sábado, 6 de fevereiro de 2010

Finalmente...a música















No palco para celebrar a música, Alzira E. e Ney Matogrosso, dois artistas sul mato-grossenses com muita coisa em comum, recordaram momentos especiais divididos pela dupla - ao longo da trajetória artística - agora reunidos em show realizado entre os dias 20 e 21 de janeiro, para uma plateia lotada no SESC Pinheiros, em São Paulo.

“Já conhecia Alzira há muitos anos. Sempre estou de olho no repertório dela, tenho comigo vários discos que, às vezes, dou uma olhada e uso no meu trabalho. Esse show foi toda uma síntese da nossa história, era um encontro inevitável”, definiu Ney Matogrosso.

O “encontro inevitável” não apenas relembrou a parceria de muitos anos, mas também reforçou os laços de uma carreira conjunta, repleta de admiração e respeito de trabalho mútuo, simbolizada na canção “Finalmente” que, não por acaso, batizou o espetáculo.

“É o nome que escolhi para o show porque eu já sonhava com esse encontro, então ficou bem adequado: ‘Finalmente’ isso aconteceu. A música em parceria com o Itamar [Assumpção, que colaborou em boa parte das composições de Alzira] é especial por isso, relata esse encontro”, explicou Alzira.

O percurso, para Alzira, foi mais do que natural. Há dez anos Ney gravou “Bomba H” no álbum “Olhos de Farol” (registrado no ano 1999), dando início a uma contribuição artística entre o cantor e a compositora. “De lá para cá existia essa possibilidade de - um dia – nos encontrarmos em cima do palco. E acho até que demorou bastante”, riu Alzira.

De fato, dez anos parecem se arrastar no relógio, mas foi o tempo suficiente para criar laços artísticos entre as duas estrelas, que construíram uma história de parcerias para serem relembradas no show. Desde o ponto de partida - “Bomba H”, o intérprete veio gravando composições de Alzira contundentes com seu trabalho musical.

Em 2004, para o álbum “Vagabundo”, juntamente com o grupo Pedro Luís e a Parede, Ney Matogrosso registrou em estúdio “Transpiração”, e a já citada “Finalmente”, que até então nunca havia cantado ao vivo. Para “Inclassificáveis”, disco de 2008, o cantor incluiu “Coisas da Vida” – outra parceria de Alzira com Itamar – no repertório, reforçando a intimidade de Ney com as letras da compositora.

Essas canções, obviamente, não poderiam faltar no encontro. Mas, para selecionar todo o roteiro musical no espetáculo, Alzira e Ney não se limitaram as já conhecidas parcerias, e foram além. “De início eram umas 10 músicas”, conta Ney Matogrosso, que recebeu o convite e o set-list do show através do correio. “Eu falei [para Alzira]: ‘Olha, vamos aos poucos, verei até onde eu consigo’, porque as músicas eram cheias de ‘ciladas’, tinham uma complexidade”, explicou.















Crédito: Carol Mendonça

Ney se referiu a obras inéditas, nunca interpretadas por ele no palco, como “Mulher o Suficiente”, “Sei dos Caminhos”, “Ai, que Vontade”, e “Se eu Soubesse como”, canção que está prevista para entrar no novo disco produzido por Alzira para este ano.

“Ensaiei tudo na véspera, coisa que eu não faço nunca [Ney precisou abrir um espaço na turnê atual - “Beijo Bandido”, na qual estava totalmente envolvido, para ensaiar o repertório com Alzira]. Eu estava um pouco inseguro no primeiro dia, mas no segundo teve uma virada. Entrei mais garantido, e a platéia, que estava mais solta, também ajudou”, comentou o intérprete.

Com o roteiro definido, datas divulgadas, e o clima de sucesso pairando no ar, não foi nenhuma surpresa que as entradas para conferir esse encontro pra lá de especial tivessem sido vendidas em cerca de uma hora e meia. “Em meia hora, a parte de baixo da platéia já havia sido toda vendida”, detalhou uma funcionária da unidade Pinheiros do SESC.

É certo que celebrar um encontro com um nome de peso da música brasileira atrai um grande público. Alzira, sabendo disso, mergulhou de cabeça no projeto e deixou de lado, pelo menos por alguns instantes, as finalizações do seu novo álbum, que já está na reta final da produção.

“Eu não conhecia o trabalho da Alzira pessoalmente, e tive o prazer de ouvir suas músicas, que são verdadeiras poesias”, comenta a espectadora Márcia Hack, que segue o cantor desde 1983, e já teve oportunidade de conhecer o trabalho de outros músicos, devido a parcerias dos artistas com seu ídolo. “Ver os dois cantando juntos foi lindo. Quando Ney entrou no palco a plateia veio abaixo”, recorda.

O espetáculo também surpreendeu com canções inéditas de Alzira, que devem estar presentes em seu novo disco – “Pedindo a Palavra”. “Passou a existir um desafio gostoso de tocar essas músicas - estrear essas músicas no palco, e isso transformou aquele momento em uma coisa única”, explica Alzira.

“Pedindo a Palavra” traz um repertório recheado de criações de Alzira com o poeta Arruda. “Nosso Presente”, “Olhos de Chico Buarque” e “Beijos Longos” (interpretada ao lado de Ney), foram os destaques do roteiro do show, e fazem parte do novo disco, aguardado para chegar às lojas no mês de abril, prevê a cantora.

(Karen Lemos - O Estado RJ)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

“Globo de Ouro”: Avatar é o grande vencedor da noite













A aventura futurística “Avatar” correspondeu às apostas dos críticos de cinema e levou o prêmio de melhor filme na 67ª edição do “Globo de Ouro”, evento que elege os melhores do ano no cinema e na televisão, realizado na noite do domingo (17), em Los Angeles.

O diretor James Cameron, de “Titanic”, já havia levado o prêmio de melhor direção momentos antes, aumentando as chances de também vencer a principal categoria da noite.

Quem também brilhou foi Meryl Streep. A atriz já foi indicada 25 vezes ao “Globo de Ouro”, tendo vencido seis. Pareceu ser pouco para a veterana, que carregou para casa sua sétima estatueta por sua atuação em "Julie & Julia", na categoria atriz de filme comédia/musical.

"Na minha longa carreira, fiz o papel de tantas mulheres extraordinárias. Estão achando que sou uma delas, mas, sou apenas um meio para desempenhar esses papeis", discursou em tom humilde.

Meryl disputava o prêmio com Sandra Bullock de “A Proposta”. A briga entre as duas atrizes dividiu opiniões sobre quem merecia o troféu. No final, para não ter conflitos, ambas saíram vitoriosas de lá. Bullock também levou um Globo de Ouro para casa por sua atuação em “O Lado Cego”. Ela foi indicada na outra categoria reservada às atrizes – a de melhor atuação em filme dramático.

Por enquanto, Streep e Bullock continuam empatadas na preferência dos críticos. Depois de dividirem o prêmio de interpretação no Critics’ Choice Awards, com direito a beijo na boca em pleno palco, fica difícil saber qual delas levará o tão cobiçado Oscar, que acontece no mês de março. Na principal premiação do cinema, não deve haver empates.

Robert Downey Jr. teve seu trabalho em “Sherlock Holmes” reconhecido, e levou a melhor na categoria ator em filme comédia/musical. O intérprete, que sumiu por um tempo desde problemas pessoais por causa do seu envolvimento com drogas – voltando com tudo em “Homem de Ferro” no ano retrasado – disputou a estatueta com Matt Damon e Daniel Day-Lewis. Ao subir ao palco, ele brincou: “Achei que Matt Damon fosse ganhar, nem preparei meu discurso”.

Vencedores da noite

Na categoria melhor atriz coadjuvante, a favorita Mo’Nique venceu pela sua atuação intensa em “Preciosa”, filme que ainda conta com atuação elogiadíssima da cantora Mariah Carey.

A veterana Toni Collette, conhecida por seu trabalho em “Pequena Miss Sunshine”, também subiu ao palco para receber o prêmio de melhor atriz em série de comédia ou musical. Drew Barrymore foi vitoriosa na categoria série dramática. A atriz subiu ao palco emocionada, e fez um discurso confuso e desconcertado.

Além de Collette e Barrymore, outro ator que também migrou das telas do cinema para a televisão foi Kevin Bacon, o intérprete venceu a categoria masculina de seriado musical/comédia na grande noite.

Por falar em seriados, Michael C. Hall, que vive o encantador psicopata em “Dexter”, esteve na premiação e recebeu sua estatueta mesmo estando visivelmente fragilizado. O ator enfrenta um batalha contra um câncer no sistema linfático. Para o evento, ele escolheu o modelito de gala acompanhado por um gorro na cabeça, para esconder a queda de cabelos devido ao tratamento quimioterápico.

Na categoria animação deu “Up – Altas Aventuras”, que está sendo apontado como o favorito da mesma categoria na premiação do Oscar.

Christoph Waltz, que apareceu todo barbudo - seu novo look para interpretar Sigmund Freud em nova produção - levou Melhor Vilão por “Bastardos Inglórios” de Quentin Tarantino. Já Jeff Bridges foi o vencedor de melhor ator em filme dramático por “Crazy Hearts”.

A cerimônia seguiu com homenagem ao cineasta Martin Scorsese. O veterano foi apresentado por Robert De Niro e Leonardo DiCaprio, seus principais atore-colaboradores. Algumas passagens memoráveis do cineasta foram exibidas, assim como cenas inéditas de seu novo filme “Shutter Island”.


(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Em novo trabalho, Júlia Lemmertz lida com o incesto
















Afastada das telinhas desde "Tudo Novo de Novo", atração global que foi transmitida até o segundo semestre de 2009, Júlia Lemmertz vem se dedicando mais a outras áreas da atuação - já exploradas por ela antes - como no teatro, onde está em cena com a peça "Maria Stuart", e no cinema, em que estrela "Do Começo ao Fim", novo filme de Aluizio Abranches que estréia nesta sexta-feira (27).

Para viver a médica Julieta, um dos pilares de sustentação da história, Lemmertz precisou entender a atitude de uma mãe que escolheu ficar do lado dos filhos e, dessa forma, se posicionar contra a moral e preconceitos de toda uma sociedade opressora.

"Trata-se de uma história de amor acima de qualquer rótulo. Só não é uma história de amor comum, mas é abordada de uma forma super delicada e suave", conta a atriz em entrevista ao Famosidades.

Com uma proposta instigante, "Do Começo ao Fim" criou um universo de polêmicas muito antes de sua estréia. Afinal, não é sempre que vemos uma história de amor entre dois irmãos - na verdade meio-irmãos - retratada nas telas do cinema.

"O filme lida com dois temas muito difíceis, que é a homossexualidade e o incesto, tudo junto, e isso é desconcertante", aponta a atriz, que enxerga aí uma forma de confrontar os padrões dos romances abordados no cinema.

Apimentando mais, um tipo de trailer com um dos ensaios entre os atores protagonistas do longa caiu na internet. As imagens, que traziam os rapazes em momentos de intimidade, aguçaram a curiosidade geral e o vídeo atingiu milhares de visitas na internet, se tornando um dos recordistas de acesso. Foi uma eficiente publicidade para o filme que - na época - nem data de estréia tinha.

"Do Começo ao Fim" relata a construção do relacionamento entre Thomás (Rafael Cardoso) e Francisco (João Gabriel), frutos de diferentes relacionamentos de Julieta (Júlia Lemmertz) - Francisco é filho de seu ex-marido argentino e Thomás do atual companheiro na trama, Alexandre, vivido pelo ator Fábio Assunção.

Criados juntos, os dois rapidamente desenvolvem uma intimidade dúbia - mais além do tratamento normal entre dois irmãos - que é percebida por pessoas próximas a família, e que provoca um incômodo geral devido à complexidade que a relação ostenta.

Em uma resposta inesperada, Julieta acaba por admitir o excesso de aproximação dos filhos, e aceita a inevitável paixão que cresce na medida em que os anos passam. Com a morte da mãe - em uma passagem de tempo que dá um pulo de 15 anos na história - Thomás e Francisco se entregam à paixão, e resolvem assumir o relacionamento.

"Essa família deixou acontecer e florescer. Não há culpa nenhuma, não tem ninguém que diga que aquilo é errado, o filme não tenta julgar seus personagens", explica Lemmertz.















O consentimento incomum da família acabou gerando comentários negativos sobre o filme, principalmente por a trama não apresentar nenhum ponto de conflito que impeça a união incestuosa, sugerindo - na opinião de alguns críticos - uma superficialidade na narrativa. Para Lemmertz, porém, a história toma outra forma dependendo do nível de aceitação da obra pelo espectador.

"Vai da reação de cada um. Um certo tipo de público talvez receba bem, outro nem tanto, e ainda terão aqueles que não vão receber nada, por que nem querem assistir ao filme. A gente nunca sabe a reação do público", conta.

Deixando de lado as falhas no roteiro, "Do Começo ao Fim" é um colírio para os olhos. Com cenas lindas, rodadas com muita delicadeza, as sequências fazem o pano de fundo na rotina dos irmãos-amantes. Os personagens, inclusive, são do tipo que propõe um grande desafio aos atores pelo peso que carregam. Desafio esse que foi muito bem encarado por Rafael Cardoso e João Gabriel.

"Eles são sensacionais! Os dois estão estreando nas telas e aceitaram fazer este filme sem nunca terem feito cinema antes. Foi uma entrega mesmo", reconhece a veterana Júlia.

E os jovens atores já despontam como promessas também nas telinhas. Rafael Cardoso, por exemplo - que vive o irmão mais novo no longa - participou de algumas produções da Rede Globo, como em uma ponta na novela "Beleza Pura", e estará em "Cinquentinha", seriado global com assinatura de Aguinaldo Silva que estreia no dia 8 de dezembro.

Apesar não ter necessariamente um "fim" - que o filme poderia sugerir quando a única separação do casal ocorre, já que Thomás, excelente nadador, vai morar na Rússia durante três anos se preparando para as olimpíadas - "Do Começo ao Fim" se encerra propondo uma revolução nas histórias de amor. Resta saber o quanto o público está pronto e aberto para aceitar uma proposta como essa.



(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Personalidades analisam universo de Chacrinha
















O documentário do cineasta Nelson Hoineff sobre Abelardo Barbosa - o Chacrinha - que estreia hoje nos cinemas nacionais, não se atenta a figura excêntrica do apresentador que quebrava todos os princípios éticos na hora de se fazer televisão.

O filme é o muito mais do que isso. Reunindo os elementos que fizeram de Chacrinha um mito, “Alô, Alô, Terezinha!” tenta traçar a personalidade do show man através de depoimentos coletados das pessoas que fizeram parte do seu universo único e totalmente maluco.

Após 21 anos da morte de Abelardo Barbosa, o diretor tenta resgatar os anos de atividade do “Cassino do Chacrinha”, programa comandado pelo Velho Guerreiro nas tardes de sábado, e que reunia toda família na frente da televisão. Com imagens de arquivo (algumas apresentando uma qualidade péssima, mas com riquíssimo conteúdo), Hoineff nos leva de volta ao final dos anos 70 e início de 80, época em que a atração era exibida pela Rede Globo.

O palco era uma bagunça só. Câmera para lá, fios para cá, serpentinas, confetes, balões, dançarinas, músicos, plateia enlouquecida; e no meio de tanta confusão, os artistas tentavam se apresentar - tendo que desviar dos obstáculos - enquanto o apresentador, sempre espalhafatoso, caminhava de um lado para o outro, entrando na frente da câmera, e deixando os produtores todos loucos.

Muitos destes artistas, que fizeram parte da história, estão no documentário para comentar a experiência. O “Cassino do Chacrinha” não era só um programa de auditório com atrações musicais, era também notório por trazer as personalidades que estavam no auge da fama, e por alavancar carreiras de novos conjuntos ou de artistas sumidos da mídia.

E pelo peso do elenco, podemos dizer que Chacrinha estava sempre bem acompanhado. O filme traz importantes depoimentos de Roberto Carlos (que aparece, nos primeiros minutos de projeção, fazendo graça com uma peruca e um bigode), Gilberto Gil, Alcione, Elba Ramalho, Beth Carvalho, Ney Matogrosso, Fabio Jr, Dercy Gonçalves, Fafá de Belém, Byafra, com a famosa cena do seu acidente com o parapente enquanto cantava “Sonho de Ícaro” exibida na íntegra, e muitas outras personalidades.

Há também apresentações históricas de Tim Maia, Barão Vermelho (com Cazuza nos vocais) e Raul Seixas, estes dois últimos, que não tinham lá muita simpatia pela comunicação de massa na televisão, abriram exceção no “Cassino”, devido à popularidade respeitada que tinha o seu apresentador.

Em certos momentos, o documentário assume uma postura mais investigativa ao tentar identificar e ir atrás dos nomes que viraram piada nacional no palco da atração. São os calouros que arriscaram a sorte e, como resposta, receberam a famosa buzinada e o prêmio abacaxi das mãos de Chacrinha.














Mergulhados em total esquecimento, o ex-calouros se emocionam ao se lembrar do Velho Guerreiro e suas brincadeiras. É curioso notar que muitos ainda acreditam no talento artístico que nunca possuíram (um deles se acha melhor que Roberto Carlos, e arrisca uma cantoria em vão). Até a famosa Terezinha é localizada, após muitas versões desencontradas sobre seu paradeiro.

Outro destaque vai para, claro, as chacretes. As dançarinas de Chacrinha eram muito mais do que complementos dos shows musicais. Além de interagir com os participantes do programa, também se tornaram sex symbols na época, tanto que surgiram alguns boatos de que as moças estariam envolvidas com a prostituição (fato que é negado terminantemente por algumas ex-chacretes, enquanto é confirmado e assumido por outras).

Se o lado das dançarinas sensuais transmitia todo glamour que ser uma chacrete poderia trazer, o filme se torna melancólico, quase trágico, ao mostrar a realidade por trás das câmeras. Tentando sobreviver como podem a custa de empregos convencionais, bem longe do glittler e paetês dos anos remotos, hoje, as chacretes vivem em visível decadência.

Daquela época restou apenas a memória de algumas experiências, músicas e passos de danças que recordam, e que reproduzem nostalgicamente na frente das câmeras. Quem ainda possuiu alguma popularidade é Rita Cadillac, que foi a mais notória de todas as chacretes.

Falecido no dia 30 de junho de 1988 aos 70 anos, devido a complicações de um câncer no pulmão, Chacrinha deixou sua marca permanente na história da cultura e da comunicação nacional. Revelou um Brasil que não era mostrado nas telinhas, e inovou a forma de apresentar televisão.

“Alô, Alô, Terezinha!” é mais uma prova de que Abelardo Barbosa continua sendo relembrado como a figura simpática e curiosa que jogava sacos da farinha na plateia, frutas e o famoso bacalhau (que eram restos de peixe que ficavam encalhados nas vendas da “Casa da Banha”, patrocinadora do seu programa), e seus famosos bordões nunca saíram da boca do povo, pois “quem não se comunica, se trumbica”, como já dizia o Velho Guerreiro.



(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

domingo, 30 de agosto de 2009

Uma válvula de escape para von Trier













“O senhor pode, por favor, explicar por que fez esse filme?”. Foi assim que um jornalista do “Daily Mail” se dirigiu ao cineasta, após a exibição do seu novo trabalho no último Festival de Cannes. “Não tenho que me justificar”, replica, ríspido, von Trier. Mesmo com a resposta seca, o clima de desconforto permanece na sala da coletiva.

O estado psicológico em que o artista se encontra é refletido em sua obra. A frase aqui não poderia melhor definir o que se passou durante a concepção de “Anticristo”, o mais novo trabalho do polêmico Lars von Trier.

Durante a produção, o cineasta dinamarquês passava por um período difícil na sua vida, enfrentando uma depressão barra pesada. Com a sensibilidade aguçada, ‘Anticristo’ não poderia ficar imune da realidade de um universo sombrio que seu criador estava habitando.

É exatamente isso que faz de “Anticristo” o filme subversivo da vez. “Vaiado pelo público”, “Algumas pessoas da platéia se levantaram durante sua exibição”, “Cannes categorizou como ofensivo”, essas e outras frases do tipo foram as mais ouvidas durante seu lançamento. Os críticos mais ácidos mandaram o cineasta se tratar. “Seu criador certamente precisa de ajuda psiquiátrica”, disse o jornalista Christopher Tookey, do “Daily Mail”.

Claro que boa parte dos comentários fazem o papel do “empurrãozinho” na divulgação do filme. E funciona, viu? Quem não se lembra de “A Paixão de Cristo”, ou então, o mais recente “Rec”, que foram alavancados por um programa de publicidade, feita pela imprensa. Baseado na polêmica, os comentários geram a curiosidade do púbico que corre para as salas dos cinemas em unanimidade. Mal tendo consciência do que irá assistir, o telespetactador está mais preocupado em, dentro das rodinhas de amigos, estar interado daquele “filme que ta todo mundo comentando”.

A jogada de marketing é bem conhecida para quem sabe como se movimenta o mercado cinematográfico ou, no geral, o sistema capitalista. Mas onde há fumaça, há fogo. “Anticristo” é, antes do seu viés comercial, repugnante, nauseante e incômodo, assim mesmo como estão dizendo, acreditem.

Está do jeitinho que Lars von Trier gosta. O idelizador do Dogma 95 (movimento cinematográfico que dispensa maiores recursos para produção de um filme) se deleita com o desespero do público que assiste a uma bateria de cenas desagradáveis, e muitas vezes desnecessárias. Mas, se não fosse por esses exageros - que combinam muito com o estilo de von Trier - não seria von Trier, não teria a mínima graça. (ou desgraça, aqui no caso).

“Anticristo” é sua empreitada experimental no gênero terror. Quem procura monstros, fantasmas e sobressaltos nas poltronas vai se decepcionar. Não é disso que a produção do dinamarquês se trata. O horror aqui é psicológico, instaurado com suspense e claustrofobia.














Agora entendemos porque essa foi a válvula de escape do cineasta depressivo, que soube migrar seus piores demônios para dentro das telas, fazendo disso a sua terapia pessoal. Uma “cura” bem egoísta, já que todos os seus tormentos são passados para a platéia. Von Trier está pouco se lixando se o público vai lidar bem com a carga negativa de “Anticristo”. Para ele, basta ser bem sucedido no exorcismo de seus demônios, seja da forma que for.

Denso, “Anticristo” é recheado com um material nada digestível, inspirado nos pensamentos do cineasta perturbado pela doença. Bem diferente de trabalhos anteriores como “Dançando no Escuro” ou “Dogville" que, apesar da crítica social sempre presente, fazem uso de uma certa leveza e poesia para abordar temas pesados. A mais nova criação aqui, nada tem de poesia.

A começar pelo cartaz chamariz, que retrata uma das cenas chaves do filme. Os protagonistas (o ótimo Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, filha do compositor francês Serge Gainsbourg) aparecem fazendo sexo debaixo de uma grande árvore, ao redor de corpos ataúdes. O título provocador, “Anticristo”, está destacado em letras garranchadas na cor rosa. É um aviso prévio de que, o espectador está prestes a assistir algo nada convencional. E logo de cara, percebemos mesmo que aquilo não é realmente um filme convencional. Nos primeiros cinco minutos de exibição, nos deparamos com sexo explicito, que causa desconforto para os desavisados.

Bom, vamos para sua história. O filme retrata um casal que tem a vida transformada após a morte do único filho. O trágico acidente, que é o ponta pé inicial de toda a mudança nos personagens, é uma das cenas que melhor misturam tragédia com beleza. O casal transa enquanto o filho se joga da janela, embalado ao som da opéra de Händel. Toda rodada em câmera lenta, a sequência detalha sutilezas como gotas de água caindo e flocos de neve voando. Clichê, mas funciona muito bem dentro do contexto proposto pelo diretor.

Atormentada, a mãe da criança, uma escritora bem sucedida, será auxiliada pelo marido psiquiatra para tentar amenizar seu sentimento de culpa. O casal parte em busca de respostas e viajam até uma cabana abandonada no meio da floresta do Éden. O lugar se torna o antro das mais bizarras situações. São ilusões perturbadoras, bichos mortos, animais comento partes de seu próprio corpo, e por aí vai. Sequências horríveis que vão brotando enquanto as revelações da trama vão se desmiuçando.















“Anticristo” é, também, a junção do sexo com violência, explícita e gratuita, dois extremos que a todo o momento estão se unindo na trama. As passagens vão da mais brutal agressão física ao desejo sexual consumado logo na sequência. É a mistura do sangue com o prazer, da forma mais repulsiva possível. Cenas de masturbação, sexo explícito e tortura sexual pontuam o enredo de “Anticristo”. Só as cenas de gozo com sangue, e a automutilação de um clitóris, já bastariam. A platéia se torna o uníssono do incômodo.

Sem muitos propósitos, o filme encontra sua base em uma tese acadêmica que a personagem de Charlotte estava escrevendo antes da morte de seu primogênito. As pesquisas sobre feminicídio, ato de torturar mulheres muito frequente durante a Idade Média, e ainda presente nos costumes de países islâmicos na forma de punição, e no continente africano, onde algumas dessas práticas fazem parte da cultura local. Esse condutor da trama tenta justificar os atos agressivos da personagem, perseguida a todo o momento pela violência da sua própria natureza.

"Acho muito bom que as pessoas saiam do cinema com algum tipo de emoção", declarou em entrevista o realizador de “Anticristo”. E pode apostar nisso. Quanto ao título escolhido, e não justificado durante o filme, von Trier nada revela.

E não tente mesmo encontrar explicação. Isso é Lars vo Trier. É uma câmera na mão, sem amarrações no roteiro, sem preocupação estética, sem querer ser convencional, sem recursos. É apenas o desejo de filmar, de entrega, experimentação, ousadia, abuso.



(Karen Lemos - Portal Cinéfilo)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Especial: O legado de Raul Seixas



















Mesmo após 20 anos de sua morte, completados nesta sexta-feira (21), Raul Seixas ainda consegue vender discos e ser lembrado pela cultura de um país sem memória, onde inúmeros artistas já passaram e se foram, caindo no ostracismo e em total esquecimento.

O segredo da imortalidade pode estar na irreverência e na imagem de rebeldia, cultivada em uma época em que ser rebelde era sinônimo de perigo para a “moral” da sociedade brasileira, ou então no legado musical deixado pelo compositor e intérprete que até hoje reúne diferentes gerações que gritam, em uníssono, o famoso “Toca Raul!” – frase que ficou tão célebre quando seu próprio personagem.

Raul Santos Seixas nasceu em Salvador, em 28 de junho de 1945. Filho de Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas, o garoto foi criado na capital baiana até sua adolescência. Foi lá que começou a ouvir música, que ia desde clássicos do rock, como Elvis Presley e Little Richard, até marcos da cultura nordestina, como Luiz Gonzaga. O gosto eclético do menino Raul influenciou no seu trabalho, que misturava esses dois estilos tão extremos, e se tornou o diferencial da sua obra que marcou, a ferro e fogo, a cultura brasileira.

Apelidado de Raulzito (diminutivo do mesmo nome do seu pai), os primórdios da carreira do músico, no início dos anos 60, carregaram seu carinhoso apelido no batismo do seu primeiro conjunto de rock, “Raulzito e Os Panteras” (que anteriormente se chamava “The Panthers” e, antes ainda, “Relâmpagos do Rock”). Mas, a projeção nacional, de fato, viria apenas nos anos 70.

Curiosamente, o primeiro sucesso de Raul que estourou era uma canção carregada de letras agressivas, que criticavam a sociedade capitalista, a valorização de bens materiais e as autoridades da época: “E você ainda acredita/Que é um doutor/Padre ou policial/Que está contribuindo/Com sua parte/Para o nosso belo quadro social”, dizia o trecho de “Ouro de Tolo”, lançado em 1973.

Devido ao sucesso do compacto de “Ouro de Tolo”, o músico foi contratado por uma gravadora e lançou “Krig-Ha, Bandolo!”, de 1973, seguido por “Gita”, de 1974. Os dois álbuns se tornariam marcos na trajetória de Raul por trazer algumas de suas mais conhecidas canções, como “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa”, “Al Capone”, “Sociedade Alternativa”, “O Trem das Sete”, “Medo da Chuva”, entre outros. Todas as músicas tinham em comum a presença de um cunho crítico-social, um abuso para aquela época, quando o Brasil era governado pelo General Médici, em plena ditadura militar, e o Ato Institucional número 5 (AI-5), entrou em vigor, iniciando uma fase de censura e repressão no grupo de constadores no qual Raul estava incluído.

Foi nesse período, que o Maluco Beleza conheceu uma pessoa com quem cultivaria amizade e travaria diversas parcerias musicais (“Gita” é o principal exemplo), o escritor Paulo Coelho. Juntos, os dois amigos dividiram loucuras e pensamentos ousados, e chegaram a formar uma sociedade só deles, a “Sociedade Alternativa”, com direito a uma comunidade própria, a “Cidade da Luz”, onde o pressusto era liberdade de viver da forma que cada individuo bem entendesse.

Loucura ou não, o fato é que a dupla contribuiu em grande parte para o cenário musical da época, e grandes sucessos de Raul foram compostos em parceria com o escritor.

Raul foi embora cedo, aos 44 anos, mas deixou um vasto legado que até hoje é revivido. O músico teve uma vida intensa. Foram cinco casamentos, deixando três herdeiros e uma vasta produção musical; até discos póstumos foram lançamento após sua morte, em 21 de agosto de 1989, por pancreatite aguda causada pelos seus abusos com a bebida.

A figura emblemática de Raul não estava apenas na imagem anarquista , suas polêmicas com seitas religiosas e declarações ousadas, mas também no símbolo de um ser humano que se preocupava com o andamento do mundo e as injustiças que eram escancaradas na cara da sociedade, que se calava diante de tanta repressão.
Afinal, quem reúne quatro mil pessoas em um show tributo à sua memória, realizado na última Virada Cultural em São Paulo, mesmo após 20 anos de sua ausência, merece ter a cada ano uma homenagem dedicada só para ele: Raul Seixas, o ícone do rock brasileiro.

Raul Seixas por quem entende

“Eramos amigos de boteco e alas de manicômios”, assim define a amizade de 10 anos que manteve com um dos maiores ícones da cultura brasileira. Sylvio Passos, fundador do Raul Rock Club, fã clube oficial dedicado à memória de Raul Seixas, conheceu essa grande figura por causa da sua admiração.

Ao tomar conhecimento do empenho de um fã em gastar horas do seu tempo dedicados para ele, um receptivo Raul Seixas quis conhecer seu admirador, isso lá nos anos 80, e chamou Sylvio para um almoço em sua casa. Nasceu ai uma amizade que ultrapassou limites entre ídolo e fã. Era um relacionamento íntimo, verdadeiro.

“Um sujeito bacana e bem educado. Ele tinha umas tiradas sarcáticas, críticas e um jeito irônico, mas, acima de tudo, era um homem preocupado com o ser humano, com a humanidade”, define Sylvio. Raul era uma pessoa de fácil convivência e tinha a generosidade como sua maior virtude.

A conviência com Raul mudou e acrescentou à personalidade de Sylvio, que passou a olhar ao seu redor com a ótica do amigo. “Aprendi a ver o mundo de várias formas, a lidar com certos assuntos de um jeito diferente. Isso tudo o Raul me passou, é essa influência dele que trago comigo”, disse.

Ao falar sobre a tragédia que culminou com a morte do ídolo, Sylvia acredita que o próprio fardo que o músico carregava com a sua imagem, o levaram a depressão e a entrega ao álcool. “Raul não entendia porque o colocavam em um patamar de Deus, de rei. Nunca conseguiu lidar direito com essa posição”, revelou.

“Não encontro aquela atitude nos músicos de hoje. Alguns até tentam, mas não são Raul. Em partes, isso é ruim, porque quem imita acaba perdendo a identidade”, revela Sylvio. Apesar da falta de originalidade, o fundador do Raul Rock Club tenta não radicalizar quando se trata de homenagens e saudosismos ao Maluco Beleza, afinal, relembrar o legado de Raul, é manter a lenda viva.

Porque Raul é único? Sylvio explica: “Raul foi o cara que soube como ninguém misturar o roque com a música brasileira, sempre contestando, filosofando, enlouquecendo. Ninguém mais soube fazer isso”.

Quem sabe bem que nenhuma outra pessoa igualava Raul Seixas naquilo que ele fazia de melhor é Roberto Seixas. Não, ele não é nenhum parente do homem, mas, a identificação é tanta, que Roberto adotou o sobrenome do ídolo, a quem mantém 22 anos de sua vida dedicada a apresentações cover.

Raul entrou em sua vida de forma bem curiosa. O primeiro contato, em 1972, foi através de um programa de rádio, onde tocava “Let me Sing, Let me Sing”, que mesclava rock com baião. “Achei aquilo horrível, desliguei o rádio na hora”, conta Roberto.

Uma nova chance, e Raul conquistou de vez um espaço na vida do rapaz que, lá pelos idos dos anos 80, assistia encantado à uma performance do cantor no programa “Globo de Ouro”, da Rede Globo. A identificação foi instantânea. Naquele momento, Roberto se deu conta de qual era a missão de sua vida. “Era uma coisa que eu tinha que fazer” . O ano era 1987, e desde então, o fã encarnou o ídolo, virou artista cover renomado e chegou a receber elogios do original.

Roberto considera que, hoje, não há mais espaço para as músicas críticas de Raul. Mas, isso não quer dizer que a chama acesa pelo astro tenha se apagado, fato que é comprovado quando o caracterizado Roberto sobe ao palco “Olho para o público e vejo gente de 5 a 80 anos. O mais interessante é que são de todas as classes, até aquela que Raul adorava criticar em suas canções”.

Atingir diversas faixas etárias em diferentes poderes aquisitivos é para poucos, o que se torna ainda mais difícil depois de 20 anos de ausência. Roberto atribui a imortalidade do ídolo a sua atemporalidade nos assuntos abordados pela música do Maluco Beleza, e da compreensão do Raul contestador que levam muitos fãs a se identificarem com a lenda.

O fardo e a responsabilidade de levar canções de um ícone, para os que viveram em sua época, ou para aqueles que nem pensavam em nascer enquanto Raul estava no auge, é enorme. Roberto sabe bem disso. “Faço isso no meu trabalho. Não é só subir no palco e cantar. Eu tento, da melhor forma possível, fazer com que o público compreenda a mensagem que Raul queria passar”. 20 anos depois, a mensagem continua viva e atual. E alguém aí duvida?

(Karen Lemos - Famosidades/MSN)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Especial: Alfred Hitchcock


















13 de agosto 1899. Há exatos 110 anos, nascia um dos maiores ícones que o cinema já conheceu. Sir Alfred Joseph Hitchcock, mais conhecido por Alfred Hitchcock, ou simplesmente o “Mestre do Suspense”, como o próprio se autodenominava. O apelido não era só um slogan para atrair atenção, mas também faz juz ao estilo de cinema criado por esse genial diretor, de personalidade forte, domínio de técnicas e, claro, muita criatividade.

Muitos podem indagar ao ouvir seu nome, Hitchcock não ficou marcado na história pela pessoa que era, mesmo se tratando de uma personalidade curiosa, e sim, por clássicos que deixou entre os seus quase 70 filmes produzidos ao longo da carreira. Mesmo para quem não é fã das escuras salas de cinema, com certeza já viu esta cena memorável - uma mulher tomando banho, uma mão segurando a faca, suspense, a mão misteriosa abre as cortinas do chuveiro, a mulher grita, o sangue escorre pelo ralo. Tudo isso ao som de um dos temas que mais marcaram na história do cinema.

A cena, interpretada por Janet Leigh, é o marco de “Psicose”, filme de 1960 que consagrou seu idealizador como um mestre do gênero. Até hoje essa sequência é lembrada e recriada, em forma de paródia ou como uma singela homenagem, pelo cinema contemporâneo. O estilo “claustrofóbico” criado por Hitchcock mantém sua influência e, sem muito procurar, é possível descobrir uma série de vestígios da sua arte no que temos de mais atual na produção cinematográfica.

A imagem do homem encorpado, sempre bem vestido e que, por vezes trazia um corvo posado em seu ombro, foi virando lenda ao longo dos anos. Era o retrato de um gênio que adorava tirar o fôlego de seu público, e atiçar a curiosidade dos telespectadores com suas frequentes aparições dentro de seus filmes. Confira um pouco mais dessa lenda.

Trajetória

Sua paixão pelo cinema começou cedo, aos 21 anos. Nascido em Leytonstone, Londres, Hitchcock teve seus primeiros contatos com o universo da sétima arte quando fazia os cartazes das falas em filmes mudos daquela época, isso ocorreu no seu primeiro emprego na área, já na Paramount Pictures, grande estúdio de Hollywood.

Foi lá que o aprendiz a cineasta foi lecionado com o básico sobre direção, além de outros ensinamentos que obteve com edição e produção de roteiros. Mesmo com tamanha bagagem cultural, um diretor não é genial se não tiver idéias criativas, e isso, Hitchcock tinha de sobra, era só uma questão de oportunidade e tempo para poder provar seu talento.

A oportunidade logo chegou. Em 1925, após os donos dos estúdios perceberem que da cabeça do aspirante poderia sair coisa boa, conseguiu produzir seu primeiro filme “The Plesure Garden”, mas foi no ano seguinte que obteve merecido destaque com “The Lodger”. Neste longa, baseado nas histórias de morte do famoso Jack, O Estripador, o cineasta deu início ao que de melhor sabia fazer nas telas: suspense, gênero que o consagrou.

Um suspense refinado

Em 1939, Hitchcock se mudou para os Estados Unidos, onde deu início a uma produção cinematográfica de grandes obras que o levaram para o auge do seu reconhecimento.
Sua estreia, em grande estilo, foi com “Rebecca – A Mulher inesquecível”, que de cara recebeu o prêmio Oscar de melhor filme naquele ano. Mas foi em clássicos como “Janela Indiscreta” e “Psicose” que Hitchcock personificou o seu estilo único de fazer cinema.

Sem os litros de sangue que os filmes de horror normalmente apresentam em sua composição, o Mestre do Suspense trazia uma trama que prendia o espectador dentro de um clima incômodo e tenso, com os cenários sombrios e a música forte, que só mesmo o cineasta conseguia reproduzir. O segredo era deixar o público avisado de todos os perigos que o personagem iria passar. Aos poucos, a platéia acompanhava, ansiosamente, o desdobramento da história.

Os roteiros assinados por Hitchcock, aliás, eram por si só nada convencionais. Uma pacata cidade atacada por pássaros violentos em “Os Pássaros”, de 1963; uma secretária se esconde em um hotel onde ocorre uma série de mistérios em “Psicose”, de 1960; um policial que sofre de acrofobia é encarregado de vigiar uma jovem com tendências suicidas em “Um Corpo que Cai”, de 1958; fatos estranhos acontecem em frete da janela de um fotógrafo engessado em “Janela Indiscreta”, de 1954; marido planeja a morte de sua mulher para herdar fortuna e vingar-se de uma antiga traição em “Disque M para Matar”, de 1954; isso só para citar alguns exemplos do vasto universo do Mestre do Suspense.

Outra característica bem “hitckcockiana” em suas produções foram as famosas “pontinhas” do diretor em suas obras, o que, mais tarde, se tornou um verdadeiro passatempo para seus fãs, que analisavam meticulosamente cada cena de seus filmes, a procura das participações do ídolo.

Por esse motivo, teve a oportunidade de tocar seu próprio programa de televisão, o “Alfred Hitckcock’s Presents”, que comandou entre os anos 1955 até 1962. No repertório, é claro, entravam somente histórias recheadas de mistérios, que ganhavam ares ainda mais sombrios com a introdução do ilustre apresentador.

Influência ao longo dos anos

Vitimado por insuficiência renal, Hitchcock faleceu em 29 de Abril de 1980. Os frutos deixados por seu trabalho permanecem ativos nas mãos de grandes diretores contemporâneos, que não se cansam de homenagear o mestre.

A linguagem inconfundível de Hitchcock, hoje, pode ser vista presentes em produções de diretores como George Romero, Quentin Tarantino e M. Night Shyamalan; cineastas que normalmente abordam histórias com muito mistério em sua fórmula. Shyamalan, por exemplo, faz uso constante da técnica de prender o espectador dentro de um suspense, que aos poucos vai se revelando, enquanto a trama se desenvolve.

Uma forma mais refinada de fazer cinema também pode ser encontrada, ainda que de forma menos direta, nos trabalhos de Francis Ford Coppola, Mel Brooks e Brian De Palma, só para citar alguns entre tantos outros profissionais.

Para se ter idéia da importância deixada pelo nosso homenageado, é possível encontrar vestígios de Hitchcock até em histórias em quadrinhos. A Turma da Mônica, aqui do Brasil, também foi “vítima” da influência do Mestre do Suspense. O personagem Bidu, um simpático cachorro da publicação, chegou a interpretar alguns personagens famosos dos filmes de Hitchcock em uma das tirinhas de Mauricio de Souza.

Filmes Célebres

· Psicose: Impossível iniciar uma lista com filmes de Hitchcock sem citar a sua obra prima, e o trabalho pelo qual sempre será lembrado. Psicose traz os principais elementos da linguagem do cineasta. A trama se passa em um Hotel, onde uma moça misteriosa passa a noite e presencia fatos suspeitos. Detalhe para a cena memorável do chuveiro, com direito a gritos e sangue escorrendo ralo abaixo.







· Os Pássaros: O roteiro deste clássico do diretor em “Os Pássaros” é simples. Uma cidade vira alvo de ataque por pássaros descontrolados e extremamente perigosos. Uma trama incomum, mas que não chamaria tanta atenção se não fosse pelo modo único que só Hitchcock possui na direção.









· Janela Indiscreta: Os elementos de “Janela Indiscreta” são mesmo dignos de um thriller. Com a visão do cineasta, então, o impacto da trama triplica. Um fotojornalista é obrigado a permanecer dentro de casa, após sofrer um acidente e ter a perna engessada. Dentro do seu apartamento, ele acompanha na janela de frente a sua, fatos esquisitos e desesperadores que se desenrolam.







· Um corpo que cai: Outra obra-prima que não poderia deixar de ser citada. Na trama, um detetive particular, que sofre de vertigem, é contratado para investigar uma mulher com tendência suicidas. Dá para imaginar tanta tensão.










· Disque M para Matar: Com atuação da bela Grace Kelly, estrela de vários filmes de Hitchcock, “Disque M para Matar” traz a história complexa de um marido traído e obcecado pela herança de sua esposa. Para conseguir o que quer, ele contrata um matador de aluguel. A partir daí, muita coisa pode dar errado.








· O Homem que sabia demais: A história dessa produção começa a ficar interessante quando um médico se vê envolvido em um assassinato. Alguns suspeitos passam a persegui-lo a fim de assustar o rapaz, que tem seu filho sequestrado, e que não pode contar com a ajuda nem da própria polícia.









· Rebecca: “Rebecca – A Mulher Inesquecível” vale destaque aqui por ser a primeira produção bem sucedida de Hitchcock. De cara, o longa recebeu o Oscar de melhor filme na década de 40, e seu realizador foi nomeado ao prêmio de diretor. A história da mulher que vive a sombra da ex-esposa de um nobre inglês foi o ponta-pé inicial de sua carreira.








· Pacto Sinistro: Dois rapazes se conhecem dentro de um trem e travam um acordo macabro que envolve matanças. Enquanto um dos homens levou o pacto como uma piada, o outro passageiro considerou como algo muito sério. No desembarque do trem, uma onda de assassinatos e de perseguições se inicia, em ritmo desesperador, nesta grande trama do Mestre do Suspense.








· Interlúdio: Usando o Rio de Janeiro como cenário, “Interlúdio” traz Ingrid Bergman na pele de uma espiã americana dentro do país. A jovem terá que enfrentar agentes nazistas em operação aqui no Brasil. Uma ótima mistura de conspiração e crime com um toque tropical.









· O Terceiro Tiro: Esta produção não é muito conhecida na filmografia do nosso homenageado, mas vale à pena comentar. Uma pacata cidade em New England vira palco de uma trama misteriosa, quando um corpo é encontrado em uma floresta sem nenhuma explicação. Desesperados, os habitantes tentam sumir com o defunto, mas ele sempre reaparece no mesmo local.







(Karen Lemos - Famosidades/MSN)