quinta-feira, 3 de junho de 2010

Entrevista exclusiva: Oliver Stone

<a href="http://video.br.msn.com/?mkt=pt-br&from=&vid=9769369e-8f6e-4a15-aeaf-07704f72e2a3" target="_new" title="Oliver Stone">Vídeo: Oliver Stone</a>

domingo, 16 de maio de 2010

Retratos de um fotógrafo apaixonado relembram o nascimento de Brasília

“Anos JK” traz imagens de Sérgio Jorge na comemoração dos 50 anos da cidade que transformou a concepção do Brasil





















Retratar os momentos iniciais de Brasília, bem como o contexto histórico e cultural que efervescia no Brasil, é o ponto central de “Os Anos JK: A Era do ‘Novo’”, em cartaz no Caixa Cultural São Paulo no mês de maio. Para celebrar a criação da cidade capital, a mostra reuniu cerca de 75 imagens de dois grandes nomes da fotografia no Brasil atuantes naquela época: Jean Manzon e Sérgio Jorge.

“A ideia geradora era fazer uma recuperação da sociedade brasileira no período, o que acontecia no Brasil na época em que Brasília foi imaginada pelo Juscelino Kubitschek”, conta Rodrigo Silva, um dos curadores da exposição.

A tarefa não fácil. Iniciada no ano passado, e incitada pelas comemorações dos 50 anos da capital em 2010, o curador revirou pilhas de acervos, nomes e imagens para traçar o panorama da forma que pensou. Muitos dos acervos consultados se mostraram inviáveis, já que um programa jurídico, referente a direitos autorais, indisponibilizou as obras.

Um dos mais ricos registros consultados pertence ao jornal “Última Hora”, que retém muitas imagens do período. Por conta dessas complicações autorais, no entanto, a curadoria teria que conseguir a permissão de cada fotógrafo do jornal (sendo que muitos já faleceram) para tornar viável a exposição.

Afastado essa possibilidade remota, o foco acabou caindo em Manzon, renomado fotojornalista e cineasta francês que trabalhava no setor de propaganda de Getúlio Vargas, e posteriormente, no de Juscelino Kubitschek; e Sérgio Jorge, fotógrafo da Gazeta e Revista Manchete que acompanhou os momentos da inauguração da cidade, assim como os principais eventos que corriam paralelamente naquela época.

A partir daí foi uma questão de mergulhar em negativos, imagens e mais imagens, dos acervos riquíssimos de ambos os fotógrafos, e traçar uma linha temporal que contasse a história brasileira em uma ocasião específica do país.

“Foi um grande desafio reunir conjunto de imagens e ao mesmo tempo tivesse um atrativo estético, imagens bem feitas, bonitas e interessantes, e que ao mesmo tempo fossem historicamente importante e significativas”, conta Rodrigo.

Para se obter uma imersão, a mostra ainda conta com ambientação climática. A trilha sonora, claro, é bossa nova, representando o movimento musical que surgiu nos anos JK, representando a atmosfera progressista e positiva da época. Há também espaços imobilizados com móveis característicos da década de 60, como poltronas, iluminarias, mesa, e até um rádio bem antigo, cujo visitante poderá ouvir na programação pronunciamentos políticos que noticiam a respeito da inauguração de Brasília.

A ideia é trazer uma Brasília em sua inocência, que muitos não tiveram oportunidade de conhecer e assistir germinar. Aquela cidade que cheirava a novidades, transformação, modernização e muitas possibilidades possíveis. Uma imagem bem diferente da qual conhecemos hoje.





















“Brasília especificamente, é uma cidade injustiçada, porque a associamos ao que ocorre na imagem da política, o que a classe política faz em Brasília. E esquecem, enquanto realização humana, a cidade é um espaço singular na história contemporânea. Um dos fatores relevantes é conseguir mostrar esse período com um olhar que não seja o olhar contemporâneo que construímos da cidade”, explica a curadoria.

O olhar de um mestre

O clima está perfeito. Agora vale desfrutar do registro de imagens dispostas, vindos diretamente do acervo pessoal de cada fotógrafo. Sérgio Jorge, por exemplo, coletava negativos de seus trabalhos na época em que trabalhava na imprensa, para preservar uma memória já longeva, existente apenas em suas lembranças e nos pixels e grãos de sua roleflex.

“Não eram tantas pessoas que fotografavam naquela época, e Sérgio Jorge estava em todos os acontecimentos representativos para o Brasil. Ele acompanhou a inauguração, a queima de fogos, fotografou tudo o que aconteceu. Além disso, tem outros registros, como a rodoviária da cidade, ainda muito primária, e de populares que chegavam a todo o momento em Brasília. Tem também uma parte inteira dedicada a outros assuntos, como esportes, trazendo o que de mais importante aconteceu, na época da inauguração de Brasília, enfim, é um panorama bem diversificado”, detalha Renato Suzuki, que assina a curadoria ao lado de Rodrigo da Silva.
















A fotografia ainda engatinhava no Brasil, mas Sério Jorge já detinha a curiosidade, a ousadia e a paixão necessária para se oferecer de corpo e alma na profissão. Se não fosse por suas imagens, nós, sem dúvidas, ficaríamos com a falta de uma parcela dos momentos cruciais que transformaram a história do país.

“Naquela data, não ia nenhum representante da gazeta para lá. Eram poucos os fotógrafos, e as fotografias existentes também eram são poucas, a preocupação era registrar mais em filmes. Quando fiquei sabendo da inauguração, soube que iam apenas dois ou três repórteres, e nenhum fotógrafo. A inauguração, que é um ato tão importante, eu fazia questão de ir. Peguei o carro, saí em um final de tarde, viajei a noite toda, e cheguei no dia seguinte. Consegui pegar tudo, desde o hasteamento da bandeira, até a queima de fogos no final”, revela Sérgio Jorge, relembrando de uma das experiências profissionais mais marcantes da carreira.

Em uma das primeiras visitações, Sérgio conta que teve a possibilidade de fotografar o avião do presidente, e recebeu convite, do próprio, para tomar café nas dependências da recém-inaugurada Alvorada. Na sequência, foi convidado pelos militares da gestão JK para fazer um vôo por Brasília ainda em obras, o que lhe possibilitou fazer fotos do alto, registro raro, de uma cidade que ainda nascia.

Quando foi agradecer pela oportunidade, o fotógrafo ousado de deparou com a família de Juscelino no palácio da Alvorada. Teve, então, a chance indispensável de fotografar todos os membros da família juntos. As imagens resultaram no registro de um lado mais humano do presidente, aquele que o Sérgio sempre tentou ressaltar.

“Ele era de muito fácil trato, simpático, sempre sorrindo, sempre preocupado com sua imagem. Fazia gestos para a foto, e depois gostava de ver como ficou. Lembro que fotografei um encontro de Juscelino com Jânio Quadros em São Paulo, e ele estava com a gravata torta, tive que avisá-lo, já que Juscelino sempre ficou preocupado em sair arrumado”, recorda.

Hoje afastado profissionalmente da carreira, Sérgio lamenta a falta de incentivo a trabalhos como que exerceu anos atrás, e sugere que algum órgão do governo reserve uma verba para incentivar profissionais do Brasil inteiro a registrar aspectos humanos, cidades e personalidades importantes em materiais para recontar nossa história e fichar um grande arquivo nacional.

A exemplo desta preocupação, ele relembra ocorridos de descasos com seu trabalho imensurável há 50 anos atrás, na inauguração de Brasília. Tendo batido cerca de sete rolos de filmes (o equivalente a mais de 80 fotos), boa parte desse monte foi simplesmente jogado no lixo pela Gazeta, 20 anos após seu registro, quando este não era mais ‘atual’ o suficiente para os arquivos do jornal. A nossa sorte foi que, precavido, Sérgio sempre guardou parte dos negativos de suas imagens, como se quisesse prender resquícios de suas memórias e memórias empoeiradas que, aos 73 anos, recorda emocionado.





















“Você estando lá, vendo a bandeira, ouvindo o hino nacional, vendo a beleza das construções ao lado. Me arrepiei. Aquilo era significativo, teu coração batia forte sendo brasileiro, você sentia fazer parte daquilo tudo. Toda vez que volto lá, fico olhando, e me lembro daquele dia”, diz, nostálgico.

(Karen Lemos - O Estado RJ)

"Estou um pouco baiana agora", confessa Mariana Ximenes












“Burguesa, careta, típica menina abandonada pelo pai que resolve viver na boemia”. É assim que Mariana Ximenes define sua personagem Vanda, em seu novo longa “Quincas Berro d’Água”, que teve pré-estreia em São Paulo, na segunda-feira (3).

Baseado na obra de Jorge Amado, não foi nada difícil para atriz mergulhar no universo do autor clássico da nossa literatura. “Devoradora de livros” desde criancinha, Mariana já sabia muito bem onde estava pisando quando aceitou fazer parte do elenco do filme, que tem direção de Sérgio Machado (“Cidade Baixa”).

“Já tinha lido muitas obras de Jorge Amado. O mais engraçado é que, quando eu era pequena, considerei o livro ‘Quincas Berro d’Água’ como meu preferido, e claro, isso foi um ponto forte para ter aceitado este trabalho”, declarou a atriz em entrevista ao Famosidades.

Rodado entre quatro semanas na Bahia (“Um lugar que eu amo de paixão”, afirmou Mariana), o longa relata a história nada convencional de Joaquim, um ex-funcionário público que dedicou sua vida à esbórnia, e falece aos 72 anos, deixando uma legião de “seguidores” que prometem fazer do aniversário do defunto uma grande festa.

Das gravações, Mariana retém somente as boas lembranças.

“Foi realmente um privilégio. O elenco é primoroso. Aqueles atores locais, baianos, maravilhosos, sabe? A equipe foi maravilhosa, e a fotografia do filme é linda. Foi fantástico”, definiu a atriz, que ainda garantiu, entre risos: “Voltei meio baiana de lá”.

Falando em elenco, Ximenes assumiu uma honra imensurável de ter trabalho ao lado de Paulo José, que dá vida ao personagem Joaquim – seu pai na trama. Curiosamente, pai e filha pouco se encontram na projeção do filme, mas fora das telas o relacionamento é outro, percebe-se pelo teor dos elogios de Mariana ao citar o colega.

“O Paulo é super generoso, profundamente humano, um ator espetacular. Sou fã dele. Fã do Paulo homem e ator”, confessou.













No casting ainda há nomes como Marieta Severo, Vladmir Brichta, Luis Miranda e Flávio Bauraqui.

Extremo oposto é outra personagem vivida por Ximenes. Clara, vilã de “Passione”, nova novela global das 21 horas, é super contemporânea e, segundo sua intérprete, apresenta várias facetas.“É uma vigarista, tem uma acidez; ela é extremamente inteligente, toda abusada e que não tem moral nenhuma”, definiu.

Percebeu alguma relação com Vanda da obra de Jorge Amado? Pois é, essa diversidade de papéis é um prato cheio para Ximenes, e ela explica o porquê.

“Gosto de atuar em vários veículos, teatro, televisão, cinema, justamente para poder interpretar personagens diferentes. Cada um é um aprendizado diferente, em cada experiência você aprende algo de fato”, afirmou.

Em “Passione”, por exemplo, Clara viverá um romance com o personagem de Tony Ramos, levantando a questão do amor e a diferença de idade. “Eu acredito que o amor não tem limites, não tem barreiras mesmo”, explicou a atriz, justificando o envolvimento entre os dois.

Além de cinema e televisão, a loira promete uma volta aos palcos do teatro, lugar do qual não consegue se afastar. Porém, pelo menos por enquanto, isso fica para mais tarde. “Vou ficar um ano gravando ‘Passione’, totalmente mergulhada na novela e só depois eu quero fazer teatro. Adoro voltar para o palco, tenho muitas saudades dele. Creio que seja a raiz de todo o ator, então eu voltarei", anunciou.

Ximenes está em uma nova fase: mais iluminada, radiante, e solteira... Ela não nega que um suposto relacionamento possa ter ajudado nesta renovação, mas também não entregou nada. Na conversa, só deu trabalho e “Passione”, a qual atribuiu o motivo de tanta felicidade.

“É a novela (risos). Esse trabalho está me instigando, estou super feliz com o meu papel na trama. Silvio de Abreu fez uma personagem que é um deleite para qualquer ator”, desconversou.

(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sequência de "Avatar" terá cenas na Amazônia, diz James Cameron

















De passagem pelo Brasil, único país da América Latina a receber sua visita, o cineasta James Cameron apresentou a versão Blu-Ray para seu megasucesso “Avatar”, que será lançado em DVD no dia 22 de abril.

Nesta data, não por acaso, comemora-se o dia da Terra. Nada mais apropriado para “Avatar”, filme que está carregado de mensagem ecológica. Preservação e sustentabilidade foram assuntos que dominaram a conversa na coletiva de imprensa realizada com o diretor, o produtor Jon Landau, e os atores Sigourney Weaver e Joel David More neste domingo (11), em São Paulo.

“Todos os países têm problemas, mas se resumirmos a mensagem em uma só, ela é a mesma: nós achamos que somos os donos da natureza. ‘Avatar’ nada mais é do que o nosso mundo, os problemas são os mesmos”, disse Cameron.

O Brasil foi escolhido a dedo pela equipe para o lançamento da versão Blu-Ray por um motivo bem claro. “Fiquei curioso para ver como o Brasil reagiria a esta mensagem, já que o desmatamento que é uma realidade por aqui. E realmente foi um sucesso, o filme bateu recordes de bilheteria no país”, anunciou.

O sucesso e o carinho pelo Brasil podem resultar em cenas realizadas na floresta Amazônica, que podem fazer parte da sequência de “Avatar”. “Vamos ter algumas cenas na Amazônia brasileira, mas nada grandioso; vamos deslocar poucas pessoas da equipe para lá”, adiantou.
Há duas semanas em terras tupiniquins, James aproveitou para arregaçar as mangas ao invés de apenas discutir o problema ambiental.














“Estive em Manaus no Fórum Internacional de Sustentabilidade da Amazônia, e também visitei a floresta Amazônica, onde conservei com indígenas e tive a ideia de criar um projeto ambiental”, contou o diretor que, após a passagem pela comunidade indígena, conversou com a produtora Fox para acertar os detalhes de um projeto que pretende plantar 1 milhão de árvores em vários países durante todo o ano.

Em São Paulo, Cameron deu o ponta-pé inicial. Na manhã do domingo (11), o cineasta plantou a primeira árvore do projeto no Parque do Ibirapuera. “Foi um ato simbólico, uma pequena parte do que ainda é necessário ser feito”, resumiu.

Uma das protagonistas de “Avatar”, Sigourney Weaver, que esteve presente no plantio da árvore pela manhã, se sentiu honrada de fazer parte deuma produçãoque chama a atenção para questões ecológicas. “Essa é a primeira vez que trabalho em um filme onde nós somos os vilões, e não o contrário [Sigourney é estrela da saga ‘Alien’]. Em ‘Avatar’ somos menos desenvolvidos do que os alienígenas”, explicou.

Encantada com nosso país, nas palavras da atriz não faltaram elogios ao Brasil, que também serviu como base de comparações: “Nos Estados Unidos cometemos muitos erros em relação à poluição. Poluímos nossos rios, eliminamos nossas tribos indígenas. Olhamos para o Brasil, para essa riqueza toda, e sentimos que podemos fazer a diferença aqui”.

A atriz também falou a respeito das gravações de “Avatar” que foram, no mínimo, curiosas. Parcialmente realizado em estúdio de fundo azul para criar efeitos especiais em 3D, os atores tiveram que fazer uma pesquisa de campo para conseguir atuar. “Fomos para o Havaí, no meio da floresta, para analisar o território, já que no estúdio não teríamos nada de cenário. Lá aprendemos como caminhar entre as árvores e trouxemos isso para nossa ação dentro do filme”, detalhou Sigourney.

No encontro, Cameron falou ainda a respeito de produzir um filme em formato 3D. “Parece estressante, mas foi bem rápido e até divertido. Não houve preocupação com cenário, figurino, maquiagem e cabelo, nada disso; só fiquei focado nos movimentos dos atores”.

A versão Blu-Ray, comentou o cineasta, foi justamente pensada para manter a impressão das cores e dos efeitos vistos nas telonas do cinema. ”A qualidade de imagens é equivalente a do cinema. Em 25 anos de carreira como cineasta essa é a melhor versão de um filme meu lançado em DVD”, explicou.

Com tanta experiência assim, o cineasta tenta entregar sua receita de sucesso para ganhar as bilheterias mundiais, baseado em um tema atrativo, na conexão do público com os personagens e, principalmente, na mensagem a ser passada.

“’Avatar’ não teria feito tanto sucesso se não tivesse atingido esses objetivos. É um filme que não traz fatos, mas que fala de emoções, do comportamento humano, e do direito dos povos indígenas. Nós saímos do cinema e olhamos para dentro”, concluiu.

Cameron fica no Brasil até quarta ou quinta-feira, segundo sua assessoria. De São Paulo, o cineasta segue para Brasília, onde participa de uma conferência ambiental, e na sequência, viaja para Altamira, município do Xingu, no Pará, para conversar com moradores afetados pelo desmatamento.

(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

Glória Pires: “Sou ex-fumante, sei como é a luta”














Glória Pires e a cineasta Anna Muylaer

“É Proibido Fumar” levou os principais prêmios de público e crítica, em uma rara concordância entre as duas partes que votam, da festa do 36º SESC Melhores Filmes, realizado na quarta-feira (7), no CineSESC de São Paulo.

Destaque da noite, a premiada Glória Pires subiu emocionada para receber o troféu de melhor atriz por dar vida a Baby, uma quarentona solteira que tenta, a todo custo, se livrar do vicio do cigarro. Com roteiro e direção (ambos também premiados) de Anna Muylaert, Glória conta porque aceitou o convite da cineasta e mergulhou de cabeça no papel.

“O que me leva a fazer o personagem é o desafio, a identificação, uma mensagem que, de certa forma, toca as pessoas. Tudo que está dentro tem que ir para a tela, desde o medo até as alegrias. Uma personagem sempre tem um pouco da gente, um pouco do que a gente quer falar, e quando o publico entende isso é muito legal”, disse, em entrevista ao Famosidades.

No longa, Baby vive constantemente envolta de muita fumaça. Fuma quando está nervosa, quando está triste, frustrada, satisfeita, enfim, fuma sempre. Ao mesmo tempo, tenta se livrar daquele que parece ser seu único companheiro de todos os momentos. Glória conhece bem a realidade de Baby e enfrentou uma batalha parecida, mas, diferente de sua personagem, saiu vitoriosa.

“Sou ex-fumante, então sei bem como é essa luta. O meu segredo foi a força de vontade mesmo. Decidi que não ia mais fumar, e parei mesmo. Isso foi após o parto da minha penúltima filha. Antes, em quase todas as gestações eu parava, mas logo em seguida voltava com o cigarro”.

Bem aceito pelo público, toda a equipe de “É Proibido Fumar” pareceu tranquila na hora receber o prêmio máximo da noite: Melhor Filme. Glória não deixou de agradecer a oportunidade oferecida pela diretora Anna Muylaert, e ainda salientou os elogios à colega.

“Nunca tinha trabalhado com a Anna antes, mas eu já admirava o trabalho ela. Tinha assistido ‘Durval Discos’ quando ela me propôs o roteiro de ‘É Proibido Fumar’; na hora senti que fosse dar certo, sabe? No final, acabei ganhando uma grande amiga”, celebrou.

Durante a conversa, a atriz ainda falou sobre a produção cinematográfica no Brasil, e sobre o que a atrai para o escurinho do cinema.

“Primeiro são os atores que tenho como ídolos (risos), depois, claro, tenho curiosidade de conhecer as histórias. Sempre admirei o cinema brasileiro. Mesmo quando a produção era pouca. Foi um momento complicado, mas as pessoas souberam ser muito elásticas e acabaram trazendo algo positivo para o nosso cinema. Vemos reflexo disso hoje no crescimento da nossa produção, nos constantes lançamentos e nos filmes que atingem a todos nós”, contou.

Voltando de Paris, após gravações de um novo filme chamado “O Santo e o Dragão”, Glória finca novamente os pés em sua terra natal, e promete voltar para as telinhas no segundo semestre deste ano.

“No meio do ano vou gravar a próxima novela do Gilberto Braga, ainda não posso adiantar muita coisa, está cedo ainda e não sei até onde eu posso revelar, então prefiro não comentar nada a respeito, só sei que será muito bacana. O Gilberto [Braga] me resumiu o trabalho como uma tentativa de se livrar da Maria de Fátima [personagem vivida por Glória em 1988 na novela global ‘Vale Tudo’”] (risos).

Segundo a coluna de Patrícia Kogut, do jornal O Globo, a atriz deverá interpretar uma vilã na nova trama, que por enquanto está batizada com o nome de “Lado a Lado”.

Cheia de prêmios e boas oportunidades para cinema e televisão, o que mais será que Glória Pires ainda pode desejar? Com bom humor, ela revela que nem tenta uma ousadia dessa, pois a vida já lhe presenteou muito.

“Tudo tem sido tão legal para mim, mais legal ainda que os melhores sonhos que já tive. Nem ouso pedir mais. Estou com 40 anos de carreira e sinto que ainda posso aprender, conhecer gente maravilhosa e me deslumbrar com novos projetos”, conclui.

Além de Glória, o Festival premiou outros 36 filmes escolhidos entre os 315 exibidos no circuito paulista no ano de 2009. Entre os destaques está “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, que levou os prêmios de filme estrangeiro, diretor e ator para Christopher Waltz.

“A Festa da Menina Morta”, do estreante na direção Matheus Nachtergaele, recebeu o troféu fotografia, para Lula Carvalho, e ator para Daniel de Oliveira, que não pode comparecer a premiação já que está rodando cenas da próxima novela das oito “Passione”, de Silvio de Abreu, na Itália.

“Estou aqui, tomando um vinhozinho na Itália, enquanto gravo “Passione”, disse o ator em tom divertido, no vídeo de agradecimento que enviou, arrancando risos da plateia.


(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

Noite de APCA

















A minissérie global “Som e Fúria” foi o grande destaque na entrega do troféu APCA, na noite de terça-feira (6), premiação que elege os melhores da área cultural no ano, segundo os jornalistas da Associação Paulista dos críticos de arte de São Paulo.

Realizado no Sesc Pinheiros, na capital paulista, o evento ficou marcado pela vitória da minissérie na categoria Melhor Programa de Televisão. No palco em nome de todo elenco e equipe, o diretor Fernando Meirelles fez um breve agradecimento nos momentos finais da cerimônia.

“Achei bacana produzir uma coisa diferente, foi uma das experiências mais agradáveis que tive. Todo o elenco, equipe e atores foram maravilhosos. Desde o primeiro momento eu senti que foi algo que encaixou mesmo, teve química”, contou Meirelles para o Famosidades.

O cineasta saiu da premiação satisfeito, mas desejando a possibilidade de dirigir uma segunda temporada de “Som e Fúria”; o que parece fácil está um pouco enrolado para sair do papel e acontecer na telinha da Globo

“Estamos vendo isso com a Rede Globo. Eles não ficaram tão satisfeitos assim com os índices de audiência”, revelou. O curioso é que a minissérie veio somando elogios de critica e público ao longo do ano.

O protagonista Felipe Camargo, que teve a carreira alavancada com o personagem Dante, também saiu vencedor na noite, mas, por conta do temporal que castigou o Estado do Rio de Janeiro na noite anterior, teve sua viagem para São Paulo impossibilitada.

“Felipe Camargo está chateado que não conseguiu vir, foi o primeiro prêmio que ele ganhou”, lamentou Meirelles.

Camargo deixou seu agradecimento em nota, lida no palco, justificando sua ausência, e agradecendo muito “o diretor e homem” Fernando Meirelles que, segundo o ator, lhe ofereceu a oportunidade de voltar a ativa. “Eu estava quase em depressão, Meirelles me levantou”, escreveu.

Boa parte dos artistas vencedores não compareceram por causa das chuvas torrenciais do Rio de Janeiro que, desde a noite passada, impossibilita os cariocas de se locomoverem, até mesmo em direção ao aeroporto, na tentativa de pegar a ponte área para receber o troféu.

O incidente não desanimou a festa, que contou com diversos representantes dos premiados, desde colegas de profissão até parentes. O dinamismo e bom humor de Dan Stulbach, apresentador da cerimônia ao lado de Maria Fernanda Cândido, ajudou. Aceito pelo público, Dan também aprovou a experiência como ‘premiador’.

“O bacana da festa é essa mistura, todo mundo falando dos respectivos trabalhos, se encontrando. Foi um prazer imenso poder presentear e celebrar com essa gente toda”, confessou o ator que considera o prêmio APCA um dos mais importantes da área cultural.
















A experiência, que foi bem diferente da noite anterior, foi tranquila na análise do ator. “Fico mais nervoso para ganhar (risos)”, revela Dan, que recebeu, na segunda-feira (5), o prêmio de melhor atuação no prêmio ACIE de Cinema, por sua atuação em “Tempos de Paz”, de Daniel Filho.

Stulbach solta o verbo

No cinema, no teatro, ou nas telinhas, Dan brilha e faz bonito; não foi por acaso que vibrou, e fez questão de largar por minutos a bancada de apresentador para agradecer o prêmio para “Som e Fúria”, do qual fez parte do elenco na pele do vilão Ricardo, personagem bem sucedido, mas que não garantiu sua estadia na televisão.

“Recentemente decidi não ter um contrato fixo com a Globo, não quero isso, decidi que vou ganhar por obra”, conta Dan. O artista garante que isso não atrapalha em nada seu relacionamento com a emissora, e mal vê a hora de voltar como Ricardo, caso o canal aceite uma segunda temporada da minissérie. “Eu adoro televisão, quero fazer parte disso, mas não é a única coisa da minha vida”, justificou.

É nas telonas que Dan vem investindo alto. O ator tem planos para alguns trabalhos cinematográficos, mas, só o que ele pode nos adiantar é um projeto já em processo de finalização. “Suprema Felicidade”, de Arnaldo Jabor, traz Dan na pele do pai de um garoto que, de certa forma, é uma espécie de figura autobiográfica do cineasta. Durante a entrevista, Dan salientou a honra que teve de trabalhar com bons diretores.

“Foi o máximo, nesses últimos tempos trabalhei com três diretores ótimos (Fernando Meirelles, Daniel Filho e Arnaldo Jabor). Todos na sequência. O Jabour é super intenso e muito verdadeiro. Não tenho ideia de como vai sair esse filme, mas sei que será maravilhoso”, adianta.

Acompanhado na premiação do ACIE, e sozinho no APCA, Dan penou para disfarçar seu envolvimento com uma nova affair - que preferiu não revelar quem é; fez de tudo para despistar os jornalistas, e depois explicou: “Estou namorando, sim. Mas sou tímido, não gosto que saibam tanto da minha vida assim. Eu não faço teatro para aparecer, e sim para desaparecer. Quanto menos souberem melhor”, desconversou.

Para finalizar, Dan ainda comentou sobre as tragédias decorrentes das chuvas no Rio de Janeiro, que deixou a festa com um ar ‘vazio’, e criticou a forma como nosso país vem sendo dirigido. “O Brasil é um país que está crescendo, está melhorando, só que a infraestrutura não acompanha nosso desenvolvimento”.

Premiados da noite

Além de “Som Fúria”, também foram destaques da premiação Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte, Larissa Maciel, a “Maysa”, que venceu melhor atriz e ao esteve presente no palco; Glória Pires, melhor atriz na categoria cinema.

Na música, Céu levou melhor cantora de música popular, Ney Matogrosso foi premiado por melhor show, Os Paralamas do Sucesso foram considerados o melhor grupo de 2009, e a carioca Maria Gadú, revelação do ano.

(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Exposições com artistas de renome agitam cotidiano paulistano

Obras de Andy Warhol, Hélio Oiticica e Maureen Bisilliat chegam à cidade mais heterogênea do país





















No meio da confusão cultural de uma megalópole como São Paulo, é preciso traçar prioridades para aproveitar tudo que a cidade oferece, principalmente a partir do mês de abril, quando três grandes exposições chegam por aqui juntas. Mas, São Paulo é assim. Quando tem coisa boa, vem tudo ao mesmo tempo. Para não se perder, confira detalhes dos atrativos que O Estado RJ reuniu para programar sua agenda cultural do mês:

“Fotografias”

Sempre em busca de sua própria raiz, a inglesa Maureen Bisilliat encontrou identificação em nosso povo e cultura, passando a fotografar diversas facetas do Brasil, um qual que até muitos de nós desconhece. Em cartaz até julho na galeria de arte do Sesi São Paulo, “Maureen Bisilliat: fotografias”, conta com um acervo rico, beirando 200 fotografias cedidas pelo Instituto Moreira Sales.

“A ideia foi abrir a exposição juntamente com um livro de fotografias. Por um lado foi uma coisa trabalhosa, mas também deixou bem mais claro o caminho a ser escolhido”, explica Maureen, que começou a pensar no projeto no inicio de 2009.















A base de “Fotografias” ficou focada em trabalhos que resultaram em publicações ao longo da carreira da fotógrafa. “Nunca me satisfez inteiramente a imagem divorciada, a imagem única; sempre usei como referencia o mundo dos escritores”, explica.

Surge daí, então, grandes parcerias com escritores célebres como Euclides da Cunha, João Guimarães Rosa, e o amigo Jorge Amado. Todo passeio pela galeria do Sesi resulta em uma viagem pelas terras tupiniquins, e também por locais inusitados, estreitamente ligados em suas tradições, em outros países como Japão, China, África, Bolívia, e mundo afora.

“Fotografias” ainda reserva outros atrativos, como objetos, guardados pela artista, que resultam em seu processo criativo. Estão lá negativos do ensaio sobre o Xingu indígena, chapas de fotolitos do livro embasado no clássico literário “Os Sertões”, máquinas de impressão de jornais, correspondências com outros artistas e amigos, e etc.

“Museu é o Mundo”

Desde o incêndio que danificou parte de seu acervo no ano passado, o nome de Hélio Oiticica e sua arte foram apenas comentados no boca a boca; suas obras, porém, jamais tiveram o privilégio da presença do público – elemento mais que essencial na obra de Oiticica.

“A maioria das obras nunca havia sido expostas juntas em um contexto de exposição individual, onde podemos aprofundar questões de seu desenvolvimento ao longo do tempo”, explica César Oiticica Filho, sobrinho do artista.
















O curador da exposição, Fernando Cocchiarale, complementa, ressaltando que o processo artístico de Oiticica não começa e termina em seus “penetráveis”, “bólides”, “parangolés”, “metaesquemas” e outros personagens de seu universo. Todo o ciclo criativo, registrado em anotações obsessivas do artista, também são encontrados lá.

“O diferencial dessa curadoria é que ela se entrecruza através dos escritos. Toda exposição é guiada por citações do próprio Oiticica referente ao processo de criação dos seus trabalhos”, conclui Cocchiarale.

Pioneiro, muito cedo o artista plástico percebeu e visualizou a real importância do público na construção de suas obras. No ano de 1964, notando que as galerias de artes estavam cheias de ‘vazios’ [“Ele compreende que o quadro não é uma exigência da pintura, e sim da obra renascentista”, esclarece o curador], Oiticica revolucionou com a arte que sai do quadro e vai para o espaço real.

O público como influenciador das obras é bem explicitado na arte de Oiticica através de seus penetráveis. Justamente foram essas peças curiosas que, além de estarem presentes no Itaú Cultural – espaço em que a mostra é sediada, também se encontram espalhadas em pontos estratégicos da cidade de São Paulo.

“Oiticica compôs trabalhos para serem expostos na rua [justifica-se aí a frase que batiza a exposição ‘Hélio Oiticica - Museu é o mundo’]. Ele é uma espécie de co-curador da exposição. A única que fiz foi respeitar a vontade dele”, explica Cocchiarale.

“Mr. América”

Líderes políticos, ídolos de Hollywood, artigos de consumo. Nada escapou da percepção sarcástica de Andy Warhol, artista plástico da década de 60 que ganhou fama naturalizando objetos triviais (como sopas, bananas e refrigerantes) e estetizando o “horroroso” aos olhos humanos.


















O que mais chama atenção em “Andy Warhol, Mr. América”, exposta na Estação Pinacoteca do Estado de São Paulo, sem dúvida é a obsessão do artista pela morte. Retratos de suicídios e registros de acidentes não impressionam tanto, quando colocados lado a lado, em cores diversas.

A arte de Warhol bebeu do vouyeurismo da geração de 60, da alienação e do culto pelas celebridades e dos ’15 minutinhos’ de fama, do qual o próprio Warhol se esbaldou. Sim, pois esse era, acima de tudo, uma estrela vaidosa.

No principio, essa era a idéia de um jovem artista que, em 1962, realizou sua primeira exposição individual, aquela que resultou em 32 telas somente com imagens de sopas Campbell. A relação com o produto é bem curiosa: sua mãe, então afetada financeiramente pela crise dos anos 30 nos Estados Unidos, lhe servia a sopa nos almoços que ficaram gravados em suas lembranças remotas de menino.

A desigualdade social é um dos tantos temas polêmicos abordados pela arte aguçada de Warhol, que criticou o “American Way of Life” usando elementos aparentemente triviais como, por exemplo, uma garrafa de coca-cola, produto consumido pelo mendigo da esquina até pelo presidente dos Estados Unidos. “Nos EUA, o consumidor mais rico compra as mesmas coisas que o pobre. As cocas-colas são todas iguais!”, dizia Warhol.

Além das “Campbells” e “Coca-Colas”, outras serigrafias mais conhecidas também estão lá. Sequências da megastar Marilyn Monroe, do líder comunista Mao Tse-Tung, e do representante da política americana John F. Kennedy aparecem lado a lado, coloridos e banalizados.

Nada surpreendente para um artista que nunca economizou em suas palavras, nem mesmo quando questionado pelo crítico musical da “Interview”, Glenn O’Brien, se realmente acreditava no Sonho Americano. “Não, mas acho que podemos ganhar muito dinheiro com isso”, respondeu.

(Karen Lemos - O Estado RJ)