sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Matriculada em universidade federal, transexual quer mudar o cenário da educação brasileira

Reprodução/Facebook

Nada veio fácil para Maria Clara Araújo. Negra, pobre e transexual, ela poderia ter aceitado uma vida de "nãos" e portas fechadas. Ao invés disso, resolveu lutar por direitos básicos que lhe foram negados desde os tempos de escola.

"Foi na escola que comecei a sofrer por ser uma mulher transexual. Minha professora não me aceitava como um personagem feminino, não deixava eu brincar com brinquedos de menina", recordou Maria em conversa com o Portal da RedeTV!

Anos depois, aprovada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), conquistou o direito de ser chamada pelo nome de mulher nos corredores da instituição onde irá estudar pedagogia, curso que escolheu justamente para tentar mudar este cenário. "Quero me certificar de que vou agregar dentro deste ambiente, que foi o primeiro que me violentou, para que, futuramente, outros como eu não sejam violentados da mesma forma".

Pró-reitora para Assuntos Acadêmicos da UFPE, Ana Cabral falou a respeito da posição da universidade e foi enfática: Maria Clara será muito bem-vinda. "Nós, como uma universidade, precisamos dar o exemplo de tratar as pessoas como elas querem ser tratadas. Não é só uma questão de respeitar um direito dela, mas de garantir direitos humanos e sociais à qualquer pessoa", declarou. "Além disso, ela foi aprovada no vestibular por um mérito dela, um esforço pessoal".

Em um manifesto publicado em seu Facebook no início desta semana, a estudante de 18 anos celebrou a vitória. Publicou uma foto de sua mãe raspando sua sobrancelha como forma de comemoração e escreveu sobre a importância da conquista não somente na sua vida, mas na de outras transexuais que podem ter seus destinos, hoje amargamente traçados, transformados com novas possibilidades. 

Reprodução/Facebook

"Sempre me vi em um lugar em que este tipo de sonho, de estudar e trabalhar, não é permitido", observou Maria. "Agora quero chamar a atenção para que a sociedade reflita por qual razão não convive com esse tipo de gente; porque nós, transexuais, não estamos na sala de aula, e sim na prostituição?".

Há, atualmente, 23 universidades que já respeitam o nome social de homens e mulheres transexuais, um direito que, muitas vezes, foi conquistado através das denúncias dos estudantes. "Cada denúncia que recebemos de universidades, faculdades e escolas que não respeitam o nome social, entramos em contato para resolver", explicou Toni Reis, secretário de educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

"Ainda é uma medida paliativa. Mudar o nome em documentos é um processo muito mais burocrático, mas podemos exigir que, ao menos, os transexuais atendam por seus nomes sociais. Chamar um mulherão pelo seu nome masculino causa muitos constrangimentos", enfatizou o secretário.

A caminhada continua longa para quem enfrenta diariamente o preconceito. Mas, para quem já venceu algumas batalhas, o amanhã é promissor. "A minha vida é de resistência", pontuou Maria. "Tenho consciência dos embates que vou enfrentar. Espero por questionamentos do tipo 'o que ela está fazendo aqui na sala aula de aula?', mas isso não me enfraquece. Cada luta que eu enfrento me faz mais forte", completou.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"Depois da Chuva" traz diálogo da geração pós-Diretas com a juventude atual


Sem os vilões da Ditadura Militar, "Depois da Chuva", filme que chega aos cinemas nesta quinta (15), usa o sentimento de frustração e orfandade do pós-Diretas Já como antagonista para registrar um momento da história do Brasil pouco abordado nas telas do cinema: a redemocratização política do país. Ambientado no ano de 1984, a obra passa pela atmosfera de entusiasmo com o término do regime militar, a esperança de poder eleger um presidente e a frustração de ver velhas figuras do antigo governo rondando a nova política.

Em paralelo a este cenário estão as peculiaridades adolescentes do protagonista Caio, vivido pelo ator Pedro Maia, que venceu o prêmio de melhor ator do Festival de Brasília, sendo o mais jovem (na ocasião, aos 16 anos) a levar este troféu no mais antigo festival brasileiro de cinema. Durante a transformação do país, Pedro também encara seus despertares (amoroso, inclusive), e vive o mesmo sentimento de orfandade com o pai ausente e a mãe indiferente que em certo momento lhe pede: “não te dou trabalho e você não me dá trabalho”.

Sem afeto em casa, o jovem encontra afago em uma colega do colégio (Sophia Corral) e em um velho casarão que frequenta com os amigos mais velhos que fez. É lá também que Pedro vive outro despertar: o político. Com os colegas, ele conhece a Anarquia, participa de um programa de rádio pirata para espalhar os ideais da prole e ajuda na criação de um folhetim batizado de “Inimigo do Rei”.

A publicação de fato existiu e dela fez parte Cláudio Marques, roteirista e diretor do filme ao lado de Marília Hughes. Como seu primeiro longa-metragem, o cineasta quis imprimir na película suas lembranças daquele ano, época em que viveu experiências parecidas com as de Caio. A princípio, tais semelhanças preocuparam Cláudio, que relutou em contar a história devido a uma cisma de que estaria filmando sua autobiografia.

“Era preciso separar a minha vida pessoal da ficção para falar deste momento de transição do país”, contou o diretor durante a pré-estreia do filme em São Paulo. “Para tanto, usei o olhar de um adolescente de 17 anos, experimentando tudo o que o Brasil vivia naquele momento desde a sensação de transformação até a impotência que veio com a morte de Tancredo Neves (sucedido por José Sarney, ex-Arena, partido que apoiava o regime militar). “Acredito que há poucos filmes abordando esse tema porque o sabor disso é muito amargo. O que aconteceu lá atrás ecoa até hoje, como um ciclo que não foi fechado”, observou. 

Outra preocupação do cineasta era a de que como o filme seria recebido no exterior. "Depois da Chuva" passou por diversos festivais mundo afora; em um deles, o de Rotterdã, na Holanda, algo curioso aconteceu, como lembra o diretor: “Um espectador russo deu um depoimento no debate após a sessão falando que se identificou muito. Ele passou a adolescência em Moscou, onde viu a potência de Glasnost (tentativa de abertura política durante a União Soviética) e terminou órfão com [Boris] Yeltsin (presidente no período de grande colapso econômico na Rússia na década de 90). Acredito que o filme tenha uma linguagem semelhante não só no Brasil, mas em outros países e também em outras décadas por falar de movimentos políticos com essa necessidade de mudança”.

Tal constatação também foi importante para que o filme dialogasse com o público que irá consumir este longa, formado também pela juventude dos dias de hoje. “Me questionei muito se esse filme seria considerado atual. Em 2013, pela primeira vez, afastei essa dúvida. Percebi, com as manifestações daquele ano, que o filme tem um ponto de convergência com os dias de agora. Ainda temos uma necessidade por uma democracia efetiva e por uma interferência mais eficiente em nossa política”, concluiu.

A trilha sonora é uma conversa à parte. "Depois da Chuva" se passa em Salvador, cidade que, na opinião do cineasta, tinha outra áurea na década de 1980. “Salvador tinha uma cena rock and roll que, claro, existe hoje, mas existiu em proporções maiores naquela época”, afirmou. Assim como a capital baiana, a trilha sonora também é um personagem importante no longa-metragem, que traz clássicos do punk rock como Dead Kennedys, Sex Pistols, Garotos Podres e até bandas regionais, caso de Dever de Classe e Crac!, bandas que Cláudio, fã declarado, pediu que participassem de seu filme. “Foi difícil reunir todo mundo, mas conseguimos e foi incrível”, relatou.

(Karen Lemos - Revista O Grito!)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Filme 'A Entrevista' tem lançamento suspenso no Brasil


O filme "A Entrevista", estrelado por James Franco e Seth Rogen, teve sua estreia em circuito nacional, agendada para o dia 29 de janeiro, suspensa "até segunda ordem", informou a assessoria de imprensa da distribuidora Sony Pictures ao Portal da RedeTV!

Na quarta-feira (17), a Sony dos Estados Unidos já havia anunciado o cancelamento. "A Sony Pictures não tem planos futuros de lançamento para o filme", declarou um porta-voz depois que o estúdio recebeu ameaças de ataque terrorista caso o longa-metragem fosse lançado.

Em "A Entrevista", os personagens de James Franco e Seth Rogen vivem dois jornalistas recrutados em uma missão especial para assassinar Kim Jong Un, líder da Coreia do Norte.

Seu conteúdo causou a ira do governo norte-coreano que, segundo o jornal The New York Times, planejou ou encomendou um ataque de hackers que invadiram, roubaram e divulgaram informações sigilosas do estúdio, como salário de atores, roteiro de filmes inéditos e até e-mails com troca de ofensas. Segundo a "Variety", "A Entrevista" não deve ser lançado nem mesmo em formato DVD. O prejuízo do estúdio pode chegar, de acordo com o site The Wrap, a US$ 90 milhões - aproximadamente R$ 230 milhões.



Outro longa que promete causar polêmica, "Pyongyang", sobre um ocidental que trabalha na Coreia do Norte por um ano, também teve seu lançamento cancelado. O filme chegaria aos cinemas em março de 2015.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ex-Mutante Arnaldo Baptista expõe obras em São Paulo


Enquanto não consegue lançar um novo LP por conta de certas burocracias, Arnaldo Baptista está voltado para as artes plásticas. Com “Exorealismo”, uma exposição em cartaz até o dia 10 de janeiro na Galeria Emma Thomas, em São Paulo, o ex-integrante do grupo Os Mutantes voltou a mergulhar em uma paixão mais antiga que a música: a pintura.

"Desde criança tenho certa vocação para a pintura. Quando garoto, eu pintava meus cadernos do primeiro ano, mas não passou muito disso", recordou em conversa com o Portal da RedeTV! "Durante um tempo, as artes plásticas foram mais importantes do que a música porque, para fazer música, eu precisava de um piano, de um contrabaixo; era muito caro! Na pintura, com um lápis e um papel eu tinha quase a mesma coisa que Salvador Dalí, por exemplo", ressaltou.

Na exposição, Arnaldo exibe obras que embarcam em uma ousada tentativa de materializar o som plasticamente. A música continua presente, ainda que de forma mais simplificada. "Um quadro meu pode parar no Japão sem depender de línguas e gravadoras", observou o artista.

Sobre inspirações e seu estilo próprio de pintar, o ex-Mutante enfatiza que não segue regras. "Não tenho muito estilo. Às vezes, pego algum objeto como uma colher velha, um pedaço de sapato, um CD, uma ferramenta e grudo na tela e, a partir daí, começo minha pintura", revelou. "O que poderia ser um erro no quadro, passa a ser uma evolução".

Não são apenas obras recentes que estão expostas em “Exorealismo”. Arnaldo reuniu para a mostra quadros datados desde a década de 90. "Tem coisas lá que eu nem lembrava mais que tinha feito", riu.

Nova empreitada na música 

Enquanto nas artes plásticas Arnaldo Baptista aproveita o prestígio de seu talento, na música as coisas não andam tão bem assim.

Em conversa com a reportagem, o músico revelou que possui um LP já pronto - com 12 músicas selecionadas. Por conta de processos burocráticos com gravadoras, ele ainda não conseguiu lançar este novo trabalho. "Não tem data para sair [o LP]. Estou esperando".

Batizado de “Esphera”, com direito a capa desenhada por seu autor, o LP traz um lado embasado na crítica social. "Fala de fogo, fumaça, poluição, gasolina", tentou resumir Arnaldo. "Custou muito tempo para o homem aprender a fazer fogo. Agora ele precisa desistir dele, das coisas elétricas", completou.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

sábado, 29 de novembro de 2014

Fotógrafa retrata opinião de moradores da Rocinha três anos depois da Pacificação


Moradora da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, antes, durante e depois da Pacificação, a fotógrafa norte-americana Margaret Day decidiu retratar a opinião da comunidade em que viveu, entre os anos 2011 e 2014, em um ensaio fotográfico batizado “The Residents Speak – Os Moradores Falam”.

Em entrevista a RedeTV!, Margaret disse que tomou a decisão de realizar este projeto após notar o abismo que existe entre a percepção das pessoas a respeito da vida nas favelas e da realidade que de fato acontece morro acima. "Eu sei como é estratificada a sociedade brasileira", declarou em conversa com a reportagem. "Eu sabia que essas opiniões seriam uma surpresa para quem vive na 'cidade formal'. A maioria das pessoas que conheço que não vivem em favelas não entendem a realidade delas".

Para o ensaio, Margaret fez a seguinte pergunta a 21 moradores da Rocinha. “Você prefere a Rocinha antes ou depois da instalação da UPP?”, referindo-se às instalações de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em 2011. Dos 21, 16 disseram que a vida piorou depois da Pacificação. "Hoje em dia aumentou a violência, roubo; está tendo estupro, todos os dias tem tiroteio na favela", afirma um dos moradores do ensaio. Apenas 5 avaliariam como positivo a chegada das UPPs.

"Eu concebi esse projeto no terceiro aniversário da pacificação da favela, é uma iniciativa que procura transmitir o sentimento que ouço regularmente das pessoas que moram aqui", contou a fotógrafa, que fez questão de manter no sigilo a identidade de seus personagens.

Na altura do rosto, os moradores seguram um cartaz que revelam uma opinião também compartilhada pela fotógrafa. "Muitas pessoas sempre discordam da minha opinião quando faço comentários positivos sobre a vida na Rocinha antes da pacificação; elas geralmente atribuem a minha percepção ao fato de ser estrangeira e portanto de não ser capaz de dar uma opinião equilibrada", explicou. "Não fiquei nada surpresa com o resultado. Em geral, é o que eu ouço ecoou a vida cotidiana na Rocinha".

Margaret chegou ao Brasil após pesquisar sobre a Favela da Rocinha na internet. A ideia era desenvolver um projeto de arte para crianças que vivem em favelas. Com o tempo, a comunidade a conquistou. "Como assistente social, fiquei ainda mais interessada em me conectar com as pessoas que vivem nas favelas do que visitar praias famosas", observou a fotógrafa, cujo interesse nas vidas nas favelas despertou curiosidade.

"As pessoas que moram no asfalto e outros estrangeiros sempre ficam surpresos com o meu interesse por essa comunidade e também porque eu gosto de morar aqui. Elas sempre me perguntam se a vida aqui era melhor antes ou depois da pacificação", completou Margaret, que agora responde a essa pergunta de forma surpreendente.

(Karen Lemos - Portal RedeTV!)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cineasta brasileiro celebra curta-metragem entre finalistas ao Oscar


Mauricio Osaki, diretor de “O Caminhão do Meu Pai”, recebeu com surpresa a notícia de que seu filme está entre os 10 finalistas para concorrer ao Oscar de melhor curta-metragem na mais notória premiação do cinema.

“Eu realmente não imaginava que iríamos chegar tão longe”, declarou em entrevista à reportagem. “Enquanto rodávamos o filme, em áreas remotas ao norte de Hanoi (capital do Vietnã), em pleno inverno, jamais podíamos prever esse tipo de reconhecimento. É um filme falado em Vietnamita, sem atores conhecidos, com uma temática incomum, mas que de certa forma traz uma relação universal, entre pai e filha. Eu fico feliz que o filme possa continuar rodando e trilhando longos caminhos”.

O curta se passa através do ponto de vista de uma menina que, ainda nova, descobre o mundo real ao participar de um dia de trabalho de seu pai, um caminhoneiro que recolhe cachorros e os leva para um abatedouro local. A carne de cachorro, vale lembrar, faz parte da cultura gastronômica do país.


“É tão gratificante ver o quão longe este filme foi. Já passamos pelos festivais mais importantes do mundo. É um filme que já rodou toda a Europa, Estados Unidos, America do Sul e Ásia… Eu fico orgulhoso pela equipe, pelos atores, pois todo mundo trabalhou muito pelo filme”, observou Mauricio.

A lista final dos indicados ao Oscar de melhor curta-metragem sai no dia 15 de janeiro. Já a cerimônia de premiação acontece no dia 22 de fevereiro de 2015.

“O Caminhão do Meu Pai”, primeira coprodução entre Brasil e Vietnã, nasceu durante aulas de direção na NYU (Universidade de Nova Iorque) e contou com a ajuda de outros brasileiros como o fotógrafo Pierre de Kerchove, a assiste de direção Flávia Guerra e a musicista Michelle Agnes.

Além deste curta, outra produção brasileira também está na corrida pela almejada estatueta dourada. “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, foi escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na premiação. O longa concorre a uma vaga entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

(Karen Lemos - Revista O Grito!)

sábado, 22 de novembro de 2014

Longa sobre Caio Fernando Abreu vence prêmio do público no Festival Mix Brasil


Para Sempre Teu, Caio F., de Candé Salles, foi agraciado pelo público com o coelho de ouro de melhor longa nacional na premiação do 22º Festival Mix Brasil – que contempla e dá espaço para a produção cultural LGBT – em noite de cerimônia realizada na capital paulista.

Baseado em um livro homônimo escrito por Paula Dip, amiga pessoal de Caio Fernando Abreu, o filme é o mais completo e sincero resgate de memórias do escritor gaúcho que nos dias de hoje virou uma figura cult das redes sociais. “Quando escrevi o livro, iniciei uma pesquisa e notei que havia uma enorme quantidade de material visual sobre o Caio que estava se perdendo”, recordou em entrevista a O Grito!.

Assim como escreveu o livro, Paula decidiu também assinar o roteiro do longa. A decisão de comandar esses projetos foi fruto de uma promessa firmada com Caio, no ano de 1983, em uma noite regada a bebidas e boas conversas na qual ficou decidido: quem morresse primeiro, contaria a trajetória do outro. “Fiz esse filme para manter viva a memória de Caio, como ele havia me pedido; ter recebido esse prêmio do público me deu uma sensação de missão cumprida”, afirmou, muito emocionada.


A escritora Paula Dip e o diretor Candé Salles

As imagens de arquivos encontradas durante a pesquisa para o livro é um dos pilares que compõe Para Sempre Teu, Caio F., que traz ainda entrevistas com familiares, colegas de trabalho e amigos (que eram muitos!) e também encenações de alguns de seus textos por atores famosos como Camila Pitanga, Mariana Ximenes, Cauã Reymond, Caco Ciocler, Fabio Assunção, Thiago Lacerda, entre outros.

A ideia era não se limitar somente à vida do autor, que por si só oferece um conteúdo riquíssimo, mas também explorar e mergulhar fundo em sua obra. “Foi através do texto que Caio me tocou e, dessa forma, virei seu fã. Portanto, nada mais justo do que dividir isso com o público”, ressaltou o diretor Candé Salles em conversa com a reportagem.

O público ainda premiou o curta estrangeiro Aban + Khorshid, que choca ao mostrar as leis que proíbem a homossexualidade no Irã, o longa estrangeiro E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto, sobre a luta do cineasta português Joaquim Pinto contra a AIDS, e o documentário Nan Goldin – Lembro do seu Rosto, a respeito da vida da fotógrafa nova-iorquina Nan Goldin.

Entre os curtas nacionais, um empate. Aceito, de Felipe Cabral, e A Ala, de Fred Bottrel – que dedicou o prêmio aos detentos da ala gay de uma prisão de Minas Gerais – levaram coelhos de prata para casa.

Outros destaques 

O júri técnico também premiou com o coelho de ouro o longa-metragem Gazelle – The Love Issue, sobre um conhecido transformista da noite de grandes cidades ao redor do mundo que, após perder o seu parceiro e contrair HIV, embarca em uma transformação de consciência em sua vida, e o curta-metragem Algum Lugar no Recreio, de Caroline Fioratti, sobre como adolescentes lidam com os primeiros sintomas de seus desejos sexuais.


“Filmei esse curta com muita dificuldade, pois ele se passa em um colégio católico e, embora a direção do colégio tenha aceitado, os pais dos alunos foram contra a ideia de fazer um filme com esse tema lá”, contou Caroline após receber o troféu. “No final, a gente venceu, porque os jovens do colégio lutaram por isso. Esse prêmio vai para a atitude desses adolescentes, cuja postura eu admiro”, completou a cineasta, que também levou o coelho de prata de melhor direção.

Os jurados ainda fizeram uma menção honrosa a Nova Dubai, de Gustavo Vinagre, exibido no Janela Internacional de Cinema de Recife deste ano, e deram a Quinze, de Maurílio Martins, o prêmio Canal Brasil de incentivo ao curta-metragem, além de reconhecerem o trabalho da atriz Karine Telles por sua interpretação no filme.

Confira todos os vencedores: 
Júri Popular 
Melhor Curta Estrangeiro: Aban + Khorshid de Darwin Serink (EUA)
Melhor Longa Estrangeiro: E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto (Portugal)
Melhor Documentário: Nan Goldin- Lembro do seu Rosto de Sabine Lidl (Alemanha/ Austria/Suiça)
Melhor Curta Nacional: “A Ala” de Fred Bottrel e “Aceito” de Felipe Cabral (empate)
Longa Nacional: “Para Sempre Teu, Caio F.” de Candé Salles (Brasil)
Prêmio Canal Brasil de Incentivo ao Curta Metragem (de R$ 15 mil): “Quinze” de Maurilio Martins
Prêmio Ida Feldman: Colby Keller

Premiados pelo Júri Técnico Competitiva Brasil de Curtas 
Melhor curta metragem nacional Troféu Coelho de Ouro 2014: “Algum Lugar no Recreio” de Caroline Fioratti
Melhor direção de arte: “Edifício Tatuapé Mahal” / Fernanda Salloum
Melhor Fotografia: “Flerte” de Dante Belluti
Melhor Roteiro: “Sobre Papéis”/ Pedro Paulo Andrade
Melhor Interpretação: “Quinze”/ Karine Telles
Melhor Direção: “Algum Lugar no Recreio”/ Caroline Fioratti
Menção Honrosa: “A Ala” de Fred Bottrel

Premiados pelo Júri Técnico Competitiva Brasil de Médias e Longas 
Melhor curta média/ longa nacional Troféu Coelho de Ouro 2014: “Gazelle – The Love Issue” de Cesar Terranova (Brasil / EUA / Polinésia Francesa)
Menção Honrosa: “Nova Dubai” de Gustavo Vinagre

(Karen Lemos - Revista O Grito!)