terça-feira, 18 de novembro de 2008

REC (2007)











Uma equipe de reportagem acompanha a patrulha noturna dos bombeiros. Quando recebem uma chamada, aparentemente cotidiana, para ajudar uma velha senhora que teve problemas em seu apartamento, ninguém imaginava que lá estava para acontecer algo inesperado..

Rec causou enorme polêmica na Espanha e agora está rodando todo o mundo e causando desconforto por onde passa, tanto que até ganhou uma regravação norte-americana (novidade!) que será lançada ano que vem.

Veja a reação do público:

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dica de Exposição

De 30 de agosto até 26 de Outubro, a Pinacoteca do Estado apresenta “Diário de bolsa: Instantâneos do olhar”, da artista plástica Vânia Toledo. Cerca de 120 imagens compõe a exposição de fotos produzidas entre as décadas de 70 e 80.

Vânia Toledo sempre carregou em sua bolsa uma discreta câmera portátil, em uma época que não se conhecia as câmeras de celular e muito menos a foto digital; a câmerazinha portátil parecia inofensiva, e não intimidava ninguém, o que fazia aflorar a espontaneidade do fotografado, que nunca levava o ensaio a sério. Essa tal espontaneidade é coisa difícil de se ver em dias em que a manipulação da imagem parece reinar acima de qualquer outra coisa.

Naquela época, não existiam as ‘celebridades’, os consultores de imagem e a famigerada “imprensa rosa”, tudo era mais acessível, principalmente quando está entre amigos, como era no caso de Vânia. Dessa forma, foi possível registrar um momento super natural dos artistas daquela época; algo muito próximo à realidade.

Sabendo disso, Vânia aproveitava para fotografar, dia e noite, seus amigos mais próximos (geralmente artistas); entre festas, shows, banheiros de boate e quartos pessoais, nada escapava das lentes ácidas da fotógrafa; e tudo em tom de brincadeira, claro, mas sem pudor e vergonha, criando assim, um fiel diário fotográfico de sua vida e do seu meio.

Mas, o que era, de início, uma brincadeira entre amigos, acabou virando um retrato sério e riquíssimo da cultura popular dos anos 70/80, e que só agora é revelada ao público.

Entre textos e pensamentos da artista plástica, a exposição traz fotos super curiosas e interessantes de artistas como Caetano Veloso, Roberto Carlos, Gal Costa, Ney Matogrosso, Sidney Magal, Cazuza, Rod Stewart, Andy Warhol, Roman Polanski, James Brown, Truman Capote, entre outros, além revelar o comportamento daquela época, seja pelas roupas e acessórios do fotografado, ou pelos lugares em aquela geração freqüentava; assim, foi possível trazer a tona um lado verdadeiro e pouco conhecido de uma época que passou, mas que sobrevive através das lentes de Vânia Toledo.

“Aprendi a fotografar fotografando. Tudo que meu olhar curioso pedia eu fotografava”.

Vânia Toledo.

Confira algumas imagens da exposição:












Caetano Veloso, no espelho de seu quarto no Hotel Maksoud Plaza, São Paulo, 1982.
















Gal Costa, com visual tropicalista, entre a gravação dos discos Caras e Bocas e Água Viva, na casa do seu empresário Guilherme Araújo. Rio de Janeiro, 1978.













Cazuza, ainda na fase de vocalista do Barão Vermelho, no sofá do apartamento Emille Eddé, São Paulo 1985.










Ney Matogrosso na praia do Leblon, Rio de Janeiro, 1983.
















Andy Warhol no Estúdio 54, Nova York, 1983













Em sua primeira vinda ao Brasil, em 1985, o cantor Rod Stewart ganhou uma festa em sua suite no Hotel Copacabana Palace.



















O cineasta Roman Polanski dá autógrafos no carnaval carioca, 1983


*Fotos: Karen Lemos

A Pinacoteca abre de terça a domingo, das 10 às 18h, o ingresso vai de R$ 4,00 (inteira) a R$ 2,00 (estudante). Aos Sábados a entrada é franca.

Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, Nº 2

Fone: (11) 3324-1000

Mais informações: www.pinacoteca.org.br

domingo, 17 de agosto de 2008

David Lynch no Brasil












O cineasta norte-americano David Lynch, conhecido pelos seus filmes ‘non-senses’, veio ao Brasil pela primeira vez no inicio do mês de Agosto, e não para falar de cinema, como muitos imaginavam, mas, para discutir sobre a Meditação Transcendental. Sim, pode parecer loucura, mas vindo de David Lynch não é nenhuma surpresa.

O diretor lança pela editora Gryphus “Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação”, livro em que conta suas experiências de quase três décadas de meditação, e afirma que através dela, mergulhava profundamente em um mundo de idéias, e ‘pescava’ as inspirações ora bizarras, ora brilhantes encontradas em seus filmes. Em textos curtos, o livro vai revelando os pensamentos e devaneios do diretor, que, segundo o próprio, tem o objetivo de fluir na mente do leitor, como se fosse uma viagem transcendental.

Em passagem por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o autor divulgou sua publicação, concedendo entrevistas à imprensa brasileira e ministrando palestras sobre o tema. A turnê de divulgação já passou por mais de 15 países, e será mostrada em um documentário que está sendo preparado pelo cineasta.

“Em águas profundas” foi o assunto principal da palestra ministrada por Lynch aqui em São Paulo. Realizada no dia sete de agosto na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, o encontro contou com a presença do cineasta e do músico inglês Donovan Philips Leitch, um dos divulgadores da meditação transcendental, que junto com os Beatles e Mia Farrow, tornou a prática espiritual criada pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi, muito popular nos anos 60.










Fãs aguardam um encontro com David Lynch, na livraria cultura em São Paulo.

O intuito da palestra não foi apenas divulgar essa prática, mas também para tentar implementar a meditação nas escolas públicas brasileiras. Desde 2005, a David Lynch Foundation (criada pelo próprio) financia bolsas de estudos aos estudantes que se interessam pela meditação transcendental. O projeto vem dando certo lá fora, e agora, o criador do projeto quer se encontrar com o presidente Lula e debater sobre a possibilidade dessa idéia funcionar aqui no Brasil. Será? Segundo Lynch, a meditação ajuda a diminuir o estresse dos estudantes e ajudá-los na concentração dos estudos.

Mas é impossível escapar do cinema em uma conversa com o mestre desse movimento artístico. Lynch mostrou, ainda que de uma forma pouco conveniente, histórias maravilhosas retratadas em “O Homem-Elefante” e “A História Real”, e ainda desafiou o telespectador a decifrar os significados (nunca revelados pelo cineasta) de “Veludo Azul”, “Cidade dos Sonhos” e da série televisiva de sucesso “Twin Peaks”. Seu trabalho mais atual “Império dos sonhos” foi considerado o mais extremo do diretor – do tipo ‘ame ou odeie’. É nesse misto de ódio e adoração, que Lynch ganha atenção e admiradores no mundo todo.

Durante a palestra, que foi pautada por perguntas feita pelo público, surgiram algumas questões interessantes sobre os benefícios da meditação, e outras sobre seus filmes. O cineasta respondeu a perguntas da platéia como ‘se as pessoas meditassem mais, elas compreenderiam melhor os seus filmes?’ - “com certeza!”, responde o diretor; ou então quando questionado sobre ‘o que David Lynch sabe sobre David Lynch?’, ele responde de forma bem humorada: “Nada!”.

Com simpatia e uma pitada de ironia, David ministrou sua palestra no auditório da Livraria Cultura para quase 200 pessoas, que riram e aplaudiram durante todo o evento. Em seguida, o autor autografou seus livros para centenas de fãs, que lotaram os três andares das escadarias da livraria, durante todo o resto da tarde.













Eu e David Lynch

Com sorte, eu consegui um ingresso para a palestra daquela tarde, resolvi chegar mais cedo no evento e me dei bem. O número de lugares era bem limitado e a fila estava enorme, nunca imaginei que havia tantos fãs de David Lynch em São Paulo (Há fãs de qualquer coisa aos montes aqui em São Paulo, essa é a verdade), infelizmente, muita gente ficou de fora. Quando terminou a palestra, que foi bem interessante por sinal, me dirigi à imensa fila de autógrafos, onde fiquei por cerca de uma hora e meia, até poder me encontrar frente a frente com Lynch, que assinou meu livro e foi super simpático ao retribuir meus agradecimentos pela sua vinda: “Cheers” ele respondeu entre sorrisos. Antes de ir embora dei um grande abraço naquela ilustre figura, e ainda deu tempo de tirar uma foto, que, apesar de não ter ficado muita boa, valeu pela intenção.

Sai da livraria no final da tarde, embaixo de chuva e super cansada, mas todo momento valeu a pena. Uma oportunidade dessa não volta mais, e caso volte, estarei lá com certeza!

“Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas profundas.” – David Lynch.

Transcrição da palestra em áudio: www.riuston.com.br/blog/?p=80

Acessem o site oficial de David Lynch para mais informações sobre o cineasta e o David Lynch Fundation; também é possível fazer compras de variados produtos, tem até café (ele tem uma marca de café, acreditem) e de quebra, assistir aos capítulos da previsão do tempo, que são um tanto bizarras, gravadas diariamente pelo diretor.

www.davidlynch.com

sábado, 2 de agosto de 2008

Show do Muse








A banda inglesa “Muse” teve seu show considerado como um dos 50 melhores de todos os tempos, segundo a revista “Classic Rock Magazine”. Eis que nessa semana, nós brasileiros, tivemos a chance de comprovar essa estatística.

Pela primeira vez no Brasil, o conjunto inglês passou por três capitais, incluindo São Paulo. Quando soube da noticia, eu logo comprei meu ingresso; mesmo com a carteira de estudante o preço ficou salgado: 80 reais na pista!! Pensei comigo, será em uma casa de shows decente – o HSBC Brasil (antigo Tom Brasil) e, afinal, vai saber quando a banda voltará a fazer outro show por aqui. Bom, achei que valeria a pena e comprei.

No dia 31 de julho, peguei meu ingresso e minha mochila e parti até o show. Destaco aqui que levei um bom tempo para chegar ao HSBC, que fica localizado na região de Santo Amaro (o que para mim é do outro lado da cidade), precisei pegar o metrô e dois ônibus, e para ajudar, ainda me perdi no meio do caminho – o que não é novidade.

Quando cheguei, já havia uma aglomeração de pessoas esperando o horário de abertura dos portões, grande parte da fila parecia usar uniforme, a mesma blusa da banda, mas em diferentes cores, circulava entre as pessoas que aguardavam. Eu usava uma blusa cinza sem estampa, uma estranha no ninho.

As oito e alguma coisa da noite, os portões foram abertos. Comecei a noite muito bem: ao ser revistada pelos seguranças, uma mulher cismou com as minhas canetas bic; sugerindo que aquilo poderia matar alguém, atirou todas elas no lixo mais próximo, um prejuízo de quase 10 reais em canetas. Já nervosa, entrei no estabelecimento e lá se foram mais cinco reais para guardar a minha mochila na chapelaria. Dessa forma, só a cerveja salva! (e que também não era nada barata).

Em torno das nove da noite, a banda de abertura entrou. Jay Vaquer, nunca tinha ouvido falar; na verdade, eu até tinha visto um clipe da banda na MTV, mas nem me dei ao trabalho de ouvir direito a música, só reparei em quanto o clipe era tosco e nada mais.

O show deles não foi muito diferente disso, nem prestei atenção em nada, e graças a deus, foi um show rápido.

Uma longa espera, perto das 10 da noite - ou coisa parecida - a capa que cobria a bateria foi retirada e as luzes apagadas. A gritaria começa, luzes vermelhas na platéia, som de orquestra, e finalmente, Muse sobe ao palco, abrindo com “Knights of Cydonia.” - não consigo pensar em outra música que combine tanto com uma abertura.

Logo depois, “Hysteria”, eu já estava cansada de gritar e pular, e o show mal tinha começado. Onde eu me localizava não era nada favorável, fiquei no canto esquerdo ao fundo, onde mal dava para ver o vocalista. Era o único lugar ‘não tão apertado’ que consegui arranjar, e por isso, lá permaneci.

Outras boas músicas vieram, como “Supermassive Blackhole”, “Starlight”, “Time is Running Out” e “Stockholm Syndrome”, entre uma música e outra, os integrantes abusavam de seus instrumentos em solos que arrancavam gritos da platéia.

A todo o momento, a banda se mostrou digna do título que recebeu por sua performance, o show contou com efeitos especiais de gás carbônico que subia pelo palco e balões infláveis, que passaram pela platéia e espalhavam papéis picados quando estourados, durante “Plug in Baby”. O público respondia a tudo isso com empolgação e gritaria, fazendo coro em todas as músicas que eram tocadas no palco.

No final, sai com dores no corpo e a garganta pedindo por socorro, mas, acima de tudo, fui embora com aquela sensação boa de ter visto um grande show, e de que tudo esforço valeu a pena. E realmente, valeu mesmo.

Como já havia afirmado a "Classic Rock Magazine", Muse é responsável por uma das performances mais empolgantes do cenário musical atual, e quem somos nós para negar?


Set-list do show em São Paulo:

  • Knights of Cydonia
  • Hysteria
  • Bliss
  • Map of the Problematique
  • Supermassive Blackhole
  • Butterflies and Hurricanes
  • Citizen Erased
  • Felling Good
  • Invincible
  • New Born
  • Starlight
  • Time is Running Out
  • Plug in Baby
  • Stockholm Syndrome
  • Take a Bow


Confira mais sobre o trabalho do Muse em www.myspace.com/muse

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Sugestão.. O Escafandro e a Borboleta


A trajetória dramática do jornalista francês Jean Dominique Bauby é retratado nas telas com um realismo sufocante e quase insuportável em “O Escafandro e a Borboleta”. Poucos filmes conseguem transmitir tantos sentimentos a quem está sentado na sala do cinema. E com um detalhe peculiar: tudo isso é feito em silêncio!

Baseado no livro homônimo do jornalista, o filme narra a história de quem tinha tudo na vida, e que, devido a uma fatalidade, teve que aprender a viver apenas com o poder da imaginação.

Aos 43 anos, Jean Dominique Bauby - ou Jean-do (como era conhecido entre os amigos), editor da revista de moda Elle, está no auge da sua vida bem sucedida, quando sofre, sem explicações aparentes, um derrabe vascular cerebral. Jean-do acorda no hospital após 20 dias de coma, e o seu estado pós-derrame, chamado de síndrome locked-in (considerado raríssimo pelos médicos), o deixa incapacitado de realizar qualquer movimento, menos um – movimentar o olho esquerdo. Apenas.

Através da perspectiva do olho esquerdo de Jean Dominique é que enxergamos o seu mundo, e é com essa única visão que passamos pelos sofrimentos de um refém do próprio corpo. Em uma das cenas mais difíceis do longa, é impossível não compartilhar o sentimento de impotência do protagonista enquanto o seu olho direito é costurado para evitar infecções.

Devido ao derrame, o protagonista é incapaz de se comunicar com as palavras, e é ai que nos tornamos fieis ouvintes de seus pensamentos; pensamentos que não podem ser divididos com os outros personagens do filme, então, é com o público que a sua consciência desabafa.

A fala acaba sendo um mero detalhe, uma vez que a capacidade de se comunicar verbalmente é substituída por um método cansativo, porém eficiente, de comunicação. Jean-do consegue se expressar através de piscadas de olho, ditando letra por letra até formar palavras e frases. Acreditem ou não, é com esse sistema lento e com o estado de saúde deplorável que o jornalista encontra forças para escrever seu livro e nos contar sua história.

Como o próprio protagonista diz, seu corpo pode estar imóvel, mas a sua imaginação e memória, não.

A direção fica por conta de Julian Schnabel (de “Antes do Anoitecer”), um artista plástico da época de Andy Warhol, que saiu se aventurando na direção de cinema nos últimos anos e está colecionando bons resultados e elogios da critica com seus trabalhos cinematográficos.

Com um olhar artístico, o diretor nos mostra que o mundo fechado de Jean Dominique tem a sua beleza dentro da imaginação do protagonista, retratada em belas imagens, por vezes artísticas, e em lembranças da vida anterior ao derrame. Há também o lado do desespero, representado na metáfora de um escafandro dentro do mar, onde é possível sentir o desespero do personagem que, trancado em seu próprio corpo, sofre sem ser ouvido.

Apesar de ser uma produção norte-americana, o longa foi realizado na França e composto por um elenco de atores franceses. Entre eles, está Mathieu Amalric (o próximo vilão de 007), que encarna com perfeição as dificuldades do jornalista paralítico. O elenco conta também com Emmanuelle Seigner (de “O último portal”) , como a esposa do protagonista, e Max von Sydow (de “O sétimo selo”), no papel do pai de Jean-do.

“O Escafandro e a Borboleta” foi premiado com o César (o Oscar francês) em várias categorias. Também recebeu prêmios no Festival de cinema de Cannes, além de vencer as categorias “melhor filme estrangeiro” e “melhor direção (para Julian Schnabel)” e ser indicado em quatro categorias no Oscar, incluindo direção e roteiro adaptado, o que, para um filme francês de pouco orçamento, é algo incomum na grande premiação hollywoodiana.

Jean-Dominique Bauby morreu de pneumonia no dia 9 de março de 1997, exatos 10 dias após o lançamento de seu livro.


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Meu inimigo sou eu

Em “Meu inimigo sou eu – um repórter judeu na palestina ocupada” de 1989, o jornalista judeu Yoram Binur se disfarça de palestino para retratar o drama vivido diariamente por israelenses e palestinos.

Ex- tenente do exército de Israel, Yoram Binur começou na área do jornalismo como repórter que cobria a “área árabe” de Israel. Dessa forma, acabou dominando a língua local e se aproximou da cultura árabe. Por muitas vezes foi confundido com um palestino, e daí surgiu a idéia do livro-reportagem.

Durante 6 meses, o jornalista se disfarçou de palestino adotando a aparência típica, como a barba por fazer, as roupas, os acessórios, como jornal e cigarros árabes, e por fim, o keffiyh - pano tradicional que os árabes usam na cabeça. Criou uma falsa identidade, dizendo vir de um campo de refugiados da faixa de gaza. Tudo para se infiltrar entre as pessoas que vivem na palestina ocupada. Por muitas vezes, correu o risco de ser descoberto, mas sempre contava com ajuda de terceiros ou da sorte mesmo.

Os árabes são visto como párias pela sociedade israelense. Explorados, tem suas terras tomadas e regularmente são humilhados pela policia israelense. Sendo que, a maioria da população árabe não tem nenhuma ligação com ações terroristas.

Através de experiências sentidas na pele pelo jornalista judeu, foi possível detalhar o tratamento desprezível e a vida degradante que os trabalhadores árabes levam.

Durante os 6 meses da reportagem, o jornalista passou por situações como trabalhar em um salão de festas em Tel Aviv, onde era obrigado a lavar chão e lavar pratos, em condições escravas e pouco higiênicas; trabalhar como mecânico em Jaffa e morar em uma hospedaria cheio de trabalhadores palestinos de todos os tipos; trabalhar como cozinheiro, ainda em Tel Aviv, nos fundos de um pequeno restaurante judeu, onde passava despercebido pelos freqüentadores do local, e outros exemplos.

Uma das passagens mais interessantes do livro é quando o autor se envolve com uma judia, que não sabia do seu disfarce. A relação era mal vista por ambas as partes, e por muitas vezes tiveram que esconder o romance.

Em outra ocasião, o jornalista se passou por voluntário em um kibbutz (uma espécie de albergue judeu), onde as pessoas são consideradas mais ‘liberais’. Não foi bem assim, apesar da curiosidade dos moradores do kibbutz, todos tinham medo que a qualquer momento o árabe explodisse a todos. A diferença, é que nesse local mais ‘liberal’, o medo era melhor disfarçado.

Também passou pela convivência árabe, se instalando em um campo de refugiados (área ocupada por militares judeus), onde entrou em contato com um estilo de vida precário, ouvindo o que os árabes pensavam sobre os judeus, em declarações cheias de preconceito e ódio. Além de sofrer duras repressões e violência por parte dos soldados israelenses.

Uma das passagens do livro nos transporta para o meio de uma “intifada”. A intifada foi a época de grandes tumultos e protestos dos árabes contra os ocupantes judeus. O autor nos passa o clima de tensão nos momentos que a violência reinava. Fora as interceptações em aeroportos e lugares público, por causa da aparência árabe, que ocorrem freqüentemente durante o livro.

Entre outras experiências, Yoram Binur conta um pouco da sua vida no exército de Israel, como os problemas e os abusos na corporação. Dessa forma, ele explora o lado negativo de ambas as partes.

Mesmo 20 anos após a publicação do livro, o tema ainda é bem recente. Parece impossível um entendimento entre judeus e palestinos que, apesar de vizinhos, permanecem em conflito. Mas, se a experiência de Yoram Binur ajudar um pouco, já é um grande passo.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sugestão












Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme), narra a história de Edith Piaf - a cantora francesa de cabaré mais famosa dos anos 30/40.

O filme acompanha a trajetória de Edith desde sua infância, onde chegou a morar em bordeis com a avó, até a última apresentação no Olympia de Paris, quando sua saúde e aparência já estavam comprometidas pela bebida e doses de morfina.

Grandes canções como "La Vie en Rose" e "Non, Je Ne Regrette Rien" trouxeram o sucesso internacional, fama, dinheiro, grandes amigos e grandes romances na vida peculiar dessa artista.

O ritmo acelerado em que vivia Edith Piaf era demais; ela morreu com apenas 47 anos.
Esse curto período de existência foi suficiente para consagrá-la no mundo da música, e merecer ganhar um filme em sua homenagem.

Na pele da personagem principal está Marion Cotillard, premiada com o oscar, na categoria melhor atriz, em 2007. Nada mais apropriado a um trabalho tão perto da perfeição.

Com uma ótima fotografia, 'Piaf' não romantiza a vida da personagem, como é comum em filmes biográficos, mas tenta ser verdadeiro (sem receio de mostrar cenas não agradáveis) ao contar a história de uma mulher que viveu o extremo do sofrimento e da conquista - para que hoje, pudesse ser considerada como uma das maiores cantoras da história.