sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Paulo Guedes minimiza demissões e defende "gastar um pouco mais"

Ao lado de Bolsonaro, ministro afirmou que a economia brasileira é "forte o suficiente" para segurar despesa extra do Auxílio Brasil

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 22, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a falar de "licença para gastar" mesmo após a reação negativa do mercado, que levou a uma crise no Poder e até a boatos de sua demissão. Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, em uma prova de que permanece firme no governo, Guedes justificou a pressão no teto de gastos e garantiu que a economia brasileira é "forte o suficiente para segurar isso".

Guedes iniciou a coletiva explicando que o plano do governo era reajustar o Bolsa Família tendo a reforma do Imposto de Renda como fonte, mas a matéria 'empacou' no Senado; além disso, a questão dos precatórios diminuiu ainda mais o que o governo pensou que poderia contar no orçamento. "Chegou o que eu chamei de 'meteoro', tínhamos que pagar muito mais do que estava previsto e daí foi preciso tomar uma decisão. Íamos inviabilizar o programa social? Não. Fomos conversar com o Congresso e elaboramos a PEC dos precatórios, que permite a grandes devedores ajudar o Brasil", explicou.

Até os efeitos da PEC - que ainda tramita no Congresso - trazerem resultado, Guedes falou que é possível gerar déficit agora e pagar depois. "Não é uma despesa adicional. É gastar um pouco mais agora e pagar depois (...) estamos de olho nos limites, isso não é uma libertação, falta de compromisso, sair ou rever o teto, não é isso o que está acontecendo. O programa é temporário, a arrecadação subiu muito e podemos usar esses recursos no futuro".

"Eu detesto furar o teto, não gosto de furar o teto, mas não estamos aqui só para tirar [nota] 10 no fiscal", acrescentou.

Segundo o ministro da Economia, esse gasto extra "não altera o fundamento fiscal da economia brasileira". "Os fundamentos são sólidos; o que vamos fazer é reduzir o ritmo do ajuste fiscal, ou seja, ao invés de zerarmos o déficit ano que vem, nós teremos déficit de 1% ou 1,5%; não faz mal. Preferimos isso a não atender aos mais frágeis", pontuou. "A economia brasileira é forte suficiente para segurar isso. Eu seguro isso, não tenho problema com isso".

O ministro atribuiu ainda à "falta de comunicação" o "barulho" que gerou na mídia e nos mercados suas falas sobre o teto de gastos. "Falta de comunicação do nosso lado e certa falta de boa vontade e tolerância conosco", detalhou.

Paulo Guedes afirmou também que "deve haver uma linha do meio" entre austeridade e compromisso com as futuras gerações. "Nós entendemos que o teto é símbolo de austeridade, mas não vamos deixar que milhões passem fome para tirar [nota] 10 em austeridade fiscal". Ele acrescentou ainda que, pela ala política, o Auxílio Brasil seria de R$ 500 ou R$ 600. “Aí não dá, tem limites", respondeu.

Demissões

Paulo Guedes comentou ainda a ‘debandada’ em sua equipe após as declarações sobre “licença para gastar” acima do teto. O ministro considerou as demissões como “natural”. Pediram exoneração o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, sua adjunta, Gildenora Dantas,  o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e seu adjunto, Rafael Araújo.

“Um [que saiu] era do Tesouro, o outro da Fazenda. Eles queriam R$ 300 [para o auxílio] e a ala política queria mais", explicou.

O ministro colocou ainda um fim aos rumores de que ele próprio deixaria o cargo. "Eu não pedi demissão e em nenhum momento o presidente sugeriu coisa parecida", concluiu.

(Karen Lemos - Portal Terra)

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Veja destaques do debate da Band entre Bruno Covas e Guilherme Boulos em São Paulo


Foto: Kelly Fuzaro/Band

Os candidatos que disputam o segundo turno das eleições em São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), se encontraram pela primeira vez na TV aberta nesta quinta-feira, 19, nos estúdios da Band na capital paulista.

No primeiro bloco do programa, os candidatos responderam questões elaboradas por jornalistas do Grupo Bandeirantes. A primeira pergunta foi de Joel Datena, que quis saber sobre a retomada das aulas. Com as crianças em casa, muitas mães estão impossibilitadas para seguir em jornada de trabalho. Atual prefeito que tenta a reeleição, Bruno Covas disse que o pior da pandemia já passou, mas ainda não é o momento para a retomada das aulas no município. 

“Eu sei da aflição que as mães têm, mas ainda não é o momento. A vigilância sanitária do município ainda não aprovou essa retomada. Ainda temos uma quantidade grande de crianças que não está imunizada e pode levar essa doença para suas casas. Estamos em um momento de estabilidade [da pandemia] em São Paulo. Desde começo, a prefeitura seguiu orientações da vigilância sanitária. O vírus não é de esquerda ou de direita, é uma realidade a ser enfrentada”.

Na réplica, Guilherme Boulos concordou que a decisão tem que ser médica, e não política. “Agora, é evidente que São Paulo está tanto tempo sem aula porque não lidou bem com a pandemia no início. Não fez testagem em massa e levantamento epidemiológico, prejudicando não só o retorno às aulas, mas a cidade como um todo. Gostaria de falar para as mães que tenho compromisso de zerar a fila da creche em um investimento em quatro anos, com mais de 200 creches de 130 alunos cada, garantindo que toda mãe possa trabalhar”. 

Na tréplica, Covas refutou: “é fácil ser engenheiro de obra pronta. Podem reclamar, mas em nenhum momento podem me chamar de ter sido omisso em relação ao coronavírus. Vamos continuar enfrentando e respeitando a ciência. Creche é possível zerar a fila a partir do ano que vem, garantindo às mães que passam pelo programa Mãe Paulistana, que terão creche para seus filhos em 2021”.

"Não podem dizer que sou omisso", diz Bruno Covas:

O jornalista Marcello D'Ângelo levantou para Boulos a questão sobre o orçamento municipal e como gerar novas receitas para custear projetos como tarifa zero e renda solidária. “Teremos uma experiência socialista em São Paulo?”, questionou. 

O candidato do PSOL pontuou que a prefeitura tem muito dinheiro no orçamento e que a questão é de prioridade de gastos. “Em caixa, mesmo na pandemia, a prefeitura tem pouco mais de R$ 10 bi livres. Isso poderia ampliar investimentos e mesmo no combate à pandemia. Vamos utilizar recursos para inverter prioridades. A diferença nossa para o governo do Bruno é que eu não vou gastar orçamento para fazer reforma de R$ 100 milhões no Anhangabaú enquanto tem gente vivendo em lugar com esgoto aberto. Vamos cobrar a dívida ativa de grandes devedores e empresas, dando condições para a Procuradoria trabalhar digitalizando os processos, tendo uma recuperação fiscal entre R$ 10 e R$ 12 bi – é daí que vamos tirar dinheiro para implementar os programas”. 

"A questão da cidade não é de dinheiro", diz Guilherme Boulos:
Na réplica, Bruno Covas disse que conhecer a realidade do orçamento público faz toda a diferença. “O candidato confunde recurso em caixa com recursos disponíveis. Todo ano a prefeitura discute o orçamento, não cabe ao prefeito achar que o recurso em caixa vai para esse ou aquele local. Serve para pagar funcionários, contratos de obras; não significa que estão à disposição. E nós aumentamos em 25% a recuperação da dívida ativa em relação ao governo do PT”.

Guilherme Boulos, em sua tréplica, falou que a estimativa de bilhões em recursos livres é do próprio Tribunal de Contas. “São recursos para urbanização das favelas, e você não fez. O que faltou foi prioridade. A prefeitura fez obras eleitoreiras, calçadas novas, um monte de recapeamento, e não fez as obras que precisava fazer”. 

A apresentadora do Band Eleições, Sheila Guimarães, perguntou sobre o aumento das internações por covid-19 no município e sobre um possível lockdown. O atual prefeito chamou a tese de fake news. “Os números da Secretaria de Saúde mostram estabilidade no número de casos, de óbitos e aumento no número de internações. Sobre esse aumento, é preciso levar em consideração que houve diminuição da quantidade de leitos para coronavírus. Havendo necessidade, há possibilidade rapidamente desses leitos voltarem a ser referenciados. Houve também aumento internações de pessoas de fora da cidade de São Paulo. Não há espaço para fake news disseminadas nesse instante que passada a eleição haverá lockdown na cidade. Não há espaço para avançar mais na flexibilização e números na cidade de São Paulo que aponte qualquer necessidade de lockdown. É preciso refutar esse tipo de notícia disseminada às vésperas da eleição”. 

Em seu comentário, o candidato do PSOL lamentou o que chamou de disputa política partidária da vacina contra a covid-19. “A pandemia tem que ser tratada sob as perspectivas de saúde pública, e não política. Me preocupa muito o Bruno falando em fake news, mas o próprio governo do Estado disse que só vai definir as regras sobre fechamento no dia 30 de novembro, um dia após as eleições. É no mínimo estranho que se defina essa data”, afirmou.

Na tréplica, Covas garantiu que a prefeitura trabalha com nomes bem preparados para orientar a prefeitura a agir diante da pandemia. “Não há partidarização ou politização em relação ao tema. Se houvesse, não deixaria para hoje mais uma coletiva para tratar desse tema. Na cidade temos seguido sempre a orientação da vigilância sanitária e assim que vamos continuar a enfrentar esses desafios. Para enfrentar a pandemia é preciso experiência”. 

Por fim, a jornalista Sonia Blota perguntou sobre o auxílio emergencial em tempos de pandemia. Boulos respondeu que, se eleito, fará o programa Renda Solidária. “É lamentável que o governo federal tenha decidido encerrar o auxílio emergencial, sendo que milhões de família ainda dependem desse recurso para botar comida na mesa. Eu vou criar o programa que vai atender cerca de um milhão de famílias em situação de extrema pobreza com um valor que chega até R$ 400, mas não vai beneficiar apenas quem tem necessidade, mas a economia da cidade. Quem receber esse dinheiro vai gastar na padaria, no açougue, no mercado do bairro, ativando a economia local e gerando empregos. O custo estimado do programa é de R$ 3,5 bi ao ano. Cabe no orçamento da cidade, não apenas com recursos existentes, mas recuperando recursos da dívida ativa da cidade”

Na réplica, Covas disse que a prefeitura enviará às famílias uma complementação devido à redução do valor do auxílio emergencial. “Essa lei foi sancionada recentemente e permitiu que tivéssemos R$ 2,5 bi a mais para ajudar a enfrentar os desafios da pandemia”. 

No comentário final, Guilherme Boulos argumentou que acha curioso a afirmação de Covas, sendo ele de um partido que votou pelo fim do auxílio emergencial na Câmara dos Deputados. “O Bruno teve oportunidade de aprovar a renda solidária em São Paulo e não o fez. Foi aprovar agora, a um mês e meio das eleições. Essa é uma característica dos governos do PSDB, que São Paulo já cansou. Tudo o que não fizeram em três anos, concentram tudo perto das eleições. Trabalham como se a memória da população fosse curta, isso já não funciona mais”.

Embate direto 

No segundo bloco do encontro entre os candidatos do segundo turno das eleições em São Paulo, Covas e Boulos tiveram a oportunidade de se confrontar de forma direta: cada um teve 15 minutos disponíveis para fazer perguntas de temas livres.

Na primeira pergunta, Boulos quis saber sobre a atuação da prefeitura no combate à pandemia de coronavírus na cidade. Covas voltou a citar a estabilização no número de casos da doença. “Não há dado a ser escondido, todas as ações são ações aprovadas e orientadas pela vigilância sanitária. Em São Paulo não há número a ser escondido, ação a ser escondida. Pelo contrário, temos o cuidado em manter todas orientações. Temos 700 mil pessoas monitoradas pela secretaria. Em São Paulo, não tivemos cenas repetidas mundo afora: médicos escolhendo quem era entubado ou não. Aqui, todos que buscaram tratamento, receberam tratamento. Em relação à pandemia, temos total transparência”. 

"Não há nenhum dado a ser escondido", diz Covas sobre pandemia:


Boulos comentou que a cidade não fez sua lição de casa com testagem em massa e manteve hospitais fechados em regiões atingidas pelo vírus. “A prefeitura falhou no enfrentamento à pandemia”, afirmou. 

Covas criticou: “para quem se omitiu no momento é fácil vir aqui dizer como a prefeitura tem feito ou deixado de fazer. Não havia testes disponíveis para testar toda a população”. 

Puxando um outro tema, Covas trouxe a questão da segurança pública. Em resposta, Boulos criticou a atuação da gestão Covas a este respeito. “O papel da polícia não é dar porrada em trabalhador. A questão dos ambulantes precisa de diálogo. Não é papel da GCM arrancar cobertor de morador de rua, correr atrás de uma senhora que está vendendo café e bolo, isso comigo não vai acontecer, que fique muito claro. E tenho certeza que nem é desejo de policiais, é orientação de governo”. 

Covas respondeu que a única menção que Boulos faz à PM em seu programa de governo é chamar a corporação de genocida. “Queria dizer que é uma alegria poder ter trabalhado em conjunto com a PM para melhorar os índices de segurança na cidade de São Paulo e queremos ampliar ainda mais fazendo a Operação Delegada específica com a polícia ambiental, para proteger áreas mananciais e impedir invasões de terra na Billings e Guarapiranga”. 

Boulos e Covas debatem a questão da segurança pública:


Sobre os mais de 1 milhão de desempregados em São Paulo e a crise econômica que assola a cidade na pandemia, Boulos quis saber da reação da prefeitura a esses problemas. O atual prefeito citou mutirões de emprego e cursos de qualificação profissional como medidas tomadas. “Nós reduzimos a burocracia; o prazo para abrir empresa era de 110 dias, hoje é 2 dias e meio. Para obter alvará eram mais de 500 dias, hoje são 70 dias, facilitando a atração de investimentos. A pandemia requer ação extra. Vamos ampliar as frentes de trabalho e continuar na linha da desestatização”. 

Na tréplica, o candidato do PSOL lembrou o governo de Fernando Haddad, do PT, para criticar o manejo do orçamento municipal. “Você não recebeu a prefeitura com um rombo. O Haddad deixou R$ 4 bi livres para você e para o [João] Doria. E no período mais grave da quarentena, eu estava liderando uma campanha de solidariedade, distribuindo toneladas de alimentos, máscaras, álcool gel e produtos de higiene. Era isso o que eu estava fazendo”.

Por fim, Guilherme Boulos quis saber a respeito do vice de Bruno Covas, Ricardo Nunes (MDB). “Ele tem investigação no Ministério Público, suspeitas de gente do grupo dele recebendo aluguel superfaturado de creches conveniadas. Onde tem desvio, tem que combater. Você bota a mão no fogo pelo seu vice? ”, quis saber. 

Covas respondeu que não há indícios de casos de corrupção envolvendo seu vice. “Ele lutou para trazer recursos para a cidade de São Paulo, retomando R$ 1,2 bi que os bancos deviam para a cidade. Fazer discurso é fácil, o difícil é enfrentar banco. Já as creches conveniadas fazem um trabalho excelente. Não vamos colocar em risco o trabalho dessas creches. São quase 40 mil profissionais trabalhando nelas. Nosso grande desafio é melhorar o salário desses funcionários. Não tenho a menor dúvida de que esse trabalho vai continuar”.

Considerações finais 

O terceiro bloco do debate foi de considerações finais dos candidatos. Bruno Covas agradeceu ao Grupo Bandeirantes e destacou as ações dos últimos quatro anos de gestão tucana: “os 12 novos CÉUs, as 85 mil novas vagas em creches, a melhoria na nota do IDEB, oito novos hospitais”. Ele disse que ainda há muito para ser feito e que os desafios são grandes, em especial com a crise do coronavírus.

Covas afirmou que a grande missão é a redução da desigualdade social, que ficou muito clara com a pandemia. Depois, destacou que “minha cartilha é a cartilha da tolerância, do respeito à lei, do respeito à ordem, do respeito à diversidade. Eu acredito que não se faz justiça social se você não tiver responsabilidade fiscal”. 

Guilherme Boulos também agradeceu à Band pelo debate. Na sequência, destacou o crescimento da candidatura dele nas pesquisas. “Eu quero levar à Prefeitura de São Paulo a experiência que acumulei ao longo de 20 anos lutando ao lado das pessoas que mais precisam por dignidade no movimento social”. 

O candidato do PSOL também afirmou que vai aliar essa experiência de vida e de luta com a experiência de gestão da vice Luiza Erundina. Boulos afirmou ainda que terá um grupo de especialistas qualificados que vai ajudar São Paulo a “virar a página do abandono”. Por fim, o candidato voltou a dizer que a maior parte da população quer mudança e que isso vem com ele.

Assista ao debate na íntegra:


(Karen Lemos - Band.com.br)

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

"Quem chegar sem máscara não vai votar e ponto", ressalta Barroso sobre as eleições

(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Em entrevista exclusiva ao programa Ponto a Ponto, da BandNews TV, nesta quarta-feira, 28, o ministro do STF e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, deixou claro que quem estiver sem  máscara de proteção não poderá votar no próximo dia 15 nas eleições. 

"Quem chegar sem máscara não vai votar e ponto", destacou. "Não é questão de livre arbítrio, é questão de proteção do outro. Livre arbítrio é para decisões que nos afetam, neste caso, sem máscara não vota".

O ministro acredita que as abstenções, que costumam a ser altas, não devem atingir patamares tão altos neste ano. "A sociedade brasileira tem se tornado mais mobilizada, ela anseia pela atuação política e as eleições municipais são decisivas na vida das pessoas, porque define coisas importantes como educação, saúde, saneamento básico”, exemplificou.

Sobre o voto ser obrigatório no Brasil, para Barroso, a democracia brasileira ainda precisa desse "empurrãozinho" - como definiu. “Em um futuro próximo eu espero ter voto facultativo, mas ainda não. O voto facultativo favorece muito o voto radical, dos extremos, e agora precisamos de moderação”. 

Sistema de fiscalização de contas é deficiente, diz ministro

Na entrevista, Barroso admitiu ainda que o sistema de fiscalização de contas de candidatos é ineficiente e que pretende, após o pleito, colocar sua energia para mudar o cenário. 

“O sistema de fiscalização contas é deficiente e mesmo quando advêm punições adequadas acabam sendo anistiadas pelo próprio Congresso. Precisamos mudar o sistema eleitoral e de prestação de conta”.

Entre as ideias que Barroso pretende colocar à mesa está a prestação de contas nos moldes da declaração anual de renda, com inteligência artificial fazendo o controle, e auditorias privadas.

“Não entendo a obsessão pelo voto impresso” 

Outra medida que interessa o ministro é modernizar o sistema eleitoral através da tecnologia. Isso poderia permitir, por exemplo, os gastos que se tem hoje com a compra de urnas. “Mais de 30 empresas, como a Amazon, Microsoft e IBM, já se candidataram para apresentar modelos alternativos de eleição digital”, contou. “Elas são testes de simulação nesta eleição e vão apresentar seus modelos para modernizar o nosso sistema, que já é exemplar no mundo. Nunca houve fraudes”, pontuou. 

O ministro disse também que não entende a obsessão que algumas pessoas têm com o voto impresso – esse sim passível de fraude, segundo ele. “Não consigo entender como alguns têm saudades do que não existiu. Era um sistema muito ruim. Difícil entender essa obsessão pelo voto impresso. É como querer comprar um aparelho de vídeo cassete e subsidiar as locadoras de VHS”.

(Karen Lemos - Band.com.br)

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

BDRs poderão ser negociados por pessoas físicas, simplificando investimentos no exterior

Bolsa de valores brasileira, B3 (Foto: Divulgação)

A partir desta quinta-feira, 22, investidores pessoas físicas poderão comprar recibos de ações de companhias no exterior na bolsa brasileira. São cerca de 670 opões que surgem para o investidor brasileiro; antes, as BDRs eram apenas para investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão investido. 

A economista Betina Roxo falou mais sobre esse assunto na BandNews TV:

As BDRs, explica a especialista, são valores imobiliários emitidos no Brasil que espelham valores emitidos por companhias abertas com sede no exterior. “É uma democratização dos investimentos, que abre a possibilidade de se investir em grandes empresas como Apple, Facebook, Microsoft, diretamente do Brasil e em reais”, pontua.

A vantagem desse modelo é que, além do investidor ganhar no retorno da ação, há rendimentos também com a variação do câmbio, já que o investimento é em real.

Rossi sugere ainda que se pesquise sobre a empresa cuja ação lhe interessou. “Se for um investimento apenas pela exposição cambial, há outras maneiras, como a própria compra da moeda estrangeira”. 

Em resumo, as BDRs são uma forma mais simples de se investir, daqui do Brasil, no mercado exterior. Para começar, é importante sempre entender o seu perfil. “As ações são renda variável, têm um risco mais alto”, reforça a economista, que também cita a diversificação de carteira como outra sugestão para investimentos.

(Karen Lemos - Band.com.br)

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Aliança de Russomanno com Bolsonaro é alvo de críticas durante debate em São Paulo


Kelly Fuzaro/Band

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (Republicanos) foi o mais escolhido para as perguntas diretas no debate eleitoral de São Paulo - promovido pela Band nesta quinta-feira, 1º - e teve como alvo de críticas sua tentativa de aproximação e aliança com o presidente da República, Jair Bolsonaro. 

A candidata Joice Hasselmann (PSL), ex-aliada de Bolsonaro, questionou Russomanno sobre a delação da Odebrecht. "O senhor disse que defende o consumidor enquanto é delatado por receber dinheiro sujo de forma ilegal", afirmou. O candidato do Republicanos negou as acusações e criticou a adversária da corrida eleitoral. “Eu saio às ruas dando cara a tapa, você nunca foi as ruas de São Paulo, seu título de eleitor foi transferido recentemente para cá. Desafio a mostrar quais processos existem a meu respeito; você está mal nas pesquisas e tenta me atacar inventando coisas”, pontuou, ao que Joice responder que as informações sobre denúncia de corrupção envolvendo Russomanno “estão à disposição no Google”.

Joice Hasselmann questiona Russomanno sobre a delação da Odebrecht:


Arthur do Val (Patriota) foi um dos que criticaram a tentativa de aproximação do candidato com Jair Bolsonaro. “Sempre tenta se aliar com quem está no poder”, disse. Orlando Silva (PCdoB) usou a mesma linha para o embate, citando o programa de Russomanno aos moldes do auxílio emergencial do governo federal. “Fico perplexo que você diz que Bolsonaro dará dinheiro como se fosse um amigo. Não é dinheiro de rachadinha, viu, tem que ter regras”. 

Em sua resposta, Russomanno pontuou que quem tem problema com Bolsonaro deve levar isso para a eleição de 2022. “Estamos falando de São Paulo, onde se paga juros exorbitantes para a dívida com o governo federal, não estou inventando nada, mas de renegociar essas dívidas e ter dinheiro para atender famílias de baixa renda”. 

Guilherme Boulos também elegeu Russomanno para pergunta direta e usou a oportunidade para críticas ao adversário. “Pega mal você puxando o saco do Bolsonaro toda hora. Porque você fala fino com os poderosos e grosso com o povo?”, questionou. “Você incentiva invasões em casas de pessoas, é contra reformas, é isso o que você fará na prefeitura?”, rebateu o candidato do Republicanos. 

Polarização 

O atual prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB) – que tenta a reeleição – também foi alvo de críticas, principalmente nos embates que mostraram que a polarização de 2016 e, principalmente, de 2018, ainda permanece. 

Andrea Matarazzo (PSD), por exemplo, falou que a gestão de Bruno Covas administra mal o dinheiro da prefeitura com obras que considera desnecessárias, como no Vale do Anhangabaú, ao invés de investir em corredores de ônibus. 

Em resposta, Covas lamentou que uma pessoa inteligente como Andrea tenha “ficado tão amargo graças às derrotas que acumulou ao longo dos anos. “Não sai bem ficar falando mal da cidade de São Paulo, e nem postar imagens de alguém que invadiu uma obra inacabada. O novo Vale do Anhangabaú será um exemplo para a cidade”, disse o atual prefeito. 

Jilmar Tatto, do PT, exaltou os anos do partido na administração municipal e criticou a gestão tucana em São Paulo. “Você vai deixar R$ 4 bilhões para os empresários de ônibus neste ano. Eu vou instituir o passe livre para desempregados [no transporte público]”, pontuou. Covas respondeu que o Tatto teve sua chance quando era secretário de Transportes e não implantou nada disso. “O que o PT sabe é acabar com o que os outros começaram e dar cargos para a companheirada. Imagina se ele ganha a eleição e traz Dilma [Rousseff] para um carguinho aqui na Prefeitura?”, rebateu Covas. 

Joice Hasselmann (PSL) também recorreu à polarização para o embate com Orlando Silva (PCdoB). “Quero perguntar para o comunista, a esquerda esteve no poder e quase levou o País a falência, qual é o seu plano”? Orlando devolveu que foi ministro do ex-presidente Lula que, em oito anos, criou mais de 10 milhões de empregos. “Para o drama de São Paulo, tenho um plano de emergência de emprego e renda retomando obras públicas”, acrescentou. 

Assista ao debate na íntegra:


(Karen Lemos - Band.com.br)

Cracolândia e geração de empregos: Candidatos respondem questões selecionadas pelo eleitor


Kelly Fuzaro/Band

Os candidatos à prefeitura de São Paulo falaram sobre suas soluções para problemas da cidade que o eleitor escolheu através de uma enquete no Band.com.br. Durante o debate eleitoral nesta quinta-feira, 1º, os onze postulantes ao cargo comentaram medidas para a Cracolândia e geração de empregos.

Primeiro a responder, Orlando Silva (PCdoB) afirmou que os problemas da Cracolândia precisam ser enfrentados com medidas no campo da saúde pública, reinserção econômica dos usuários e inteligência policial para atuar na área. 


Jilmar Tatto, do PT, quer voltar com o programa De Braços Abertos – implementado no governo Fernando Haddad. “O [João] Doria e o Bruno [Covas] quando assumiram a prefeitura usaram a violência contra essas pessoas. É preciso atendimento médico, assistência social, moradia e emprego”. 


Atual prefeito da cidade e que tenta a reeleição, Bruno Covas (PSDB) disse que sua gestão acabou com o “bolsa crack” do PT, como chamou o programa De Braços Abertos. Covas afirmou que os problemas da região serão resolvidos com atendimento médico, assistência social, moradia e emprego. 


O candidato Andrea Matarazzo (PSD) quer fiscalizar hotéis, bares e restaurantes usados pelo crime. “Vamos aporrinhar a vida do traficante e o dependente químico tratar como deve ser feito, mesmo que precise internar compulsoriamente”, afirmou. 


Joice Hasselmann, candidata do PSL para a prefeitura, quer combater os problemas da região com “todo o rigor da lei” para o crime organizado, trazer as igrejas para trabalhar junto com a prefeitura e internação compulsória para os usuários que “não respondem mais por si”. 


Os postulantes ao cargo de prefeito da cidade de São Paulo também disseram como vão gerar empregos após a crise econômica que se agravou com a pandemia de coronavírus. Márcio França, do PSB, falou em uma geração de frente de trabalho com mais de 100 mil pessoas, além de renda para empreender de até R$ 3 mil para 150 mil pessoas. 


Já Celso Russomanno (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto, pretende gerar empregos incentivando os empresários e também aumentar o horário de funcionamento dos restaurantes na capital.


Arthur do Val (Patriota), o Mamãe Falei, disse que não existe plano mágico e que quer combater o problema através da criação de empregos na construção civil. 


A ideia de Guilherme Boulos, do Psol, é criar uma renda solidária para garantir que ninguém passe fome na cidade. “Isso vai gerar emprego na economia local”, aposta. 


Filipe Sabará (Novo) quer trazer um microcrédito do setor privado para incentivar empresários da periferia.


Por fim, Marina Helou (Rede Sustentabilidade) decidiu responder a todas as questões da enquete em suas redes sociais.


(Karen Lemos - Band.com.br)

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Por que o Banco Central vai lançar a nota de R$ 200?

Karen Lemos/Portal da Band

O Banco Central anunciou na quarta-feira, 29, que irá produzir cédulas de R$ 200, o que causou estranheza para a população que, desde 1994, está acostumada com a nota de R$ 100 como sendo a de maior valor da moeda brasileira.

Por qual motivo, então, o BC tomou essa decisão? Para responder a esta pergunta, a Rádio Bandeirantes entrevistou Jason Vieira, economista da Infinity Asset, que esclareceu dúvidas como, por exemplo, se existe relação entre o lançamento da cédula e a crise que o País está vivendo por causa da pandemia de coronavírus.

"Causa estranheza [o anúncio da nota de R$ 200] por ser em um momento de crise, mas esse movimento é normal. Muito provavelmente essa moeda está sendo desenhada antes da crise", explicou.

O economista citou alguns fatores que motivaram essa decisão do BC, como a própria atualização da moeda.

"Tivemos uma desvalorização em relação a reserva global de valor, que é o dólar", pontuou. "Os R$ 100 que tínhamos em 94 não são mais os R$ 100 de hoje em dia. R$ 100 hoje valem cerca de US$ 20, então é preciso manter certa atualização".

Outro ponto destacado por Jason Vieira é o movimento natural de substituição de moeda no mercado. "A impressão de moeda física entra em processo de substituição de outra", ressalta o economista, observando, ainda, que isso não necessariamente vai gerar a temida inflação, já que há um equilíbrio entre o que está entrando na circulação e o que está sendo retirado.

"Isso pode acontecer pela própria falta de uso, como é o caso das moedas metálicas, e também porque é um material perecível, ele estraga e envelhece, portanto precisa ser substituído".

Além disso, também houve nos últimos meses um aumento da demanda por papel moeda por conta do pagamento do auxílio emergencial. "Esse aumento de demanda também reflete na quantidade de moeda em circulação", acrescenta o especialista.

Veja a entrevista na íntegra:

(Karen Lemos - Band.com.br)

domingo, 29 de março de 2020

Angústia de profissionais da saúde faz psicólogos criarem plataforma gratuita

Foto: Unsplash

O mundo acompanha com apreensão os desdobramentos na Itália, que enfrenta o pior surto de coronavírus durante a pandemia da doença. No Brasil, os profissionais de saúde vivem ainda a ansiedade de passar por algo do tipo. “É o medo de precisar escolher entre quem vai viver e vai morrer - algo que está ocorrendo na Itália, de não poder faltar no trabalho, do que fazer com os filhos que estão em casa já que as aulas estão suspensas. É uma angústia generalizada”, relata Marina Bragante.

Bragante faz parte de um grupo de psicólogos que se uniu e criou uma plataforma online na qual profissionais da saúde, tanto os que trabalham para o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto os da rede privada, podem ter acesso à apoio psicológico de forma totalmente gratuita.

“Pensamos em uma espécie de Tinder entre profissionais de saúde em busca de ajuda e psicólogos voluntários dispostos a oferecer esse apoio”, acrescentou a psicóloga, que trabalhou na ideia junto com Camila Munhoz, Evelyse Stefoni de Freitas Clausse, Luciana Lafraia e Jonas Boni. A iniciativa também teve apoio do gabinete da deputada estadual Marina Helou (Rede-SP), de Evelyn Gomes, do Cuidame, e do Nossas, e também conta com a expertise de Angela Carvalho de Freitas, médica infectologista do Hospital das Clínicas FMUSP.

Da esquerda para a direita: Evelyse Clausse, Marina Bragante, Luciana Lafraia, Jonas Boni, Pedro Markun, Marina Helou e Camila Munhoz
A equipe responsável pela plataforma; da esquerda para a direita: Evelyse Clausse, Marina Bragante, Luciana Lafraia, Jonas Boni, Pedro Markun, Marina Helou e Camila Munhoz (Foto: Arquivo pessoal)

Perto do limite
O grupo trabalhou pesado nos últimos dias para lançar a plataforma o quanto antes. Segundo Bragante, os impactos do surto de coronavírus já estão sendo sentidos por médicos e enfermeiros da rede de saúde do Brasil. “Começamos a escutar coisas do tipo ‘vou pedir exoneração’, ‘vou me demitir’, ‘não vou aguentar’, ‘preciso de remédios’”, alerta. “Nós já estamos perto do limite e ainda nem chegamos no auge da curva de casos da doença”.

O apoio psicológico para esses profissionais que estão na linha de frente do combate ao Covid-19 é tão essencial quanto o tratamento médico que eles têm a oferecer para a população.

“Conversar com alguém ajuda a centrar no que você estudou para fazer e quais são os recursos que você tem para passar por isso. Além disso, é importante ter alguém fora do seu ciclo que ajude a reconhecer esses recursos, ou a pensar em novos recursos que podem ser úteis nesse momento”, explica a psicóloga.

“O medo não precisa ficar com você; pode ser compartilhado com outras pessoas capazes de te ajudar. Entender o que está acontecendo, se ouvir falar sobre o assunto, ajuda a te fortalecer para o que vem pela frente”.

Cuidando do batalhão de voluntários
Para formar a equipe de voluntários, o grupo enviou mensagens em aplicativos convidando psicólogos interessados, com registro no conselho de psicologia e com pelo menos quatro horas – não necessariamente consecutivas - disponíveis para o trabalho em um período semanal.

“Nós achávamos que umas 20 pessoas do nosso círculo de amigos responderia à convocação. Quando abri o e-mail do projeto, tinha mais de duas mil mensagens no começo. Agora já são quase 5 mil”, conta Marina Bragante.

Por enquanto, a plataforma está trabalhando com psicólogos de São Paulo, já que é preciso conferir o número de registro dos profissionais no conselho regional. Mas, diante da oferta de profissionais em todo o País, as fundadoras já estão em contato com conselhos de outros Estados para tornar a plataforma nacional. Com a alta oferta para vagas voluntárias, a ideia também é que a ferramenta possa funcionar 24 horas por dia.

E para lidar com os impactos que os próprios psicólogos terão nesse trabalho, Marina Bragante e suas colegas também tiveram a preocupação de ceder ajuda aos voluntários, que vão acabar absorvendo um pouco da angústia compartilhada pelos médicos e enfermeiros.

“Vamos dar apoio com o que chamamos de supervisão – um psicólogo mais experiente para atender os voluntários. Também teremos grupos de conversa entre eles e vamos oferecer textos de psicólogos que já atuaram em situações de crise e calamidade, como em guerras e em surtos de outras doenças, como o ebola, por exemplo”, acrescentou.

Saúde mental
Esse tipo de cuidado não é somente os médicos e enfermeiros que devem ter, mas todos da sociedade. Marina Bragante reforça algumas ideias que ajudam a superar situações difíceis, ainda mais nesse momento que é de incertezas e limitações pessoais.

“Entenda que o isolamento é físico, e não social. Temos internet, telefone; é preciso manter contato com as pessoas que gostamos, e isso faz bem. Ligue, faça chats em vídeo, chamadas por Skype. Esses dias uns amigos meus fizeram um ‘risotalk’; eles cozinharam risoto e, depois, fizeram uma chamada de vídeo e todos comeram juntos, mas cada um em sua casa”, exemplificou. “Manter a vida social ativa, ainda que de forma diferente, é importante”.

Entre outras dicas da psicóloga está manter uma rotina, a casa limpa e em ordem, e fazer exercício físico. “O exercício ajuda a liberar endorfina [hormônio que dá sensação de bem estar] e cansar o corpo, sentir que estamos vivos”, disse.

Sessões de autocuidado, como meditação, ou até uma hidratação nos cabelos, fazer a unha, algum hobby como desenhar ou colorir, também ajudam. É bom ainda limitar o acesso às informações durante o dia e evitar as notícias falsas e áudios alarmantes (normalmente também falsos) que costumam a rodar por grupos de WhatsApp.

Dormir bem e se alimentar bem é essencial, além de fortalecerem a imunidade. E o mais importante: se precisar, peça ajuda. “Tudo bem ficar com medo, você não precisa passar por essa situação sozinho. Tudo bem pedir ajuda. É bom pedir ajuda, faz parte e é saudável”.

Acesso à plataforma:
https://www.rededeapoiopsicologico.org.br/

(Karen Lemos - Portal da Band)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Na volta do Congresso, Bolsonaro diz que reforma tributária é a mais importante

Foto: Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro quer agilizar as reformas que devem ser votadas no Congresso Nacional esse ano antes do início da corrida eleitoral, o que deve ocorrer no segundo semestre. Entre as prioridades do governo, está a reforma tributária. Nesta segunda-feira, 3, o Congresso voltou aos trabalhos após período de recesso.

“O que vier na frente é bem-vindo, mas acho que a [reforma] tributária é a mais importante. O congresso quer aprová-la”, disse Bolsonaro, que esteve nesta segunda-feira na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação, em São Paulo, onde falou sobre o assunto.

O presidente citou a existência de uma proposta de reforma tributária na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, e uma do próprio Governo Federal. “Queremos apoiar aquela que possa ser aprovada”, pontuou.

O presidente comentou as dificuldades de uma medida como essa. “Eu fiquei 30 anos no parlamento e nunca chegamos a uma conclusão. Quando se discute isso, aparecem questões sobre Estados e municípios; isso gera um impasse e a matéria não avança”.

Dessa vez, de acordo com Bolsonaro, a ideia é reformar os impostos federais primeiro para depois, se possível, fazer o mesmo com impostos estaduais e municipais. “Isso será um benefício não só para quem produz, mas para todos. Ter uma carga tributária tão alta prejudica nossos negócios no Brasil e fora do Brasil”, acrescentou.

Outra reforma em vista é a administrativa, que deve alterar o regime de contratação de novos funcionários públicos.

Bolsonaro se diz esperançoso para aprovar ambas as reformas ainda no primeiro semestre de 2020. “Temos que fazer um grande trabalho agora, porque o segundo semestre será difícil. Quase 200 parlamentares vão disputar diretamente [as eleições], e a outra parte estará envolvida nisso. É a regra do jogo, sempre foi assim, não estou criticando. Mas pelo o que Rodrigo Maia [presidente da Câmara] e Davi Alcolumbre [presidente do Senado] me disseram, no primeiro semestre conseguimos resolver a questão da reforma administrativa e tributária”, concluiu.

(Karen Lemos - Portal da Band)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

“Espero participar de muitas eleições”, diz Bruno Covas

Foto: Leon Rodrigues/Secom

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), confirmou que vai se candidatar à reeleição ao dizer que espera participar de “muitas eleições”. O tucano foi entrevistado por Mônica Bergamo na BandNews TV nesta quarta-feira, 18, mesma data na qual recebeu alta médica depois de internação durante tratamento de câncer.

“Eu recebi um diagnóstico de doença, e não uma sentença de morte”, afirmou. “Estou confiante de que vou participar de muitas eleições.”

O prefeito comentou as pesquisas de intenção que voto que mostram um percentual em torno de 10% dos entrevistados que querem a sua reeleição. Para ele, esse número é positivo.

“Eu assumi a prefeitura no meio [do mandato], com metade da população sabendo quem era o prefeito de São Paulo, e estou nessa pesquisa com pessoas que já foram governador, prefeito, senador. É algo acima do que eu esperava”, observou.

Até o momento, Covas não definiu quem será o vice de sua chapa. “A escolha do vice vem no final. Primeiro você olha para as alianças, quem são seus adversários e verifica qual é a melhor opção, quem mais agrega à chapa.”

O tucano falou também sobre o levantamento que aponta que 18% da população da cidade de São Paulo considera sua gestão como ótima ou boa. Covas atribui a essa porcentagem o “enfrentamento de problemas” que seu governo realizou no município.

“Nós fizemos a reforma da Previdência, retiramos o subsídio do vale transporte – que é de obrigação das empresas, e mudamos a situação fiscal do município. A relação de dívida/receita, que era de 92%, hoje é de 52%. Enfrentamos os problemas e agora veja como está São Paulo e como está o Rio de Janeiro”, comparou ao citar a crise que vive o município vizinho.

A ideia agora é investir em programas sociais no próximo ano. “Queremos terminar o mandato como a gestão que mais entregou vagas em creches, unidades habitacionais e também reformou as UBS [Unidades Básicas de Saúde], cujas obras já começam em janeiro de 2020.”

“Isso foi o que fez Mário Covas [seu avô] ser bem avaliado. Focou no essencial: a periferia. Em cada canto que vou na cidade ouço histórias e vejo obras do Mário Covas”, completou.

Novo PSDB

Bruno Covas criticou algumas das atuais posturas do seu partido, o PSDB, e avaliou o mau desempenho da sigla nas últimas eleições e a redução pela metade da bancada tucana na Câmara. “Isso se deve, no meu ponto de vista, ao PSDB não ter lidado com questões éticas da mesma forma que cobramos isso de partidos – me sinto envergonhado de estar em um partido que não fez nada com Aécio Neves – e também que não soube defender suas bandeiras. Desde 2002, o PSDB tenta esconder as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso”, exemplificou.

Covas ressaltou que seu governo foca em concessões de parques, mercados e privatizações de bens para otimizar a gestão. “Não tem sentido a prefeitura cuidar de autódromo, centro de exposições e estádio. [A prefeitura] tem que focar no social, investir em educação, saúde, transporte e habitação”.

O prefeito brincou que não sabe se essa posição dele é de esquerda ou de centro no Brasil de hoje, que considera mais o rótulo do que o conteúdo. “Durante o governo PT eu era neoliberal; hoje eu sou comunista”, ri.

Ele também falou sobre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), quem ele considera um político mais de direita. “Ele se aproxima mais de Franco Montoro por acreditar mais no mercado, mas eu tenho mantido a mesma gestão do Doria na prefeitura. O fato de termos discursos diferentes não significa que houve algum rompimento”, esclareceu.

Avaliação do governo Bolsonaro

Na entrevista, Bruno Covas fez uma avaliação do governo Bolsonaro e sobre a polarização política no País que, segundo ele, não deve “contaminar” as eleições de 2020.

“Talvez nos discursos essas questões mais nacionais apareçam, mas o que o eleitor quer saber mesmo é de vaga para o filho dele na creche, médico no posto de saúde, corredor para o ônibus. O eleitor está mais preocupado com questões locais na hora de decidir quem irá governar São Paulo do que questões nacionais.”

O prefeito revelou que anulou seu voto no segundo turno das eleições de 2018, onde ficou muito claro o embate entre a esquerda, com Fernando Haddad do PT, e a direita, com Jair Bolsonaro, na época do PSL. “Votar no PT estava descartado. Eu votei pelo impeachment de Dilma [Rousseff]; não teria sentido votar no PT. Eu também procurei algo na fala do Bolsonaro que apontasse uma guinada para o centro e não encontrei. Nada no discurso dele me mostrou que seria diferente do que ele já era – e não está sendo diferente mesmo”, completou.

Para Covas, Bolsonaro “segue em campanha” mesmo após vencer as eleições, o que – em sua opinião - é prejudicial para o País. “Ele fala em acabar com o comunismo. O presidente perde tempo com isso. E falta articulação política para aprovar reformas importantes. Votar a reforma da Previdência já foi difícil”, observou. “E na economia seguimos o mesmo receituário de sempre, mas, infelizmente, com o abandono de programas sociais. O Minha Casa Minha Vida, por exemplo, não tem recursos para o ano que vem”, pontuou.

Íntegra da entrevista: 


(Karen Lemos - Portal da Band)

domingo, 8 de dezembro de 2019

No Brasil, Gal Gadot e Patty Jenkins apresentam primeiras cenas de "Mulher-Maravilha 1984"

Gal Gadot e Patty Jenkins interagem com o público da CCXP, em São Paulo (Foto: Vans Bumbeers/IHF)

O trailer de Mulher-Maravilha 1984 foi lançado neste domingo, 8, no painel da Warner Bros. durante a CCXP 2019, com direito a presença da diretora Patty Jenkins e da atriz que vive a heroína nos cinemas, Gal Gadot. As duas estão no Brasil para divulgar o novo filme da DC que chega aos cinemas em junho de 2020.

Para um auditório lotado, que gritava e aplaudia a cada frase de efeito das convidadas internacionais, Jenkins e Gadot deram alguns detalhes sobre a nova aventura da personagem. "O primeiro filme era sobre a origem da Mulher-Maravilha. Agora nós temos a Mulher-Maravilha", anunciou a diretora do longa, acrescentando que a sequência apresentará uma evolução da heroína.

"Ela está em um mundo mais moderno [o primeiro filme se passa durante a Primeira Guerra Mundial]. O filme acontece nos anos 1980 e temos muitas cenas de ação nesse ambiente, com acrobacias reais, em locais reais". Gadot pontua que a heroína está mais "solitária" agora, já que perdeu todos os amigos ao longo dos anos. "Ela continua, porém, ajudando a humanidade como sempre fez, até que algo 'louco' acontece", disse, sem entregar muito.

Novos personagens e volta de Steve Trevor

Se alguns personagens se foram nesse meio tempo, outros chegam para reforçar o elenco de Mulher-Maravilha 1984. Além de Gal Gadot, também atuam no filme Kristen Wiig, como a Mulher-Leopardo, Pedro Pascal, que dá vida a Maxwell Lord, além do retorno de Steve Trevor (Chris Pine) à saga – o que é curioso, já que o personagem foi dado como morto no último filme.

"Não vou contar [como Steve volta]", respondeu a diretora Patty Jenkins. "O que posso dizer é que não o colocamos lá só porque queríamos, mas porque a história não podia ser contada sem ele; ele é muito importante para essa história".

Nova armadura leva público ao delírio

O evento teve ainda transmissão internacional pelo Twitter, isso porque o painel marcou o lançamento do primeiro trailer do filme. Uma das cenas exibidas que mais empolgaram e levaram à loucura o público da CCXP foi a revelação de uma nova armadura, que já apareceu nos quadrinhos em momentos em que a heroína precisou combater vilões muito poderosos, o que leva a crer que as batalhas da Mulher-Maravilha não serão nada fáceis de enfrentar. "Me senti incrível ao me olhar no espelho [com a nova armadura], mas não é nada confortável", riu a atriz.


Empoderamento feminino

As convidadas também falaram sobre a influência da heroína quando o assunto é empoderamento feminino, e o quanto isso influencia positivamente o público, principalmente as meninas. "Isso é o que faz tudo valer a pena", definiu Jenkins. "E não é só para as meninas. É universal, é para todos", completou Gadot.

Mulher-Maravilha 1984 estreia em junho de 2020. Em coletiva de imprensa mais cedo, a diretora também revelou que irá produzir e roteirizar um filme sobre as Amazonas de Themyscira, lar da Mulher-Maravilha. Detalhes do projeto, no entanto, não foram adiantados por enquanto.

Outros lançamentos da Warner Bros. foram citados no painel da CCXP, como a sequência de Aquaman, Shazam, Aves de Rapina – que também passou pelo evento deste ano, além de The Batman, nova aventura do Homem-Morcego que chega aos cinemas em 2021, e Esquadrão Suicida 2, nas telonas em agosto de 2021.

(Karen Lemos - Portal da Band)

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

"Blade Runner - O Caçador de Androides" acertou ou errou as previsões para o futuro?

Harrison Ford em cena de Blade Runner - O Caçador de Androides (Foto: Divulgação)

Referência da ficção científica, Blade Runner - O Caçador de Androides não mais seria um filme sobre o futuro, e sim sobre os dias de hoje. A história que gira em torno da captura de robôs rebelados se passa em novembro de 2019, em uma Los Angeles distópica e largada às traças.

Dirigido por Ridley Scott, com Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young e Daryl Hannah no elenco principal, Blade Runner projetou uma visão de futuro com exageros, mas também com alguns acertos sobre o nosso presente.

Embora pós-apocalítico, o mundo do caçador de androides Rick Deckard (Harrison Ford) é um lugar com recursos naturais escassos, animais ameaçados ou em vias de extinção, poluição fora de controle, mistura e profusão de culturas, além de uma crescente evolução tecnológica e robótica.

Devido ao estado de completo caos da Terra, a única alternativa é colonizar outros planetas. Essa possibilidade, no entanto, ainda está bem remota para nós, terráqueos.

O Portal da Band reuniu aqui essas e outras “previsões” de Blade Runner para o futuro, analisando erros e acertos dessa história que, mesmo com o passar dos anos, ainda é um clássico do cinema de gênero e da cibercultura. Confira:

Computador com tela verde

tela verde

Os computadores de Blade Runner aparentam ser bem mais antigos do que os de hoje. Essa tela verde – chamada de monitor de fósforo verde – é bem típica dos anos 1980. Mas vamos dar um desconto: o filme de Ridley Scott trabalha bastante com o conceito de retrofit, ou seja, equipamentos que tem cara de ultrapassados, mas cuja funcionalidade é mais moderna.

Carros voadores

carros voadores

O que seria um filme sobre o futuro sem aqueles carros voadores, não é mesmo? Embora exista por aí alguns protótipos para colocar um carro voador nos céus das grandes cidades, ainda não é algo que faça parte da nossa atualidade. Em Blade Runner, é comum ver spinners (veículos que podem andar na terra e, graças à propulsão a jato, também conseguem voar) na cidade, principalmente usado pela polícia e caçadores de androides.

Embraer e Uber desenvolvem protótipo de carro voador:


Ler jornal

leitura jornal

Ninguém aqui está declarando o fim do jornal impresso, mas é fato que hoje em dia é cada vez mais raro ver pessoas abrindo e lendo jornais pelas ruas das cidades. No filme, o personagem de Harrison Ford faz isso com certa frequência (além de personagens figurantes ao seu redor). Seria mais fiel à realidade mostrar pessoas andando com os olhos vidrados no celular, por exemplo.

Androides

androide

Uma das discussões levantadas por Blade Runner é justamente discutir os limites da inteligência artificial. No longa, os androides chamados de replicantes ficam tão evoluídos que se rebelam e passam a ser caçados. Várias obras de ficção cientifica já abordaram batalhas pelo poder entre humanos e robôs, o que - felizmente - ainda não faz parte do nosso presente. A robótica, no entanto, está cada vez mais avançada. Hoje contamos com os robôs para realizar entregas, investir dinheiro, fritar hambúrguer e até pintar quadros. Não podemos deixar de mencionar também uma das robôs mais famosas: Sophia, que tem 62 expressões faciais, capacidade de aprender e dona de um curioso senso de humor.
 

Fotos impressas
 
fotografias

Na era das redes sociais, fica um pouco obsoleto sair por aí carregando fotos impressas. Muita gente ainda prefere imprimir registros de uma viagem, por exemplo, para guardar de recordação, mas as fotografias em papel têm ficado no passado. Se o caçador de androides Rick Deckard mostrasse suas fotos no álbum do celular, ou então em seu perfil do Instagram, seria mais aceitável, digamos assim.

Órgãos em laboratório

orgaos em laboratorio

Ainda não é 100% nossa realidade, mas a medicina caminha para desenvolver com tecnologia a impressão de órgãos em 3D, o que ajudaria muito quem precisa de um transplante. Coração, orelhas e até ovários que podem ser fecundados (pelo menos em ratinhos) já foram criados por cientistas. Blade Runner, porém, está um pouco mais a frente, com a produção em massa de órgãos artificiais.

Identificador e comando de voz

identificador de voz

Em algumas sequências de Blade Runner, personagens do filme utilizam aparelhos com identificador e comando de voz, inclusive para abrir a porta de suas residências. Quem tem smartphone conhece e está acostumado com essa funcionalidade. Muitas empresas têm produzido aparelhos que operam com comando de voz para realizar todo tipo de tarefa. Alguns exemplos são Google Home, HomePod e Alexa. Apesar de úteis, há quem diga que esses aparelhos são um tanto quanto invasivos. Existem relatos de mensagens enviadas de forma errada e até misteriosas e assustadoras “risadas” emitidas pelos aparelhos.



Trânsito caótico

transito caotico

Talvez um dos maiores acertos desse clássico da ficção cientifica seja com relação ao caos urbano. As cenas de ruas movimentadas, comércio de todos os tipos, propagandas e, principalmente, aquele trânsito desordenado é algo bem comum das grandes cidades.

Secador de cabelo instantâneo

secador cabelo

Não chega a ser uma grande inovação do futuro, já que alguns salões de beleza possuem equipamentos do tipo - para secar o cabelo ou então vaporizadores capilares - mas ninguém tem um “trambolhão” desse em casa. Mais pelo tamanho, do que pela praticidade. Seria ótimo sair do banho e ter o cabelo seco em questão de segundos, não é mesmo?

Colonização de planetas

colonizacao planetas

Se dependesse da vontade dos terráqueos, isso já teria acontecido, mas fato é que ainda estamos longe de explorar e colonizar outros planetas. Isso não é só comum em Blade Runner como é ponto essencial da trama. No filme, os recursos da Terra estão tão escassos que não há alternativa senão morar em outro planeta. A perigosa função de explorar o desconhecido fica a cargo, é claro, dos androides, que se revoltam após tanto tempo de escravidão. Em nossa realidade, há alguns programas espaciais da Nasa e de outras agências espaciais que pretendem construir uma colônia orbital, mas, por enquanto, não temos planetas nesses planos.

Atari em alta

atari

Dá para dizer que Blade Runner foi certeiro em outro ponto: apostar na onda dos videogames. Esse mercado está, de fato, cada vez mais em alta. O Brasil, por exemplo, já é o terceiro maior consumidor do mundo nesse setor. Atualmente, temos até campeonatos de games (sendo League of Legends o mais conhecido) que ocorrem em estádios de futebol e com torcidas gigantes. O único probleminha é que, nos anos 1980 – quando a produção foi realizada – o console Atari estava com tudo. Hoje em dia, porém, a empresa perdeu espaço para marcas como Microsoft (Xbox), Sony (PlayStation) e Nintendo.

Unicórnio

unicornio

Uma pena, mas ainda não descobrimos os unicórnios. Esses animais mitológicos, espécie de cavalos com um único chifre na testa, por enquanto só fazem parte da ficção mesmo. Em Blade Runner, ele aparece nas lembranças do protagonista. Os unicórnios, no entanto, dominam hoje a cultura pop e são frequentemente vistos em estampas de camisetas, acessórios e até comidas.

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Foto: James Lee/Unsplash
 
(Karen Lemos - Portal da Band)

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Especialistas defendem unificação de impostos em evento sobre reforma tributária

Eduardo Bolsonaro, Luiz Carlos Hauly, Marcello D'Angelo, Flávio Rocha e Bernard Appy (Foto: Rodrigo Belentani/BandNews)

São tantas siglas que batizam os inúmeros tributos que são pagos no Brasil que discutir a unificação e a simplificação de impostos é praticamente uma unanimidade quando se fala em modernizar o sistema tributário brasileiro.

O tema foi discutido de forma profunda no Fórum BandNews nesta segunda-feira, 14, nos estúdios da Band. O painel reuniu especialistas da área, como o ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly, o economista Bernard Appy, o empresário Flávio Rocha, além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.

Para João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, o atual sistema tributário é “hostil” para os investimentos e negócios no País. “A reforma tributária , portanto, é bem-vinda”, afirmou na abertura do evento. “Não importa o partido político; no momento em que estamos vivendo, não dá para ficar brigando. Temos 13 milhões de brasileiros desempregados. É hora de arrumarmos a casa, arrumarmos o Brasil.”

Saad criticou ainda a ideia de aumentar os impostos. “Gostaríamos que não pensássemos nisso. Temos que diminuir o tamanho do Estado brasileiro antes de pedir mais sacrifícios para a sociedade.”



O deputado Eduardo Bolsonaro disse que o presidente está “aberto para perder poder e arrecadação” em prol de uma agenda reformista. “As vezes é difícil minha posição como filho do presidente; quando eu falo, as pessoas confundem com a voz do presidente, mas isso não me impede de trabalhar a favor do que eu acredito, como a reforma tributária (...) e manter o País longe do petismo e do comunismo”.

Esses são os “nortes” que é preciso ter no Congresso Nacional, pontuou Eduardo, para atrair investimentos e “sanar a dívida de 13 milhões de desempregados que o atual governo herdou”.

O parlamentar afirmou também que o foco da reforma será no contribuinte. “Acredito que a reforma tributária e a PPI (programa de privatizações) vão dominar os debates econômicos no final desse ano e começo do ano que vem”, acrescentou.

O deputado classificou o atual sistema tributário brasileiro como “complexo”. “As empresas brasileiras têm tanta dificuldade em pagar tributos que, por vezes, os próprios advogados trabalhistas acabam pagando tributos errados e são multados. Por isso as empresas estão indo para o Paraguai. Eu acredito que o Brasil tem um potencial maior do que o Paraguai. Isso expõe nossa situação. Se nem advogados do ramo conseguem pagar direito, imagina a população.”



Consultor da PEC 110/2019, que tramita no Senado, Luiz Carlos Hauly fala na unificação de impostos que irá, inclusive, acabar com a guerra fiscal entre Estados. Essa guerra ocorre porque cada Estado impõe suas próprias alíquotas para atrair empresas, gerando um desequilíbrio e as vezes um custo maior de logística.

“A proposta do IVA dual (imposto sobre valor agregado) vai aglutinar nove impostos em um, tanto da União quanto dos Estados. O contribuinte pagará somente um imposto”, explicou.

Segundo ele, 165 países já adotam o IVA, que no Brasil está sendo chamado de Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS).

“Vamos também acomodar setores e serviços que, com razão, têm reclamado. Vamos atender setores como comida e remédio, que são tributados em 34% e 35%.”

Além da simplificação de impostos, Hauly destaca a importância da tecnologia para modernizar o sistema. “A tributação tem de ser toda online. Dessa forma, acredito que o Brasil voltará a ser a potência econômica como já foi, crescendo de 6% a 7% durante 50 anos”, projetou.

Proposta de transição

Outra PEC, a 45, também tramita no Congresso, mas na Câmara dos Deputados. O projeto é baseado em estudos do economista Bernard Appy, convidado do Fórum BandNews. “[O projeto] é para corrigir distorções do sistema, onde se paga os impostos mais altos do mundo. O sistema deveria tributar o consumo, mas tributa exportações e investimentos, o que mata a competição justa entre empresas, que optam por ter um bom benefício tributário do que ser eficiente.”

Appy também defende um imposto IVA com regras homogêneas, pouquíssimas exceções de benefícios fiscais e regimes especiais. O desafio para ele, no entanto, é fazer a alteração do sistema.

“A ideia é uma transição de 10 anos, sendo que nos primeiros dois anos vamos trabalhar com uma alíquota de 2% para verificar o potencial de arrecadação. Depois, mais oito anos diminuindo as alíquotas dos impostos atuais e elevando a alíquota do IBS”, propôs o economista.

Esse prazo de 10 anos, explicou Appy, é uma decisão política. “Muitas empresas fizeram investimento em cima de benefícios fiscais que vão deixar de existir. Uma transição rápida pode gerar perda de capital para essa empresa.”

O economista estipula o corte de benefícios ficais em torno de R$ 200 bilhões ao ano pela PEC 45, sem aumentar a carga tributária para os brasileiros.

“Para a população de baixa renda, 35% recebe de volta o imposto pago sobre o consumo com um teto, que é o imposto incidente da cesta básica dos 20% mais pobres. Esse é um mecanismo mais eficiente e mais barato de se fazer política social”, completou.

O empresário Flávio Rocha, fundador do Instituto Brasil 200, que também tem uma proposta de reforma tributária, defende um tributo nos moldes da CPMF apesar de toda a polêmica que a criação de mais um imposto gera na sociedade.

“É preciso abandonar as bases antigas e pensar no microimposto. Voltar o olhar do fisco para os fluxos financeiros. Tributar a riqueza quando se move. Dessa forma, sairemos da base do trilhão do ICMS, e chegamos na base do quatrilhão”, sugeriu.

Para Rocha, o ICMS, imposto estadual que incide sobre circulação de mercadorias e serviços, é o mais sonegado de todos. “Além do Brasil, México e Turquia são os campeões, cobrando mais de 50% de imposto sobre o consumo, e a gente quer aumentar ainda mais?”

Em um momento de debate mais acalorado, Bernard Appy respondeu Rocha e criticou o modelo de um imposto nas bases da antiga CPMF. “O bom imposto é aquele que é simples, neutro, transparente e isonômico. A CPMF é simples, mas não tem nenhuma das outras características. A empresa que vende para um atacadista ou varejista, vai começar a vender direto pela internet para o consumidor final. Nada de ilegal aí, mas você mata o atacado, mata o varejo por razões tributárias”, opinou.

“Não existe mágica. Somente países em desenvolvimento adotam um tributo dessa natureza. Um deles é a Venezuela, o outro é a Argentina, e nós estamos vendo como esses países estão”, completou Appy.

Veja a íntegra do Fórum BandNews:



(Karen Lemos - Portal da Band)