domingo, 6 de novembro de 2011
Transgêneros em um cinema mais perto de você
Ao longo das décadas, o cinema seguiu investigando essa questão; a princípio, ou de forma tímida ou escrachada – com uma inclinaçãozinha para o humor sarcástico (caso de ‘Glen ou Glenda’ do nosso amigo Ed Wood). Perto dos anos 2000, a coisa começou a ficar séria. Quem, na década de 50 (finalzinho da Era de Ouro de Hollywood), imaginaria que uma atriz levaria o Oscar por sua atuação como uma trans nas telonas? Pois bem, isso aconteceu em 1999 quando Hilary Swank levou a estatueta dourada por ‘Meninos Não Choram’.
Um tempo depois, em 2005, ‘Transamérica’ também colocou sua protagonista, Felicity Huffman, como uma das favoritas do ano de 2006 na competição mais prestigiada do cinema. Quanto avanço, não?
Sejamos francos, já era tarde. Porém, mais tarde ainda é essa questão chegar somente agora, no ano de 2011, causando muito rebuliço em uma sociedade ainda opressora e que transborda de pré-conceitos, como o Irã. A reação não poderia ter sido outra com o lançamento de ‘Olhando Espelhos’, filme iraniano sobre uma jovem transgênera que bate de frente com a família e os falsos puritanos de seu país. Viajar para o exterior, na esperança de conseguir uma operação para mudar de sexo, é sua única solução – e o longa acompanha essa trajetória, sem fazer qualquer tipo de julgamento; apenas conta a história.
‘Olhando Espelhos’, que esteve na programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano, levantou uma questão interessante. A partir da revolução islâmica de 1979, a justiça iraniana classificou os transgêneros, transexuais e travestis no mesmo grupo dos gays e lésbicas; com isso, as leis que imperam dentro desse grupo passam a valer, também, para os novos integrantes. Entre as sentenças, estão sessões de torturas e penas de morte. As opções restantes são: manter segredo sobre sua sexualidade, fugir do país ou então enfrentar o veredicto.
Vemos que esse quadro vem mudando, mas, aos passos de formiga. Prova disso está na luta de Maryam Khatoon Molkara, primeira transexual assumida no Irã, que levantou uma campanha em prol do reconhecimento de quem sofre com a questão da sexualidade. Existe até mesmo um grupo filantrópico por ela criado, batizado de Fundação de Caridade Imã Khomeini, que faz empréstimos em até US$ 1.200,00 para ajudar no pagamento de operações de troca de sexo.
É uma batalha louvável em tempos em que Mahmoud Ahmadinejad, atual presidente do Irã, declarou que não existem homossexuais em seu país. Até porque, se existirem, o governo trata de interná-los até que possam encontrar a ‘cura para o problema’. Se não funcionar, 100 chibatadas podem resolver. Ainda não? Então, é caso perdido mesmo. O destino é a forca! Sim, infelizmente vemos homossexuais sendo assassinados pelas leis da justiça em pleno século XXI.
Entretanto, é interessante analisar o contraponto levantado por Maryam e seu embate que agora ganha reforço com o lançamento de ‘Olhando Espelhos’ em seu país. Através do cinema, a questão está sendo exposta, vista e poderá ser, de alguma forma, discutida.
É um grande passo, os tempos mudaram. Mas, deixando a hipocrisia de lado, ainda não é o suficiente para que filmes como ‘Olhando Espelhos’ não sejam encarados como filmes que falam sobre dramas e problemas de um transexual, e sim sobre a história de um ser humano que tenta se encontrar. Bom, mas esse conceito não existe lá, no Irã, nem aqui, no Brasil, e nem em nenhum outro lugar do mundo. E isso, sim, já é tarde.
(Karen Lemos - colaboração para 'Bota Dentro')
Em nova fase musical, Paula Lima faz planos para ter seu primeiro filho
Paula Lima, que está lançando seu novo trabalho, ‘Outro Esquema’, se apresentou na noite de sábado, 5, em São Paulo. Em entrevista à CARAS Online, a cantora revelou seu lado família e adiantou: “quero ter um filho em 2012. A vida sem filhos é chata”
No camarim, minutos antes de subir no palco do SESC Pinheiros para apresentar seu novo trabalho, Paula Lima (41) demonstrava calma. De fato, a cantora está mais tranquila este ano; 2010 foi um ano cheio: ela protagonizou o musical Cats, julgou novos rostos da música brasileira na bancada do Ídolos e continuou fazendo shows. Em 2011, ela quis diminuir o ritmo para atender um lado seu que estava meio de escanteio – a família.
“Eu sou uma pessoa completamente caseira. Sou apaixonada por primas, pais, irmãos e pelo marido, meu querido, parceiro e cúmplice. Sempre que eu posso, estou com essas pessoas porque, sem a estrutura familiar, sem esse amor dessas pessoas que te colocam no chão, que te dão luz e sabedoria, nada na minha vida estaria acontecendo”, declarou em entrevista à CARAS Online.
Ao lado de Ronaldo Bonfim, marido e companheiro de todas as horas, Paula pretende deixar a música um pouco de lado para se dedicar a um sonho: a maternidade. “No final de 2012 pretendo ter um filho. Quero ser uma velhinha que, aos domingos, tenha um monte de criança correndo na minha casa. A vida sem filhos é chata”, confessou.
Até lá, a artista vai entrar em um ritmo intenso de trabalho. Divulgando seu novo álbum, intitulado Outro Esquema, cujo lançamento ocorreu no show no Sesc Pinheiros, em São Paulo, na noite deste sábado, 5, Paula vai mergulhar em uma turnê Brasil à fora. “Estou em um momento ‘workaholic’ positivo. Quando comecei a cantar, eu sonhava com a música, depois, pude sobreviver da música, hoje eu posso viver de música. Estou feliz demais em poder trabalhar assim”.
Mal o novo álbum chegou às lojas, a morena já está pensando em outros projetos, como gravar um DVD deste novo trabalho, se apresentar no Rock in Rio Lisboa em 2012 e até mesmo fechar o repertório musical para outro novo disco. “Estou escolhendo as músicas já. Será um repertório apaixonante, eletrizante”, definiu.
Algumas canções, entre elas a inédita Primeiro Samba (“Eu cantei essa música em um show e comecei a chorar; ela é muito verdadeira, fala da garra e da luta do brasileiro”, adiantou Paula) já estão pintando no set-list de seus shows que tem como base as faixas de Outro Esquema. “Acho que esse novo álbum mostra uma outro postura minha como artista, como cantora. Quis mostrar mais da minha interpretação, me aprofundar em determinados temas. Estou me colocando mais à serviço da música”, contou.
Outro Esquema também é rico em parcerias, como Toni Garrido, 44 (na faixa Negras Perucas), Max de Castro, 38 (na canção O Nego do Cabelo Bom) e Seu Jorge, 41 (em Balada Brazilian Soul) não poderia ter ficado de fora desse projeto porque, além de parceiros, o trio nutre uma amizade de longa data com Paula. “Todos eles fazem parte da minha vida musical e pessoal. Posso sair com eles, depois de um dia de gravação no estúdio, e tomar um café, dar risada, conversar sobre a vida. Essa relação que tenho resulta bacana, porque é uma relação verdadeira, natural”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
No camarim, minutos antes de subir no palco do SESC Pinheiros para apresentar seu novo trabalho, Paula Lima (41) demonstrava calma. De fato, a cantora está mais tranquila este ano; 2010 foi um ano cheio: ela protagonizou o musical Cats, julgou novos rostos da música brasileira na bancada do Ídolos e continuou fazendo shows. Em 2011, ela quis diminuir o ritmo para atender um lado seu que estava meio de escanteio – a família.
“Eu sou uma pessoa completamente caseira. Sou apaixonada por primas, pais, irmãos e pelo marido, meu querido, parceiro e cúmplice. Sempre que eu posso, estou com essas pessoas porque, sem a estrutura familiar, sem esse amor dessas pessoas que te colocam no chão, que te dão luz e sabedoria, nada na minha vida estaria acontecendo”, declarou em entrevista à CARAS Online.
Ao lado de Ronaldo Bonfim, marido e companheiro de todas as horas, Paula pretende deixar a música um pouco de lado para se dedicar a um sonho: a maternidade. “No final de 2012 pretendo ter um filho. Quero ser uma velhinha que, aos domingos, tenha um monte de criança correndo na minha casa. A vida sem filhos é chata”, confessou.
Até lá, a artista vai entrar em um ritmo intenso de trabalho. Divulgando seu novo álbum, intitulado Outro Esquema, cujo lançamento ocorreu no show no Sesc Pinheiros, em São Paulo, na noite deste sábado, 5, Paula vai mergulhar em uma turnê Brasil à fora. “Estou em um momento ‘workaholic’ positivo. Quando comecei a cantar, eu sonhava com a música, depois, pude sobreviver da música, hoje eu posso viver de música. Estou feliz demais em poder trabalhar assim”.
Mal o novo álbum chegou às lojas, a morena já está pensando em outros projetos, como gravar um DVD deste novo trabalho, se apresentar no Rock in Rio Lisboa em 2012 e até mesmo fechar o repertório musical para outro novo disco. “Estou escolhendo as músicas já. Será um repertório apaixonante, eletrizante”, definiu.
Algumas canções, entre elas a inédita Primeiro Samba (“Eu cantei essa música em um show e comecei a chorar; ela é muito verdadeira, fala da garra e da luta do brasileiro”, adiantou Paula) já estão pintando no set-list de seus shows que tem como base as faixas de Outro Esquema. “Acho que esse novo álbum mostra uma outro postura minha como artista, como cantora. Quis mostrar mais da minha interpretação, me aprofundar em determinados temas. Estou me colocando mais à serviço da música”, contou.
Outro Esquema também é rico em parcerias, como Toni Garrido, 44 (na faixa Negras Perucas), Max de Castro, 38 (na canção O Nego do Cabelo Bom) e Seu Jorge, 41 (em Balada Brazilian Soul) não poderia ter ficado de fora desse projeto porque, além de parceiros, o trio nutre uma amizade de longa data com Paula. “Todos eles fazem parte da minha vida musical e pessoal. Posso sair com eles, depois de um dia de gravação no estúdio, e tomar um café, dar risada, conversar sobre a vida. Essa relação que tenho resulta bacana, porque é uma relação verdadeira, natural”, concluiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Lázaro Ramos e grande elenco estreiam ‘Amanhã Nunca Mais’, comédia sobre a rotina na cidade grande
Protagonizado por Lázaro Ramos, ‘Amanhã Nunca Mais’, tira sarro dos perrengues de quem vive em uma grande cidade como São Paulo. O ator aparece, em sua melhor forma, como um anestesista que não sabe dizer não. “Precisei assistir a dez cirurgias para o papel; algo que não pretendo fazer nunca mais na vida”, contou
Veterano das telas do cinema e da televisão, Lázaro Ramos (33) foi surpreendido com o laboratório que precisou passar para viver o personagem Walter no filme Amanhã Nunca Mais, primeiro longa-metragem de Tadeu Jungle, cuja pré-estreia aconteceu nesta segunda-feira, 31, em um cinema de São Paulo.
“Precisei assistir a dez cirurgias, algo que não pretendo fazer nunca mais na vida, mas que foi útil; precisava conhecer todo esse universo para contá-lo no filme com credibilidade”, disse o ator em conversa com a CARAS Online. Na obra, ele dá vida uma anestesista com uma rotina, aparentemente, comum. “A diferença é que ele não sabe dizer ‘não’ para nada”, explicou. “Um certo dia, ele precisa levar o bolo de aniversário para a festinha da filha dele e muita coisa acontece”, adiantou Lázaro, que categorizou o filme como ‘uma comédia que precisa ser assistida’.
Seu parceiro de plantões, o anestesista Geraldo é um dos responsáveis pelo tom cômico do longa. “Geraldo é o cara mais desorganizado e mais louco do hospital”, definiu seu intérprete, o ator Milhem Cortaz (38). “Mas, tem algo bem legal no roteiro, que é humano, e que me deu a liberdade de ir para o humor. Toda vez que o hospital sai fora do controle, a pessoa chamada para organizar tudo é o próprio Geraldo. Ele é louco, mas não é inconsequente”.
Ainda no grande elenco, a bela Fernanda Machado (31) vive uma dona de casa que abdica de seus sonhos para se dedicar totalmente ao lar. “Essas mulheres [donas de casa], ao meu ver, são verdadeira heroínas. Acho isso genial, sou uma admiradora de mulheres assim”, contou a atriz à reportagem. “Ela é uma pessoa comum, bem possível e bem real; o tipo de gente que você encontra toda hora em qualquer lugar. Para mim, é um prazer poder fazer um trabalho em que as pessoas irão se identificar”, exaltou.
Passado na cidade de São Paulo, Amanhã Nunca Mais conta ainda com muitos rostos conhecidos das grandes cidades, caso dos motoboys, que arriscam a vida diariamente cortando o trânsito nas abarrotadas vias da metrópole. Luis Miranda (41), prestigiado humorista, deu vida a um deles. “Quem mora em uma cidade como são Paulo, com certeza já viveu uma dia de cão na cidade”, afirmou. O intérprete, contudo, vê um ponto positivo em sua atuação. “Acho que o filme ensina a ter bom humor no trânsito, a compreender como funciona essa máquina da modernidade”.
Paula Braun (32), atriz e esposa do galã Mateus Solano (30), teve o desafio de viver dois papéis: uma enfermeira, que trabalha no hospital com o personagem de Lázaro Ramos, e uma prostituta – outra figura conhecida das grandes cidades. “Faço uma mulher da vida que é encontrada na rua pelo Walter e acaba sendo um dos entraves para ele conseguir chegar no objetivo final dele”, explicou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Veterano das telas do cinema e da televisão, Lázaro Ramos (33) foi surpreendido com o laboratório que precisou passar para viver o personagem Walter no filme Amanhã Nunca Mais, primeiro longa-metragem de Tadeu Jungle, cuja pré-estreia aconteceu nesta segunda-feira, 31, em um cinema de São Paulo.
“Precisei assistir a dez cirurgias, algo que não pretendo fazer nunca mais na vida, mas que foi útil; precisava conhecer todo esse universo para contá-lo no filme com credibilidade”, disse o ator em conversa com a CARAS Online. Na obra, ele dá vida uma anestesista com uma rotina, aparentemente, comum. “A diferença é que ele não sabe dizer ‘não’ para nada”, explicou. “Um certo dia, ele precisa levar o bolo de aniversário para a festinha da filha dele e muita coisa acontece”, adiantou Lázaro, que categorizou o filme como ‘uma comédia que precisa ser assistida’.
Seu parceiro de plantões, o anestesista Geraldo é um dos responsáveis pelo tom cômico do longa. “Geraldo é o cara mais desorganizado e mais louco do hospital”, definiu seu intérprete, o ator Milhem Cortaz (38). “Mas, tem algo bem legal no roteiro, que é humano, e que me deu a liberdade de ir para o humor. Toda vez que o hospital sai fora do controle, a pessoa chamada para organizar tudo é o próprio Geraldo. Ele é louco, mas não é inconsequente”.
Ainda no grande elenco, a bela Fernanda Machado (31) vive uma dona de casa que abdica de seus sonhos para se dedicar totalmente ao lar. “Essas mulheres [donas de casa], ao meu ver, são verdadeira heroínas. Acho isso genial, sou uma admiradora de mulheres assim”, contou a atriz à reportagem. “Ela é uma pessoa comum, bem possível e bem real; o tipo de gente que você encontra toda hora em qualquer lugar. Para mim, é um prazer poder fazer um trabalho em que as pessoas irão se identificar”, exaltou.
Passado na cidade de São Paulo, Amanhã Nunca Mais conta ainda com muitos rostos conhecidos das grandes cidades, caso dos motoboys, que arriscam a vida diariamente cortando o trânsito nas abarrotadas vias da metrópole. Luis Miranda (41), prestigiado humorista, deu vida a um deles. “Quem mora em uma cidade como são Paulo, com certeza já viveu uma dia de cão na cidade”, afirmou. O intérprete, contudo, vê um ponto positivo em sua atuação. “Acho que o filme ensina a ter bom humor no trânsito, a compreender como funciona essa máquina da modernidade”.
Paula Braun (32), atriz e esposa do galã Mateus Solano (30), teve o desafio de viver dois papéis: uma enfermeira, que trabalha no hospital com o personagem de Lázaro Ramos, e uma prostituta – outra figura conhecida das grandes cidades. “Faço uma mulher da vida que é encontrada na rua pelo Walter e acaba sendo um dos entraves para ele conseguir chegar no objetivo final dele”, explicou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Grande elenco, encabeçado por Fabio Assunção, estreia longa-metragem polêmico na Mostra de São Paulo
Com grande elenco, formado por Fabio Assunção, Gabriel Braga Nunes e Maria Padilha, ‘O País do Desejo’, que estreou em São Paulo durante a Mostra de Cinema, toca em temas delicados sobre os dogmas da Igreja
Um padre contra os dogmas e o celibato da igreja. Assim está Fabio Assunção (40) em O País do Desejo, filme de Paulo Caldas que teve estreia na noite desta sexta-feira, 28, durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Em entrevista à CARAS Online, o ator partiu para defesa de seu personagem. “Meu personagem diz, em uma de suas falas no filme, que ele não lida com os livros, mas com as pessoas”, explicou. Na trama, o padre de Fabio vai contra os conceitos da Igreja Católica ao defender, por exemplo, o aborto – no caso de uma menina de apenas nove anos, violentada e engravidada pelo pai, que corre o risco de morrer caso dê à luz. “Ele não está preocupado com os dogmas da igreja e sim com o fato das pessoas poderem viver bem; e eu acho que é bem essa a função de um padre”, voltou a esclarecer.
Além dessa polêmica, O País do Desejo também trata de um romance proibido entre o personagem de Assunção e uma musicista vivida pela atriz Maria Padilha (52) – uma pianista com uma doença terminal. “Resumindo o filme, é uma grande história de amor, ainda que muito imprevista e complicada”, sintetiza Fabio.
A princípio, Maria Padilha tocaria violoncelo. A atriz já estava treinando há um mês quando, a pedido do cineasta, teve que mudar tudo de última hora. “Dois meses antes de filmar, o Paulo [Caldas] decidiu que eu tocaria piano no filme porque eu já havia estudado o instrumento na adolescência. Bom, é como fazer ginástica olímpica na adolescência e, agora, pedirem para você dar três mortais, né (risos). Mas, deu certo, tive um preparador ótimo”, contou ela à reportagem. “Toquei somente três músicas no filme. Tinham sugerido que eu dublasse as canções, mas achei mais difícil, preferi tocar do jeito que eu sei”. E o trabalho acabou despertando uma paixão antiga em Maria. “Voltei a me apaixonar pelo piano; faço aulas até hoje”.
Completando o elenco, Gabriel Braga Nunes (39), cuja última aparição nas telinhas da TV foi na novela Insensato Coração na pele do vilão Léo, dá vida ao médico da personagem de Padilha. O ator mostrou estar bem orgulhoso com o resultado do longa-metragem. “É um filme excelente, que tem uma assinatura, um diferencial”, resumiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Um padre contra os dogmas e o celibato da igreja. Assim está Fabio Assunção (40) em O País do Desejo, filme de Paulo Caldas que teve estreia na noite desta sexta-feira, 28, durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Em entrevista à CARAS Online, o ator partiu para defesa de seu personagem. “Meu personagem diz, em uma de suas falas no filme, que ele não lida com os livros, mas com as pessoas”, explicou. Na trama, o padre de Fabio vai contra os conceitos da Igreja Católica ao defender, por exemplo, o aborto – no caso de uma menina de apenas nove anos, violentada e engravidada pelo pai, que corre o risco de morrer caso dê à luz. “Ele não está preocupado com os dogmas da igreja e sim com o fato das pessoas poderem viver bem; e eu acho que é bem essa a função de um padre”, voltou a esclarecer.
Além dessa polêmica, O País do Desejo também trata de um romance proibido entre o personagem de Assunção e uma musicista vivida pela atriz Maria Padilha (52) – uma pianista com uma doença terminal. “Resumindo o filme, é uma grande história de amor, ainda que muito imprevista e complicada”, sintetiza Fabio.
A princípio, Maria Padilha tocaria violoncelo. A atriz já estava treinando há um mês quando, a pedido do cineasta, teve que mudar tudo de última hora. “Dois meses antes de filmar, o Paulo [Caldas] decidiu que eu tocaria piano no filme porque eu já havia estudado o instrumento na adolescência. Bom, é como fazer ginástica olímpica na adolescência e, agora, pedirem para você dar três mortais, né (risos). Mas, deu certo, tive um preparador ótimo”, contou ela à reportagem. “Toquei somente três músicas no filme. Tinham sugerido que eu dublasse as canções, mas achei mais difícil, preferi tocar do jeito que eu sei”. E o trabalho acabou despertando uma paixão antiga em Maria. “Voltei a me apaixonar pelo piano; faço aulas até hoje”.
Completando o elenco, Gabriel Braga Nunes (39), cuja última aparição nas telinhas da TV foi na novela Insensato Coração na pele do vilão Léo, dá vida ao médico da personagem de Padilha. O ator mostrou estar bem orgulhoso com o resultado do longa-metragem. “É um filme excelente, que tem uma assinatura, um diferencial”, resumiu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Atores e cineastas celebram obra de Leon Cakoff na abertura da Mostra
Renata de Almeida, Serginho Groisman, Jeferson De, Gero Camilo, Giselle Itié, Daniela Thomas, Toni Venturi, Débora Duboc e Laís Bodanzky compareceram na abertura da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e celebraram a obra de seu organizador, Leon Cakoff
A abertura da 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que aconteceu na noite desta quinta-feira, 20, no Auditório do Ibirapuera, foi marcada pelo luto por Leon Cakoff, crítico de cinema nacional que idealizou e criou um dos eventos mais importantes do cinema mundial.
Cakoff, que faleceu no dia 14 deste mês, por conta de um câncer no tecido epitelial, recebeu homenagens e teve sua contribuição cultural enaltecida por atores, cineastas e nomes da sétima arte. Organizadora da Mostra de SP ao lado de Leon, Renata de Almeida teve pouco tempo, mas conseguiu fazer uma singela e justa homenagem ao seu parceiro de longa data. “Hoje seria a missa de sétimo dia, mas acredito que é esse tipo de missa que o Leon gostaria de ter”, comentou. “Ele enfrentou censura e dificuldades financeiras para manter a Mostra, sempre procurando o inusitado e o diferente. O cinema era seu vício. Mesmo doente, ele não quis se ausentar. Ele deixa saudades, mas deixa também sua marca”.
Antes da exibição do filme de abertura, O Garoto da Bicicleta, um vídeo com entrevistas, fotos, lembranças de Leon, permeado com depoimentos de amigos e colegas de trabalho, foi transmitido emocionando uma plateia que aplaudia de pé. Serginho Groisman, orador da abertura (juntamente com Rubens Ewald Filho e Marina Person), recordou de seus momentos ao lado do crítico. “Minha primeira entrevista foi com o Leon; ali começamos uma amizade duradoura. É uma honra ter conhecido esse homem que praticamente dedicou metade da vida dele a um evento para uma cidade que ele adotou como sua”, discursou.
O prefeito Gilberto Kassab fechou a noite com seu pronunciamento: "Venho representando a cidade de São Paulo, que agradece o trabalho de Leon, sempre envolvido com a arte; trago uma mensagem de fé e um abraço carinhoso para ele. E que seu legado continue por muitas edições da Mostra".
Outros nomes do cinema nacional também deixaram seu tributo:
Jeferson De, cineasta: “Participei da Mostra do ano passado com 'Bróder' e fui muito bem recebido pelo Leon. Ele me disse ‘Bem-vindo ao mundo do cinema’. Ele foi meu tutor, meu professor”.
Gero Camilo, ator; está com o filme Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios - com Camila Pitanga no elenco - na programação do evento: “Cakoff nos ofereceu cultura, uma verdadeira revolução cinematográfica com a Mostra".
Giselle Itê, atriz: “Esse é o momento em que o cinema brasileiro e mundial se despede de seu criador. Tomara que o cinema continue a vibrar do jeito que ele esperava”.
Daniela Thomas, cineasta: “Estou nervosa; essa é a primeira Mostra sem Leon Cakoff. Espero que a cidade mantenha esse evento, mesmo com a falta de seu criador”.
Laís Bodanzky, cineasta, atualmente dirige um episódio do longa-metragem Mundo Invisível, com coordenação de Leon e Renata de Almeida: “Ele está aqui hoje, porque os filmes dele estão aqui. Hoje não é só uma abertura da Mostra, é uma celebração de um trabalho de anos de empenho”.
Marina Person, apresentadora e cineasta: “Sempre que eu entrevistava Leon Cakoff, pedindo dicas de filmes da Mostra, ele me respondia ‘não tenho, você terá que assistir a todos os filmes’. Ele tratava os filmes da programação como se fossem seus filhos”.
Toni Venturi, cineasta: “Sempre vou me lembrar de uma viagem que fiz com o Kakoff para Cuba. Acompanhamos o festival de cinema de lá e, nessa trajetória, pude conhecê-lo melhor; descobri um homem muito bem humorado”.
Débora Duboc, atriz, casada com o cineasta Toni Venturi: “O Cakoff fez parte da minha formação artística, me inspirei em muitas obras que assisti aqui na Mostra”.
(Karen Lemos - CARAS Online)
A abertura da 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que aconteceu na noite desta quinta-feira, 20, no Auditório do Ibirapuera, foi marcada pelo luto por Leon Cakoff, crítico de cinema nacional que idealizou e criou um dos eventos mais importantes do cinema mundial.
Cakoff, que faleceu no dia 14 deste mês, por conta de um câncer no tecido epitelial, recebeu homenagens e teve sua contribuição cultural enaltecida por atores, cineastas e nomes da sétima arte. Organizadora da Mostra de SP ao lado de Leon, Renata de Almeida teve pouco tempo, mas conseguiu fazer uma singela e justa homenagem ao seu parceiro de longa data. “Hoje seria a missa de sétimo dia, mas acredito que é esse tipo de missa que o Leon gostaria de ter”, comentou. “Ele enfrentou censura e dificuldades financeiras para manter a Mostra, sempre procurando o inusitado e o diferente. O cinema era seu vício. Mesmo doente, ele não quis se ausentar. Ele deixa saudades, mas deixa também sua marca”.
Antes da exibição do filme de abertura, O Garoto da Bicicleta, um vídeo com entrevistas, fotos, lembranças de Leon, permeado com depoimentos de amigos e colegas de trabalho, foi transmitido emocionando uma plateia que aplaudia de pé. Serginho Groisman, orador da abertura (juntamente com Rubens Ewald Filho e Marina Person), recordou de seus momentos ao lado do crítico. “Minha primeira entrevista foi com o Leon; ali começamos uma amizade duradoura. É uma honra ter conhecido esse homem que praticamente dedicou metade da vida dele a um evento para uma cidade que ele adotou como sua”, discursou.
O prefeito Gilberto Kassab fechou a noite com seu pronunciamento: "Venho representando a cidade de São Paulo, que agradece o trabalho de Leon, sempre envolvido com a arte; trago uma mensagem de fé e um abraço carinhoso para ele. E que seu legado continue por muitas edições da Mostra".
Outros nomes do cinema nacional também deixaram seu tributo:
Jeferson De, cineasta: “Participei da Mostra do ano passado com 'Bróder' e fui muito bem recebido pelo Leon. Ele me disse ‘Bem-vindo ao mundo do cinema’. Ele foi meu tutor, meu professor”.
Gero Camilo, ator; está com o filme Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios - com Camila Pitanga no elenco - na programação do evento: “Cakoff nos ofereceu cultura, uma verdadeira revolução cinematográfica com a Mostra".
Giselle Itê, atriz: “Esse é o momento em que o cinema brasileiro e mundial se despede de seu criador. Tomara que o cinema continue a vibrar do jeito que ele esperava”.
Daniela Thomas, cineasta: “Estou nervosa; essa é a primeira Mostra sem Leon Cakoff. Espero que a cidade mantenha esse evento, mesmo com a falta de seu criador”.
Laís Bodanzky, cineasta, atualmente dirige um episódio do longa-metragem Mundo Invisível, com coordenação de Leon e Renata de Almeida: “Ele está aqui hoje, porque os filmes dele estão aqui. Hoje não é só uma abertura da Mostra, é uma celebração de um trabalho de anos de empenho”.
Marina Person, apresentadora e cineasta: “Sempre que eu entrevistava Leon Cakoff, pedindo dicas de filmes da Mostra, ele me respondia ‘não tenho, você terá que assistir a todos os filmes’. Ele tratava os filmes da programação como se fossem seus filhos”.
Toni Venturi, cineasta: “Sempre vou me lembrar de uma viagem que fiz com o Kakoff para Cuba. Acompanhamos o festival de cinema de lá e, nessa trajetória, pude conhecê-lo melhor; descobri um homem muito bem humorado”.
Débora Duboc, atriz, casada com o cineasta Toni Venturi: “O Cakoff fez parte da minha formação artística, me inspirei em muitas obras que assisti aqui na Mostra”.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Já me sinto uma mulher’, diz Mallu Magalhães lançando novo álbum
Com produção e ‘palpitecos sinceros’ do marido Marcelo Camelo, Pitanga – terceiro trabalho de Mallu Magalhães – mostra lado sensível, louco e ‘velho’ da cantora de apenas 19 anos
Mallu Magalhães (19) chegou apressada, pedindo desculpas por seu atraso para a entrevista com a equipe de CARAS Online. “Perdi a hora! Estava em casa lavando a louça e esqueci do horário. Quando o Marcelo [Camelo, músico com quem se relaciona há quatro anos e já se considera casada] acordar vai ver tudo bagunçado”, relatou, entre risos, com ar de preocupada. É fato que Mallu cresceu. Quando começou na música, aos 15 anos de idade – alavancada pela internet – muitos torceram o nariz, mas a cantora nem deu bola e seguiu seu caminho até chegar em Pitanga, seu terceiro álbum da carreira, já disponível nas lojas de discos.
Sabendo que muita coisa mudou de 2008 (quando o primeiro álbum saiu) até agora, Mallu confere a Pitanga um retrato desse crescimento. “É o retrato de uma nova fase, de um novo passo. Consegui reparar, dentro de mim, um amadurecimento pessoal, emocional e existencial. É como se eu tivesse descoberto uma parte nova de mim e, consequentemente, a minha própria musicalidade”, contou Mallu que estava vestida com galochas coloridas, saia rendada e uma jaqueta colorida – roupa escolhida às pressas ao se lembrar do horário da entrevista.
“Resolvi procurar uma estética minha para este novo trabalho. Além do amadurecimento da voz, cresci na personalidade e até no corpo. Eu era uma menina quando comecei; hoje já me sinto uma mulher”, acrescentou.
Esse despertar da maturidade deixou Mallu Magalhães, até mesmo, velha. Na faixa que abre o disco (Velha e Louca) a cantora canta seu estado de espírito atual. “Minhas letras traduzem como eu me sinto. Eu não quis dizer velha na questão de idade, mas nessa sensação de amadurecer”, explicou. “E louca eu sempre fui! Agora que eu resolvi assumir ficou tudo mais fácil [risos]. Sou louca mesmo. Todo mundo é!”.
Outra faixa do álbum, Highly Sensitive, também diz muito sobre sua autora. “Altamente sensível. Eu sou assim; sensível, intensa. O tempo todo estou lidando com meus sentimentos”, revelou. “Mas eu gosto disso. Gosto de sentir, identificar, potencializar, desenvolver e traduzir em arte algo que existe dentro de mim”.
Assim como indica Highly Sensitive, mais do que nunca, o novo disco terá algumas canções em inglês e – pela primeira vez – se encontrará com composições em português. “As pessoas não tem limitações na música. Elas ouvem música pela sonoridade, não pela língua. Além disso, o brasileiro, porque mais que ele não entenda, ele escuta muitas canções em inglês”, exemplificou a moça, que diz não se preocupar com uma carreira internacional (“isso vem com o esforço do nosso trabalho e também com uma certa torcida”, riu) e que já surpreendeu muito gringo em shows fora do Brasil. “Já fiz show em Portugal, Espanha e Canadá; o público se interessou mais pelo meu lado bossa nova, Samba – justamente as músicas cantadas em português”.
Todo o processo para o nascimento de Pitanga, no entanto, não foi um trabalho solo. Mallu contou com o auxílio e contribuição de Marcelo Camelo. “Ele se mostrou um produtor muito bom, não esperava que ele fosse tão bom assim. Marcelo sempre tinha uma resposta para meus questionamentos e dúvida com relação ao álbum. E respeitou e incentivou minhas opiniões”, disse. “Além disso, ele é um músico excelente, mas sou coruja para falar, né?”, brincou ainda.
A turnê que Mallu está preparando a partir do novo trabalho também terá dedo do ‘maridão’. Camelo será o diretor da série de shows que terão início no dia 18 de novembro no Studio RJ, no Rio de Janeiro. Para otimizar as apresentações, Mallu terá apenas três músicos acompanhando ela na estrada. “Cada um tocará um instrumento diferente em cada música. Super rico”, prometeu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Mallu Magalhães (19) chegou apressada, pedindo desculpas por seu atraso para a entrevista com a equipe de CARAS Online. “Perdi a hora! Estava em casa lavando a louça e esqueci do horário. Quando o Marcelo [Camelo, músico com quem se relaciona há quatro anos e já se considera casada] acordar vai ver tudo bagunçado”, relatou, entre risos, com ar de preocupada. É fato que Mallu cresceu. Quando começou na música, aos 15 anos de idade – alavancada pela internet – muitos torceram o nariz, mas a cantora nem deu bola e seguiu seu caminho até chegar em Pitanga, seu terceiro álbum da carreira, já disponível nas lojas de discos.
Sabendo que muita coisa mudou de 2008 (quando o primeiro álbum saiu) até agora, Mallu confere a Pitanga um retrato desse crescimento. “É o retrato de uma nova fase, de um novo passo. Consegui reparar, dentro de mim, um amadurecimento pessoal, emocional e existencial. É como se eu tivesse descoberto uma parte nova de mim e, consequentemente, a minha própria musicalidade”, contou Mallu que estava vestida com galochas coloridas, saia rendada e uma jaqueta colorida – roupa escolhida às pressas ao se lembrar do horário da entrevista.
“Resolvi procurar uma estética minha para este novo trabalho. Além do amadurecimento da voz, cresci na personalidade e até no corpo. Eu era uma menina quando comecei; hoje já me sinto uma mulher”, acrescentou.
Esse despertar da maturidade deixou Mallu Magalhães, até mesmo, velha. Na faixa que abre o disco (Velha e Louca) a cantora canta seu estado de espírito atual. “Minhas letras traduzem como eu me sinto. Eu não quis dizer velha na questão de idade, mas nessa sensação de amadurecer”, explicou. “E louca eu sempre fui! Agora que eu resolvi assumir ficou tudo mais fácil [risos]. Sou louca mesmo. Todo mundo é!”.
Outra faixa do álbum, Highly Sensitive, também diz muito sobre sua autora. “Altamente sensível. Eu sou assim; sensível, intensa. O tempo todo estou lidando com meus sentimentos”, revelou. “Mas eu gosto disso. Gosto de sentir, identificar, potencializar, desenvolver e traduzir em arte algo que existe dentro de mim”.
Assim como indica Highly Sensitive, mais do que nunca, o novo disco terá algumas canções em inglês e – pela primeira vez – se encontrará com composições em português. “As pessoas não tem limitações na música. Elas ouvem música pela sonoridade, não pela língua. Além disso, o brasileiro, porque mais que ele não entenda, ele escuta muitas canções em inglês”, exemplificou a moça, que diz não se preocupar com uma carreira internacional (“isso vem com o esforço do nosso trabalho e também com uma certa torcida”, riu) e que já surpreendeu muito gringo em shows fora do Brasil. “Já fiz show em Portugal, Espanha e Canadá; o público se interessou mais pelo meu lado bossa nova, Samba – justamente as músicas cantadas em português”.
Todo o processo para o nascimento de Pitanga, no entanto, não foi um trabalho solo. Mallu contou com o auxílio e contribuição de Marcelo Camelo. “Ele se mostrou um produtor muito bom, não esperava que ele fosse tão bom assim. Marcelo sempre tinha uma resposta para meus questionamentos e dúvida com relação ao álbum. E respeitou e incentivou minhas opiniões”, disse. “Além disso, ele é um músico excelente, mas sou coruja para falar, né?”, brincou ainda.
A turnê que Mallu está preparando a partir do novo trabalho também terá dedo do ‘maridão’. Camelo será o diretor da série de shows que terão início no dia 18 de novembro no Studio RJ, no Rio de Janeiro. Para otimizar as apresentações, Mallu terá apenas três músicos acompanhando ela na estrada. “Cada um tocará um instrumento diferente em cada música. Super rico”, prometeu.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Fernanda Montenegro: ‘Acho que melhorei’
Aos 81 anos de idade, Fernanda Montenegro vive Simone de Beauvoir em ‘Viver Sem Tempos Mortos’, peça que reestreia em São Paulo. “É mais do que passear pela obra de Simone; fiz uma revisão da minha própria vida que tive a coragem e o privilégio de levar ao palco”, contou à CARAS Online
Apenas uma cadeira, uma luz central e uma Fernanda Montenegro (81) de calças escuras e blusa social branca convocando memórias, vivências e atirando pensamentos ora reflexivos, ora contestadores, para a plateia compõe Viver Sem Tempos Mortos (termo usado durante protestos das revoluções da contracultura no Brasil no final da década de 1960). A peça, que reestreia no Teatro Raul Cortez, São Paulo, no próximo dia 8 de outubro consegue, ainda, se sustentar durante uma hora por conta da obra forte de Simone de Beauvoir (1908 - 1986), escritora, filósofa e feminista francesa, e da incontestável presença de palco da veterana que, ao desembarcar em seu universo, acabou encontrando com ela mesma no meio do caminho.
“Foi mais do que passear pela obra de Simone, eu fiz uma revisão da minha própria vida que tive a coragem e o privilégio de levar ao palco”, afirmou Fernanda em entrevista à CARAS Online.
“Tenho 81 anos, sendo que passei 65 anos vivendo publicamente, trabalhando no teatro, televisão e cinema. Passei por muitos textos, muitas mudanças; tive filhos, netos, perdi mãe, pai, irmão, marido; experiências boas e duras. E sempre encontro no texto de Simone algo que me faça refletir sobre a própria vida. No geral, nós duas vivemos de formas parecidas. Acho que se eu pudesse sentar com ela, hoje, teríamos muitas memórias em comum”.
Com direção de Felipe Hirsch e cenário de Daniela Thomas, Viver Sem Tempos Mortos teve sua temporada suspensa em 2010 para que a atriz pudesse trabalhar na novela Passione (na qual deu vida a personagem Bete), de Silvio de Abreu (68). O processo, contudo, tinha sido tão intenso para Fernanda que valia a pena retornar ao palco e voltar a viver Beauvoir.
“E agora tem algo mais arquitetado também, algo se fortaleceu nesse caminho. Acho que melhorei”, disse, entre risos, expressando seu típico bom humor. Existe, além disso, um esgotamento físico de Fernanda durante o espetáculo (“Eu termino a peça suando. Eu não ando pelo palco, mas tenho que ter uma concentração enorme”) não somente pelo pensamento denso de sua personagem, mas também porque a atração toda é apresentada em forma de um monólogo - um desafio para qualquer ator, mas que enriquece sua experiência. “Todo ator tem que monologar diante da plateia em algum momento da carreira. É como viver ou morrer, uma experiência importante que precisa acontecer”, definiu.
Simone e Sartre
O livro Tête-à-Tête, de Hazel Rowley, obra que reúne correspondências em cartas de Simone de Beauvoir com Jean-Paul Sartre (1905 - 1980), filósofo, escritor e crítico francês, foi essencial para o nascimento de Vivendo em Tempos Mortos. A partir disso, Fernanda fez suas pesquisas e um aprofundado laboratório para dar veracidade à sua Simone no tablado. “Foi um trabalho de dois anos em cima da obra da Simone e do Sartre”, recordou. “Fiz um resumo de 200 páginas do que li; o que não é nada, é só um cheiro de uma vida que foi contada em cerca de seis volumes de biografias”.
Houve até mesmo um árduo trabalho para sintetizar os pensamentos prolixos, nada fáceis, vindas de uma mulher extremamente verborrágica, que com suas ideias mudou o mundo a partir da metade do século passado. “Como uma boa francesa, Simone pensava bem e falava claramente seu pensamento; um pensamento que contribuiu para que a humanidade fosse menos dividida. No seu tempo, o homem era absoluto e a mulher era o ‘outro’”, disse.
Para atriz, sem Simone e sem Sartre, não haveria a contracultura; não haveria as revoluções de 1968, não teriam possibilidades as grandes mudanças, que podemos vivenciar hoje. “Os dois contribuíram para uma mudança a partir de dois princípios: a liberdade e a verdade”, concluiu, fazendo uma breve análise do novo século. “Hoje, a coisa feminista ficou meio desagradada. Prefiro falar mais do feminino que, para mim, é a grande presença atualmente. O Brasil é um país matriarcal. Na vida contemporânea, a mulher tem tomado o espaço e assustado os homens”.
Plateia farta
Para quem já apresentou textos do dramaturgo irlandês [Samuel] Beckett (1906 - 1989) para uma plateia lotada na periferia do Rio de Janeiro, ter ou não ter um teatro cheio não é mais uma preocupação. “Quando fiz Beckett na periferia, a preço popular, vi a plateia vindo de ônibus, assistindo compenetrada, aplaudindo de pé e indo embora feliz para sua casa”, recordou.
Algo bem parecido aconteceu na primeira temporada de Viver Sem Tempos Mortos. “Fiquei surpresa ao ver uma plateia farta, interessada e integrada em tudo que estava acontecendo no palco”.
“Não podemos ‘preconceituar’ a capacidade de envolvimento de uma plateia dita inculta, periférica. Esse espetáculo me confirma que, todo trabalho que tenha clareza, é para todo tipo de público. Não se pode dirigir o que o povo tem que ver”, reclamou.
E quem quiser conferir a peça apenas para assistir à veterana Fernanda Montenegro no palco pode se surpreender com um espetáculo rico. Afinal, para a atriz, um grande nome em cima do palco não diz nada. “O público pode até ir ao teatro, mas se for para assistir uma porcaria de peça, ele levanta da cadeira e vai embora”, ressaltou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Apenas uma cadeira, uma luz central e uma Fernanda Montenegro (81) de calças escuras e blusa social branca convocando memórias, vivências e atirando pensamentos ora reflexivos, ora contestadores, para a plateia compõe Viver Sem Tempos Mortos (termo usado durante protestos das revoluções da contracultura no Brasil no final da década de 1960). A peça, que reestreia no Teatro Raul Cortez, São Paulo, no próximo dia 8 de outubro consegue, ainda, se sustentar durante uma hora por conta da obra forte de Simone de Beauvoir (1908 - 1986), escritora, filósofa e feminista francesa, e da incontestável presença de palco da veterana que, ao desembarcar em seu universo, acabou encontrando com ela mesma no meio do caminho.
“Foi mais do que passear pela obra de Simone, eu fiz uma revisão da minha própria vida que tive a coragem e o privilégio de levar ao palco”, afirmou Fernanda em entrevista à CARAS Online.
“Tenho 81 anos, sendo que passei 65 anos vivendo publicamente, trabalhando no teatro, televisão e cinema. Passei por muitos textos, muitas mudanças; tive filhos, netos, perdi mãe, pai, irmão, marido; experiências boas e duras. E sempre encontro no texto de Simone algo que me faça refletir sobre a própria vida. No geral, nós duas vivemos de formas parecidas. Acho que se eu pudesse sentar com ela, hoje, teríamos muitas memórias em comum”.
Com direção de Felipe Hirsch e cenário de Daniela Thomas, Viver Sem Tempos Mortos teve sua temporada suspensa em 2010 para que a atriz pudesse trabalhar na novela Passione (na qual deu vida a personagem Bete), de Silvio de Abreu (68). O processo, contudo, tinha sido tão intenso para Fernanda que valia a pena retornar ao palco e voltar a viver Beauvoir.
“E agora tem algo mais arquitetado também, algo se fortaleceu nesse caminho. Acho que melhorei”, disse, entre risos, expressando seu típico bom humor. Existe, além disso, um esgotamento físico de Fernanda durante o espetáculo (“Eu termino a peça suando. Eu não ando pelo palco, mas tenho que ter uma concentração enorme”) não somente pelo pensamento denso de sua personagem, mas também porque a atração toda é apresentada em forma de um monólogo - um desafio para qualquer ator, mas que enriquece sua experiência. “Todo ator tem que monologar diante da plateia em algum momento da carreira. É como viver ou morrer, uma experiência importante que precisa acontecer”, definiu.
Simone e Sartre
O livro Tête-à-Tête, de Hazel Rowley, obra que reúne correspondências em cartas de Simone de Beauvoir com Jean-Paul Sartre (1905 - 1980), filósofo, escritor e crítico francês, foi essencial para o nascimento de Vivendo em Tempos Mortos. A partir disso, Fernanda fez suas pesquisas e um aprofundado laboratório para dar veracidade à sua Simone no tablado. “Foi um trabalho de dois anos em cima da obra da Simone e do Sartre”, recordou. “Fiz um resumo de 200 páginas do que li; o que não é nada, é só um cheiro de uma vida que foi contada em cerca de seis volumes de biografias”.
Houve até mesmo um árduo trabalho para sintetizar os pensamentos prolixos, nada fáceis, vindas de uma mulher extremamente verborrágica, que com suas ideias mudou o mundo a partir da metade do século passado. “Como uma boa francesa, Simone pensava bem e falava claramente seu pensamento; um pensamento que contribuiu para que a humanidade fosse menos dividida. No seu tempo, o homem era absoluto e a mulher era o ‘outro’”, disse.
Para atriz, sem Simone e sem Sartre, não haveria a contracultura; não haveria as revoluções de 1968, não teriam possibilidades as grandes mudanças, que podemos vivenciar hoje. “Os dois contribuíram para uma mudança a partir de dois princípios: a liberdade e a verdade”, concluiu, fazendo uma breve análise do novo século. “Hoje, a coisa feminista ficou meio desagradada. Prefiro falar mais do feminino que, para mim, é a grande presença atualmente. O Brasil é um país matriarcal. Na vida contemporânea, a mulher tem tomado o espaço e assustado os homens”.
Plateia farta
Para quem já apresentou textos do dramaturgo irlandês [Samuel] Beckett (1906 - 1989) para uma plateia lotada na periferia do Rio de Janeiro, ter ou não ter um teatro cheio não é mais uma preocupação. “Quando fiz Beckett na periferia, a preço popular, vi a plateia vindo de ônibus, assistindo compenetrada, aplaudindo de pé e indo embora feliz para sua casa”, recordou.
Algo bem parecido aconteceu na primeira temporada de Viver Sem Tempos Mortos. “Fiquei surpresa ao ver uma plateia farta, interessada e integrada em tudo que estava acontecendo no palco”.
“Não podemos ‘preconceituar’ a capacidade de envolvimento de uma plateia dita inculta, periférica. Esse espetáculo me confirma que, todo trabalho que tenha clareza, é para todo tipo de público. Não se pode dirigir o que o povo tem que ver”, reclamou.
E quem quiser conferir a peça apenas para assistir à veterana Fernanda Montenegro no palco pode se surpreender com um espetáculo rico. Afinal, para a atriz, um grande nome em cima do palco não diz nada. “O público pode até ir ao teatro, mas se for para assistir uma porcaria de peça, ele levanta da cadeira e vai embora”, ressaltou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
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