vida de Reynaldo não só para os leitores, mas para o próprio biografado que, depois de brilhar na carreira de modelo e ator, cresceu e amadureceu, principalmente após a luta contra o câncer - momento que causou comoção nacional e ampliou, ainda mais, o carinho de seu público. “Eu posso falar que hoje em dia eu tenho um olhar muito diferente sobre as pessoas, sobre a vida, um olhar mais atento ao ser humano. A gente vive nessa vida louca e corrida, mas hoje em dia eu faço questão de parar e olhar de verdade para as coisas e para das pessoas”, ressaltou.
A forma como lida com o estresse mudou muito também. O tempo de Reynaldo com situações de tensão é muito curto. Segundo o galã, não ultrapassa dez minutos, tempo suficiente para respirar, questionar e se dar conta de que não vale a pena perder a cabeça com frivolidades. “Não é que eu virei zen, que virei um cara acima do bem e do mal, faço um exercício diário de viver com prazer, acordo todo dia e me proponho em viver um dia com prazer. Não me importa o que eu esteja vivendo, no meu trabalho, na minha vida, eu quero que seja prazeroso. É um exercício bacana de fazer, eu proponho que vocês também tentem fazer”, convidou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Alinne Moraes: "Já tentei me ‘enfeiar’ para ser aceita"
Prestes a estrear a temporada paulistana da peça ‘Dorotéia’, de Nelson Rodrigues, Alinne Moraes fala dos pontos em comum com a protagonista da obra – uma mulher que sofre com sua beleza
Em sua segunda experiência no teatro (a primeira foi com a peça Dhrama – O Incrível Diálogo entre Krishna e Arjuna, em 2007), Alinne Moraes (29) vive um papel desafiador em Dorotéia, montagem de João Fonseca (48) para um clássico de Nelson Rodrigues (1912 -1980). “Esse trabalho me exigia o amadurecimento profissional que eu tenho hoje, por isso quis tanto fazer”, afirmou a atriz em entrevista coletiva em São Paulo, nesta segunda-feira, 23.
A partir de 28 de julho, Dorotéia faz temporada na capital paulista no Teatro Raul Cortez. Vivendo a protagonista da obra, Alinne soma mais uma personagem ao seu leque de papéis ousados. “Eu já levantei muitas bandeiras em minha carreira”, disse. “Já vivi uma mãe solteira, uma lésbica, uma psicopata e uma tetraplégica na televisão. É uma grande responsabilidade para mim”, definiu a bela, que atualmente namora o diretor Mauro Lima (43). “Não gosto de falar sobre isso. É bom a gente preservar um pouco a vida quando ela está muito exposta”, declarou ao ser questionada sobre o novo relacionamento.
Na história escrita por Nelson Rodrigues em 1949, Dorotéia é uma ex-prostituta que procura mudar totalmente de vida após a morte de seu filho. Por conta dessa busca, ela passa a morar com suas primas viúvas, que a condenam por sua beleza. “Esse texto critica uma cobrança da sociedade que pensa que a beleza é um pecado”, esclareceu o diretor João Fonseca. “Parece que a mulher bonita é culpada pelo desejo que provoca nas pessoas e tem sempre que provar que é muito mais do que a estética aparenta”, ressaltou.
Dona de uma beleza incontestável, Alinne Moraes sabe muito bem como é isso – e esse ponto em comum com a personagem a ajudou com o trabalho. “Eu já tentei me ‘enfeiar’ para ser aceita”, revelou. “Quando eu era modelo, eu pegava ônibus para ir aos testes e sempre colocava um boné na cabeça para evitar o assédio. Eu sempre ouvia aquelas ‘cantadas de pedreiro’ e me incomodava muito. Assim como a Dorotéia, naquela época eu não queria chamar atenção”, disse.
“Hoje eu entendo que a beleza é minha aliada. Consegui muitas coisas porque eu precisava ser bonita para fazer alguns papéis. Mas também sei que isso é uma coisa que passa, que tem prazo de validade. Não tem como passar um spray na cara e ficar bonita para sempre. Na verdade, considero as rugas necessárias para trabalhar, para emocionar o público e contar uma história”, complementou, exemplificando sua tese ao citar a veterana Laura Cardoso (84), uma das atrizes que mais admira.
Dorotéia, entretanto, obrigou Alinne Moraes a deixar a vaidade de lado. A atriz considerou essa lição como um grande desafio, já que não contaria com maquiagem e nem próteses. “Eu fico feia em apenas 20 segundos nessa peça, sendo que não teve como olhar no espelho e montar uma cara, sabe? Veio de dentro para fora, eu tive que acreditar que eu estava feia para que o público também pudesse acreditar. É a fé cênica”, justificou. “E não tem peso algum nisso. Estou me divertindo muito com esse trabalho. Estou lá no palco para ser feliz”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Na reestreia de ‘Bruxa Morgana’, acompanhe a caracterização de Rosi Campos
Em cartaz com ‘A Saga da Bruxa Morgana e a Família Real’, Rosi Campos abre seu camarim e mostra a caracterização de seu personagem mais célebre
Desde Castelo Rá-Tim-Bum, a simpática Bruxa Morgana acompanha sua intérprete Rosi Campos (58). Foram vinte anos convivendo com a personagem que, sem ter ficado ultrapassado, volta aos palcos do teatro atraindo um público de faixa etária diversificado. Neste sábado, 31, Rosi reestreia A Saga da Bruxa Morgana e a Família Real, no Teatro Anhembi Morumbi, em São Paulo. “A Morgana do teatro é a mesma Morgana da televisão e do filme [Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme, de 1999]. Não dá para mudar muito. Apenas fiz alguns ajustes na peruca - algo mais cênico mesmo - e na roupa, que é de época para caracterizar a história”, contou a atriz em entrevista exclusiva a CARAS Online.
Nessa nova aventura no teatro, Morgana recebe a corte da Família Real Portuguesa (que está foragida das tropas de Napoleão Bonaparte) em seus aposentos. Com muito bom humor, claro, confusões vão acontecer e cabe a bruxa resolver os percalços que aparecem pelo caminho. O trabalho é em família: na produção, seu marido Ary Brandi; no elenco, seu filho Pedro Brandi. “É a primeira vez que atuo com meu filho no palco. Fica tudo mais divertido”, garantiu a atriz.
A reportagem entrou no camarim de Rosi Campos e acompanhou toda sua caracterização para se transformar em Morgana. Tudo começa com a aplicação de uma base no rosto. O processo seguinte – e o mais demorado – é a pintura no olho. Primeiro, uma sombra preta para ressaltar o amarelo com glitter que vem por cima. A maquiagem ajuda a aumentar os olhos da atriz. O batom realça a boca. Todo o processo dura cerca de quarenta minutos e termina quando Rosi, finalmente, coloca a escultural peruca, especialmente preparada para a peça. Os figurinos, criações de José de Anchieta, são um capricho a parte. Consistem em paletós de alfaiataria, sapatos de época feitos sob medida, e vestidos luxuosos.
Os minutos na cadeira de maquiagem e a roupa pesada não tira o ânimo da intérprete que há anos dá vida ao mesmo personagem – e sempre com a mesma alegria. “Faço Morgana há 20 anos e adoro fazê-la. A Morgana me trouxe muita coisa boa. É um prazer poder representá-la, porque ela é um personagem muito forte e corajoso; sem contar que ela tem uma característica muito interessante que é ser uma bruxa boazinha”, explicou. “E quem nunca quis ser uma bruxa? Quem vem assistir à peça fica enlouquecido com a personagem e com esse ambiente de magia – porque eles fornecem um mundo de possibilidades”, completou a atriz.
Onde tudo começou
Rosi Campos lembra muito bem do dia em que seu caminho cruzou com o da Bruxa Morgana. “O Cao Hamburger [diretor de Castelo Rá-Tim-Bum] me chamou para fazer um teste para a Bruxa Morgana. Eu tinha até pensando em fazer uma voz grossa, algo bem performático. Cao, no entanto, me pediu que agisse naturalmente. Aí fui entendendo que a Morgana, na verdade, era uma bruxa legal; ela não tem nada de má. É uma contadora de histórias, uma personagem que é para ser divertida”, recordou.
A atriz lembra, também, do episódio mais marcante na longa trajetória da bruxa no programa da TV Cultura. “Um episódio que me marcou muito foi quando a Morgana recebeu a visita do Leonardo Da Vinci em seus aposentos. Os dois tiveram um romance. Chegamos a brincar que o Da Vinci pintou seu quadro ‘Monalisa’ inspirado na Morgana, porque ele se encantou com o sorriso dela (risos). A gente tinha uma liberdade muito bacana”, afirmou.
Ídolos da infância
Ídolo de muitas infâncias, A Bruxa Morgana até hoje é admirada. Não só por aqueles que acompanharam seu ‘nascimento’ (e que atualmente já estão com mais idade), mas também pelos mais novos, que sabem que não é tarde para conhecer essa personagem tão fantástica. “Eu recebo um público maravilhoso. Tem crianças, tem jovens, tem de tudo. Quem me assistia na época do 'Castelo Rá-Tim-Bum', hoje está com seus 15 a 20 anos e vem assistir à peça, levando crianças mais novas, de uns cinco anos, que também adoram a história e a personagem. Acho muito legal ter a oportunidade de atingir tanta gente”, confessou Rosi.
A atriz, por sua vez, também teve muitos ídolos quando criança. Personagens que ela enumera, tentando conter a nostalgia. “Eu adorava o Flash Gordon, o Nacional Kid, o Rim Tim Tim. Não tínhamos muitas opções naquela época. Quando saiu o desenho de ‘A Branca de Neve’ foi o evento do ano, porque era lançado somente um filme por ano dedicado ao público infantil. Hoje em dia existem muito mais opções para as crianças”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Desde Castelo Rá-Tim-Bum, a simpática Bruxa Morgana acompanha sua intérprete Rosi Campos (58). Foram vinte anos convivendo com a personagem que, sem ter ficado ultrapassado, volta aos palcos do teatro atraindo um público de faixa etária diversificado. Neste sábado, 31, Rosi reestreia A Saga da Bruxa Morgana e a Família Real, no Teatro Anhembi Morumbi, em São Paulo. “A Morgana do teatro é a mesma Morgana da televisão e do filme [Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme, de 1999]. Não dá para mudar muito. Apenas fiz alguns ajustes na peruca - algo mais cênico mesmo - e na roupa, que é de época para caracterizar a história”, contou a atriz em entrevista exclusiva a CARAS Online.
Nessa nova aventura no teatro, Morgana recebe a corte da Família Real Portuguesa (que está foragida das tropas de Napoleão Bonaparte) em seus aposentos. Com muito bom humor, claro, confusões vão acontecer e cabe a bruxa resolver os percalços que aparecem pelo caminho. O trabalho é em família: na produção, seu marido Ary Brandi; no elenco, seu filho Pedro Brandi. “É a primeira vez que atuo com meu filho no palco. Fica tudo mais divertido”, garantiu a atriz.
A reportagem entrou no camarim de Rosi Campos e acompanhou toda sua caracterização para se transformar em Morgana. Tudo começa com a aplicação de uma base no rosto. O processo seguinte – e o mais demorado – é a pintura no olho. Primeiro, uma sombra preta para ressaltar o amarelo com glitter que vem por cima. A maquiagem ajuda a aumentar os olhos da atriz. O batom realça a boca. Todo o processo dura cerca de quarenta minutos e termina quando Rosi, finalmente, coloca a escultural peruca, especialmente preparada para a peça. Os figurinos, criações de José de Anchieta, são um capricho a parte. Consistem em paletós de alfaiataria, sapatos de época feitos sob medida, e vestidos luxuosos.
Os minutos na cadeira de maquiagem e a roupa pesada não tira o ânimo da intérprete que há anos dá vida ao mesmo personagem – e sempre com a mesma alegria. “Faço Morgana há 20 anos e adoro fazê-la. A Morgana me trouxe muita coisa boa. É um prazer poder representá-la, porque ela é um personagem muito forte e corajoso; sem contar que ela tem uma característica muito interessante que é ser uma bruxa boazinha”, explicou. “E quem nunca quis ser uma bruxa? Quem vem assistir à peça fica enlouquecido com a personagem e com esse ambiente de magia – porque eles fornecem um mundo de possibilidades”, completou a atriz.
Onde tudo começou
Rosi Campos lembra muito bem do dia em que seu caminho cruzou com o da Bruxa Morgana. “O Cao Hamburger [diretor de Castelo Rá-Tim-Bum] me chamou para fazer um teste para a Bruxa Morgana. Eu tinha até pensando em fazer uma voz grossa, algo bem performático. Cao, no entanto, me pediu que agisse naturalmente. Aí fui entendendo que a Morgana, na verdade, era uma bruxa legal; ela não tem nada de má. É uma contadora de histórias, uma personagem que é para ser divertida”, recordou.
A atriz lembra, também, do episódio mais marcante na longa trajetória da bruxa no programa da TV Cultura. “Um episódio que me marcou muito foi quando a Morgana recebeu a visita do Leonardo Da Vinci em seus aposentos. Os dois tiveram um romance. Chegamos a brincar que o Da Vinci pintou seu quadro ‘Monalisa’ inspirado na Morgana, porque ele se encantou com o sorriso dela (risos). A gente tinha uma liberdade muito bacana”, afirmou.
Ídolos da infância
Ídolo de muitas infâncias, A Bruxa Morgana até hoje é admirada. Não só por aqueles que acompanharam seu ‘nascimento’ (e que atualmente já estão com mais idade), mas também pelos mais novos, que sabem que não é tarde para conhecer essa personagem tão fantástica. “Eu recebo um público maravilhoso. Tem crianças, tem jovens, tem de tudo. Quem me assistia na época do 'Castelo Rá-Tim-Bum', hoje está com seus 15 a 20 anos e vem assistir à peça, levando crianças mais novas, de uns cinco anos, que também adoram a história e a personagem. Acho muito legal ter a oportunidade de atingir tanta gente”, confessou Rosi.
A atriz, por sua vez, também teve muitos ídolos quando criança. Personagens que ela enumera, tentando conter a nostalgia. “Eu adorava o Flash Gordon, o Nacional Kid, o Rim Tim Tim. Não tínhamos muitas opções naquela época. Quando saiu o desenho de ‘A Branca de Neve’ foi o evento do ano, porque era lançado somente um filme por ano dedicado ao público infantil. Hoje em dia existem muito mais opções para as crianças”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Marisa Orth: "Algumas atrizes sonham em ser Julieta; eu sempre sonhei em ser Morticia"
Em 'A Família Addams', peça musical que estreia no dia 2 de março em São Paulo, traz Marisa Orth e Daniel Boaventura interpretando o icônico casal cuja irreverência é sua marca: Morticia e Gomez Addams
Estreante nos palcos dos grandes musicais brasileiros - adaptados de sucesso da Broadway e que vêm conquistando um público cada vez mais cativo - Marisa Orth (48) definiu como irrecusável a chance de poder viver um personagem icônico em sua primeira vez como atriz de um musical. “Está sendo uma experiência maravilhosa”, contou. “Nunca tinha feito um trabalho que misturasse teatro, música, dança e cenário. É bem trabalhoso, mas estou encarando como um aprendizado – algo que eu não esperava que acontecesse nessa altura da minha carreira”.
A partir do dia 2 de março, Marisa poderá ser vista na pele da misteriosa e sensual Morticia Addams, uma das protagonistas de A Família Addams, peça musical que entrará em cartaz no Teatro Abril, em São Paulo. “A Morticia é o papel que toda atriz gostaria de fazer. Eu sempre quis. Tem mulher que sonha em interpretar a Julieta, mas eu sempre sonhei em interpretar a Morticia”, divertiu-se. “É uma personagem arquetípica, sexy, mórbida”. O trabalho trouxe a intérprete boas lembranças de sua infância. “Esse trabalho me fez lembrar muito de mim anos atrás”, contou. “Lembrei que já fiz ballet, que já cantei em uma banda (chamada Vexame, na década de 90) e que já tinha um sonho de fazer um musical”.
Para dar conta, Marisa se viu imersa durante dois meses em um processo de preparação bem específico. “Fiz exercícios com fonoaudióloga para ficar com a voz bem grave, aulas de canto, aulas para melhorar as expressões do rosto da Morticia, que são bem características”, contou a intérprete, que acabou levando muitas lições da personagem para sua vida pessoal. “Aprendi que posso ser vaidosa, sexy, afetuosa, um pouco cafona e muito chiquérrima”, resumiu. E realmente existe muita sensualidade na Morticia de Marisa, mesmo debaixo de um figurino pesado, uma peruca super quente e quilos e mais quilos de maquiagem branca para ‘empalidecer’ a personagem. “Eu demoro quase duas horas para ficar pronta”, revelou.
Como parte do laboratório, Marisa ainda visitou os bastidores da Broadway e assistiu a versão norte-americana do espetáculo. “Foi muito importante na construção da minha personagem porque eu pude ver como funcionava aquele ambiente, os bastidores, os profissionais. Conheci a Brooke Shields [que interpreta a Morticia na versão norte-americana], que para mim é um ídolo de infância. Ela é linda!”, recordou.
“Também pude perceber a mudança de nossa adaptação comparada a delas. A nossa é muito melhor, é mais enxuta. Com o tempo, o musical foi se remodelando e melhorando. Tivemos sorte”.
A obra, uma adaptação da série do cartunista Charles Addams e que ganhou popularidade com o seriado de televisão na década de 60, é um sucesso nos Estados Unidos. Pela primeira vez, o projeto ganha o mundo, desembarcando primeiro no Brasil. A ideia é trazer a peça para o Rio de Janeiro, Buenos Aires e Cidade do México. Apesar das dificuldades de se adaptar um texto original, por conta das rimas e piadas, A Família Addams chega bem no país. O elenco, escolhido após rigorosas audições, conta ainda com Daniel Boaventura (41), ator experiente em musicais, tendo atuado em A Bela e a Fera, Chicago, My Fair Lady, Evita, entre outros. No palco, ele vive Gomez Addams, o apaixonado marido de Morticia.
“Eu usei todas as referências possíveis. Os quadrinhos, o seriado de televisão, o desenho, outras montagens para o teatro, enfim. O engraçado é que eu não precisei recorrer tanto a outros artifícios. Os personagens de A Família Addams já estão incrustados em nossa memória. Todo mundo os conhece”, afirmou. Prova disso foram as três apresentações testes que o elenco realizou para um público diverso. “Com pessoas de várias faixas etárias”, acrescentou Daniel. “E a reação foi incrível. Isso quer dizer que está funcionando, está dando certo. Portanto, a nossa expectativa para a estreia é a melhor possível”, completou.
Senhora Pig e Alberto Roberto nos palcos
O casal das trevas mais famoso da indústria cultural, Gomez e Morticia Addams, veio com um gostinho brasileiro. A dupla de intérpretes formada Marisa Orth e Daneil Boaventura permitiu algumas licenças poéticas aos personagens que, sem sombra de dúvidas, vão render boas risadas e despertar uma familiaridade nos expectadores – a começar pela inspiração bem brasileira dos atores.
“Como eu recorri a poucas inspirações que tinham a ver com a Família Addams ou com a de outros atores que já viveram o Gomez, eu me inspirei no gênio de nosso Chico Anysio (80). Lembrei daquele personagem dele chamado Alberto Roberto”, riu. “Já eu me inspirei em muitas mulheres, principalmente na Senhorita Pig, dos 'Muppets', que também é bem conhecida pelos brasileiros”, brincou Marisa. “Dela eu peguei aquela autoestima toda, que ganhou ainda mais força com o figurino, as longas unhas pretas e a pele branca da Morticia”.
A boa expectativa do elenco para uma estreia de sucesso está, ainda, no fato do tema que gira em torno da história (família – um assunto universal), ser atemporal. “Esse momento é bem oportuno para estrear Família Addams. Vivemos em um mundo do politicamente correto, o que é bem chato”, explicou. “E essa família vai na contramão e mostra que tem orgulho de sua feiúra, da sujeira, da violência e dos crimes que cometem. São verdadeiros, sinceros – o oposto da família que tenta ser certinha e ‘margarânica’ [referente ao alimento Margarina], como a dos comerciais de televisão”, finalizou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Estreante nos palcos dos grandes musicais brasileiros - adaptados de sucesso da Broadway e que vêm conquistando um público cada vez mais cativo - Marisa Orth (48) definiu como irrecusável a chance de poder viver um personagem icônico em sua primeira vez como atriz de um musical. “Está sendo uma experiência maravilhosa”, contou. “Nunca tinha feito um trabalho que misturasse teatro, música, dança e cenário. É bem trabalhoso, mas estou encarando como um aprendizado – algo que eu não esperava que acontecesse nessa altura da minha carreira”.
A partir do dia 2 de março, Marisa poderá ser vista na pele da misteriosa e sensual Morticia Addams, uma das protagonistas de A Família Addams, peça musical que entrará em cartaz no Teatro Abril, em São Paulo. “A Morticia é o papel que toda atriz gostaria de fazer. Eu sempre quis. Tem mulher que sonha em interpretar a Julieta, mas eu sempre sonhei em interpretar a Morticia”, divertiu-se. “É uma personagem arquetípica, sexy, mórbida”. O trabalho trouxe a intérprete boas lembranças de sua infância. “Esse trabalho me fez lembrar muito de mim anos atrás”, contou. “Lembrei que já fiz ballet, que já cantei em uma banda (chamada Vexame, na década de 90) e que já tinha um sonho de fazer um musical”.
Para dar conta, Marisa se viu imersa durante dois meses em um processo de preparação bem específico. “Fiz exercícios com fonoaudióloga para ficar com a voz bem grave, aulas de canto, aulas para melhorar as expressões do rosto da Morticia, que são bem características”, contou a intérprete, que acabou levando muitas lições da personagem para sua vida pessoal. “Aprendi que posso ser vaidosa, sexy, afetuosa, um pouco cafona e muito chiquérrima”, resumiu. E realmente existe muita sensualidade na Morticia de Marisa, mesmo debaixo de um figurino pesado, uma peruca super quente e quilos e mais quilos de maquiagem branca para ‘empalidecer’ a personagem. “Eu demoro quase duas horas para ficar pronta”, revelou.
Como parte do laboratório, Marisa ainda visitou os bastidores da Broadway e assistiu a versão norte-americana do espetáculo. “Foi muito importante na construção da minha personagem porque eu pude ver como funcionava aquele ambiente, os bastidores, os profissionais. Conheci a Brooke Shields [que interpreta a Morticia na versão norte-americana], que para mim é um ídolo de infância. Ela é linda!”, recordou.
“Também pude perceber a mudança de nossa adaptação comparada a delas. A nossa é muito melhor, é mais enxuta. Com o tempo, o musical foi se remodelando e melhorando. Tivemos sorte”.
A obra, uma adaptação da série do cartunista Charles Addams e que ganhou popularidade com o seriado de televisão na década de 60, é um sucesso nos Estados Unidos. Pela primeira vez, o projeto ganha o mundo, desembarcando primeiro no Brasil. A ideia é trazer a peça para o Rio de Janeiro, Buenos Aires e Cidade do México. Apesar das dificuldades de se adaptar um texto original, por conta das rimas e piadas, A Família Addams chega bem no país. O elenco, escolhido após rigorosas audições, conta ainda com Daniel Boaventura (41), ator experiente em musicais, tendo atuado em A Bela e a Fera, Chicago, My Fair Lady, Evita, entre outros. No palco, ele vive Gomez Addams, o apaixonado marido de Morticia.
“Eu usei todas as referências possíveis. Os quadrinhos, o seriado de televisão, o desenho, outras montagens para o teatro, enfim. O engraçado é que eu não precisei recorrer tanto a outros artifícios. Os personagens de A Família Addams já estão incrustados em nossa memória. Todo mundo os conhece”, afirmou. Prova disso foram as três apresentações testes que o elenco realizou para um público diverso. “Com pessoas de várias faixas etárias”, acrescentou Daniel. “E a reação foi incrível. Isso quer dizer que está funcionando, está dando certo. Portanto, a nossa expectativa para a estreia é a melhor possível”, completou.
Senhora Pig e Alberto Roberto nos palcos
O casal das trevas mais famoso da indústria cultural, Gomez e Morticia Addams, veio com um gostinho brasileiro. A dupla de intérpretes formada Marisa Orth e Daneil Boaventura permitiu algumas licenças poéticas aos personagens que, sem sombra de dúvidas, vão render boas risadas e despertar uma familiaridade nos expectadores – a começar pela inspiração bem brasileira dos atores.
“Como eu recorri a poucas inspirações que tinham a ver com a Família Addams ou com a de outros atores que já viveram o Gomez, eu me inspirei no gênio de nosso Chico Anysio (80). Lembrei daquele personagem dele chamado Alberto Roberto”, riu. “Já eu me inspirei em muitas mulheres, principalmente na Senhorita Pig, dos 'Muppets', que também é bem conhecida pelos brasileiros”, brincou Marisa. “Dela eu peguei aquela autoestima toda, que ganhou ainda mais força com o figurino, as longas unhas pretas e a pele branca da Morticia”.
A boa expectativa do elenco para uma estreia de sucesso está, ainda, no fato do tema que gira em torno da história (família – um assunto universal), ser atemporal. “Esse momento é bem oportuno para estrear Família Addams. Vivemos em um mundo do politicamente correto, o que é bem chato”, explicou. “E essa família vai na contramão e mostra que tem orgulho de sua feiúra, da sujeira, da violência e dos crimes que cometem. São verdadeiros, sinceros – o oposto da família que tenta ser certinha e ‘margarânica’ [referente ao alimento Margarina], como a dos comerciais de televisão”, finalizou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
domingo, 6 de novembro de 2011
Fernanda Montenegro: ‘Acho que melhorei’
Aos 81 anos de idade, Fernanda Montenegro vive Simone de Beauvoir em ‘Viver Sem Tempos Mortos’, peça que reestreia em São Paulo. “É mais do que passear pela obra de Simone; fiz uma revisão da minha própria vida que tive a coragem e o privilégio de levar ao palco”, contou à CARAS Online
Apenas uma cadeira, uma luz central e uma Fernanda Montenegro (81) de calças escuras e blusa social branca convocando memórias, vivências e atirando pensamentos ora reflexivos, ora contestadores, para a plateia compõe Viver Sem Tempos Mortos (termo usado durante protestos das revoluções da contracultura no Brasil no final da década de 1960). A peça, que reestreia no Teatro Raul Cortez, São Paulo, no próximo dia 8 de outubro consegue, ainda, se sustentar durante uma hora por conta da obra forte de Simone de Beauvoir (1908 - 1986), escritora, filósofa e feminista francesa, e da incontestável presença de palco da veterana que, ao desembarcar em seu universo, acabou encontrando com ela mesma no meio do caminho.
“Foi mais do que passear pela obra de Simone, eu fiz uma revisão da minha própria vida que tive a coragem e o privilégio de levar ao palco”, afirmou Fernanda em entrevista à CARAS Online.
“Tenho 81 anos, sendo que passei 65 anos vivendo publicamente, trabalhando no teatro, televisão e cinema. Passei por muitos textos, muitas mudanças; tive filhos, netos, perdi mãe, pai, irmão, marido; experiências boas e duras. E sempre encontro no texto de Simone algo que me faça refletir sobre a própria vida. No geral, nós duas vivemos de formas parecidas. Acho que se eu pudesse sentar com ela, hoje, teríamos muitas memórias em comum”.
Com direção de Felipe Hirsch e cenário de Daniela Thomas, Viver Sem Tempos Mortos teve sua temporada suspensa em 2010 para que a atriz pudesse trabalhar na novela Passione (na qual deu vida a personagem Bete), de Silvio de Abreu (68). O processo, contudo, tinha sido tão intenso para Fernanda que valia a pena retornar ao palco e voltar a viver Beauvoir.
“E agora tem algo mais arquitetado também, algo se fortaleceu nesse caminho. Acho que melhorei”, disse, entre risos, expressando seu típico bom humor. Existe, além disso, um esgotamento físico de Fernanda durante o espetáculo (“Eu termino a peça suando. Eu não ando pelo palco, mas tenho que ter uma concentração enorme”) não somente pelo pensamento denso de sua personagem, mas também porque a atração toda é apresentada em forma de um monólogo - um desafio para qualquer ator, mas que enriquece sua experiência. “Todo ator tem que monologar diante da plateia em algum momento da carreira. É como viver ou morrer, uma experiência importante que precisa acontecer”, definiu.
Simone e Sartre
O livro Tête-à-Tête, de Hazel Rowley, obra que reúne correspondências em cartas de Simone de Beauvoir com Jean-Paul Sartre (1905 - 1980), filósofo, escritor e crítico francês, foi essencial para o nascimento de Vivendo em Tempos Mortos. A partir disso, Fernanda fez suas pesquisas e um aprofundado laboratório para dar veracidade à sua Simone no tablado. “Foi um trabalho de dois anos em cima da obra da Simone e do Sartre”, recordou. “Fiz um resumo de 200 páginas do que li; o que não é nada, é só um cheiro de uma vida que foi contada em cerca de seis volumes de biografias”.
Houve até mesmo um árduo trabalho para sintetizar os pensamentos prolixos, nada fáceis, vindas de uma mulher extremamente verborrágica, que com suas ideias mudou o mundo a partir da metade do século passado. “Como uma boa francesa, Simone pensava bem e falava claramente seu pensamento; um pensamento que contribuiu para que a humanidade fosse menos dividida. No seu tempo, o homem era absoluto e a mulher era o ‘outro’”, disse.
Para atriz, sem Simone e sem Sartre, não haveria a contracultura; não haveria as revoluções de 1968, não teriam possibilidades as grandes mudanças, que podemos vivenciar hoje. “Os dois contribuíram para uma mudança a partir de dois princípios: a liberdade e a verdade”, concluiu, fazendo uma breve análise do novo século. “Hoje, a coisa feminista ficou meio desagradada. Prefiro falar mais do feminino que, para mim, é a grande presença atualmente. O Brasil é um país matriarcal. Na vida contemporânea, a mulher tem tomado o espaço e assustado os homens”.
Plateia farta
Para quem já apresentou textos do dramaturgo irlandês [Samuel] Beckett (1906 - 1989) para uma plateia lotada na periferia do Rio de Janeiro, ter ou não ter um teatro cheio não é mais uma preocupação. “Quando fiz Beckett na periferia, a preço popular, vi a plateia vindo de ônibus, assistindo compenetrada, aplaudindo de pé e indo embora feliz para sua casa”, recordou.
Algo bem parecido aconteceu na primeira temporada de Viver Sem Tempos Mortos. “Fiquei surpresa ao ver uma plateia farta, interessada e integrada em tudo que estava acontecendo no palco”.
“Não podemos ‘preconceituar’ a capacidade de envolvimento de uma plateia dita inculta, periférica. Esse espetáculo me confirma que, todo trabalho que tenha clareza, é para todo tipo de público. Não se pode dirigir o que o povo tem que ver”, reclamou.
E quem quiser conferir a peça apenas para assistir à veterana Fernanda Montenegro no palco pode se surpreender com um espetáculo rico. Afinal, para a atriz, um grande nome em cima do palco não diz nada. “O público pode até ir ao teatro, mas se for para assistir uma porcaria de peça, ele levanta da cadeira e vai embora”, ressaltou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Apenas uma cadeira, uma luz central e uma Fernanda Montenegro (81) de calças escuras e blusa social branca convocando memórias, vivências e atirando pensamentos ora reflexivos, ora contestadores, para a plateia compõe Viver Sem Tempos Mortos (termo usado durante protestos das revoluções da contracultura no Brasil no final da década de 1960). A peça, que reestreia no Teatro Raul Cortez, São Paulo, no próximo dia 8 de outubro consegue, ainda, se sustentar durante uma hora por conta da obra forte de Simone de Beauvoir (1908 - 1986), escritora, filósofa e feminista francesa, e da incontestável presença de palco da veterana que, ao desembarcar em seu universo, acabou encontrando com ela mesma no meio do caminho.
“Foi mais do que passear pela obra de Simone, eu fiz uma revisão da minha própria vida que tive a coragem e o privilégio de levar ao palco”, afirmou Fernanda em entrevista à CARAS Online.
“Tenho 81 anos, sendo que passei 65 anos vivendo publicamente, trabalhando no teatro, televisão e cinema. Passei por muitos textos, muitas mudanças; tive filhos, netos, perdi mãe, pai, irmão, marido; experiências boas e duras. E sempre encontro no texto de Simone algo que me faça refletir sobre a própria vida. No geral, nós duas vivemos de formas parecidas. Acho que se eu pudesse sentar com ela, hoje, teríamos muitas memórias em comum”.
Com direção de Felipe Hirsch e cenário de Daniela Thomas, Viver Sem Tempos Mortos teve sua temporada suspensa em 2010 para que a atriz pudesse trabalhar na novela Passione (na qual deu vida a personagem Bete), de Silvio de Abreu (68). O processo, contudo, tinha sido tão intenso para Fernanda que valia a pena retornar ao palco e voltar a viver Beauvoir.
“E agora tem algo mais arquitetado também, algo se fortaleceu nesse caminho. Acho que melhorei”, disse, entre risos, expressando seu típico bom humor. Existe, além disso, um esgotamento físico de Fernanda durante o espetáculo (“Eu termino a peça suando. Eu não ando pelo palco, mas tenho que ter uma concentração enorme”) não somente pelo pensamento denso de sua personagem, mas também porque a atração toda é apresentada em forma de um monólogo - um desafio para qualquer ator, mas que enriquece sua experiência. “Todo ator tem que monologar diante da plateia em algum momento da carreira. É como viver ou morrer, uma experiência importante que precisa acontecer”, definiu.
Simone e Sartre
O livro Tête-à-Tête, de Hazel Rowley, obra que reúne correspondências em cartas de Simone de Beauvoir com Jean-Paul Sartre (1905 - 1980), filósofo, escritor e crítico francês, foi essencial para o nascimento de Vivendo em Tempos Mortos. A partir disso, Fernanda fez suas pesquisas e um aprofundado laboratório para dar veracidade à sua Simone no tablado. “Foi um trabalho de dois anos em cima da obra da Simone e do Sartre”, recordou. “Fiz um resumo de 200 páginas do que li; o que não é nada, é só um cheiro de uma vida que foi contada em cerca de seis volumes de biografias”.
Houve até mesmo um árduo trabalho para sintetizar os pensamentos prolixos, nada fáceis, vindas de uma mulher extremamente verborrágica, que com suas ideias mudou o mundo a partir da metade do século passado. “Como uma boa francesa, Simone pensava bem e falava claramente seu pensamento; um pensamento que contribuiu para que a humanidade fosse menos dividida. No seu tempo, o homem era absoluto e a mulher era o ‘outro’”, disse.
Para atriz, sem Simone e sem Sartre, não haveria a contracultura; não haveria as revoluções de 1968, não teriam possibilidades as grandes mudanças, que podemos vivenciar hoje. “Os dois contribuíram para uma mudança a partir de dois princípios: a liberdade e a verdade”, concluiu, fazendo uma breve análise do novo século. “Hoje, a coisa feminista ficou meio desagradada. Prefiro falar mais do feminino que, para mim, é a grande presença atualmente. O Brasil é um país matriarcal. Na vida contemporânea, a mulher tem tomado o espaço e assustado os homens”.
Plateia farta
Para quem já apresentou textos do dramaturgo irlandês [Samuel] Beckett (1906 - 1989) para uma plateia lotada na periferia do Rio de Janeiro, ter ou não ter um teatro cheio não é mais uma preocupação. “Quando fiz Beckett na periferia, a preço popular, vi a plateia vindo de ônibus, assistindo compenetrada, aplaudindo de pé e indo embora feliz para sua casa”, recordou.
Algo bem parecido aconteceu na primeira temporada de Viver Sem Tempos Mortos. “Fiquei surpresa ao ver uma plateia farta, interessada e integrada em tudo que estava acontecendo no palco”.
“Não podemos ‘preconceituar’ a capacidade de envolvimento de uma plateia dita inculta, periférica. Esse espetáculo me confirma que, todo trabalho que tenha clareza, é para todo tipo de público. Não se pode dirigir o que o povo tem que ver”, reclamou.
E quem quiser conferir a peça apenas para assistir à veterana Fernanda Montenegro no palco pode se surpreender com um espetáculo rico. Afinal, para a atriz, um grande nome em cima do palco não diz nada. “O público pode até ir ao teatro, mas se for para assistir uma porcaria de peça, ele levanta da cadeira e vai embora”, ressaltou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Moscovis mergulha no universo infantil
Eduardo Moscovis estreia peça infantil em São Paulo e fala da importância da paternidade na construção de seu personagem no espetáculo em entrevista à CARAS Online
Após temporada (bem sucedida) no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, Eduardo Moscovis (43) traz a São Paulo a peça O Menino que Vendia Palavras, cuja estreia aconteceu na tarde deste sábado, 24, no Teatro Frei Caneca, na capital paulista. O espetáculo, que permanece em cartaz até 20 de novembro, é baseado em livro homônimo de Ignácio de Loyola Brandão (75) e conta a história de um garoto (vivido pelo ator Pablo Sanábio) e seu encantamento pelo mundo do significado das palavras.
Pai de Sofia (10), Gabriela (12) (frutos de seu relacionamento com a produtora Roberta Richards) e Manoela (4), sua filha com Cynthia Howlett (34), que está grávida de três meses do terceiro filho do ator, Moscovis contou em entrevista à CARAS Online que seu lado paterno o ajudou muito na construção do personagem – um zeloso pai, muito culto e inteligente, que incentiva o filho a se familiarizar mais com as palavras. “Ele é um pai muito próximo, daqueles que estimulam a curiosidade do filho. Ao mesmo tempo, é um cara bem verdadeiro. O filho pensa que ele sabe de tudo e quando ele diz não conhecer o significado de uma palavra, mostra o quanto verdadeiro ele é”, definiu, enumerando as qualidades que tenta demonstrar em sua casa e na convivência com os filhos.
“Meu envolvimento com esse universo infantil já existe há algum tempo. Eu tenho filhos, já habito esse mundo e também assisti a muitas peças infantis. Ter filhos foi um ponto de partida, meio caminho andado. Uma determinante para que o espetáculo tivesse um leque de interesses bem aberto”, contou.
Moscovis ainda dá vida a um segundo personagem, João Perneta, que faz parte a turma de amiguinhos do garoto-protagonista da peça. “O João funciona quase como um antagonista. Ele está sempre colocando o personagem principal contra a parede ou tentando desmascarar o pai do menino”.
O Menino que Vendia Palavras traz ainda em seu elenco Letícia Colin, Renato Linhares, Luciana Froés e Raquel Rocha.
Para todas as idades
Durante os ensaios do espetáculo, Eduardo Moscovis, juntamente com o elenco, chegou a conclusão de que a peça não teria uma definição que pudesse ser encaixada em uma faixa etária específica.
“É um espetáculo que consegue se comunicar com crianças menores, de 3 a 4 anos, e também com um público de 6 a 7 anos que está se alfabetizando e já entende um pouco de nossas brincadeiras”, explicou. “Os próprios pais também se divertem”.
A peça conta com recursos que enriquecem ainda mais o universo lúdico apresentado no palco. O Menino que Vendia Palavras é feito com muitas cores, pinturas, retro projeções e até mesmo teatro de sombra. A interatividade entre atores e plateia também garante o divertimento. “A história é contada através de muitas brincadeiras e jogos com o público. No início, era para ser algo só entre a gente [elenco] mas, fomos percebendo que a plateia sempre se manifestava, e não precisamos fazer nenhuma força para ter essa participação, simplesmente o público se sente estimulado. É ótimo, uma delícia”, concluiu.
“Me dedico ao máximo”
Moscovis aguarda com muita ansiedade a chegada do quarto filho. “É muita expectativa; expectativa boa, lógico”, comentou. Grávida de três meses, Cynthia Howlett ainda não sabe o sexo do bebê e, por isso, o casal ainda não conversou sobre possíveis nomes para a criança.
Em casa com a pequena Manoela, primeira filha de seu atual casamento, o ator se definiu como um paizão daqueles, que faz questão de auxiliar na criação dos herdeiros ao lado da mãe. “Eu participo sempre que posso e me dedico ao máximo”, acrescentou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Após temporada (bem sucedida) no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, Eduardo Moscovis (43) traz a São Paulo a peça O Menino que Vendia Palavras, cuja estreia aconteceu na tarde deste sábado, 24, no Teatro Frei Caneca, na capital paulista. O espetáculo, que permanece em cartaz até 20 de novembro, é baseado em livro homônimo de Ignácio de Loyola Brandão (75) e conta a história de um garoto (vivido pelo ator Pablo Sanábio) e seu encantamento pelo mundo do significado das palavras.
Pai de Sofia (10), Gabriela (12) (frutos de seu relacionamento com a produtora Roberta Richards) e Manoela (4), sua filha com Cynthia Howlett (34), que está grávida de três meses do terceiro filho do ator, Moscovis contou em entrevista à CARAS Online que seu lado paterno o ajudou muito na construção do personagem – um zeloso pai, muito culto e inteligente, que incentiva o filho a se familiarizar mais com as palavras. “Ele é um pai muito próximo, daqueles que estimulam a curiosidade do filho. Ao mesmo tempo, é um cara bem verdadeiro. O filho pensa que ele sabe de tudo e quando ele diz não conhecer o significado de uma palavra, mostra o quanto verdadeiro ele é”, definiu, enumerando as qualidades que tenta demonstrar em sua casa e na convivência com os filhos.
“Meu envolvimento com esse universo infantil já existe há algum tempo. Eu tenho filhos, já habito esse mundo e também assisti a muitas peças infantis. Ter filhos foi um ponto de partida, meio caminho andado. Uma determinante para que o espetáculo tivesse um leque de interesses bem aberto”, contou.
Moscovis ainda dá vida a um segundo personagem, João Perneta, que faz parte a turma de amiguinhos do garoto-protagonista da peça. “O João funciona quase como um antagonista. Ele está sempre colocando o personagem principal contra a parede ou tentando desmascarar o pai do menino”.
O Menino que Vendia Palavras traz ainda em seu elenco Letícia Colin, Renato Linhares, Luciana Froés e Raquel Rocha.
Para todas as idades
Durante os ensaios do espetáculo, Eduardo Moscovis, juntamente com o elenco, chegou a conclusão de que a peça não teria uma definição que pudesse ser encaixada em uma faixa etária específica.
“É um espetáculo que consegue se comunicar com crianças menores, de 3 a 4 anos, e também com um público de 6 a 7 anos que está se alfabetizando e já entende um pouco de nossas brincadeiras”, explicou. “Os próprios pais também se divertem”.
A peça conta com recursos que enriquecem ainda mais o universo lúdico apresentado no palco. O Menino que Vendia Palavras é feito com muitas cores, pinturas, retro projeções e até mesmo teatro de sombra. A interatividade entre atores e plateia também garante o divertimento. “A história é contada através de muitas brincadeiras e jogos com o público. No início, era para ser algo só entre a gente [elenco] mas, fomos percebendo que a plateia sempre se manifestava, e não precisamos fazer nenhuma força para ter essa participação, simplesmente o público se sente estimulado. É ótimo, uma delícia”, concluiu.
“Me dedico ao máximo”
Moscovis aguarda com muita ansiedade a chegada do quarto filho. “É muita expectativa; expectativa boa, lógico”, comentou. Grávida de três meses, Cynthia Howlett ainda não sabe o sexo do bebê e, por isso, o casal ainda não conversou sobre possíveis nomes para a criança.
Em casa com a pequena Manoela, primeira filha de seu atual casamento, o ator se definiu como um paizão daqueles, que faz questão de auxiliar na criação dos herdeiros ao lado da mãe. “Eu participo sempre que posso e me dedico ao máximo”, acrescentou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Mariana Ximenes encara anoréxica no palco
Em seu retorno aos palcos do teatro, após nove anos de hiato, Mariana Ximenes dá vida a uma personagem de complexidade ímpar: Sidney, uma atriz neurótica, histérica, que sofre de anorexia. “Falei com uma psicanalista para entender mais sobre a doença”, contou em entrevista a CARAS Online
Nove anos se passaram desde que Mariana Ximenes (30) pisou pela última vez no tablado, isso em 2000, quando atuou em A Rosa Tatuada. Na próxima sexta-feira, 16, no Teatro Augusta, em São Paulo, a atriz retorna aos palcos em um papel provocador – motivo que fez Mariana, que continuou frequentando o teatro, mas como expectadora – pular da plateia para a cena.
“Eu venho do teatro, foi onde comecei, e sempre fui apaixonada por ele. No caminho, surgiram bons projetos para a televisão e para o cinema, e acabei me afastando do teatro como atriz, mas nunca como expectadora”, complementa Mariana em entrevista à CARAS Online. Prova da fidelidade da atriz com o universo cênico foi a viagem que fez até Canudos, no interior da Bahia, para conferir a adaptação de Os Sertões pelo Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa (74).
Agora, em 2011, ela estrela Os Altruístas, peça baseada em texto do dramaturgo Nicky Silver e com direção de Guilherme Weber (36), que também é ator. Foi justamente o trabalho de Weber no teatro que despertou a vontade em Ximenes em retomar a carreira no tablado. “Senti uma vontade de trabalhar com as diferentes linguagens abordadas pela companhia de teatro fundada por Weber [a Sutil Companhia de Teatro, criada em 1993 em parceria com Felipe Hirsch]. Ele trabalha com um repertório que eu nunca consegui acessar como atriz. Além disso, o texto é provocativo e tem um jogo cênico interessante que pede que os atores estejam sintonizados a todo o momento”, afirmou com exatidão.
No palco, ela é Sidney, uma atriz de novela neurótica, histérica, anoréxica, carente e que tem uma relação doentia com a vida. Resumindo, Ximenes dá vida a uma personagem de densidade ímpar. “E que traduz muito bem as personagens escritas por Nicky Silver. Ela é super verborrágica e tem um ritmo de humor ácido e muito feroz”, acrescentou.
Para dar veracidade a essa mulher intensa, a atriz mergulhou em um processo de descoberta e referências. “Eu falei com uma psicanalista para entender mais sobre a bulimia e anorexia, precisava entender o problema”, disse. Orientada por Weber, Ximenes ainda coletou inspirações diversas para o papel que permearam desde o teatro expressionista alemão, passando pelas mulheres de Alfred Hitchcock (1899 - 1980), e chegando até as estrelas-travestis de Andy Warhol (1928 - 1987). “O Guilherme quis exercitar uma linguagem teatro diferente comigo e pediu que eu pensasse que era um homem interpretando essa mulher no palco”, explicou.
Para Weber, essa mistura é o que garante a originalidade de seu trabalho. “Hoje em dia é difícil esse processo de criação; temos muitas referências e não dá para trabalhar sem elas. Mas acho que, ao colocar em conflito essas inspirações, conseguimos alcançar um ineditismo”, explicou o diretor.
Semelhanças?
Ximenes quis deixar bem claro que a única semelhança que encontrou com Sidney foi o fato de as duas serem atrizes de novela. Esse detalhe garantiu, ainda mais, a atração de Mariana por esse projeto e, para Guilherme, a certeza de que escalá-la para a peça daria um resultado interessante.
“Achei interessante trabalhar esse lado metalinguístico ao viver atriz de novela no teatro”, contou Ximenes, sendo complementada por seu diretor. “É quase um fetiche ter uma atriz vivendo uma atriz em sua peça”, riu.
“No geral, fico feliz de ter reunido um elenco tão brilhante. Acho que o trabalho de um diretor começa com a escalação do elenco e poder contar com esses atores foi uma chama atrativa. Eu sabia que essas vozes diferentes em um lugar comum resultariam em um embate interessante”, resumiu.
Os Altruístas traz ainda em seu elenco Kiko Mascarenhas, Miguel Thiré, Jonathan Haagensen e Stella Rabello.
Politicamente incorreto
Para o diretor Guilherme Weber, o texto de Nicky Silver ‘desperta o que temos de pior’. “É uma peça politicamente incorreta”, definiu.
O universo do dramaturgo norte-americano, acrescenta ainda Weber, transita em um tipo de humor bastante atraente para um artista. “É um humor demolidor, satírico, quase difícil de expressar”, sintetizou. “Mas, acho que é esse humor que faz uma sociedade mais atenta. Hoje, estamos vendo uma abertura maior no Brasil a esse tipo de comédia, vide o stand up comedy e humoristas como Danilo Gentili (31) e Rafinha Bastos (34) na televisão. É bom poder abrir esse espaço para discussões como as que são abordadas na peça”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Nove anos se passaram desde que Mariana Ximenes (30) pisou pela última vez no tablado, isso em 2000, quando atuou em A Rosa Tatuada. Na próxima sexta-feira, 16, no Teatro Augusta, em São Paulo, a atriz retorna aos palcos em um papel provocador – motivo que fez Mariana, que continuou frequentando o teatro, mas como expectadora – pular da plateia para a cena.
“Eu venho do teatro, foi onde comecei, e sempre fui apaixonada por ele. No caminho, surgiram bons projetos para a televisão e para o cinema, e acabei me afastando do teatro como atriz, mas nunca como expectadora”, complementa Mariana em entrevista à CARAS Online. Prova da fidelidade da atriz com o universo cênico foi a viagem que fez até Canudos, no interior da Bahia, para conferir a adaptação de Os Sertões pelo Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa (74).
Agora, em 2011, ela estrela Os Altruístas, peça baseada em texto do dramaturgo Nicky Silver e com direção de Guilherme Weber (36), que também é ator. Foi justamente o trabalho de Weber no teatro que despertou a vontade em Ximenes em retomar a carreira no tablado. “Senti uma vontade de trabalhar com as diferentes linguagens abordadas pela companhia de teatro fundada por Weber [a Sutil Companhia de Teatro, criada em 1993 em parceria com Felipe Hirsch]. Ele trabalha com um repertório que eu nunca consegui acessar como atriz. Além disso, o texto é provocativo e tem um jogo cênico interessante que pede que os atores estejam sintonizados a todo o momento”, afirmou com exatidão.
No palco, ela é Sidney, uma atriz de novela neurótica, histérica, anoréxica, carente e que tem uma relação doentia com a vida. Resumindo, Ximenes dá vida a uma personagem de densidade ímpar. “E que traduz muito bem as personagens escritas por Nicky Silver. Ela é super verborrágica e tem um ritmo de humor ácido e muito feroz”, acrescentou.
Para dar veracidade a essa mulher intensa, a atriz mergulhou em um processo de descoberta e referências. “Eu falei com uma psicanalista para entender mais sobre a bulimia e anorexia, precisava entender o problema”, disse. Orientada por Weber, Ximenes ainda coletou inspirações diversas para o papel que permearam desde o teatro expressionista alemão, passando pelas mulheres de Alfred Hitchcock (1899 - 1980), e chegando até as estrelas-travestis de Andy Warhol (1928 - 1987). “O Guilherme quis exercitar uma linguagem teatro diferente comigo e pediu que eu pensasse que era um homem interpretando essa mulher no palco”, explicou.
Para Weber, essa mistura é o que garante a originalidade de seu trabalho. “Hoje em dia é difícil esse processo de criação; temos muitas referências e não dá para trabalhar sem elas. Mas acho que, ao colocar em conflito essas inspirações, conseguimos alcançar um ineditismo”, explicou o diretor.
Semelhanças?
Ximenes quis deixar bem claro que a única semelhança que encontrou com Sidney foi o fato de as duas serem atrizes de novela. Esse detalhe garantiu, ainda mais, a atração de Mariana por esse projeto e, para Guilherme, a certeza de que escalá-la para a peça daria um resultado interessante.
“Achei interessante trabalhar esse lado metalinguístico ao viver atriz de novela no teatro”, contou Ximenes, sendo complementada por seu diretor. “É quase um fetiche ter uma atriz vivendo uma atriz em sua peça”, riu.
“No geral, fico feliz de ter reunido um elenco tão brilhante. Acho que o trabalho de um diretor começa com a escalação do elenco e poder contar com esses atores foi uma chama atrativa. Eu sabia que essas vozes diferentes em um lugar comum resultariam em um embate interessante”, resumiu.
Os Altruístas traz ainda em seu elenco Kiko Mascarenhas, Miguel Thiré, Jonathan Haagensen e Stella Rabello.
Politicamente incorreto
Para o diretor Guilherme Weber, o texto de Nicky Silver ‘desperta o que temos de pior’. “É uma peça politicamente incorreta”, definiu.
O universo do dramaturgo norte-americano, acrescenta ainda Weber, transita em um tipo de humor bastante atraente para um artista. “É um humor demolidor, satírico, quase difícil de expressar”, sintetizou. “Mas, acho que é esse humor que faz uma sociedade mais atenta. Hoje, estamos vendo uma abertura maior no Brasil a esse tipo de comédia, vide o stand up comedy e humoristas como Danilo Gentili (31) e Rafinha Bastos (34) na televisão. É bom poder abrir esse espaço para discussões como as que são abordadas na peça”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Vilões na TV provocam risos no teatro
Beatriz Segall e Herson Capri, intérpretes de grandes vilões na TV brasileira, encenam ‘Conversando com Mamãe’, peça em que os atores vivem mãe e filho e divertem a plateia com situações comuns às relações familiares
Dois intérpretes de grandes vilões da teledramaturgia, Herson Capri (58), o Cortez de Insensato Coração, e Beatriz Segall (85), a Odete Roitman de Vale Tudo - por muitos considerada a maior vilã que já apareceu em um folhetim brasileiro - se reúnem no palco do teatro para surpreender o público que, ao invés de ver as vilanias de seus personagens memoráveis, dará risada das situações inusitadas propostas em Conversando com Mamãe, obra de Santiago Oves adaptada para o tablado por Susana Garcia e que estreia no Teatro Folha, em São Paulo, na sexta-feira, 2.
“Os personagens que interpretamos são completamente diferentes do Cortez e da Odete Roitman. Estamos uns doces nessa peça (risos). Muito carismáticos e falando sobre relações familiares; tipo de assunto que o público poderá se identificar”, adiantou Herson, radiante por dividir o palco com a veterana. “Quando fazemos um personagem tão marcante, como fiz com a Odete, ficamos enraizados. E o público acaba esperando ver isso sempre. Será uma grande surpresa porque eu e o Herson vamos mostrar outra coisa nessa peça”, complementou Beatriz. Embora ambos atores tenham adorado dar vida à vilões em diferentes fases da carreira (“sem um bom vilão, a trama não anda”, justificou Herson), a veterana garante que a simpatia do grande público depende de um bom personagem, independente de seu caráter. “Só recebi elogios com a Odete Roitman, o público adorava aquela personagem porque ela sempre dizia as verdades sobre esse Brasil. Tem gente que até hoje sabe as falas dela de cor”.
Além de doces, Herson e Beatriz estão extremamente hilários em Conversando com Mamãe. Situações inusitadas entre mãe e filho, que permeiam o texto, vão garantir risadas e emocionar a plateia. A reação do público, já sentida pelo elenco durante a temporada de nove meses da obra no Rio de Janeiro, no entanto não era esperada pelos atores. “Fiquei muito surpresa com as risadas vindas dos expectadores, porque a peça foi pensada de forma séria; não achamos que seria para rir e nem tentamos imprimir esse ar de comicidade”, contou. “Dez dias antes da estreia no Rio, fizemos uma sessão só para os técnicos da peça. E eles riram. Pensei comigo: ‘Estão rindo do quê? Será que querem nos incentivar?”, disse ainda, com muito bom humor. “Não nos demos conta de que isso poderia acontecer”.
Na história, Herson vive Jaime, um cinquentão bem-sucedido, casado, com dois filhos. Por conta de uma crise econômica, ele perde o emprego e seu mundo desaba. Tendo ao seu lado somente a mãe, uma senhora inteligente, divertida e muito moderna, Jaime decide vender a casa em que vive com a matriarca – escolha que irá desencadear várias discussões, reflexões e ressaltará a importância das questões familiares na vida do ser humano.
“É uma história de mãe e filhos que se gostam muito, mas se desentendem, brigam, para poder se entenderem de novo”, explica Beatriz. “A mãe que eu faço é uma mulher muito simples e que, ao passar por grandes mudanças em sua vida, acabou ficando mais forte e menos medrosa que o filho”. Essa força de mulher, recorda Capri, foi mentalizada logo que o ator pensou em Segall como protagonista da obra. “O meu personagem perde tudo e se vê a beira do desespero, encontrando apoio em sua mãe; logo pensei na Beatriz para interpretá-la. Beatriz dispensa apresentações; ela é uma grande fatia do nosso teatro brasileiro e estar trabalhando com ela é um gosto. Nós estamos a favor dessa peça, desse texto, dessa história. Não existe nenhum ego nosso à frente disso e, nesse ponto, nós dois combinamos; dentro e fora de cena também”, completou.
Essa admiração, acrescenta Segall, é mútua. “No final de toda apresentação, eu e o Herson nos unimos e agradecemos os espectadores. Depois, ele se afasta e deixa que o público me aplauda sozinha. Nunca vi isso acontecer no teatro. Está sendo muito prazeroso esse período de trabalho”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Dois intérpretes de grandes vilões da teledramaturgia, Herson Capri (58), o Cortez de Insensato Coração, e Beatriz Segall (85), a Odete Roitman de Vale Tudo - por muitos considerada a maior vilã que já apareceu em um folhetim brasileiro - se reúnem no palco do teatro para surpreender o público que, ao invés de ver as vilanias de seus personagens memoráveis, dará risada das situações inusitadas propostas em Conversando com Mamãe, obra de Santiago Oves adaptada para o tablado por Susana Garcia e que estreia no Teatro Folha, em São Paulo, na sexta-feira, 2.
“Os personagens que interpretamos são completamente diferentes do Cortez e da Odete Roitman. Estamos uns doces nessa peça (risos). Muito carismáticos e falando sobre relações familiares; tipo de assunto que o público poderá se identificar”, adiantou Herson, radiante por dividir o palco com a veterana. “Quando fazemos um personagem tão marcante, como fiz com a Odete, ficamos enraizados. E o público acaba esperando ver isso sempre. Será uma grande surpresa porque eu e o Herson vamos mostrar outra coisa nessa peça”, complementou Beatriz. Embora ambos atores tenham adorado dar vida à vilões em diferentes fases da carreira (“sem um bom vilão, a trama não anda”, justificou Herson), a veterana garante que a simpatia do grande público depende de um bom personagem, independente de seu caráter. “Só recebi elogios com a Odete Roitman, o público adorava aquela personagem porque ela sempre dizia as verdades sobre esse Brasil. Tem gente que até hoje sabe as falas dela de cor”.
Além de doces, Herson e Beatriz estão extremamente hilários em Conversando com Mamãe. Situações inusitadas entre mãe e filho, que permeiam o texto, vão garantir risadas e emocionar a plateia. A reação do público, já sentida pelo elenco durante a temporada de nove meses da obra no Rio de Janeiro, no entanto não era esperada pelos atores. “Fiquei muito surpresa com as risadas vindas dos expectadores, porque a peça foi pensada de forma séria; não achamos que seria para rir e nem tentamos imprimir esse ar de comicidade”, contou. “Dez dias antes da estreia no Rio, fizemos uma sessão só para os técnicos da peça. E eles riram. Pensei comigo: ‘Estão rindo do quê? Será que querem nos incentivar?”, disse ainda, com muito bom humor. “Não nos demos conta de que isso poderia acontecer”.
Na história, Herson vive Jaime, um cinquentão bem-sucedido, casado, com dois filhos. Por conta de uma crise econômica, ele perde o emprego e seu mundo desaba. Tendo ao seu lado somente a mãe, uma senhora inteligente, divertida e muito moderna, Jaime decide vender a casa em que vive com a matriarca – escolha que irá desencadear várias discussões, reflexões e ressaltará a importância das questões familiares na vida do ser humano.
“É uma história de mãe e filhos que se gostam muito, mas se desentendem, brigam, para poder se entenderem de novo”, explica Beatriz. “A mãe que eu faço é uma mulher muito simples e que, ao passar por grandes mudanças em sua vida, acabou ficando mais forte e menos medrosa que o filho”. Essa força de mulher, recorda Capri, foi mentalizada logo que o ator pensou em Segall como protagonista da obra. “O meu personagem perde tudo e se vê a beira do desespero, encontrando apoio em sua mãe; logo pensei na Beatriz para interpretá-la. Beatriz dispensa apresentações; ela é uma grande fatia do nosso teatro brasileiro e estar trabalhando com ela é um gosto. Nós estamos a favor dessa peça, desse texto, dessa história. Não existe nenhum ego nosso à frente disso e, nesse ponto, nós dois combinamos; dentro e fora de cena também”, completou.
Essa admiração, acrescenta Segall, é mútua. “No final de toda apresentação, eu e o Herson nos unimos e agradecemos os espectadores. Depois, ele se afasta e deixa que o público me aplauda sozinha. Nunca vi isso acontecer no teatro. Está sendo muito prazeroso esse período de trabalho”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Tiago Abravanel: “Não quero perder a essência”
Na pele Tim Maia nos palcos do teatro, Tiago Abravanel, neto de Silvio Santos, vive a loucura da fama repentina. Ator conta que aprendeu a se defender com o ícone da música. “Tim conquistou tanta coisa, que acabou se perdendo”, afirmou
Desde a infância humilde, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, passando pelos momentos de glória ao eternizar seu nome na história da música brasileira, até a trágica e inesperada morte em 1998, a vida de Tim Maia (1942 – 1998) tem várias fases. Muitos atores poderiam interpretar cada etapa desse cantor ícone, que explorou todos os limites em sua passagem brilhante, marcante, porém, cheias de consequências.
No palco do Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio, somente um intérprete assume sua forma por completo na peça Tim Maia – Vale Tudo, o Musical. Tiago Abravanel (23), neto do empresário e rei da televisão Silvio Santos (80), enfrentou os riscos e tomou para si a responsabilidade de dar vida a um medalhão da MPB. Sozinho. “Essa foi a maior dificuldade. Em um período de três horas, eu faço todas as fases dele, dos 12 aos 55 anos, sem nenhum artifício, maquiagem, enchimento nem nada. Me atentei a isso. Tem momentos em que eu preciso engrossar a voz, porque ele está mais velho, ou então tomar outra postura, porque ele está mais gordo. O público sempre acha que existem truques aí, fico feliz ao ouvir isso, indica que consegui cumprir essa missão”, revelou o ator em entrevista exclusiva a CARAS Online.
Tiago estava gravando a novela Amor e Revolução, em São Paulo, quando soube das audições de elenco para o musical. Interessado, ele enviou um material para os produtores como quem não quer nada, já que tinha informações de que o casting estava completo. Dias depois, um dos produtores ligou para o jovem, dizendo que já tinha até pensando nele para o papel e perguntando se ele não gostaria de ir até o Rio de Janeiro fazer um teste. Tiago foi aceito e, antes de deixar a capital paulista, ligou para Tiago Santiago (48), autor de Amor e Revolução. “Tiago ficou triste e feliz ao mesmo tempo; feliz por eu ter conseguido esse trabalho, e triste porque eu teria que deixar a novela”. Já no Rio, o ator mergulhou de cabeça nos ensaios logo que chegou.
“Foi uma loucura! Montamos o espetáculo inteiro em um mês e meio, apesar de pouco tempo, o processo foi muito intenso”, recordou. O timbre de voz e aparência física, claro, ajudaram Tiago a conquistar um papel que muitos atores fariam de tudo para conseguir. No entanto, a sensibilidade de perceber um Tim Maia além de sua música e polêmicas foi decisivo para que o intérprete subisse ao palco com autonomia. “No primeiro dia de ensaio, o diretor [João Fonseca] falou que não queria nenhuma cópia do Tim Maia. E a minha preocupação era justamente não me tornar um cover dele no palco. Eu criei o meu Tim. Um pouco mais sensível, desprendido e que amava fazer tudo o que ele fazia”, contou Tiago.
No processo de preparação, Abravanel bebeu na fonte vasta de material do ícone, como entrevistas, shows e depoimentos de artistas e familiares, tendo como referência maior a biografia de Tim Maia escrita pelo jornalista Nelson Motta. Além de grandes sucessos de sua carreira, como Vale Tudo, Não Quero Dinheiro, Do Leme ao Pontal, o público também vai conhecer mais da história pessoal de Tim e aprender com as cabeçadas que o cantor deu na vida. Lições que Tiago toma para si toda vez que entra com as roupas brilhantes e o cabelo desarrumado como do artista.
“Em um paralelo muito menor, estou vivendo uma fase de loucura, de muita visibilidade e não sei se vale a pena ganhar o mundo e acabar perdendo a si mesmo. O Tim conquistou tanta coisa, que acabou se perdendo. Eu não quero perder a essência do Tiago, que é um cara divertido, que gosta de estar com todo mundo, que não tem papás na língua. Quero poder viver essa vida independente do sucesso. As relações humanas são mais importantes do que os flashes”, complementou o ator.
Vale lembrar, desde cedo Tiago viveu sob os holofotes. “Por ter o sobrenome que tenho, desde pequeno tive que lidar com essa questão. O que estava acontecendo comigo? Com o mundo ao meu redor? Quem eram as pessoas próximas a mim? Acho que fiquei carimbado por conta disso”, explicou Tiago que, finalizando, deixa uma definição para seu ídolo: “Um artista, mas acima de tudo, um ser humano sem limites”.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Desde a infância humilde, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, passando pelos momentos de glória ao eternizar seu nome na história da música brasileira, até a trágica e inesperada morte em 1998, a vida de Tim Maia (1942 – 1998) tem várias fases. Muitos atores poderiam interpretar cada etapa desse cantor ícone, que explorou todos os limites em sua passagem brilhante, marcante, porém, cheias de consequências.
No palco do Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio, somente um intérprete assume sua forma por completo na peça Tim Maia – Vale Tudo, o Musical. Tiago Abravanel (23), neto do empresário e rei da televisão Silvio Santos (80), enfrentou os riscos e tomou para si a responsabilidade de dar vida a um medalhão da MPB. Sozinho. “Essa foi a maior dificuldade. Em um período de três horas, eu faço todas as fases dele, dos 12 aos 55 anos, sem nenhum artifício, maquiagem, enchimento nem nada. Me atentei a isso. Tem momentos em que eu preciso engrossar a voz, porque ele está mais velho, ou então tomar outra postura, porque ele está mais gordo. O público sempre acha que existem truques aí, fico feliz ao ouvir isso, indica que consegui cumprir essa missão”, revelou o ator em entrevista exclusiva a CARAS Online.
Tiago estava gravando a novela Amor e Revolução, em São Paulo, quando soube das audições de elenco para o musical. Interessado, ele enviou um material para os produtores como quem não quer nada, já que tinha informações de que o casting estava completo. Dias depois, um dos produtores ligou para o jovem, dizendo que já tinha até pensando nele para o papel e perguntando se ele não gostaria de ir até o Rio de Janeiro fazer um teste. Tiago foi aceito e, antes de deixar a capital paulista, ligou para Tiago Santiago (48), autor de Amor e Revolução. “Tiago ficou triste e feliz ao mesmo tempo; feliz por eu ter conseguido esse trabalho, e triste porque eu teria que deixar a novela”. Já no Rio, o ator mergulhou de cabeça nos ensaios logo que chegou.
“Foi uma loucura! Montamos o espetáculo inteiro em um mês e meio, apesar de pouco tempo, o processo foi muito intenso”, recordou. O timbre de voz e aparência física, claro, ajudaram Tiago a conquistar um papel que muitos atores fariam de tudo para conseguir. No entanto, a sensibilidade de perceber um Tim Maia além de sua música e polêmicas foi decisivo para que o intérprete subisse ao palco com autonomia. “No primeiro dia de ensaio, o diretor [João Fonseca] falou que não queria nenhuma cópia do Tim Maia. E a minha preocupação era justamente não me tornar um cover dele no palco. Eu criei o meu Tim. Um pouco mais sensível, desprendido e que amava fazer tudo o que ele fazia”, contou Tiago.
No processo de preparação, Abravanel bebeu na fonte vasta de material do ícone, como entrevistas, shows e depoimentos de artistas e familiares, tendo como referência maior a biografia de Tim Maia escrita pelo jornalista Nelson Motta. Além de grandes sucessos de sua carreira, como Vale Tudo, Não Quero Dinheiro, Do Leme ao Pontal, o público também vai conhecer mais da história pessoal de Tim e aprender com as cabeçadas que o cantor deu na vida. Lições que Tiago toma para si toda vez que entra com as roupas brilhantes e o cabelo desarrumado como do artista.
“Em um paralelo muito menor, estou vivendo uma fase de loucura, de muita visibilidade e não sei se vale a pena ganhar o mundo e acabar perdendo a si mesmo. O Tim conquistou tanta coisa, que acabou se perdendo. Eu não quero perder a essência do Tiago, que é um cara divertido, que gosta de estar com todo mundo, que não tem papás na língua. Quero poder viver essa vida independente do sucesso. As relações humanas são mais importantes do que os flashes”, complementou o ator.
Vale lembrar, desde cedo Tiago viveu sob os holofotes. “Por ter o sobrenome que tenho, desde pequeno tive que lidar com essa questão. O que estava acontecendo comigo? Com o mundo ao meu redor? Quem eram as pessoas próximas a mim? Acho que fiquei carimbado por conta disso”, explicou Tiago que, finalizando, deixa uma definição para seu ídolo: “Um artista, mas acima de tudo, um ser humano sem limites”.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Fafy Siqueira e os grilos para viver Dercy
Escalada para viver Dercy Gonçalves na minissérie que contará a vida da humorista, Fafy Siqueira fala da dificuldade deste novo trabalho e desabafa sobre uma peça de teatro, em homenagem a amiga, que nunca saiu do papel. “Sempre levo porta na cara, ouvindo: ‘Ah, mas a Dercy falava muito palavrão’”
Se tem alguém com mais preparo e talento para viver Dercy Gonçalves (1907 - 2008) na televisão brasileira esse alguém é Fafy Siqueira (56). Não a toa a atriz foi chamada para dar vida a humorista em 2009, quando estrelou o seriado Dalva e Herivelto.
Na mesma linha de dramaturgia, a Rede Globo pretende estreiar, ainda neste ano, uma minissérie cujo foco é a atriz e cantora, original do teatro de revista no teatro brasileiro, que não tinha papas na língua e divertia o público com seus comentários por ora hilários e por ora muito contundentes.
Fafy, que começa a gravar a atração a partir do mês que vem, volta a pisar em território já bem conhecido. “Não preciso de mais nada para viver a Dercy. Faço isso há quatro anos, desde que fui convidada pessoalmente por ela para viver sua história no teatro”, contou a intérprete em entrevista exclusiva a CARAS Online. Em 2007, a prestigiada escritora Maria Adelaide Amaral (que assina o roteiro para o seriado), escreveu Dercy por Fafy, peça estrelada pela artista em homenagem a esse grande nome do humor brasileiro.
Apesar do esforço e da boa vontade de Maria e Fafy em colocar no tablado a história de Dercy Gonçalves, o projeto acabou ficando engavetado. “Desde 2007 venho tentando um patrocínio para fazer essa peça. Sempre levo porta na cara, ouvindo: ‘Ah, mas a Dercy falava muito palavrão’. E eu repetia o que ela sempre dizia: ‘Palavrão é o Senado roubando o povo!’”. Embora não tenha conseguido tirar a peça do papel, o fato de uma minissérie estar sendo produzido já é uma vitória. “O que me atraiu no projeto foi essa coragem da TV Globo e o talento da maior escritora do Brasil, Maria Adelaide, em mostrar a vida da artista mais popular da história deste país”, completou.
Amiga próxima de Dercy (“eu vivia na casa dela”, contou), Siqueira já tem parte do processo, para encanar a humorista, encaminhado – em um laboratório que teve início em 2009, por conta da minissérie. “Ali sim eu estudei muito. Passei por todos os grilos que uma atriz passa ao viver um personagem tão forte. Me tranquei por três dias em um hotel e até cheguei a discutir com a Dercy”. O esforço, sobretudo, foi válido. “No primeiro dia de gravação, fui me arrumar e quando o Dennis Carvalho gritou ‘gravando’, eu fiquei igualzinha a ela”, recordou.
Fafy vai dividir as telas com outro grande talento da comédia, Heloísa Perissé (45) que já falou sobre a série para a CARAS Online. Questionada sobre a colega de cena, Fafy é só elogios. “A ‘Lolô’ é uma intuição de que fará bem, pois o humor da Heloisa é do mesmo tom que o meu. Temos a mesma energia e os mesmos cacoetes de Dercy . Ela fará uma Dercy jovem maravilhosa”, disse.
Antes de entrar em estúdio para realizar parte do projeto que tanto sonhou em tirar do papel, em tributo a uma amiga de anos, Fafy mantém a tranquilidade de que uma história como a que está prestes a contar, não tem como dar errado. Afinal, apesar da língua solta, Dercy é um ícone da cultura brasileira e merece todos as homenagens. “Antes da Dercy a mulher só servia para preparar a piada para o homem fazer. Ela era a única protagonista mulher”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Se tem alguém com mais preparo e talento para viver Dercy Gonçalves (1907 - 2008) na televisão brasileira esse alguém é Fafy Siqueira (56). Não a toa a atriz foi chamada para dar vida a humorista em 2009, quando estrelou o seriado Dalva e Herivelto.
Na mesma linha de dramaturgia, a Rede Globo pretende estreiar, ainda neste ano, uma minissérie cujo foco é a atriz e cantora, original do teatro de revista no teatro brasileiro, que não tinha papas na língua e divertia o público com seus comentários por ora hilários e por ora muito contundentes.
Fafy, que começa a gravar a atração a partir do mês que vem, volta a pisar em território já bem conhecido. “Não preciso de mais nada para viver a Dercy. Faço isso há quatro anos, desde que fui convidada pessoalmente por ela para viver sua história no teatro”, contou a intérprete em entrevista exclusiva a CARAS Online. Em 2007, a prestigiada escritora Maria Adelaide Amaral (que assina o roteiro para o seriado), escreveu Dercy por Fafy, peça estrelada pela artista em homenagem a esse grande nome do humor brasileiro.
Apesar do esforço e da boa vontade de Maria e Fafy em colocar no tablado a história de Dercy Gonçalves, o projeto acabou ficando engavetado. “Desde 2007 venho tentando um patrocínio para fazer essa peça. Sempre levo porta na cara, ouvindo: ‘Ah, mas a Dercy falava muito palavrão’. E eu repetia o que ela sempre dizia: ‘Palavrão é o Senado roubando o povo!’”. Embora não tenha conseguido tirar a peça do papel, o fato de uma minissérie estar sendo produzido já é uma vitória. “O que me atraiu no projeto foi essa coragem da TV Globo e o talento da maior escritora do Brasil, Maria Adelaide, em mostrar a vida da artista mais popular da história deste país”, completou.
Amiga próxima de Dercy (“eu vivia na casa dela”, contou), Siqueira já tem parte do processo, para encanar a humorista, encaminhado – em um laboratório que teve início em 2009, por conta da minissérie. “Ali sim eu estudei muito. Passei por todos os grilos que uma atriz passa ao viver um personagem tão forte. Me tranquei por três dias em um hotel e até cheguei a discutir com a Dercy”. O esforço, sobretudo, foi válido. “No primeiro dia de gravação, fui me arrumar e quando o Dennis Carvalho gritou ‘gravando’, eu fiquei igualzinha a ela”, recordou.
Fafy vai dividir as telas com outro grande talento da comédia, Heloísa Perissé (45) que já falou sobre a série para a CARAS Online. Questionada sobre a colega de cena, Fafy é só elogios. “A ‘Lolô’ é uma intuição de que fará bem, pois o humor da Heloisa é do mesmo tom que o meu. Temos a mesma energia e os mesmos cacoetes de Dercy . Ela fará uma Dercy jovem maravilhosa”, disse.
Antes de entrar em estúdio para realizar parte do projeto que tanto sonhou em tirar do papel, em tributo a uma amiga de anos, Fafy mantém a tranquilidade de que uma história como a que está prestes a contar, não tem como dar errado. Afinal, apesar da língua solta, Dercy é um ícone da cultura brasileira e merece todos as homenagens. “Antes da Dercy a mulher só servia para preparar a piada para o homem fazer. Ela era a única protagonista mulher”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Peça de Ítalo Rossi virará tributo
'C'est la vie', peça com texto de Marcelo Rubens Paiva que teria direção de Ítalo Rossi, será retomada em formato de tributo ao ator. A jornalista Ester Jablonski, autora da biografia de Ítalo, está cuidando do projeto. 'Ítalo só existia em cima do palco'
Bom observador que era, Ítalo Rossi (1931 - 2011) visualizou um projeto de peça teatral pronto logo que ouviu falar das histórias recebidas, diariamente e aos montes, pelo Disque Denúncia – um serviço de utilidade pública que mantém o anonimato dos denunciantes.
Aos poucos, o projeto foi saindo do papel. Depois de muitas pesquisas, entrevistas e materiais colhidos, Marcelo Rubens Paiva (52) assinou o texto, Bráulio Mantovani (48) escreveu o prólogo e a jornalista Ester Jablonski foi fechando o elenco e dando forma a peça, batizada de C'est la vie, que o próprio Ítalo iria dirigir.
“É um espetáculo baseado em histórias humanas, histórias incríveis”, definiu Ester, ainda abalada com a morte do colega de anos. Por conta de sua relação com o veterano, a jornalista engatou um projeto para homenagear a vida e obra de Ítalo, escrevendo a biografia Ítalo Rossi – Isso É Tudo, em parceria com o diretor Antonio Gilberto.
“Não existia nenhuma publicação sobre o Ítalo publicada ainda. Queria fechar uma obra que contasse a história dele, com fotos inéditas, material garimpado de centros culturais e coisas que ninguém tinha. Por conta da minha parceria de 20 anos com o Ítalo e ajuda de amigos como Sérgio Britto e Ali Kamel o projeto tornou-se possível. Fico feliz por ter conseguido concluir isso com o Ítalo ainda em vida”, disse em entrevista exclusiva a CARAS Online.
Nada mais adequado do que Jablonski, então, assumir as rédeas do projeto inacabado deixado por Ítalo. “É a transmissão do trabalho dele. No dia do velório do Ítalo, nos reunimos com os atores, com a produção e com o Marcelo [Rubens Paiva] e fizemos uma verdadeira liturgia. Tomamos vinho e fizemos a leitura do texto. Foi emocionante! Marcamos o marco zero do trabalho ali, celebrando a morte e a vida de uma nova fase”, recordou.
A retomada da peça servirá não somente para dar continuidade a um projeto antigo do veterano, mas também para homenageá-lo da forma como merecia ser lembrado. “Será um espetáculo tributo. Vamos colocar fotos e montar uma ambientação toda especial”, adiantou Ester, que também está no corpo de elenco da obra, juntamente com Adriano Garib e Clement Viscaíno.
Feito os devidos ajustes, o desafio de Ester agora é eleger um diretor – à altura de Ítalo – para substituir o colega nessa missão. E não será fácil. “Ele era um diretor que conseguia visualizar um espetáculo inteiro. Ele não fazia pesquisas, porque já imaginava tudo, desde o figurino, até desenhos de luz e temperaturas. Nosso trabalho era somente decupar o que já estava na mente dele”, completou.
Embora ainda sem um diretor definido, C'est la vie já tem data agendada para chegar aos palcos cariocas. No dia 8 e 9 de setembro, a peça passará por uma curta temporada popular no teatro Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande – Rio de Janeiro, e depois faz uma apresentação no dia 15 do mesmo mês no Festival Internacional de Angra. Logo após, pega uma temporada até o dia 18 de dezembro no teatro da Casa da Gávea.
Ansiosa com o projeto, Ester espera agradar o grande Ítalo, que observa o empenho de seus amigos lá de cima. “Esperamos não envergonhá-lo (risos). Ítalo, para mim, só existia em cima do palco. O teatro era sua vida, não tem melhor maneira de homenageá-lo”, disse. “Sempre lembrarei dele sentado no sofá de casa, de shorts, tomando café, ouvindo as óperas que adorava e jogando conversa fora. Eram momentos de paz”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Bom observador que era, Ítalo Rossi (1931 - 2011) visualizou um projeto de peça teatral pronto logo que ouviu falar das histórias recebidas, diariamente e aos montes, pelo Disque Denúncia – um serviço de utilidade pública que mantém o anonimato dos denunciantes.
Aos poucos, o projeto foi saindo do papel. Depois de muitas pesquisas, entrevistas e materiais colhidos, Marcelo Rubens Paiva (52) assinou o texto, Bráulio Mantovani (48) escreveu o prólogo e a jornalista Ester Jablonski foi fechando o elenco e dando forma a peça, batizada de C'est la vie, que o próprio Ítalo iria dirigir.
“É um espetáculo baseado em histórias humanas, histórias incríveis”, definiu Ester, ainda abalada com a morte do colega de anos. Por conta de sua relação com o veterano, a jornalista engatou um projeto para homenagear a vida e obra de Ítalo, escrevendo a biografia Ítalo Rossi – Isso É Tudo, em parceria com o diretor Antonio Gilberto.
“Não existia nenhuma publicação sobre o Ítalo publicada ainda. Queria fechar uma obra que contasse a história dele, com fotos inéditas, material garimpado de centros culturais e coisas que ninguém tinha. Por conta da minha parceria de 20 anos com o Ítalo e ajuda de amigos como Sérgio Britto e Ali Kamel o projeto tornou-se possível. Fico feliz por ter conseguido concluir isso com o Ítalo ainda em vida”, disse em entrevista exclusiva a CARAS Online.
Nada mais adequado do que Jablonski, então, assumir as rédeas do projeto inacabado deixado por Ítalo. “É a transmissão do trabalho dele. No dia do velório do Ítalo, nos reunimos com os atores, com a produção e com o Marcelo [Rubens Paiva] e fizemos uma verdadeira liturgia. Tomamos vinho e fizemos a leitura do texto. Foi emocionante! Marcamos o marco zero do trabalho ali, celebrando a morte e a vida de uma nova fase”, recordou.
A retomada da peça servirá não somente para dar continuidade a um projeto antigo do veterano, mas também para homenageá-lo da forma como merecia ser lembrado. “Será um espetáculo tributo. Vamos colocar fotos e montar uma ambientação toda especial”, adiantou Ester, que também está no corpo de elenco da obra, juntamente com Adriano Garib e Clement Viscaíno.
Feito os devidos ajustes, o desafio de Ester agora é eleger um diretor – à altura de Ítalo – para substituir o colega nessa missão. E não será fácil. “Ele era um diretor que conseguia visualizar um espetáculo inteiro. Ele não fazia pesquisas, porque já imaginava tudo, desde o figurino, até desenhos de luz e temperaturas. Nosso trabalho era somente decupar o que já estava na mente dele”, completou.
Embora ainda sem um diretor definido, C'est la vie já tem data agendada para chegar aos palcos cariocas. No dia 8 e 9 de setembro, a peça passará por uma curta temporada popular no teatro Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande – Rio de Janeiro, e depois faz uma apresentação no dia 15 do mesmo mês no Festival Internacional de Angra. Logo após, pega uma temporada até o dia 18 de dezembro no teatro da Casa da Gávea.
Ansiosa com o projeto, Ester espera agradar o grande Ítalo, que observa o empenho de seus amigos lá de cima. “Esperamos não envergonhá-lo (risos). Ítalo, para mim, só existia em cima do palco. O teatro era sua vida, não tem melhor maneira de homenageá-lo”, disse. “Sempre lembrarei dele sentado no sofá de casa, de shorts, tomando café, ouvindo as óperas que adorava e jogando conversa fora. Eram momentos de paz”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Ney Matogrosso: “Não me vejo apenas como cantor”
Diretor na peça teatral ‘Dentro da Noite’, em cartaz em São Paulo no SESC Pinheiros, o cantor Ney Matogrosso adianta projetos profissionais e encara desafio no cinema
Sessenta e nove anos de idade; quase quarenta dedicados às artes que tanto aprecia. Com esse currículo, Ney Matogrosso (69) não tem medo de se arriscar em áreas que não seja a musical, onde mantém seu prestígio como um dos mais importantes cantores brasileiros.
Saindo da zona do conforto, Ney novamente se desafia ao dirigir um monólogo de teatro, Dentro da Noite, que está em cartaz no SESC Pinheiros, em São Paulo, até o dia 27 de agosto. Com apresentações sempre às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, o cantor está na capital paulistana para acompanhar de perto sua nova empreitada.
“São dois textos [Dentro da Noite e O Bebê de Tarlatana Rosa] do João do Rio (1881 - 1921) adaptados para o teatro em um monólogo de Marcus Alvisi (57) [que é o ator da peça]. O que me atraiu foi exatamente o texto; João do Rio é muito interessantes, todos deveriam conhecer. Ele foi o predecessor de Nelson Rodrigues (1912 - 1980)", resumiu Ney em entrevista a CARAS Online.
Na primeira história, que batiza a peça, o protagonista revela sua personalidade sádica ao sentir prazer ferindo sua noiva com um alfinete. No segundo monólogo, somos levados ao carnaval carioca no ano de 1908, mais precisamente na casa de um barão que conta histórias bizarras que ocorrem com ele durante a festa. “O meu trabalho, na verdade, foi fazer com que Marcus dissesse esses textos com a maior clareza, para que as pessoas não perdessem nenhum nuance das intenções desses personagens”, resumiu.
Direção de teatro não é tão novidade assim para Ney Matogrosso, que já tinha dirigido uma peça infantil do Grupo Umbu do Rio de Janeiro e também Somos Irmãs, sobre as cantoras Linda e Dircinha Batista; mas isso foi há 11 anos. A distância, no entanto, não atrapalhou o artista quando ele resolveu retornar aos bastidores do palco. “Não tive problemas. Dirigir teatro não passa por um exercício constante; é mais uma coisa de observação”, contou.
Sua experiência em cima do palco também contribuiu para uma melhor compreensão na hora de dirigir atores. “Facilita! Porque eu sei o que é estar no palco. Conheço os dois lados”, afirmou o cantor que não quer ficar restrito ao ato de cantar. “Sou um artista; tudo nas artes me interessam. O que eu puder contribuir para a arte, farei. Não me vejo apenas como cantor”.
Atualmente em turnê musical com Beijo Bandido, Ney já pensa em novos trabalhos como cantor, mas garante não ter mais aquela pressa e a ansiedade de quem está iniciando uma carreira artística. “Eu já tenho um repertório bem adiantado para um próximo trabalho. É um universo mais pop, em que misturo gente nova com gente muito conhecida, diferente de ‘Beijo Bandido’ que é sobre a canção brasileira", detalhou.
Até lá, o cantor ainda vai brilhar nas telas do cinema. Em Luz nas Trevas, com roteiro de Rogério Sganzerla (1946 - 2004) [diretor do clássico O Bandido da Luz Vermelha, de 1968], Ney viverá este ícone do cinema nacional – uma responsabilidade logo em sua estreia como protagonista. “Quando eu fui convidado para esse papel, aceitei imediatamente. Depois, pensei sobre e fiquei com certo receio de possíveis comparações que poderiam fazer. Mas o filme é outra coisa; não é uma refilmagem, é uma continuação, uma outra história”, adiantou.
Após 30 anos, Luz Vermelha finalmente deixa a cadeia e descobre que tem um filho que está seguindo seus passos. “Esse filme é muito diferente de tudo do cinema nacional que tá aí. Ele tem uma pitada de trash que é muito interessante", concluiu. Luz nas Trevas tem previsão de estreia para 2012.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Sessenta e nove anos de idade; quase quarenta dedicados às artes que tanto aprecia. Com esse currículo, Ney Matogrosso (69) não tem medo de se arriscar em áreas que não seja a musical, onde mantém seu prestígio como um dos mais importantes cantores brasileiros.
Saindo da zona do conforto, Ney novamente se desafia ao dirigir um monólogo de teatro, Dentro da Noite, que está em cartaz no SESC Pinheiros, em São Paulo, até o dia 27 de agosto. Com apresentações sempre às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, o cantor está na capital paulistana para acompanhar de perto sua nova empreitada.
“São dois textos [Dentro da Noite e O Bebê de Tarlatana Rosa] do João do Rio (1881 - 1921) adaptados para o teatro em um monólogo de Marcus Alvisi (57) [que é o ator da peça]. O que me atraiu foi exatamente o texto; João do Rio é muito interessantes, todos deveriam conhecer. Ele foi o predecessor de Nelson Rodrigues (1912 - 1980)", resumiu Ney em entrevista a CARAS Online.
Na primeira história, que batiza a peça, o protagonista revela sua personalidade sádica ao sentir prazer ferindo sua noiva com um alfinete. No segundo monólogo, somos levados ao carnaval carioca no ano de 1908, mais precisamente na casa de um barão que conta histórias bizarras que ocorrem com ele durante a festa. “O meu trabalho, na verdade, foi fazer com que Marcus dissesse esses textos com a maior clareza, para que as pessoas não perdessem nenhum nuance das intenções desses personagens”, resumiu.
Direção de teatro não é tão novidade assim para Ney Matogrosso, que já tinha dirigido uma peça infantil do Grupo Umbu do Rio de Janeiro e também Somos Irmãs, sobre as cantoras Linda e Dircinha Batista; mas isso foi há 11 anos. A distância, no entanto, não atrapalhou o artista quando ele resolveu retornar aos bastidores do palco. “Não tive problemas. Dirigir teatro não passa por um exercício constante; é mais uma coisa de observação”, contou.
Sua experiência em cima do palco também contribuiu para uma melhor compreensão na hora de dirigir atores. “Facilita! Porque eu sei o que é estar no palco. Conheço os dois lados”, afirmou o cantor que não quer ficar restrito ao ato de cantar. “Sou um artista; tudo nas artes me interessam. O que eu puder contribuir para a arte, farei. Não me vejo apenas como cantor”.
Atualmente em turnê musical com Beijo Bandido, Ney já pensa em novos trabalhos como cantor, mas garante não ter mais aquela pressa e a ansiedade de quem está iniciando uma carreira artística. “Eu já tenho um repertório bem adiantado para um próximo trabalho. É um universo mais pop, em que misturo gente nova com gente muito conhecida, diferente de ‘Beijo Bandido’ que é sobre a canção brasileira", detalhou.
Até lá, o cantor ainda vai brilhar nas telas do cinema. Em Luz nas Trevas, com roteiro de Rogério Sganzerla (1946 - 2004) [diretor do clássico O Bandido da Luz Vermelha, de 1968], Ney viverá este ícone do cinema nacional – uma responsabilidade logo em sua estreia como protagonista. “Quando eu fui convidado para esse papel, aceitei imediatamente. Depois, pensei sobre e fiquei com certo receio de possíveis comparações que poderiam fazer. Mas o filme é outra coisa; não é uma refilmagem, é uma continuação, uma outra história”, adiantou.
Após 30 anos, Luz Vermelha finalmente deixa a cadeia e descobre que tem um filho que está seguindo seus passos. “Esse filme é muito diferente de tudo do cinema nacional que tá aí. Ele tem uma pitada de trash que é muito interessante", concluiu. Luz nas Trevas tem previsão de estreia para 2012.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Fabio Assunção: prévia de volta ao teatro
Após 11 anos longe dos palcos, Fabio Assunção volta ao teatro ao encenar a peça Adultérios, no teatro Frei Caneca, em SP
Prestes a voltar ao teatro, o ator Fabio Assunção (39) se reuniu ao elenco da peça Adultérios, no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, para fazer uma prévia do que o público poderá ver a partir do dia 8 de julho. Fabio ficou 11 anos longe dos palcos, sendo que sua última encenação foi no drama Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, em 2000. Agora, ele aparece com os cabelos um pouco mais compridos e a barba por fazer para viver um personagem da obra de Woody Allen (75), com tradução de Rachel Ripani (33) e direção de Alexandre Reinecke.
"Durante 11 anos chegaram muitos textos de teatro para mim, mas optei por focar no cinema e na televisão. Eu e o teatro temos uma relação íntima, não é um trabalho. É a sensação de um grande acontecimento, nesse mergulho de dois meses de preparação. Eu não faço teatro toda hora, mas quando faço me dá muito trabalho. Não é uma grande questão essa ausência de tanto tempo, porque sempre trabalhei muito. Posso dizer que estou tranquilo, embora esteja em pânico em relação à estreia", disse ele durante coletiva de imprensa.
Fabio ainda divide o palco com Norival Rizzo (52) em uma divertida truncagem teatral. Os dois atores dividem os papéis de protagonistas: o roteirista de cinema Jim Swain e o homeless americano Fred, que acusa Jim de ter roubado uma de suas obras. Como são personagens complementares, Fabio e Norival vão intercalar as apresentações. De sexta, segunda e na primeira sessão de sábado, Assunção será Jim; na segunda sessão de sábado e no domingo, viverá Fred. Com tanta troca, é inevitável que a cabeça dos atores não dê um nó. "Logo que o li o texto Woody Allen veio a ideia deles interpretarem os dois personagens. Além de ser um desafio, seria algo que enriqueceria a criação", recordou o diretor Reinecke.
"Não foi por vaidade que decidimos isso. Na verdade, chegamos a conclusão que eles são a mesma pessoa. Mas são dois personagens difíceis. Um é o oposto do outro e nos ensaios tivemos muitas dificuldades na hora de mudar. É um ótimo exercício, passamos a ter um entendimento maior de Jim e Fred", contou Norival. "Acho que todos nós temos um pouco desses personagens dentro de nós mesmos. Eu sempre identifico aspectos humanos em meus trabalhos que são comuns a mim. Tenho a insegurança do Jim e uma vontade de se aventurar pela vida do Fred", complementou Fábio.
Completa o casting a atriz e bailarina Carol Mariottini, a única atriz que não troca seu papel, dando vida a irrevente Bárbara. "Ela é uma mulher interesseira. Quando seus planos vão por água abaixo, ela vira uma chantagista cujas ferramentas são a sensualidade; ela é um pouco vulgar até", explicou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Prestes a voltar ao teatro, o ator Fabio Assunção (39) se reuniu ao elenco da peça Adultérios, no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, para fazer uma prévia do que o público poderá ver a partir do dia 8 de julho. Fabio ficou 11 anos longe dos palcos, sendo que sua última encenação foi no drama Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, em 2000. Agora, ele aparece com os cabelos um pouco mais compridos e a barba por fazer para viver um personagem da obra de Woody Allen (75), com tradução de Rachel Ripani (33) e direção de Alexandre Reinecke.
"Durante 11 anos chegaram muitos textos de teatro para mim, mas optei por focar no cinema e na televisão. Eu e o teatro temos uma relação íntima, não é um trabalho. É a sensação de um grande acontecimento, nesse mergulho de dois meses de preparação. Eu não faço teatro toda hora, mas quando faço me dá muito trabalho. Não é uma grande questão essa ausência de tanto tempo, porque sempre trabalhei muito. Posso dizer que estou tranquilo, embora esteja em pânico em relação à estreia", disse ele durante coletiva de imprensa.
Fabio ainda divide o palco com Norival Rizzo (52) em uma divertida truncagem teatral. Os dois atores dividem os papéis de protagonistas: o roteirista de cinema Jim Swain e o homeless americano Fred, que acusa Jim de ter roubado uma de suas obras. Como são personagens complementares, Fabio e Norival vão intercalar as apresentações. De sexta, segunda e na primeira sessão de sábado, Assunção será Jim; na segunda sessão de sábado e no domingo, viverá Fred. Com tanta troca, é inevitável que a cabeça dos atores não dê um nó. "Logo que o li o texto Woody Allen veio a ideia deles interpretarem os dois personagens. Além de ser um desafio, seria algo que enriqueceria a criação", recordou o diretor Reinecke.
"Não foi por vaidade que decidimos isso. Na verdade, chegamos a conclusão que eles são a mesma pessoa. Mas são dois personagens difíceis. Um é o oposto do outro e nos ensaios tivemos muitas dificuldades na hora de mudar. É um ótimo exercício, passamos a ter um entendimento maior de Jim e Fred", contou Norival. "Acho que todos nós temos um pouco desses personagens dentro de nós mesmos. Eu sempre identifico aspectos humanos em meus trabalhos que são comuns a mim. Tenho a insegurança do Jim e uma vontade de se aventurar pela vida do Fred", complementou Fábio.
Completa o casting a atriz e bailarina Carol Mariottini, a única atriz que não troca seu papel, dando vida a irrevente Bárbara. "Ela é uma mulher interesseira. Quando seus planos vão por água abaixo, ela vira uma chantagista cujas ferramentas são a sensualidade; ela é um pouco vulgar até", explicou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
quarta-feira, 30 de março de 2011
Wagner Moura e Rodrigo Faro: premiados na noite da APCA
Melhor ator e melhor apresentador, respectivamente, Wagner Moura e Rodrigo Faro saíram agraciados da entrega de prêmios da APCA, concedido anualmente pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. A festa aconteceu em São Paulo na noite de terça-feira, 29
Entre os premiados, Wagner Moura e Rodrigo Faro destacaram-se em categorias chaves: melhor ator, por Tropa de Elite 2, e melhor apresentador, pela Rede Record, respectivamente. A dupla foi reconhecida na noite de entrega dos prêmios da APCA, concedido anualmente pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O evento aconteceu em São Paulo na terça-feira, 29, com apresentação do ator Dan Stulbach.
No cinema, além de Wagner, a atriz Ana Paula Arósio venceu por sua atuação no longa Como Esquecer, mas não compareceu na festa. O filme As Melhores Coisas do Mundo, com temática adolescente dirigido por Laíz Bodansky, venceu duas categorias: melhor diretora e melhor roteiro (para Rafael Bolognesi). Também sobre o universo jovem, Antes que o Mundo Acabe levou a melhor na categoria principal: melhor filme de 2010.
Na categoria dos prêmios da televisão, Irene Ravache se destacou como melhor atriz por sua divertida Clô de Passione. Já o Ariclenes de Murilo Benício em Ti-Ti-Ti agradou os críticos, e o ator (também ausente) levou o APCA por sua interpretação. A série A Cura e o programa Comédia MTV venceram, respectivamente, nas categorias melhor série e melhor atração humorística.
Arnaldo Antunes ganhou o APCA de melhor disco por Ao Vivo Lá Em Casa; Martinho da Vila venceu na categoria melhor cantor e Teresa Cristina levou melhor cantora. Silvia Machete venceu como melhor show e Karina Buhr foi considerada como a revelação do ano na música popular brasileira. No teatro, o dramaturgo Antunes Filho recebeu prêmio honorário por sua suntuosa contribuição na área.
(Karen Lemos - Portal Caras)
Entre os premiados, Wagner Moura e Rodrigo Faro destacaram-se em categorias chaves: melhor ator, por Tropa de Elite 2, e melhor apresentador, pela Rede Record, respectivamente. A dupla foi reconhecida na noite de entrega dos prêmios da APCA, concedido anualmente pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O evento aconteceu em São Paulo na terça-feira, 29, com apresentação do ator Dan Stulbach.
No cinema, além de Wagner, a atriz Ana Paula Arósio venceu por sua atuação no longa Como Esquecer, mas não compareceu na festa. O filme As Melhores Coisas do Mundo, com temática adolescente dirigido por Laíz Bodansky, venceu duas categorias: melhor diretora e melhor roteiro (para Rafael Bolognesi). Também sobre o universo jovem, Antes que o Mundo Acabe levou a melhor na categoria principal: melhor filme de 2010.
Na categoria dos prêmios da televisão, Irene Ravache se destacou como melhor atriz por sua divertida Clô de Passione. Já o Ariclenes de Murilo Benício em Ti-Ti-Ti agradou os críticos, e o ator (também ausente) levou o APCA por sua interpretação. A série A Cura e o programa Comédia MTV venceram, respectivamente, nas categorias melhor série e melhor atração humorística.
Arnaldo Antunes ganhou o APCA de melhor disco por Ao Vivo Lá Em Casa; Martinho da Vila venceu na categoria melhor cantor e Teresa Cristina levou melhor cantora. Silvia Machete venceu como melhor show e Karina Buhr foi considerada como a revelação do ano na música popular brasileira. No teatro, o dramaturgo Antunes Filho recebeu prêmio honorário por sua suntuosa contribuição na área.
(Karen Lemos - Portal Caras)
quinta-feira, 24 de março de 2011
Autor promete revolução na dramaturgia
Tiago Santiago, autor da próxima novela do SBT ‘Amor e Revolução’, promete grande produção em trama que aborda a ditadura militar brasileira. Trama terá casal ‘Romeu e Julieta’, cenas de tortura e depoimentos de vítimas

Na simbólica Rua Maria Antonia, palco do confronto entre alunos da Universidade de São Paulo e do Mackenzie em 3 de outubro de 1968 (que resultou na morte do estudante José Carlos Guimarães), em São Paulo, o autor Tiago Santiago e o diretor Reynaldo Boury apresentaram Amor e Revolução, próxima novela do SBT, com estreia no dia 5 de abril na grade da emissora, que tenta conquistar público com pano de fundo atrativo e sombrio: os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil.
No encontro com a imprensa, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 23, Tiago Santiago, fazendo alusão ao título do folhetim, prometeu uma revolução na dramaturgia brasileira. "Acredito que será um grande sucesso, porque a novela chega em um momento propício, em que vivemos uma revolução no mundo árabe e os questionamentos sobre os desaparecidos na época da ditadura", afirmou.
Tendo como ponto de partida o golpe de estado em 1964, a trama percorre o período obscuro da história durante os anos de chumbo do regime militar, o que deve levar para às telas cenas fortes de emoção e violência. "O horário, de certa forma, permite cenas de violência. E vale lembrar que o que realmente aconteceu é bem pior. Não poderíamos mostrar tamanha atrocidades que ocorreram na época. Mas estaremos atentos a isso; se houver rejeição do público, vamos diminuir um pouco o ritmo", contou Tiago, complementando que a novela dará conta também de outros acontecimentos da época (década de 60/70), como mudanças de comportamento, moda, festas, música e etc.
"Nosso compromisso não é dar uma aula de história para ninguém, mas sim tornar melhor o conhecimento dos brasileiros com relação a esse período histórico que é muito recente", esclareceu.
A cada final de capítulo, que no projeto inicial são esperados 180 episódios, o espectador entrará em contato com testemunhas reais da ditadura, que prestaram depoimentos para a produção. "São pessoas que possuem relação com o regime. Vítimas de torturas, descendentes de desaparecidos. Já temos mais de 70 depoimentos gravados, que terão cerca de um e três minutos", adiantou o diretor Reynaldo Boury.
Tais declarações, contudo, são de testemunhas da chamada 'ala da esquerda', que lutavam contra o regime autoritário. Isso não quer dizer, fez questão de ressaltar Boury, que a novela seja tendenciosa. "Ninguém da direita quis gravar depoimentos ainda, fica até o convite para quem quiser falar".
"Eu não apoio a ditadura e isso acaba transparecendo na novela. Mas não é tendenciosa. Tem muitos militares vistos como vilões e guerrilheiros colocados como mocinhos. Mas, como não quisemos privilegiar nenhum lado, terá um coronel que dá a vida pela legalidade e guerrilheiros cujas ações serão contestadas", complementou Santiago.
Romeu e Julieta
O golpe militar, a repressão e a revolução servirá apenas como pano de fundo de Amor e Revolução que, como já sugere o nome da obra, irá girar em torno de uma grande história de amor, contada através dos personagens Maria Paixão (Graziela Schmitt) e José Guerra (Claudio Lins), que viverão um relacionamento no melhor estilo Romeu e Julieta.
"José é um major do exército que vem de uma família linha dura de militares e acaba se apaixonado por uma militante comunista", adiantou Claudio Lins. A bela militante, vivida por Graziela, será responsável por dar um nó na cabeça do major. "Maria Paixão é uma mulher grande demais. Eu rezo para dar conta dela (risos). É uma menina que cresce e que ganha força com o tempo", adiantou Schmitt.
Coprotagonistas da história, Batistelli (Licurgo Spínola) e Jandira (Lúcia Veríssimo), também dão o tom de romance vivendo um casal de guerrilheiros duramente perseguidos. "A paixão deles não é somente um pelo outro, mas também pela liberdade, pela democracia. Eles vivem em um clima de muita perseguição, onde um beijo pode ser o último", definiu Licurgo ao Portal CARAS.
"A Jandira é muito parecida comigo. Sou revolucionária e contestadora por essência e sou uma mulher forte também, sou formada em tiro, lutadora de boxe, para mim o difícil é não machucar um ator durante as gravações", brincou Lúcia, estreiando na casa do SBT.
Ambos sofrerão nas mãos de policiais do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), entre eles o temido Delegado Aranha, vivido brilhantemente pelo ator Jayme Periard. " Embora a postura do delegado vá contra tudo aquilo que eu acredito, é sempre importante mostrar os dois lados de uma história, e dessa vez estou do lado do mal", pontuou Periard.
Além do núcleo de protagonistas, Amor e Revolução traz outros nomes conhecidos no elenco, mas que estavam sumidos há um tempo das telinhas. Completam o casting Gustavo Haddad, Thais Pacholek, Giselle Tigre, Claudio Cavalcanti, Gabriela Alves, Carlos Artur Thiré, Caca Rosset, Joana Limaverde, Fátima Freire, Isadora Ribeiro, Lui Mendes, Thiago Abravanel, Patrícia de Sabrit, que viverá uma mulher de um militar ("serei testemunha de muitas torturas", revelou) e Luciana Vendramini, em papel polêmico. "Marcela é uma advogada que ajuda os guerrilheiros e também é uma militante homossexual, que terá uma grande paixão com a personagem de Giselle Tigre", adiantou.
(Karen Lemos - Portal Caras)

Na simbólica Rua Maria Antonia, palco do confronto entre alunos da Universidade de São Paulo e do Mackenzie em 3 de outubro de 1968 (que resultou na morte do estudante José Carlos Guimarães), em São Paulo, o autor Tiago Santiago e o diretor Reynaldo Boury apresentaram Amor e Revolução, próxima novela do SBT, com estreia no dia 5 de abril na grade da emissora, que tenta conquistar público com pano de fundo atrativo e sombrio: os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil.
No encontro com a imprensa, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 23, Tiago Santiago, fazendo alusão ao título do folhetim, prometeu uma revolução na dramaturgia brasileira. "Acredito que será um grande sucesso, porque a novela chega em um momento propício, em que vivemos uma revolução no mundo árabe e os questionamentos sobre os desaparecidos na época da ditadura", afirmou.
Tendo como ponto de partida o golpe de estado em 1964, a trama percorre o período obscuro da história durante os anos de chumbo do regime militar, o que deve levar para às telas cenas fortes de emoção e violência. "O horário, de certa forma, permite cenas de violência. E vale lembrar que o que realmente aconteceu é bem pior. Não poderíamos mostrar tamanha atrocidades que ocorreram na época. Mas estaremos atentos a isso; se houver rejeição do público, vamos diminuir um pouco o ritmo", contou Tiago, complementando que a novela dará conta também de outros acontecimentos da época (década de 60/70), como mudanças de comportamento, moda, festas, música e etc.
"Nosso compromisso não é dar uma aula de história para ninguém, mas sim tornar melhor o conhecimento dos brasileiros com relação a esse período histórico que é muito recente", esclareceu.
A cada final de capítulo, que no projeto inicial são esperados 180 episódios, o espectador entrará em contato com testemunhas reais da ditadura, que prestaram depoimentos para a produção. "São pessoas que possuem relação com o regime. Vítimas de torturas, descendentes de desaparecidos. Já temos mais de 70 depoimentos gravados, que terão cerca de um e três minutos", adiantou o diretor Reynaldo Boury.
Tais declarações, contudo, são de testemunhas da chamada 'ala da esquerda', que lutavam contra o regime autoritário. Isso não quer dizer, fez questão de ressaltar Boury, que a novela seja tendenciosa. "Ninguém da direita quis gravar depoimentos ainda, fica até o convite para quem quiser falar".
"Eu não apoio a ditadura e isso acaba transparecendo na novela. Mas não é tendenciosa. Tem muitos militares vistos como vilões e guerrilheiros colocados como mocinhos. Mas, como não quisemos privilegiar nenhum lado, terá um coronel que dá a vida pela legalidade e guerrilheiros cujas ações serão contestadas", complementou Santiago.
Romeu e Julieta
O golpe militar, a repressão e a revolução servirá apenas como pano de fundo de Amor e Revolução que, como já sugere o nome da obra, irá girar em torno de uma grande história de amor, contada através dos personagens Maria Paixão (Graziela Schmitt) e José Guerra (Claudio Lins), que viverão um relacionamento no melhor estilo Romeu e Julieta.
"José é um major do exército que vem de uma família linha dura de militares e acaba se apaixonado por uma militante comunista", adiantou Claudio Lins. A bela militante, vivida por Graziela, será responsável por dar um nó na cabeça do major. "Maria Paixão é uma mulher grande demais. Eu rezo para dar conta dela (risos). É uma menina que cresce e que ganha força com o tempo", adiantou Schmitt.
Coprotagonistas da história, Batistelli (Licurgo Spínola) e Jandira (Lúcia Veríssimo), também dão o tom de romance vivendo um casal de guerrilheiros duramente perseguidos. "A paixão deles não é somente um pelo outro, mas também pela liberdade, pela democracia. Eles vivem em um clima de muita perseguição, onde um beijo pode ser o último", definiu Licurgo ao Portal CARAS.
"A Jandira é muito parecida comigo. Sou revolucionária e contestadora por essência e sou uma mulher forte também, sou formada em tiro, lutadora de boxe, para mim o difícil é não machucar um ator durante as gravações", brincou Lúcia, estreiando na casa do SBT.
Ambos sofrerão nas mãos de policiais do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), entre eles o temido Delegado Aranha, vivido brilhantemente pelo ator Jayme Periard. " Embora a postura do delegado vá contra tudo aquilo que eu acredito, é sempre importante mostrar os dois lados de uma história, e dessa vez estou do lado do mal", pontuou Periard.
Além do núcleo de protagonistas, Amor e Revolução traz outros nomes conhecidos no elenco, mas que estavam sumidos há um tempo das telinhas. Completam o casting Gustavo Haddad, Thais Pacholek, Giselle Tigre, Claudio Cavalcanti, Gabriela Alves, Carlos Artur Thiré, Caca Rosset, Joana Limaverde, Fátima Freire, Isadora Ribeiro, Lui Mendes, Thiago Abravanel, Patrícia de Sabrit, que viverá uma mulher de um militar ("serei testemunha de muitas torturas", revelou) e Luciana Vendramini, em papel polêmico. "Marcela é uma advogada que ajuda os guerrilheiros e também é uma militante homossexual, que terá uma grande paixão com a personagem de Giselle Tigre", adiantou.
(Karen Lemos - Portal Caras)
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