terça-feira, 11 de setembro de 2018

Mãe vende arranjos de flores para ajudar trabalho solidário da filha

Arquivo pessoal

Falar da filha Gabriela enche a jornalista Kety Shapazian de orgulho. Foi por causa dela que Kety viveu uma experiência única e marcante em 2015, quando embarcou para a Grécia, no ápice da crise migratória na Europa, para ajudar refugiados da África e do Oriente Médio, principalmente, que fugiam de guerras, perseguições políticas, fome, entre outros muitos problemas que ainda persistem nessas regiões.

A vivência também a fez abrir um ateliê de flores, onde ela mesma cria e vende arranjos em São Paulo. Parte do lucro é para custear o trabalho voluntário que Gabriela continua realizando na Europa desde a primeira viagem do tipo que fez ao lado da mãe. “Fui com Gabriela para Grécia em 2015 por causa dela. Se fosse por mim, eu teria ficado chorando no Facebook”, conta. “Eu nunca pensei em viajar para outro país e ajudar os outros, mas foi exatamente isso que aconteceu durante 45 dias. Quando tiver 90 anos de idade, ainda vou me lembrar de cada detalhe, cada emoção que vivi durante essa experiência.”

As histórias tristes dos refugiados que Kety conheceu, bem como a alegria que sentiu ao poder ajudá-los, marcaram tanto a jornalista quanto a sua filha, que decidiu continuar fazendo esse trabalho até hoje. “É o que ela faz da vida agora, não é só um projeto de férias escolares. O negócio dela é ajudar os outros, trabalhando em campos de refugiados na Grécia e na Turquia, ajudando no acolhimento, na integração deles e até dando aulas de inglês. É uma experiência ótima para ela também, que aprende muito lá fora. Tenho uma filha de 18 anos globalizada, completamente fora da curva, e isso é algo que me orgulha muito”, acrescenta Kety.

Para custear as viagens que a filha faz a cada 90 dias - tempo de permanência permitido pelo visto -, a jornalista decidiu abrir uma empresa de arranjos de flores, que batizou de Flores para os Refugiados. O negócio começou informalmente em 2016, quando Kety vendia flores nos semáforos da cidade. “Engraçado que eu nunca havia trabalhado com isso antes. Eu fazia alguns arranjos, de forma despretensiosa, em casa mesmo. Fui aprendendo na marra, vendo referências na internet, e decidi profissionalizar”, conta à reportagem.

No ateliê, é possível encontrar todo tipo de arranjo, além de encomendar decoração para festas, casamentos e até contratar entregas mensais. “O universo de arranjos de flor é imenso, dá para fazer um milhão de coisas. E quem compra esse produto, porque gosta ou acha bonito, sabe também que estará apoiando o trabalho que minha filha realiza lá fora.”

Arquivo pessoal

Xenofobia

Ainda que não canse de exaltar o exemplo que sua filha dá ao ajudar os outros, Kety Shapazian reforça que, ao mesmo tempo, estranha o fato de Gabriela virar notícia por esse motivo. “Ela não deveria ser uma exceção. Ajudar quem precisa tinha que ser algo normal, não um diferencial.”

 Gabriela recebendo uma refugiada afegã em Lesbos, na Grécia (Foto: Maciej Moskwa)

Em meio a uma crise migratória também vivida no Brasil, com o fluxo de imigrantes da Venezuela aumentando enquanto o país vizinho passa por dificuldades financeiras e conflitos políticos internos, a jornalista faz um apelo para que as pessoas tenham mais empatia com o outro.
“Temos visto muita xenofobia, muita coisa errada, não só onde minha filha está, mas também nos Estados Unidos e até no Brasil. A gente precisa se colocar no lugar do outro, esse outro sendo refugiado ou não, até porque refugiados são pessoas como a gente, e quando passamos a vê-los dessa forma, muitas barreiras caem”, pontua Kety.

Em algumas situações, essa dificuldade de compreender o outro leva a casos extremos de violência, como o ocorrido na última sexta-feira, 7. Em Roraima, um brasileiro e um venezuelano morreram após um suposto furto na capital Boa Vista.

“Sempre penso que, no futuro, podemos ser nós, brasileiros, passando por uma situação parecida com a que os venezuelanos estão enfrentando agora. Não dá para saber o que vai acontecer daqui a 30 anos, por exemplo. Minha filha sempre fala que se um dia ela precisar de ajuda, ela vai querer alguém do outro lado a recebendo com um prato de comida, um direcionamento, até mesmo um abraço. Isso faz toda a diferença”, conclui.

(Karen Lemos - Portal da Band)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

TRE-SP suspende propaganda eleitoral de PM matando assaltante

Reprodução

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) deferiu liminar suspendendo a veiculação na TV da propaganda eleitoral da candidata a deputada federal por São Paulo Kátia Sastre (PR).

Para promover a candidatura, a policial militar usou imagens em que aparece reagindo a um assalto em frente a escola onde foi buscar sua filha, em Suzano, na Grande São Paulo, em maio deste ano. Na ocasião, ela atirou no assaltante, que morreu momentos depois.

As cenas, reproduzidas sem nenhuma censura, incomodaram alguns eleitores que, pelas redes sociais, reclamaram das cenas violentas exibidas em rede nacional duas vezes ao dia: às 13h e às 20h30. Pelo Twitter, um internauta chegou a mencionar que estava com os filhos pequenos assistindo à TV quando foi surpreendido pelas imagens.

No Facebook, onde a própria candidata compartilhou a propaganda em seu perfil, o vídeo foi previamente censurado e só é exibido após o usuário concordar com o alerta de conteúdo sensível.

A propaganda, que também recebeu muitos elogios na internet, foi denunciada ao TRE-SP pela coligação Sem Medo de Mudar São Paulo, composta pelos partidos PSOL e PCB.

O Portal da Band apurou que o tribunal emitiu a liminar na tarde desta quarta-feira, 5, e ainda estabeleceu multa de R$ 5 mil a cada veiculação.

A medida passa a valer logo que a candidata for notificada da decisão. A reportagem entrou em contato com a equipe de Kátia Sastre, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Irregularidades

A decisão do TRE-SP foi baseada no inciso IV do artigo 17 da resolução 23.551 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trata de condutas ilícitas em campanha eleitoral nas eleições. O inciso em questão diz que não será tolerada propaganda “de incitamento de atentado contra pessoa ou bens”.

Segundo o advogado especialista em direito eleitoral Cristiano Vilela, não é somente esta irregularidade que a peça apresenta. “Essa propaganda, no meu entender, fere a legislação que estabelece que não se pode provocar incitação à violência (inciso I do artigo 243 do Código Eleitoral) ou imagens que criem estados mentais, emocionais ou passionais (artigo 242 do Código Eleitoral); ao meu ver, cenas de violência e morte, durante o horário eleitoral, provocam esse estado de sensibilização, o que é totalmente irregular”, explica ao Portal da Band.

Vilela acrescenta ainda que a candidata não poderia estar usando a farda da Polícia Militar no programa eleitoral (artigo 40 da lei eleitoral 9504/97) ou qualquer farda confeccionada para parecer como sendo da corporação. “Uma foto ou uma imagem da candidata com uniforme parecido com o da polícia pode gerar confusão no eleitor, o que também é uma irregularidade”, ressalta o especialista.

Foi com base em um entendimento nessa linha que o ministro Sergio Banhos, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ordenou a suspensão de propagandas do PT na televisão, por exemplo. Segundo ele, as peças não explicitavam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é candidato do partido e causavam dúvidas no eleitor.

Propagandas do tipo podem ser denunciadas por adversários na corrida eleitoral, partidos políticos ou coligações, mas também por cidadãos comuns. “Qualquer um pode acessar o canal de denúncias de propagandas irregulares que a Justiça Eleitoral disponibiliza, ou também denunciar para as procuradorias regionais eleitorais de seu Estado”, lembra Vilela.

(Karen Lemos - Portal da Band)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Primeira candidata negra ao Senado por São Paulo comenta críticas sobre cabelo alisado

Divulgação

Escolhida pelo MDB, com Marcelo Barbieri, para disputar uma das duas vagas ao Senado Federal pelo Estado de São Paulo, Cidinha Raiz está no início da campanha eleitoral e tem chamado atenção mais pela aparência do que por suas propostas que, segundo ela, envolvem políticas para mulheres e negros.

Ao lado de Paulo Skaf, emedebista candidato ao governo paulista, Cidinha tem viajado pelo Estado e, vez ou outra, escutado comentários sobre seu visual, principalmente a respeito de seu cabelo, que atualmente é curto e alisado. “Não é de agora que ouço esse tipo de coisa, mas como estou mais exposta devido à campanha, essas críticas estão mais frequentes”, conta.

Mulher negra, a primeira a ser candidata ao Senado por São Paulo, Cidinha cita à reportagem o que chamou de “ditadura” para que o negro use os cabelos de forma natural, ou então ao estilo black power. “Me chama atenção o quanto as pessoas se preocupam com esse tipo de coisa e perdem tempo olhando para um cabelo”, diz ela, que também menciona casos de jovens negros que são alvo de bullying nas escolas devido à aparência, ou porque alisam os fios, ou porque os deixam naturais. “Eu acho o cabelo black maravilhoso, mas a questão não é essa, é de como isso mexe com a autoestima do negro”, explica.

A psicóloga de 61 anos, que é pós-graduada em História da África e do negro no Brasil, falou também que já teve vários estilos de cabelo na vida, e que isso não tira sua essência de “mulher negra, pobre e nascida na periferia”. “Se eu pintar meu cabelo de loiro, vou continuar sendo negra. Não é isso que vai definir a minha personalidade. Black ou não, liso ou não, o cabelo é meu. A gente tem que se sentir bem do jeito que é, sem ficar nessa ditadura que nos limita sob o ponto de vista do que os outros acham que é certo ou que é bom.”

Até que sua candidatura fosse lançada, Cidinha Raiz não tinha redes sociais, mas precisou criar perfis em várias plataformas devido à campanha eleitoral, e já se deparou com comentários, inclusive de seguidores, recomendando “um bom cabeleireiro” para ela. “Eu já tenho o meu cabeleireiro, que pode não ser bom para você, mas é bom para mim”, argumenta.

“Não se mede as pessoas pela aparência, mas pela capacidade. Na política, eu serei eu mesma. Não vou para a favela de terno e saltinho, vou como sempre fui: de tênis e calça jeans, porque o cargo não tem que mudar a pessoa, mas precisa ser usado a favor das pessoas.”

Partido político

Além das observações sobre seu visual, a candidata também menciona que já ouviu críticas ao seu partido, o centrista MDB, principalmente por parte de legendas da esquerda. “Os partidos que mais questionam minha sigla estão indicando homens brancos para o Senado, inclusive o próprio PT”, afirmou Cidinha ao citar a maior legenda alinhada a essa ideologia, que está lançando Eduardo Suplicy e Jilmar Tatto para os cargos disponíveis na Casa.

“Nenhum partido, de direita ou de esquerda, indicou uma mulher negra para o Senado; portanto, eles não têm nem o direito de criticar”, pontua a psicóloga. “Mas também acho que agora é o momento de esquecer bandeiras políticas e se unir em torno de causas que, de fato, criem políticas públicas que atendam às demandas do Estado de São Paulo.”

Entre as propostas da candidata está tornar o feminicídio crime hediondo, negociar com empresas privadas o acesso de mulheres vítimas de violência e jovens negros no mercado de trabalho, e fomentar o empreendedorismo do jovem negro pela qualificação na educação por meio de entidades de ensino como Sesi, Senai e Sebrae.

(Karen Lemos - Portal da Band)

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Candidatos ao governo de São Paulo se enfrentam em debate na Band

Kelly Fuzaro/Band

A Band realizou, nesta quinta-feira, 16, o primeiro encontro entre os candidatos ao governo do Estado de São Paulo. Participaram do encontro os seguintes postulantes ao cargo: Márcio França (PSB), Rodrigo Tavares (PRTB), Paulo Skaf (MDB), Marcelo Candido (PDT), João Doria (PSDB), Luiz Marinho (PT) e Lisete Arelaro (PSOL).

Nesta ordem, no primeiro bloco do debate, os candidatos responderam a uma pergunta dos leitores do Jornal Metro sobre segurança da população do Estado. França respondeu que irá valorizar os policiais, como fez ao homenagear a cabo da PM Katia Sastre, que matou um assaltante na porta de uma escola. Tavares focou no déficit de policiais e afirmou que o inimigo das forças da segurança é o próprio governo, e ele quer mudar isso. Já Skaf quer deixar a lei mais rígida e obrigar que presos condenados cumpram suas penas. “Nada de saidinhas ou visitinhas”, disse.

Candido falou sobre ações preventivas, como ruas bem iluminadas, espaços urbanizados e envolvimento da comunidade na questão. Doria citou melhora de salário dos policiais, padrão Poupatempo em delegacias e ampliação de batalhões padrão Rota. Marinho criticou os 24 anos de PSDB que “não fez nada” pela segurança; ele disse que irá contratar investigadores e não vai admitir que a polícia trate um jovem do Jardins diferente de um jovem da periferia. Por fim, Lisete quer contratar dez mil policiais civis, abrir as delegacias na madrugada e recompor as delegacias da mulher.

Ainda neste bloco, candidatos perguntaram para candidatos. Candido provocou Doria sobre segurança alimentar e citou a farinata, que chamou de ração humana. Doria disse que Candido estava mal informado e que o programa iria complementar as refeições, e não substitui-las.

O petista Marinho também criticou Doria e disse que o programa Corujão da Saúde não diminuiu as filas e foi apenas “peça de publicidade” de sua gestão. Na réplica, o tucano defendeu o programa que chamou de “grande sucesso” do seu mandato.

No segundo bloco, jornalistas do Grupo Bandeirantes fizeram perguntas aos candidatos, com comentários de seus adversários na corrida eleitoral. Rafael Colombo perguntou para Skaf e França sobre as linhas do Metro e da CPTM. O emedebista prometeu 200 quilômetros de linha para o Metrô, além de 22 conexões com a CPTM. Já França disse que irá indenizar os passageiros que tiveram prejuízos durante falhas do serviço.

Marina Machado questionou Doria e Skaf sobre a crise hídrica. O tucano falou que irá propor um plano estadual para redução de conta àqueles que economizarem água. Já Skaf prometeu combater o desperdício da própria Sabesp, da captação até a entrega de água, além de tratamento de esgoto.

Sandro Barboza quis saber a opinião de Marinho e Tavares sobre o baixo desempenho escolar em São Paulo. O petista sugeriu período integral de ensino para resolver o atraso de aprendizagem e também dobrar o salário dos professores da rede estadual. Tavares propôs aumento do horário pedagógico e monitoramento por câmeras nas escolas.

Em nova rodada de perguntas, Colombo questionou Candido e Marinho sobre o aumento do teto salarial dos servidores públicos do Estado. Candido sugeriu uma reforma tributária para aumentar a receita e disse que não concorda com o aumento salarial do funcionalismo público. Já Marinho falou que tiraria o auxílio moradia de juízes para fazer essa compensação, além de também propor uma reforma tributária que não prejudique os mais pobres.

No terceiro bloco, os candidatos voltaram a fazer perguntas para adversários de sua escolha. Nesta rodada, Doria e Marinho se alfinetaram; o petista disse que o tucano “largou o povo” da capital ao sair da prefeitura para se candidatar e pediu uma análise do adversário sobre a avaliação baixa de sua gestão. Doria respondeu que se estivesse tão mal, não estaria na liderança das pesquisas de intenção de voto.

O tucano continuou a provocação e disse que Marinho é réu na Justiça por suposto desvio de verba na construção de um museu em homenagem a Lula em São Bernardo do Campo, cidade da qual foi prefeito. Marinho pediu celeridade nesse processo para provar que não houve desvio de dinheiro e falou da mulher do candidato, Bia Doria, que foi chamada para depor sobre suposto mal uso de verba pública em um santuário do padre Marcelo Rossi. O tucano, que pediu respeito à sua mulher nas considerações finais, citou Lula para alfinetar seu adversário. “Onde anda Lula? Preso em Curitiba. Onde anda Zé Dirceu com sua tornozeleira eletrônica? Onde andam os tesoureiros do PT? Presos ou respondendo a processos.”

Na sequência, França citou episódios de corrupção envolvendo o MDB e quis saber de Paulo Skaf se o presidente Michel Temer é um homem honrado. “Essa história de padrinho não deu certo no Brasil e não faço política assim”, respondeu o emedebista.  Perguntando para Tavares, Doria também falou sobre corrupção; o candidato do PRTB falou que é lamentável discutir ficha corrida e não propostas no debate.

Candido, em uma pergunta endereçada para Lisete, voltou a falar sobre políticos que saem do cargo para disputar eleição, em clara provocação a Doria. “Em alguns casos a população deu graças a Deus e agora tem chance de corrigir o voto”, alfinetou a candidata do PSOL. Em outro questionamento, desta vez de Tavares para Marinho, o petista chegou a ser vaiado quando falou de Lula, afirmando que o ex-presidente é a esperança para o Brasil. “Essa é a razão de ele liderar as pesquisas, inclusive no Estado de São Paulo”, disse Marinho.

No quarto e último bloco, os candidatos fizeram as suas considerações finais


(Karen Lemos - Portal da Band)

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Pannunzio: debates obrigam candidatos a falarem sobre o que importa à população

Divulgação

O primeiro encontro entre os candidatos ao governo de São Paulo acontece nesta quinta-feira, 16, às 22 horas, na Band. Para mediar mais um tradicional debate realizado pela emissora, foi escalado o jornalista Fabio Pannunzio, que considera este evento como uma “bandeira de largada” para as eleições.

“[O primeiro debate] é aquele que acaba definindo a posição de campo em que cada candidato vai atuar, quem vai brigar com quem, quem implicará com quem, enfim, a partir daí é que os postulantes vão construindo suas teias de estratégia”, resumiu Pannunzio. “E para o telespectador também é um evento importante, já que é o momento em que os candidatos entregam o ‘cartão de visitas’ para o eleitor.”

Neste ano, segundo o mediador, as regras estão mais flexíveis. “Com destaque para a ampliação do confronto direto entre os convidados, a escalação de temas que são prioritários para a população e que obrigam os candidatos a falar sobre esses assuntos; além disso, os postulantes terão liberdade para escolher com quem vão debater”, detalha.

Uma das regras inovadoras do debate desta quinta é a possibilidade de um mesmo candidato ser questionado duas vezes pelos contendores. “Isso faz com que seus conhecimentos sejam testados e também incentiva o confronto, uma forma de distinguir as ideias de cada um dos convidados.”

Esses detalhes foram definidos em reunião com representantes de partidos. Participarão do debate, que terá ao todo quatro blocos, os seguintes candidatos: Márcio França (PSB), Rodrigo Tavares (PRTB), Paulo Skaf (MDB), Marcelo Cândido (PDT), João Doria (PSDB), Luiz Marinho (PT) e Lisete Arelaro (PSOL).

No primeiro bloco, os postulantes ao cargo também responderão nesta sequência a uma pergunta única feita pelos leitores do Jornal Metro. Em seguida, com base em uma pesquisa feita pela Band, será definido um tema para que os candidatos debatam entre eles. Todos perguntarão uma vez, por ordem de sorteio, e cada candidato pode ser perguntado até duas vezes.

No segundo bloco, as perguntas serão feitas por jornalistas do Grupo Bandeirantes. No bloco seguinte, os candidatos vão fazer perguntas para outros candidatos, com a sequência mais uma vez definida por sorteio. No quarto e último bloco, as considerações finais de cada participante.

Em caso de ofensa pessoal ou moral, o candidato poderá pedir direito de resposta, que será analisado por um comitê formado por jornalistas e um advogado. Caso seja concedido, o ofendido terá um minuto para responder.

Prevendo trocas de farpas, o mediador pede ainda que o eleitor atente-se às perspectivas colocadas por cada postulante ao cargo de governador. “Desconfie do que eles falam”, sugere Pannunzio. “Ao invés de já escolher seu candidato e ficar torcendo por ele, desconfie – esse é o melhor caminho para chegar até um voto consciente.”

(Karen Lemos - Portal da Band)

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

'Foi uma ironia, isso não existe', esclarece criadora da Ursal

Reprodução/Facebook

Se a Ursal (União das Republiquetas Socialistas da América Latina) fosse um projeto que realmente existisse, a sua “fundadora”, a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa, estaria mais do que orgulhosa.

Pelas redes sociais, principalmente no Twitter e no Facebook, não se fala de outra coisa desde que o candidato à Presidência da República pelo Patriota, Cabo Daciolo, citou o suposto plano comunista de unir países latino-americanos no debate presidencial da Band, que aconteceu na última quinta-feira, 9.

“Coitado do Cabo, ele não sabe que a Ursal não existe”, riu a socióloga, que falou sobre o real significado da sigla (seriam republiquetas, e não repúblicas, o que reforça a sátira) e esclareceu a origem do meme em entrevista à Rádio Bandeirantes.

“Em um artigo que publiquei em 2001, analisando a ida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Cuba para discutir sobre o Foro de São Paulo [conferência de partidos de esquerda], eu fiz uma ironia: ‘será que querem fundar a Ursal?’”, explicou.

Maria Lucia lembra que na época da publicação do artigo, circularam histórias tratando o projeto comunista como verdade, mas nada comparado ao que tem acontecido desde que o candidato fez menção à Ursal no encontro de presidenciáveis.


“Eu quase cai da cadeira quando ouvi o Cabo Daciolo falar disso de forma tão enfática. Nem Simón Bolívar [militar venezuelano que lutou contra a colonização na América Latina] conseguiu unir os países dessa forma”, riu. “E aí você vê como nascem as teorias da conspiração.”

A socióloga tem observado um medo crescente do comunismo, principalmente nas redes sociais, mas, para ela, essa possibilidade não concreta. “Não temos partidos políticos com ideologia, nem de esquerda e nem de direita. Só existe um ‘lado’, que é o de cima, o do poder. [Os partidos] são trampolins para se chegar lá”, opina.

Coincidência ou não, no momento em que Maria Lucia viu uma antiga brincadeira sua viralizar na internet, ela prepara um artigo sobre a importância das redes sociais. “É o quinto poder”, define. “O impeachment da Dilma [Rousseff], por exemplo, nasceu ali e transbordou para as ruas. O Congresso só aceitou porque o político quer ficar bem com a opinião pública”, ressalta a socióloga, que está ansiosa para ver até onde vai a influência da web nas eleições deste ano. “Mesmo sendo um ambiente caótico, as redes sociais funcionam”, conclui.

(Karen Lemos - Portal da Band)

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Para Flávio Bolsonaro, franqueza do pai ameaça os adversários

Karen Lemos/Portal da Band

O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) disse que o pai, o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), chega a ameaçar seus adversários por ser uma pessoa “honesta e verdadeira”, mesmo quando provocado.

“Os outros candidatos sabem da reação dele quando é injustiçado ou agredido”, afirmou.

Flávio acompanhou o pai no primeiro debate entre os postulantes ao Palácio do Planalto que a Band realizou nesta quinta-feira, 9.

Para o político, que este ano tentará uma vaga no Senado Federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro “tem a verdade do seu lado”, o que o ajudaria a lidar com as críticas e ataques de adversários, principalmente em situações de pressão, como costuma a acontecer em debates políticos.

Foi inclusive em um confronto de candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro que Flávio, então postulante ao cargo, acabou passando mal durante o debate em 2016.

Sobre o desempenho do pai, o deputado disse que Jair “mandou muito bem” no encontro presidencial deste ano. “Ele estava calmo e conseguiu explicar suas propostas”, resumiu.

(Karen Lemos - Portal da Band)