domingo, 11 de maio de 2014
Conchita Wurst vence competição musical e surpreende o público
Conchita Wurst, representante da Áustria no Festival Eurovision da Canção - a maior batalha de música do continente Europeu - surpreendeu o público não somente por sua imagem andrógina, mas também por sua voz arrepiante.
Com a canção "Rise Like a Phoenix", a cantora venceu a competição, que aconteceu na noite de sábado (10), na Dinamarca, e foi prestigiada por mais 120 milhões de pessoas.
Conchita se apresentou maquiada, com joias e usando um vestido esvoaçante - o que contrastava com a barba em seu rosto. O visual causou polêmica e chegou a gerar revolta na Rússia, Armênia e Belarus, onde rígidas leis contra os homossexuais imperam. Estes países chegaram a solicitar a exclusão da candidata na competição.
"Essa noite é dedicada a todos que acreditam em um futuro de paz e de liberdade", declarou ao ser proclamada vencedora. "Nós somos um só e somos impossíveis de ser parados".
Confira a apresentação:
A drag queen de 25 anos não era um rosto tão desconhecido, visto que já alcançou outras vitórias, como no reality show 'The Voice'. Seu nome também faz uma alusão à androginia, já que Conchita é uma referência ao órgão sexual feminino na língua espanhola e Wurst, em alemão, significa 'salsicha'.
(Karen Lemos - Portal RedeTV!)
domingo, 14 de abril de 2013
Dica de cinema: "Rebirth"
Tendo as sombras do passado como cenário, o filme japonês "Rebirth" (Youkame no Semi) conta a história de uma mulher que rapta uma criança depois de ficar estéril como consequência de um aborto. O longa-metragem é das grandes atrações do Japanese Film Festival que acontece neste final de semana em Dublin, na Irlanda.
No Japão, "Rebirth" foi ovacionado pela crítica e pelo público e recebeu 11 prêmios no Japan Academy Prize – uma espécie de Oscar no país. Além de melhor filme, o longa também foi agraciado com os prêmios de melhor diretor para Izuru Narushima, melhor atriz estreante, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro (baseado no aclamado romance de Mitsuyo Kakuta), entre outros.
Na trama, Kiwako (Hiromi Nagasaku) tem a vida destruída após abortar seu primogênito. Desde então, convive com um vazio que só é preenchido com o rapto de Erina (Mao Inoue), a filha recém-nascida de seu amante. Apesar do delito, Kiwako cria a menina com muito amor, confundindo o espectador que, diante de uma inesperada compaixão pela protagonista, se encontra na torcida pela criminosa.
Para despistar a polícia, Kiwako muda o visual e vai morar em uma vila de mulheres solteiras, de onde foge após descobrirem o seu paradeiro. Logo, as duas vão parar uma pequena ilha no Japão, lugar em que Erina cresce tranquilamente, estuda e faz alguns amigos. Entretanto, uma fotografia com os moradores da ilha publicada no jornal acaba denunciando, pela segunda vez, o esconderijo de Kiwako. Só que desta vez não será tão fácil fugir do inevitável.
Ao longo do filme, acompanhamos o sofrimento da pequena Erina em reconhecer seus pais verdadeiros. O trauma se estende até sua adolescência e destrói, para sempre, qualquer rotina familiar normal que ela poderia ter caso o seu rapto não tivesse ocorrido. Mesmo depois de anos, o passado volta à tona na vida de Erina com a chegada de uma misteriosa mulher que deseja escrever um livro sobre sua história – o que fará com que a protagonista revisite as dolorosas memórias de sua infância.
A narrativa é, de fato, surpreendente. O roteiro não é entregue logo de cara; vai se desenvolvendo aos poucos e, a cada novo detalhe, o espectador recebe uma peça do quebra-cabeça desta comovente história. Repleto de reviravoltas, "Rebirth" nos mostra que a justiça não é tão simples na vida real como normalmente a encontramos na ficção.
Vale destacar a fotografia do filme: um espetáculo à parte, principalmente nas memórias de infância da protagonista, reveladas com belas imagens daquelas que guardamos quando jovens. A ilha no Japão onde Erina cresceu é colorida do ponto de vista de criança, mas se torna melancólica com o seu retorno anos mais tarde.
Para aqueles que não são muito familiarizados com o cinema japonês, vale a dica. "Rebirth" reúne boas surpresas que só o cinema pode nos proporcionar.
(Karen Lemos)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Margareth Menezes celebra estreia na televisão. "Sou movida a desafios"
Antes de ingressar na carreira musical, Margareth Menezes (50) iniciou a vida artística nos palcos do teatro. Embora a atuação não seja nenhum bicho de sete cabeças para este ícone do samba, a televisão era, até então, um terreno ainda inexplorado.
Quando recebeu o convite do diretor-geral José Luiz Villamarim para estrelar a microssérie O Canto da Sereia, que estreia no dia 8 de janeiro, não pensou duas vezes em aceitar. “A minha carreira é feita de desafios”, declarou em entrevista à CARAS Online. “Sou movida a desafios, então, quando me chamaram, aceitei na hora”.
Baseado em um livro de Nelson Motta (68), a história de O Canto da Sereia apresenta uma identificação forte com a veia artística da cantora. “A história tem uma sonoridade musical”, explicou. “Tem a ver comigo e com o meu universo. Vi a proposta como algo positivo, que mexeu com meus sentimentos”.
Na atração, Margareth vai interpretar a delegada Marta Pimenta. Para tanto, ela participou de laboratórios, com o preparador de elenco Sergio Penna, para se habituar à realidade de sua personagem. “Passei uma tarde em uma delegacia acompanhando a rotina e conversando com delegadas”, contou. “Fiquei bem surpresa porque descobri um lado da profissão que ainda não conhecia. Essas mulheres, além de profissionais, são super vaidosas. Foi super bacana ter esse contato”.
Focada e experiente, Marta Pimenta terá um papel importante na trama: desvendar o misterioso assassinato de Sereia, uma famosa cantora de Axé em Salvador, na Bahia, interpretada por Ísis Valverde (25). De cara, a intérprete percebeu muitos pontos em comum com sua personagem. “Assim como a Marta, eu também sou uma pessoa muito focada e responsável”, disse Margareth.
A experiência na televisão, muito positiva, pode abrir novas portas para a cantora que está sempre disponível para os desafios. “Se houver uma oportunidade bacana, vou fazer de novo”, garantiu. “Vamos esperar e ver no que vai dar”, concluiu ao celebrar os novos rumos de sua carreira.
(Karen Lemos - CARAS Online)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Separação de Marília Gabriela emocionou Reynaldo Gianecchini ao escrever sua biografia
Reynaldo Gianecchini fala do livro que conta sua vida, a parceria com o jornalista Guilherme Fiuza e um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: o fim do casamento com Marília Gabriela
Crédito de imagem: João Passos
Na foto de capa de "Giane – Vida, Arte e Luta", Reynaldo Gianecchini (40) olha contemplativo a sua frente. Na imagem - registro feito após a batalha do ator contra o câncer – ele aparece com os cabelos curtos e grisalhos, que começavam a crescer depois de várias sessões de quimioterapia.
O retrato, bem como todo o conteúdo da biografia, contou com o aval do galã. “Eu que bati o martelo”, disse Reynaldo que recebeu, com exclusividade, a reportagem de CARAS Online no Espaço Villa Vérico, em São Paulo.
“Tínhamos várias sugestões para a foto de capa, com vários visuais. Mas essa, em específico, eu achei muito bonita, forte e neutra. É quase um busto, uma estátua”, explicou.
Muitas editoras já haviam procurado Reynaldo com a proposta de contar sua vida nas páginas de um livro. A princípio, o ator achou tudo isso uma grande loucura até se encontrar com o jornalista Guilherme Fiuza (47), autor do sucesso Meu Nome Não é Johnny. “Eu conheço muito o trabalho dele. Gosto muito do jeito que ele escreve e fiquei curioso do jeito que ele iria contar a minha história”, revelou.
A estranheza de ter uma biografia em seu nome passou depois que o ator viu o resultado do trabalho. “Eu tenho o maior prazer de ter esse livro, porque não há pretensão nenhuma de ser uma obra de auto-ajuda. É uma história muito bem contada sobre as viradas da vida de um ser humano”, explicou. “De uma forma bem divertida, o livro coloca todas as minhas dificuldades, sem me enaltecer ou me colocar como um ser acima do bem e do mal”, completou.
A separação
Ao rever sua trajetória para contá-la em um livro, Gianecchini reviveu momentos engraçados e emocionantes de sua vida. O ator destaca uma passagem de sua biografia que, de forma especial, se tornou uma das mais comoventes para ele.
“Um trecho que me tocou muito é sobre a separação de um casamento [de oito anos com a jornalista Marília Gabriela, 64] que foi muito feliz. Chegou um dia e a gente decidiu que era hora de acabar. Nunca é fácil para ninguém uma separação, mas foi muito bonito como aconteceu comigo. Teve amor e atenção. E o livro retrata bem isso”, revelou. “Em nenhum momento nossa intimidade é exposta, o que seria algo muito deselegante. Pelo contrário, é colocado todo o carinho que existiu naquela relação e como é possível continuar um amor, mas agora de outra forma, sem machucar e nem agredir”.
Balanço
"Giane – Vida, Arte e Luta" é um balanço da vida de Reynaldo não só para os leitores, mas para o próprio biografado que, depois de brilhar na carreira de modelo e ator, cresceu e amadureceu, principalmente após a luta contra o câncer - momento que causou comoção nacional e ampliou, ainda mais, o carinho de seu público. “Eu posso falar que hoje em dia eu tenho um olhar muito diferente sobre as pessoas, sobre a vida, um olhar mais atento ao ser humano. A gente vive nessa vida louca e corrida, mas hoje em dia eu faço questão de parar e olhar de verdade para as coisas e para das pessoas”, ressaltou.
A forma como lida com o estresse mudou muito também. O tempo de Reynaldo com situações de tensão é muito curto. Segundo o galã, não ultrapassa dez minutos, tempo suficiente para respirar, questionar e se dar conta de que não vale a pena perder a cabeça com frivolidades. “Não é que eu virei zen, que virei um cara acima do bem e do mal, faço um exercício diário de viver com prazer, acordo todo dia e me proponho em viver um dia com prazer. Não me importa o que eu esteja vivendo, no meu trabalho, na minha vida, eu quero que seja prazeroso. É um exercício bacana de fazer, eu proponho que vocês também tentem fazer”, convidou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
Crédito de imagem: João Passos
Na foto de capa de "Giane – Vida, Arte e Luta", Reynaldo Gianecchini (40) olha contemplativo a sua frente. Na imagem - registro feito após a batalha do ator contra o câncer – ele aparece com os cabelos curtos e grisalhos, que começavam a crescer depois de várias sessões de quimioterapia.
O retrato, bem como todo o conteúdo da biografia, contou com o aval do galã. “Eu que bati o martelo”, disse Reynaldo que recebeu, com exclusividade, a reportagem de CARAS Online no Espaço Villa Vérico, em São Paulo.
“Tínhamos várias sugestões para a foto de capa, com vários visuais. Mas essa, em específico, eu achei muito bonita, forte e neutra. É quase um busto, uma estátua”, explicou.
Muitas editoras já haviam procurado Reynaldo com a proposta de contar sua vida nas páginas de um livro. A princípio, o ator achou tudo isso uma grande loucura até se encontrar com o jornalista Guilherme Fiuza (47), autor do sucesso Meu Nome Não é Johnny. “Eu conheço muito o trabalho dele. Gosto muito do jeito que ele escreve e fiquei curioso do jeito que ele iria contar a minha história”, revelou.
A estranheza de ter uma biografia em seu nome passou depois que o ator viu o resultado do trabalho. “Eu tenho o maior prazer de ter esse livro, porque não há pretensão nenhuma de ser uma obra de auto-ajuda. É uma história muito bem contada sobre as viradas da vida de um ser humano”, explicou. “De uma forma bem divertida, o livro coloca todas as minhas dificuldades, sem me enaltecer ou me colocar como um ser acima do bem e do mal”, completou.
A separação
Ao rever sua trajetória para contá-la em um livro, Gianecchini reviveu momentos engraçados e emocionantes de sua vida. O ator destaca uma passagem de sua biografia que, de forma especial, se tornou uma das mais comoventes para ele.
“Um trecho que me tocou muito é sobre a separação de um casamento [de oito anos com a jornalista Marília Gabriela, 64] que foi muito feliz. Chegou um dia e a gente decidiu que era hora de acabar. Nunca é fácil para ninguém uma separação, mas foi muito bonito como aconteceu comigo. Teve amor e atenção. E o livro retrata bem isso”, revelou. “Em nenhum momento nossa intimidade é exposta, o que seria algo muito deselegante. Pelo contrário, é colocado todo o carinho que existiu naquela relação e como é possível continuar um amor, mas agora de outra forma, sem machucar e nem agredir”.
Balanço
"Giane – Vida, Arte e Luta" é um balanço da vida de Reynaldo não só para os leitores, mas para o próprio biografado que, depois de brilhar na carreira de modelo e ator, cresceu e amadureceu, principalmente após a luta contra o câncer - momento que causou comoção nacional e ampliou, ainda mais, o carinho de seu público. “Eu posso falar que hoje em dia eu tenho um olhar muito diferente sobre as pessoas, sobre a vida, um olhar mais atento ao ser humano. A gente vive nessa vida louca e corrida, mas hoje em dia eu faço questão de parar e olhar de verdade para as coisas e para das pessoas”, ressaltou.
A forma como lida com o estresse mudou muito também. O tempo de Reynaldo com situações de tensão é muito curto. Segundo o galã, não ultrapassa dez minutos, tempo suficiente para respirar, questionar e se dar conta de que não vale a pena perder a cabeça com frivolidades. “Não é que eu virei zen, que virei um cara acima do bem e do mal, faço um exercício diário de viver com prazer, acordo todo dia e me proponho em viver um dia com prazer. Não me importa o que eu esteja vivendo, no meu trabalho, na minha vida, eu quero que seja prazeroso. É um exercício bacana de fazer, eu proponho que vocês também tentem fazer”, convidou.
(Karen Lemos - CARAS Online)
domingo, 2 de dezembro de 2012
Curta-metragem brasileiro "A Fábrica" é pré-selecionado ao Oscar
"A Fábrica", de Aly Muritiba, está na corrida acirrada por uma indicação ao Oscar de melhor curta-metragem
O brasileiro "A Fábrica", dirigido por Aly Muritiba, está concorrendo a uma vaga no seleto time de indicados ao Oscar da categoria curta-metragem.
Na quinta-feira, 29, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – responsável pelo prêmio – divulgou uma lista de pré-seleção com 11 títulos que podem entrar na corrida pela estatueta. Uma nova votação, que vai acontecer em dezembro, irá definir os finalistas, que serão anunciados no dia 10 de janeiro de 2013.
"A Fábrica" venceu as categorias de curta-metragem de melhor filme segundo júri popular, melhor atriz para Eloina Duvoisin e melhor roteiro do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2011.
Vale lembrar que "O Palhaço", de Selton Mello, também concorre a uma indicação ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.
(Karen Lemos - CARAS Online)
O brasileiro "A Fábrica", dirigido por Aly Muritiba, está concorrendo a uma vaga no seleto time de indicados ao Oscar da categoria curta-metragem.
Na quinta-feira, 29, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – responsável pelo prêmio – divulgou uma lista de pré-seleção com 11 títulos que podem entrar na corrida pela estatueta. Uma nova votação, que vai acontecer em dezembro, irá definir os finalistas, que serão anunciados no dia 10 de janeiro de 2013.
"A Fábrica" venceu as categorias de curta-metragem de melhor filme segundo júri popular, melhor atriz para Eloina Duvoisin e melhor roteiro do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2011.
Vale lembrar que "O Palhaço", de Selton Mello, também concorre a uma indicação ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.
(Karen Lemos - CARAS Online)
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Laurence, prazer!
Laurence Alia é um premiado professor que leciona sobre os grandes pensadores da nossa história. Enquanto encanta sua sala e aumenta sua popularidade na escola, ele imagina como a vida de, por exemplo, Marcel Proust – escritor francês homossexual - deve ter sido difícil no século passado por conta de sua sexualidade. “Eles teriam desejado viver em nossos dias”, diz ao concluir mais um dia de trabalho.
A declaração é feita mais pela vontade que Laurence tem em que acreditar que a modernidade está ao seu lado. Mas não está.
Logo percebermos que o protagonista não é um professor qualquer. Há um certo incômodo visível nele, que o faz pausar para reflexão durante suas palestras e, mostrando indícios mais claros do que veremos no filme, o faz colocar clipes nos dedos para que pareçam com as unhas de uma mulher.
“Laurence Anyways” começa dez anos antes do protagonista tomar uma grande decisão. Em 1990 ele resolve se assumir da forma como é: uma mulher presa no corpo de um homem. Não acompanhamos o drama da auto-aceitação que, aquela altura, se supõe, já está superada.
Ao anunciar a ‘novidade’, o que ele ouve como resposta é o cortante grito da repulsa da sociedade que ele imaginava que o aceitaria. Sua namorada é a primeira a receber a notícia – com choque, claro. A princípio, ela aceita, mas depois que a situação começa a pesar, ela foge. Com sua mãe, cuja relação já se estabelece fria para o espectador, acontece o parecido.
A linguagem deste longa-metragem chama atenção. O tema é abordado de forma sensível e, em alguns momentos, parece que entramos em um vídeo-clipe (a trilha sonora é excelente, com bandas como Visage), por vezes beira o experimentalismo, usado de forma frequente em sequências chaves de tensão, alívio e outras emoções.
Acompanhamos o início de tudo: a maquiagem, as roupas de mulher, os brincos e as perucas. A experiência mais radical acontece quando ele dá sua primeira aula vestido como uma professora. Sentimos todo o constrangimento do personagem diante da classe calada. Uma aluna faz uma pergunta frívola sobre sua disciplina, quebrando o momento de tensão pré-estabelecido.
Depois dessa experiência, ele se sente mais seguro com relação à sua realidade – pura ilusão. A escola o rejeita e Laurence perde o emprego. Estaria ele no século passado, assim como Proust? Antes de deixar o emprego, ele escreve com giz na sala dos professores: Ecce Homo - palavras que Pôncio Pilatos teria dito, em latim, ao apresentar Jesus Cristo aos judeus de acordo com o evangelho.
Adaptando-se a nova vida, o personagem começa a escrever um livro de poemas e continua lutando contra seus algozes; um deles personalizado naqueles figurões de bar, em quem acaba dando e de quem recebe uma bela surra. Nesse momento, Laurence é acolhido por outro transexual, que o ajuda e o abriga em sua casa com uma família bem inusitada. Com a intensificação de seus dramas, ele passa a se aproximar mais da mãe, quebrando o gelo que existe entre eles.
Ao mesmo tempo em que a mãe vai aceitando o filho, Laurence finaliza seu livro e segue para o Canadá em busca de sua namorada, o grande amor de sua vida. Casada e com um filho, ela deixa claro que seus sentimentos pelo namorado do passado vão além da aparência física dele (que já colocou silicone nas mamas a essa altura) ao receber uma cópia do livro e convidá-lo a sua casa.
Essa paixão, que nunca morre e quase tudo supera, é o foco do filme, e não a crise com a sexualidade como pensamos a princípio. Uma das cenas mais bonitas do filme é quando o casal viaja até Ilha Negra, local que volta e meia aparece na obra como sendo o objeto de desejo turístico do casal. Ao chegarem à ilha, uma chuva de roupas femininas cai sobre os dois. Extremamente poético.
É um bom filme, porém, longo. São quase três horas de uma história que poderia ser contada em uma hora e meia ou duas horas no máximo. “Laurence Anyways” peca pelo excesso de explicação. Nem tudo precisa de justificativa. A magia do cinema é simples.
(Karen Lemos)
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Crianças invisíveis da terceira idade
Rosa e Bruno são dois idosos que atingiram os 80 anos e enfrentam o desprezo da sociedade, das pessoas próximas e amadas, como seus próprios filhos. Para os mais novos, os protagonistas desse drama são como crianças à espera da morte. Nada mais resta a eles, a não ser esperar.
Cientes de que ainda há vida pulsando dentro de seus corpos, eles relutam em aceitar essa tese, mesmo que a (re)descoberta de sentimentos o surpreendam a princípio. Ainda assim, Rosa e Bruno acreditam que o destino lhes reservou algo além do previsto e decidem embarcar neste novo desafio proposto.
Ao se esbarrarem, por acaso – ou não, na frente de um prédio onde Rosa acabara de ser despejada por sua própria filha, os dois personagens desenvolvem uma conversa agradável que resgata boas memórias da longa trajetória de ambos e outras lembranças não tão afáveis, mas que divertem da mesma forma, afinal, porque não rir da vida? Essa é a lição que o casal sempre nos passa ao longo do filme.
No dia que se conhecem, surgem sentimentos de afeto impossíveis de serem ignorados. O primeiro beijo acontece naquele primeiro encontro e assusta. Mas torna-se inesquecível. Valeria a pena para Bruno deixar um casamento sólido de anos por uma aventura de paixão incerta? Valeria! Os dois resolvem, então, namorar – como dois adolescentes saboreando sentimentos ainda desconhecidos.
As cenas de amor são surpreendentemente sensíveis. Nada vulgar. Os detalhes, como a textura da pele envelhecida, encantam. Assim como "Chuvas de Verão", de Cacá Diegues, o sexo na terceira idade não é tratada de forma grotesca como sugere o tabu que circunda o tema, mas de forma humana, como merece e deve ser visto.
A rotina do casal, embora estranha à realidade da maior parte das pessoas com menos de 80 anos, comove e diverte. Entre um passeio e outro, Rosa e Bruno têm consultas médicas. A cena em que Rosa procura sua dentadura antes de sorrir para o amado não é grotesca, é encantadora. O amor dessas crianças de 80 anos é juvenil, cheira ao prazer da descoberta.
E quantas descobertas! Outra sequência de destaque é quando o casal, junto com um amigo da mesma faixa etária, experimenta maconha pela primeira vez na vida. Uma cena divertidíssima, mas, acima de tudo, charmosa.
Por se tratar de um drama, a história tem lá os seus percalços. Rosa chega a ser internada em um asilo. Bruno não desiste e vai atrás da amada. Nada atrapalha nossos adolescentes que, mesmo diante de dificuldades, eternizam o momento deles de uma forma que poucos conseguiram ou irão conseguir durante toda a juventude. Uma lição de vida.
(Karen Lemos)
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