quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
FilmeFobia é destaque no Festival de Brasilia

O 41º Festival de Cinema de Brasília, teve seu encerramento na noite do dia 25/11 (terça-feira), no Cine Brasília. O longa metragem em 35 milímetros "FilmeFobia”, de Kiko Goifman, foi o grande vencedor da noite, recebendo o prêmio de melhor filme segundo o júri oficial do festival, além de outros três prêmios: montagem, direção de arte, e melhor ator para Jean-Claude Bernadet, que também ajudou na direção da obra.
“FilmeFobia” dividiu o público de Brasília, sendo vaiado e ao mesmo tempo aplaudido durante sua exibição no festival. Ao subir ao palco para receber o troféu Candango, o cineasta Kiko Goifman agradeceu também, com muito bom humor, as vaias que seu filme recebeu. O longa mistura ficção e documentário, utilizando ora atores e ora pessoas comuns. O objetivo de “FilmeFobia” é explorar os medos humanos, sejam eles comuns ou aqueles do tipo exagerado. Utilizando armadilhas e engenhocas de todos os tipos, criados pela artista plástica Chris Bierrenbach, os atores e os fóbicos de verdade são obrigados a enfrentar seus medos, que vão desde cobras e baratas, até os mais inusitados como fobia de anões (cena que abre o filme), de celulares, cabelos e ralos. Diante das circunstâncias, os personagens geralmente vão ao desespero em frente das câmeras, alguns chegam até a desmaiar.
Vale lembrar que toda a produção do filme foi relatado pela equipe no blog "FilmeFobia - Diário de Filmagem"
Outros vencedores
O melhor filme segundo o júri popular ficou para “À Margem do Lixo”, de Evaldo Mocarzel, que também recebeu o prêmio especial do júri, a obra retrata a vida dos catadores de lixo. No festival de Brasília em 2006, Mocarzel foi o vencedor do mesmo prêmio por “À Margem do concreto”, filme que mostra a história de um sem-teto da cidade de São Paulo. Ambos trabalhos, fazem parte de uma “tetralogia” de Mocarzel, que foi iniciada por “À margem da imagem”, vencedor de vários prêmios em festivais de cinemas nacionais e internacionais.
Os prêmios de melhor atriz e atriz coadjuvante foram divididos pelo elenco feminino de Siri-Ará, de Rosemberg Cariry, o filme cearense também faturou o troféu candango de ator coadjuvante para Everaldo Pontes. O cineasta Geraldo Sarno, realizador de “Tudo Isto Me Parece Um Sonho”, foi premiado pelo seu trabalho nas categorias melhor direção e melhor roteiro.
Curtas-Metragens
Os prêmios para curta-metragem são divididos em duas categorias: 35 milímetros e 16 milímetros. O grande vencedor da categoria 35 milímetros foi o pernambucano “Superbarroco”, de Renata Pinheiro, levando o prêmio de melhor filme pelo júri oficial; já o júri popular ficou com “Brasília” (título provisório), de J. Procópio. Para 16 milímetros o júri oficial escolheu “Cidade Do Tesouro”, de Célio Franceschet como melhor filme e premiou “Depois Das Nove”, de Allan Ribeiro com o prêmio especial do júri. Não há troféu do júri popular na categoria 16mm. A menção honrosa foi para “A Menina Espantalho”, de Cassio Pereira dos Santos.
Confira todos os vencedores do Festival de Cinema de Brasília:
Categoria Longa-metragem:
Melhor Filme (Júri Oficial): Filmefobia, de Kiko Goifman
Prêmio especial do Júri: À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel
Melhor Filme (Júri Popular): À Margem do Lixo
Melhor Direção: Geraldo Sarno, por Tudo Isto Me Parece Um Sonho
Melhor Ator: Jean-Claude Bernadet, por FilmeFobia
Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante: Elenco feminino de Siri-Ará
Melhor Ator Coadjuvante: Everaldo Pontes, por Siri-Ará
Melhor Roteiro: Geraldo Sarno e Werner Salles, por Tudo Isto Me Parece Um Sonho
Melhor Fotografia: Gustavo Hadba e André Lavenère, por À Margem do Lixo
Melhor Direção de Arte: Cris Bierrenbach, por FilmeFobia
Melhor Trilha Sonora: O Milagre De Sta Luzia
Melhor Som: Fernando Calvalcante, por Ñande Guarani (Nós Guarani)
Melhor Montagem: Vânia Debs, por FilmeFobia
Categoria Curta-metragem em 35mm:
Melhor Filme (Júri Oficial): Superbarroco, de Renata Pinheiro
Melhor Filme (Júri Popular): Brasília, de J. Procópio
Melhor Direção: Thiago Mendonça, por Minami em close-up
Melhor Ator: Hilton Cobra, por Cães
Melhor Atriz: Ana Lúcia Torre, por Na madrugada
Melhor Roteiro: Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso
Melhor Fotografia: Pedro Semanovischi, por Cães
Melhor Montagem: Ivan Morales Jr., por Arquitetura do Corpo
Categoria Curta-metragem em 16mm:
Melhor Filme (Júri Oficial): Cidade Do Tesouro, de Célio Franceschet.
Prêmio Especial do Júri: Depois Das Nove, de Allan Ribeiro.
Melhor Direção: Ângelo Defanti, por Maridos, Amantes e Pisantes
Melhor Ator: Nildo Parente, por Depois de Tudo
Melhor Atriz: Malu Valle, por Alice
Melhor Roteiro: Cassio Pereira Dos Santos, por A Menina Espantalho
Melhor Fotografia: Alexandre Taira, por Cidade do Tesouro
Melhor Montagem: Alexandre Boechat, por Landau 66
Menção Honrosa: A Menina Espantalho, de Cassio Pereira dos Santos.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
“Depois de tudo” mostra o lado ator de Ney Matogrosso

Sempre transgressor, não é só no mundo da música que Ney Matogrosso choca (e encanta) o publico ao mesmo tempo em que quebra os tabus da sociedade. Em “Depois de Tudo”, Ney vive um homossexual já na terceira idade, que mantém um relacionamento a mais de 30 anos com outro homem, vivido pelo ator Nildo Parente.
Filmado com muita sensibilidade, o curta acompanha, em 12 minutos, um dia na vida do casal, que na verdade, é como qualquer outro. Eles se encontram, jantam, assistem a um filme, fazem amor e dormem juntos. Na manhã seguinte, tudo volta ao normal, cada um vai para sua casa e esperam pelo dia que voltarão a se ver.
Em cartaz no Festival de Cinema Mix Brasil 2008, que aborda a diversidade sexual, o filme está na mostra competitiva de curtas, e pode ser conferido pelo público no dia 19/11 (quarta-feira), às 20h15, no Auditório do MIS e dia 20/11 (quinta), às 18h00, no Centro Cultural da Juventude. O Mix Brasil 2008 vai até dia 23 de novembro, quando saem os resultados das mostras competitivas.
Já não é a primeira vez de Ney Matogrosso no cinema, em 1987, Ney atuou no filme “Sonho de Valsa” de Ana Carolina, ao lado da atriz Xuxa Lopez; no ano seguinte, o cantor encarou novamente as câmeras no curta experimental “Caramujo-Flor”, que debate a poesia de Manoel de Barros, o filme recebeu vários prêmios em importantes festivais de cinema como o de Brasília e Gramado.
Ainda se espera uma outra intervenção de Ney aos cinemas para o ano que vem, trata-se de “Luz Nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha”, continuação de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla. O filme conta a história de João Acácio, conhecido como o bandido da luz vermelha. No filme, Ney interpretará o bandido que ficou preso por muitos anos, quando descobre que tem um filho e decide então, ir atrás dele.
“Depois de tudo” é só mais um exemplo da pluralidade do cantor que não se cansa de transgredir.
Confira agora uma entrevista com o diretor Rafael Saar. Formado em cinema pela UFF, “Depois de tudo” é seu sétimo trabalho, no qual ele dirige e também assina o roteiro. Em entrevista a repórter Karen Lemos da BR Press, o cineasta fala de suas influências, de como surgiu a idéia do tema, a seleção do elenco e a importância de um festival como o Mix Brasil, que aborda a diversidade sexual.
Qual a importância do seu trabalho estar incluído na programação do Mix Brasil 2008?
O Mix Brasil é um importante festival não somente pela temática, mas pela curadoria, com uma excelente programação dentro do festival.
Como surgiu a idéia do tema?
A idéia de “depois de tudo” era a princípio mostrar um casal de idosos e gays. O desenvolvimento foi muito simples porque é um filme que mostra o cotidiano. Os personagens não são ou talvez não foram mostrados ainda no cinema ou TV. O que foi feito é construir tudo da maneira mais natural e bonita possível, sem cair na pieguice.
Como foi realizada a produção?
Tudo foi feito num processo bem rápido. Um dia de filmagem e a maior parte do tempo foi na finalização.
Como foi a seleção dos atores?
Encontrar atores que aceitassem estava sendo difícil. O Nildo eu conheci através de um amigo e quando mostrei o roteiro e falei do Ney ele topou na hora. O Ney eu conheci no “homem-ave” (filme de Rafael que ainda está em processo de produção, no qual Ney faz a narração) e também trabalho no documentário do Joel Pizzini sobre ele. Levei o roteiro na casa dele, ele leu na hora e gostou.
E trabalhar com eles, como foi?
Tivemos um "ensaio", uma semana antes da filmagem. Na verdade uma leitura e discussão em cima do conceito do filme e dos personagens. Os entenderam muito rápido e acrescentaram muito ao filme e ao roteiro.
Ney Matogrosso não é ator profissional, qual foi o motivo da escolha dele para o elenco?
O Ney é um ator, e usa isso da melhor forma no trabalho dele com música. Não foi uma escolha propriamente dita, foi um encontro. Ter ele no filme trouxe uma representação muito interessante pelo papel histórico que ele tem no questionamento dos padrões sexuais.
Você teve alguma influência para realizar essa obra?
Dentro do filme há uma referência visual a "Liberdade é azul" do Kieslowski. O cinema de poesia é o que me atrai. Pasolini, Tarkovski, Bertolucci, Godard são os que me fazem pensar e fazer cinema.
Como tem sido a recepção do público e critica do seu trabalho?
A repercussão de um curta-metragem ainda é bem reduzida, mas tenho recebido mensagens e lido alguns textos que fazem com que eu continue a fazer o que gosto.
Fale sobre os seus próximos projetos
Agora estou na preparação de um documentário sobre a Baby do Brasil, e trabalho com o Joel Pizzini no documentário que ele dirige sobre o Ney.
Comentários a acrescentar?
Acho importante dar um destaque grande ao Nildo Parente, que é um ator espetacular. A experiência dele com cinema é enorme, e acredito que este seja um filme especial para ele, que ganhou um prêmio pela carreira lá em Fortaleza a partir do “depois de tudo”. Assim como o Ney, foi muito corajoso de confiar num diretor estreante.
Assista a uma reportagem do programa Zoom na TV Cultura, a respeito do filme:
terça-feira, 18 de novembro de 2008
REC (2007)

Uma equipe de reportagem acompanha a patrulha noturna dos bombeiros. Quando recebem uma chamada, aparentemente cotidiana, para ajudar uma velha senhora que teve problemas em seu apartamento, ninguém imaginava que lá estava para acontecer algo inesperado..
Rec causou enorme polêmica na Espanha e agora está rodando todo o mundo e causando desconforto por onde passa, tanto que até ganhou uma regravação norte-americana (novidade!) que será lançada ano que vem.
Veja a reação do público:
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Dica de Exposição
De 30 de agosto até 26 de Outubro, a Pinacoteca do Estado apresenta “Diário de bolsa: Instantâneos do olhar”, da artista plástica Vânia Toledo. Cerca de 120 imagens compõe a exposição de fotos produzidas entre as décadas de 70 e 80.
Vânia Toledo sempre carregou em sua bolsa uma discreta câmera portátil, em uma época que não se conhecia as câmeras de celular e muito menos a foto digital; a câmerazinha portátil parecia inofensiva, e não intimidava ninguém, o que fazia aflorar a espontaneidade do fotografado, que nunca levava o ensaio a sério. Essa tal espontaneidade é coisa difícil de se ver em dias em que a manipulação da imagem parece reinar acima de qualquer outra coisa.
Naquela época, não existiam as ‘celebridades’, os consultores de imagem e a famigerada “imprensa rosa”, tudo era mais acessível, principalmente quando está entre amigos, como era no caso de Vânia. Dessa forma, foi possível registrar um momento super natural dos artistas daquela época; algo muito próximo à realidade.
Sabendo disso, Vânia aproveitava para fotografar, dia e noite, seus amigos mais próximos (geralmente artistas); entre festas, shows, banheiros de boate e quartos pessoais, nada escapava das lentes ácidas da fotógrafa; e tudo em tom de brincadeira, claro, mas sem pudor e vergonha, criando assim, um fiel diário fotográfico de sua vida e do seu meio.
Mas, o que era, de início, uma brincadeira entre amigos, acabou virando um retrato sério e riquíssimo da cultura popular dos anos 70/80, e que só agora é revelada ao público.
Entre textos e pensamentos da artista plástica, a exposição traz fotos super curiosas e interessantes de artistas como Caetano Veloso, Roberto Carlos, Gal Costa, Ney Matogrosso, Sidney Magal, Cazuza, Rod Stewart, Andy Warhol, Roman Polanski, James Brown, Truman Capote, entre outros, além revelar o comportamento daquela época, seja pelas roupas e acessórios do fotografado, ou pelos lugares em aquela geração freqüentava; assim, foi possível trazer a tona um lado verdadeiro e pouco conhecido de uma época que passou, mas que sobrevive através das lentes de Vânia Toledo.
“Aprendi a fotografar fotografando. Tudo que meu olhar curioso pedia eu fotografava”.
Vânia Toledo.
Confira algumas imagens da exposição:
Caetano Veloso, no espelho de seu quarto no Hotel Maksoud Plaza, São Paulo, 1982.
Gal Costa, com visual tropicalista, entre a gravação dos discos Caras e Bocas e Água Viva, na casa do seu empresário Guilherme Araújo. Rio de Janeiro, 1978.
Cazuza, ainda na fase de vocalista do Barão Vermelho, no sofá do apartamento Emille Eddé, São Paulo 1985.
Ney Matogrosso na praia do Leblon, Rio de Janeiro, 1983.
Andy Warhol no Estúdio 54, Nova York, 1983
Em sua primeira vinda ao Brasil, em 1985, o cantor Rod Stewart ganhou uma festa em sua suite no Hotel Copacabana Palace.
O cineasta Roman Polanski dá autógrafos no carnaval carioca, 1983
*Fotos: Karen Lemos
A Pinacoteca abre de terça a domingo, das 10 às 18h, o ingresso vai de R$ 4,00 (inteira) a R$ 2,00 (estudante). Aos Sábados a entrada é franca.
Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, Nº 2
Fone: (11) 3324-1000
Mais informações: www.pinacoteca.org.br
domingo, 17 de agosto de 2008
David Lynch no Brasil

O cineasta norte-americano David Lynch, conhecido pelos seus filmes ‘non-senses’, veio ao Brasil pela primeira vez no inicio do mês de Agosto, e não para falar de cinema, como muitos imaginavam, mas, para discutir sobre a Meditação Transcendental. Sim, pode parecer loucura, mas vindo de David Lynch não é nenhuma surpresa.
O diretor lança pela editora Gryphus “Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação”, livro em que conta suas experiências de quase três décadas de meditação, e afirma que através dela, mergulhava profundamente em um mundo de idéias, e ‘pescava’ as inspirações ora bizarras, ora brilhantes encontradas em seus filmes. Em textos curtos, o livro vai revelando os pensamentos e devaneios do diretor, que, segundo o próprio, tem o objetivo de fluir na mente do leitor, como se fosse uma viagem transcendental.
Em passagem por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o autor divulgou sua publicação, concedendo entrevistas à imprensa brasileira e ministrando palestras sobre o tema. A turnê de divulgação já passou por mais de 15 países, e será mostrada em um documentário que está sendo preparado pelo cineasta.
“Em águas profundas” foi o assunto principal da palestra ministrada por Lynch aqui em São Paulo. Realizada no dia sete de agosto na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, o encontro contou com a presença do cineasta e do músico inglês Donovan Philips Leitch, um dos divulgadores da meditação transcendental, que junto com os Beatles e Mia Farrow, tornou a prática espiritual criada pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi, muito popular nos anos 60.
Fãs aguardam um encontro com David Lynch, na livraria cultura em São Paulo.
O intuito da palestra não foi apenas divulgar essa prática, mas também para tentar implementar a meditação nas escolas públicas brasileiras. Desde 2005, a David Lynch Foundation (criada pelo próprio) financia bolsas de estudos aos estudantes que se interessam pela meditação transcendental. O projeto vem dando certo lá fora, e agora, o criador do projeto quer se encontrar com o presidente Lula e debater sobre a possibilidade dessa idéia funcionar aqui no Brasil. Será? Segundo Lynch, a meditação ajuda a diminuir o estresse dos estudantes e ajudá-los na concentração dos estudos.
Mas é impossível escapar do cinema em uma conversa com o mestre desse movimento artístico. Lynch mostrou, ainda que de uma forma pouco conveniente, histórias maravilhosas retratadas em “O Homem-Elefante” e “A História Real”, e ainda desafiou o telespectador a decifrar os significados (nunca revelados pelo cineasta) de “Veludo Azul”, “Cidade dos Sonhos” e da série televisiva de sucesso “Twin Peaks”. Seu trabalho mais atual “Império dos sonhos” foi considerado o mais extremo do diretor – do tipo ‘ame ou odeie’. É nesse misto de ódio e adoração, que Lynch ganha atenção e admiradores no mundo todo.
Durante a palestra, que foi pautada por perguntas feita pelo público, surgiram algumas questões interessantes sobre os benefícios da meditação, e outras sobre seus filmes. O cineasta respondeu a perguntas da platéia como ‘se as pessoas meditassem mais, elas compreenderiam melhor os seus filmes?’ - “com certeza!”, responde o diretor; ou então quando questionado sobre ‘o que David Lynch sabe sobre David Lynch?’, ele responde de forma bem humorada: “Nada!”.
Com simpatia e uma pitada de ironia, David ministrou sua palestra no auditório da Livraria Cultura para quase 200 pessoas, que riram e aplaudiram durante todo o evento. Em seguida, o autor autografou seus livros para centenas de fãs, que lotaram os três andares das escadarias da livraria, durante todo o resto da tarde.
Eu e David Lynch
Com sorte, eu consegui um ingresso para a palestra daquela tarde, resolvi chegar mais cedo no evento e me dei bem. O número de lugares era bem limitado e a fila estava enorme, nunca imaginei que havia tantos fãs de David Lynch em São Paulo (Há fãs de qualquer coisa aos montes aqui em São Paulo, essa é a verdade), infelizmente, muita gente ficou de fora. Quando terminou a palestra, que foi bem interessante por sinal, me dirigi à imensa fila de autógrafos, onde fiquei por cerca de uma hora e meia, até poder me encontrar frente a frente com Lynch, que assinou meu livro e foi super simpático ao retribuir meus agradecimentos pela sua vinda: “Cheers” ele respondeu entre sorrisos. Antes de ir embora dei um grande abraço naquela ilustre figura, e ainda deu tempo de tirar uma foto, que, apesar de não ter ficado muita boa, valeu pela intenção.
Sai da livraria no final da tarde, embaixo de chuva e super cansada, mas todo momento valeu a pena. Uma oportunidade dessa não volta mais, e caso volte, estarei lá com certeza!
“Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas profundas.” – David Lynch.
Transcrição da palestra em áudio: www.riuston.com.br/blog/?p=80
Acessem o site oficial de David Lynch para mais informações sobre o cineasta e o David Lynch Fundation; também é possível fazer compras de variados produtos, tem até café (ele tem uma marca de café, acreditem) e de quebra, assistir aos capítulos da previsão do tempo, que são um tanto bizarras, gravadas diariamente pelo diretor.
www.davidlynch.com
sábado, 2 de agosto de 2008
Show do Muse

A banda inglesa “Muse” teve seu show considerado como um dos 50 melhores de todos os tempos, segundo a revista “Classic Rock Magazine”. Eis que nessa semana, nós brasileiros, tivemos a chance de comprovar essa estatística.
Pela primeira vez no Brasil, o conjunto inglês passou por três capitais, incluindo São Paulo. Quando soube da noticia, eu logo comprei meu ingresso; mesmo com a carteira de estudante o preço ficou salgado: 80 reais na pista!! Pensei comigo, será em uma casa de shows decente – o HSBC Brasil (antigo Tom Brasil) e, afinal, vai saber quando a banda voltará a fazer outro show por aqui. Bom, achei que valeria a pena e comprei.
No dia 31 de julho, peguei meu ingresso e minha mochila e parti até o show. Destaco aqui que levei um bom tempo para chegar ao HSBC, que fica localizado na região de Santo Amaro (o que para mim é do outro lado da cidade), precisei pegar o metrô e dois ônibus, e para ajudar, ainda me perdi no meio do caminho – o que não é novidade.
Quando cheguei, já havia uma aglomeração de pessoas esperando o horário de abertura dos portões, grande parte da fila parecia usar uniforme, a mesma blusa da banda, mas em diferentes cores, circulava entre as pessoas que aguardavam. Eu usava uma blusa cinza sem estampa, uma estranha no ninho.
As oito e alguma coisa da noite, os portões foram abertos. Comecei a noite muito bem: ao ser revistada pelos seguranças, uma mulher cismou com as minhas canetas bic; sugerindo que aquilo poderia matar alguém, atirou todas elas no lixo mais próximo, um prejuízo de quase 10 reais em canetas. Já nervosa, entrei no estabelecimento e lá se foram mais cinco reais para guardar a minha mochila na chapelaria. Dessa forma, só a cerveja salva! (e que também não era nada barata).
Em torno das nove da noite, a banda de abertura entrou. Jay Vaquer, nunca tinha ouvido falar; na verdade, eu até tinha visto um clipe da banda na MTV, mas nem me dei ao trabalho de ouvir direito a música, só reparei em quanto o clipe era tosco e nada mais.
O show deles não foi muito diferente disso, nem prestei atenção em nada, e graças a deus, foi um show rápido.
Uma longa espera, perto das 10 da noite - ou coisa parecida - a capa que cobria a bateria foi retirada e as luzes apagadas. A gritaria começa, luzes vermelhas na platéia, som de orquestra, e finalmente, Muse sobe ao palco, abrindo com “Knights of Cydonia.” - não consigo pensar em outra música que combine tanto com uma abertura.
Logo depois, “Hysteria”, eu já estava cansada de gritar e pular, e o show mal tinha começado. Onde eu me localizava não era nada favorável, fiquei no canto esquerdo ao fundo, onde mal dava para ver o vocalista. Era o único lugar ‘não tão apertado’ que consegui arranjar, e por isso, lá permaneci.
Outras boas músicas vieram, como “Supermassive Blackhole”, “Starlight”, “Time is Running Out” e “Stockholm Syndrome”, entre uma música e outra, os integrantes abusavam de seus instrumentos em solos que arrancavam gritos da platéia.
A todo o momento, a banda se mostrou digna do título que recebeu por sua performance, o show contou com efeitos especiais de gás carbônico que subia pelo palco e balões infláveis, que passaram pela platéia e espalhavam papéis picados quando estourados, durante “Plug in Baby”. O público respondia a tudo isso com empolgação e gritaria, fazendo coro em todas as músicas que eram tocadas no palco.
No final, sai com dores no corpo e a garganta pedindo por socorro, mas, acima de tudo, fui embora com aquela sensação boa de ter visto um grande show, e de que tudo esforço valeu a pena. E realmente, valeu mesmo.
Como já havia afirmado a "Classic Rock Magazine", Muse é responsável por uma das performances mais empolgantes do cenário musical atual, e quem somos nós para negar?
Set-list do show em São Paulo:
- Knights of Cydonia
- Hysteria
- Bliss
- Map of the Problematique
- Supermassive Blackhole
- Butterflies and Hurricanes
- Citizen Erased
- Felling Good
- Invincible
- New Born
- Starlight
- Time is Running Out
- Plug in Baby
- Stockholm Syndrome
- Take a Bow
Confira mais sobre o trabalho do Muse em www.myspace.com/muse

